• No results found

Preliminary drafts of “state of knowledge” of the potential impacts of escaped aquaculture marine

In document CM_2004_F_02.pdf (2.748Mb) (sider 44-77)

A avaliação é um dos instrumentos que integra e regula a prática educativa. Avaliar as aprendizagens e o desenvolvimento de cada criança, ainda que seja difícil, é uma das tarefas mais importantes no processo educativo, uma vez que permite ao educador ter a perceção do desenvolvimento das crianças e, consequentemente, das suas maiores dificuldades. Por outro lado, possibilita, por parte do educador, uma maior consciência da sua prática, para assim melhorá-la.

O Perfil Específico de Desempenho do Educador de Infância, relativamente à avaliação, destaca a ideia de que o currículo é concebido e desenvolvido, pelo educador, através da planificação, organização e avaliação do ambiente educativo, como também das atividades desenvolvidas, que visem a construção de aprendizagens ativas e

integradas. Avaliar pressupõe, então, a consciencialização da ação de forma a adequar o processo educativo às necessidades das crianças (Ministério da Educação, 1997).

Destaca-se que na EPE a avaliação assume um caráter formativo, que focaliza mais os processos do que, propriamente, os resultados e que procura que a criança construa ativamente os seus conhecimentos, cabendo ao educador saber se as crianças, em determinado momento, “dispõem ou não dos conhecimentos e capacidades necessários para efectuar uma aprendizagem” (Gouveia, 2007, p. 131).

Para este processo são essenciais técnicas e instrumentos de registo, documentação e avaliação que possibilitem responder às necessidades e particularidades do ambiente educativo e do grupo de crianças.

Recorreu-se ao Sistema de Acompanhamento das Crianças (SAC), preconizado por Portugal e Laevers, para se avaliar os níveis de bem-estar emocional e de implicação do grupo e de uma criança em particular. O SAC apresenta-se como um "instrumento de apoio à prática pedagógica que procura agilizar a relação entre práticas de observação, documentação, avaliação e edificação curricular" (Portugal & Laevers, 2010, p.74). Entenda-se por bem-estar emocional como o estado de sentimentos reconhecido pela “satisfação e prazer”, expresso pela criança quando está relaxada e “sente a sua energia e vitalidade” que é avaliado de acordo com os indicadores de abertura e recetividade, assertividade, flexibilidade, autoconfiança e autoestima, tranquilidade, vitalidade, alegria e ligação consigo próprio. (Portugal & Laevers, 2010, p.20). Já o grau de implicação é determinado pela particularidade e qualidade da atividade humana, percetível através da concentração e persistência, e caracteriza-se pela “motivação, interesse e fascínio, abertura aos estímulos, satisfação e intenso fluxo de energia” (Portugal & Laevers, 2010, p. 25). É avaliada segundo indicadores de expressão facial e postura, expressão verbal, energia, complexidade e criatividade, persistência, precisão, tempo de reação e satisfação.

Desta forma, atendendo aos indicadores processuais, de bem-estar emocional e de implicação, realizou-se a avaliação seguindo as três fases (ver quadro 6) propostas por Portugal e Laevers (2010).

Quadro 6 – Fichas SAC dirigidas ao grupo de crianças da sala Pré III.

Ficha de avaliação dirigida ao grupo Data de preenchimento Avaliação geral de grupo (Ficha 1g) – Diagnóstica 09/10/2013 Análise e reflexão do contexto educativo (Ficha 2g) 15/10/2013 Definição de objetivos e iniciativas dirigidas ao contexto educativo

(Ficha 3g)

16/10/2013

Avaliação geral do grupo (Ficha 1g) – Final 04/12/2013

Segue-se, assim, a avaliação de grupo, no que diz respeito à prática pedagógica desenvolvida ao longo do estágio.

4.5.1 Avaliação de grupo

Considerando que para se avaliar o processo educativo e os seus efeitos é fundamental tomar consciência da ação de forma a adequá-la às necessidades e evolução das crianças e do grupo (Ministério da Educação, 1997), no decorrer do estágio existiu esta necessidade de tomada consciência da prática desenvolvida e de reflexão sobre os seus efeitos, no que concerne ao bem-estar emocional e implicação do grupo.

A avaliação do grupo iniciou-se, então, com o preenchimento de uma ficha diagnóstica (1g), na qual foi possível constatar como é que as crianças se sentiam em relação ao contexto educativo. O preenchimento desta ficha realizou-se no início e no término do estágio, considerando os 5 níveis, sendo o 1 muito baixo e o 5 muito alto, de forma a verificar-se, através da comparação, se as estratégias utilizadas surtiram efeito (ver gráfico 2 e 3).

Gráfico 2 – Avaliação diagnóstica Gráfico 3 – Avaliação final do do bem-estar emocional e implicação. bem-estar emocional e implicação.

A partir dos dados obtidos, na avaliação diagnóstica, verifica-se que, em geral, as crianças apresentaram um nível médio/alto de bem-estar emocional e de implicação, encontrando-se, na sua maioria, nos níveis 3 e 4. Porém, cinco crianças encontravam-se entre os níveis 1 e 2 (muito baixo e baixo), dado que não se apresentavam implicadas nas atividades e não conseguiam se concentrar sendo, por vezes, agressivas e evidenciando sinais de desconforto. É de salientar que uma das crianças que se encontra no nível 1 é a criança com NEE, mais precisamente com Perturbação do Espectro do Autismo, tendo, contudo, ao longo da prática evoluído para o próximo nível. Desta forma, na avaliação final, verifica-se uma evolução do grupo para os níveis superiores de bem-estar emocional e de implicação, manifestada pelo sentimento de pertença ao grupo e ao contexto educativo e pelo entusiasmo expressado.

Os dados obtidos na ficha 1g (diagnóstica) conduziram ao preenchimento das fichas 2g, onde se procurou obter mais informações sobre o contexto educativo, analisando e refletindo sobre aspetos positivos e negativos. Desta análise surgiu a necessidade de definir estratégias e ações a desenvolver no sentido de um melhoramento da qualidade educativa e, consequentemente, de níveis de bem-estar e implicação superiores. Assim sendo, no preenchimento da ficha 3g, foram definidas várias estratégias considerando a oferta educativa, o clima do grupo, a organização e o espaço para iniciativa (Portugal & Laevers, 2010). As respetivas fichas de avaliação do grupo,

0 2 4 6 8 10 12 1 2 3 4 5

Nível de bem-estar emocional Nível de implicação 0 2 4 6 8 10 12 1 2 3 4 5

Nível de bem-estar emocional Nível de implicação

correspondentes às três fases, encontram-se disponíveis nos apêndices (ver apêndices K – M).

Conclui-se, assim, que no decorrer da intervenção pedagógica, o grupo evidenciou uma evolução positiva ao nível do bem-estar emocional e da implicação, permitindo-lhes sentirem-se à vontade e confiantes, serem genuínas e satisfazerem as suas necessidades no contexto educativo.

In document CM_2004_F_02.pdf (2.748Mb) (sider 44-77)