4 Forskningsdesign og metode
5.1 Hvordan preges lederrollen til offiserer av henholdsvis styring og ledelse?
3.2.1 O conceito de material didático
O material didático integra um conjunto de recursos dos quais o professor se vale na sua prática pedagógica, entre os quais se destacam, entre outros, o livro didático (ou manual escolar) 21 (CHOPPIN, 1992), os textos, os vídeos, as gravações sonoras e os materiais auxiliares ou de apoio, como gramáticas, dicionários. (BRASIL, 2006).
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Para Gérard e Roegiers (1998) “livro didático” e “manual escolar” são equivalentes, contudo, o termo manual tem uma conotação mais institucional (a escola selecionará manuais), e o livro uma conotação mais afetiva (o aluno trará seu livro). Neste trabalho, utilizaremos “livro didático” e “manual escolar” como sinônimos.
O ensino de língua estrangeira tem recorrido, ao longo do tempo, à utilização de material didático, em múltiplos suportes que estabelecem entre eles relações de complementaridade (CHOPPIN, 2004). O material didático de língua estrangeira é normalmente apresentado como uma parte de um pacote, integrando, desde o livro didático a outros recursos, que podem ser de natureza audiovisual (STRECHT-RIBEIRO, 2005; VASSILAKIS, 1997), complementares (caderno de exercícios, gramática, dicionários, etc.) (GÉRARD; ROEGIERS, 1998).
A Internet, no ensino de uma língua estrangeira, pode apresentar o caráter de um repositório estático de informação, ou então, assumir as características de um espaço interativo de troca de experiências, de recursos e de construção coletiva de conhecimento. Na Internet, estão disponíveis dicionários, glossários, etimologias, gramáticas, manuais de conteúdo específico e exercícios. Contudo, a utilização da Internet no ensino de uma língua estrangeira apresenta potenciais que vão além do simples repositório de informação. Além de estabelecer um diálogo entre o aluno e o professor, contribui para a construção do aprendizado entre colegas, ao serem utilizadas, por exemplo, ferramentas de interação, ou para a elaboração de textos coletivos, utilizando ferramentas específicas.
No ensino de língua estrangeira, além dos materiais elaborados com critérios e objetivos específicos, de forma a atender a questões pedagógicas relativas ao ensino, podem ser também utilizados materiais autênticos, que são documentos escritos ou orais, concebidos por autóctones para autóctones, sem terem por fim a utilização pedagógica para o ensino de línguas, e que podem ser escritos – artigos de jornal; ou audiovisuais - vídeos com programas de TV, etc. (STRECHT-RIBEIRO, 2005).
Numa tentativa de caracterização dos materiais didáticos utilizados no ensino de língua, Strecht-Ribeiro (2005) propõe a divisão em dois grupos, tendo como referência a forma e o conteúdo. Quanto à forma, o autor refere os documentos sonoros e os visuais. Os documentos sonoros são suporte para a aprendizagem dos aspectos fonológicos da língua,
discriminação e articulação dos sons, ritmo e entoação, fornecendo um modelo lingüístico estável e variado, que podem ser fortemente motivadores. Os documentos visuais recorrem à imagem para apoiar a compreensão da mensagem, acompanhando o texto verbal, explicitando-o.
A imagem possibilita aceder ao sentido dos enunciados, mesmo antes da compreensão do seu significado, integrar língua e cultura, apreciar modelos de comportamento diferentes. Quanto ao conteúdo, o autor menciona os materiais que desenvolvem a capacidade de compreensão e proporcionam meios lingüísticos de base, que permitem trabalhar pronúncia, memorização e desenvolvimento da acuidade auditiva (jogos, rimas e poemas, canções, histórias) e os materiais que servem de suporte a atividades em que o aluno vai reutilizar os conceitos apresentados em contextos diferentes, podendo assumir a forma de fichas de trabalho, tarefas práticas e atividades manuais.
O método Reflets-Brésil utiliza como instrumentos auxiliares do processo de ensino e aprendizagem o vídeo e o livro didático (apesar de disponível em formato eletrônico, o objetivo é que o aluno, ou o professor, o imprima(m), e o utilize(m) como livro didático). Neste trabalho, quando for referido o conjunto do vídeo e do livro didático, ele será designado como material didático. Quando mencionados individualmente, será especificado vídeo e livro didático, sendo este apresentado como sinônimo de manual escolar.
3.2.2 O livro didático
Apesar de serem utilizados vários materiais didáticos, o manual escolar tem adquirido, ao longo dos anos, particular relevância no ensino de língua estrangeira. Considerando isso e o fato de o próprio método Reflets- Brésil ter recorrido a ele, dedica-se agora particular atenção à conceituação e à evolução do livro didático.
3.2.2.1 O conceito e as funções do livro didático
O conceito de livro didático não é consensual, existindo várias propostas, cada uma delas ressaltando um pormenor específico da realidade vivenciada, quer seja no seu processo de produção, quer na distribuição, quer no consumo.
A primeira definição normativa relativa ao livro didático no Brasil veio referida no Decreto-Lei n.º 1.006, de 30 de dezembro de 1938. O documento considera os compêndios “livros que exponham, total ou parcialmente, a matéria das disciplinas constantes dos programas escolares”, e livros de leitura de classe, “usados para leituras dos alunos em aula” (BRASIL, 1.006/1938, Art. 2º, § 1º e 2º).
Em 1976, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros considerou os livros didáticos agentes culturais por excelência, que se destinam a instruir, auxiliando o professor em uma área do conhecimento humano. Relembra-se que as Orientações Curriculares para o Ensino Médio de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (2006) incluem o livro didático no conceito mais amplo de material didático, que se caracterizam como o conjunto de recursos utilizados como elemento de mediação na prática pedagógica. No Thesaurus Brasileiro da Educação, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o livro didático é caracterizado como sendo geralmente impresso, servindo a um objetivo de educação e abrangendo um campo definido de estudo.
Gérard e Roegiers (1998, p. 19) reforçam esta idéia, ao afirmarem que o manual escolar é “um instrumento impresso, intencionalmente estruturado para se inscrever num processo de aprendizagem, com o fim de lhe melhorar a eficácia.”
Estas duas propostas de conceituação do livro didático estão em concordância com o PNLD para 2008, que o apresenta como o livro
elaborado para ser utilizado no processo de ensino-aprendizagem escolar, tendo em vista um uso tanto coletivo (em sala de aula, sob a direção do professor), quanto individual (em casa). Esse livro didático deve organizar- se em relação a um programa curricular, de acordo com uma progressão de conteúdos, definida em termo de série, ano ou ciclo.
Para tentar conseguir uma compreensão mais exata do que se entende por livro didático, propomos a conceituação apresentada por Cabral (2005), em que o manual escolar é considerado um instrumento auxiliar do processo de ensino e aprendizagem, estruturado e especificamente destinado ao trabalho autônomo do aluno, que visa contribuir para o desenvolvimento de capacidades, para a mudança de hábitos de estudo e interiorização de valores cívicos e democráticos, e para a aquisição de conhecimentos propostos nos programas em vigor, apresentando a informação correspondente aos conteúdos nucleares das rubricas programáticas, podendo, ainda, conter elementos para o desenvolvimento de atividades de aplicação e avaliação da aprendizagem efetuada22. Neste estudo, considera-se a sugestão conceitual de Cabral (2005).
Se, no que diz respeito à conceituação do livro didático, é possível encontrar várias propostas, em relação às suas funções, há uma unanimidade, pelo menos, em relação aos pressupostos gerais. No estudo, recorre-se às idéias de Lajolo (1996), Gérard e Roegiers (1998) e Bruillard (2005).
O manual escolar dirige-se, simultaneamente, a professores e alunos e apresenta-se como elemento fulcral na produção, circulação e apropriação de conhecimentos decisivos para a qualidade do aprendizado, resultante das atividades escolares (LAJOLO, 1996). Conforme utilizado pelos professores ou pelos alunos, o livro didático preenche funções diferentes.
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Marianela Cabral (2005) apresenta este conceito, subsidiada em alguns dos documentos que subsidiaram a Reforma Curricular do Ensino Básico português, especialmente o Decreto-Lei n.º 360/90 e o Relatório sobre Manuais Escolares, elaborado pelo Grupo de Trabalho constituído pelo Despacho n.º 43/MEC/97 de 17 de março.
Quando usado pelo aluno, Gérard e Roegiers (1998) apontam no manual escolar funções relacionadas com a aprendizagem e com a vida quotidiana e profissional. Como ferramenta de aprendizagem, o livro procura possibilitar a transmissão dos saberes, o mesmo é dizer, comunicar ao aluno uma série de informações que ele deverá, no essencial, reproduzir. Contudo, a sua função vai mais além, abrangendo também a consolidação das aquisições, pela avaliação da aprendizagem, numa perspectiva formativa de diagnóstico das dificuldades encontradas e o encontro de caminhos de remediação.
No que diz respeito às funções relacionadas com o estabelecimento de ligações com a vida quotidiana e profissional, o manual escolar promove a autonomia do aluno, a estruturação do espírito e a iniciação estética e cultural. Possibilita, também, ao aluno acessar um conjunto de referências básicas de informação sobre a realidade que o rodeia, bem como sobre elementos sociais e culturais. Além disso, permite a integração das aquisições, que pode ser vertical, quando a conexão dos saberes se dá antes e depois de uma mesma disciplina, ou horizontal, quando se trata da combinação de capacidades e de competências adquiridas através de diversas disciplinas (GÉRARD; ROEGIERS, 1998).
Para atingir o cumprimento dessas funções, o livro didático deverá possibilitar ao aluno as condições para a construção do conhecimento e a aquisição de métodos, atitudes e hábitos de trabalho e vida, a partir de uma proposta pedagógica que lhe atribua um papel ativo num processo de ação- reflexão-ação. Esse processo deve promover a aquisição de novos conhecimentos a partir da integração entre o que é proposto para estudo e as suas competências individuais, com base na síntese, integração e transferência. Esse processo deve envolver a resolução de situações- problema significativas e próximas de situações da vida profissional, social ou pessoal, bem como a responsabilização do aluno na avaliação das suas aprendizagens e produções e na interação favorecedora de conflitos sócio- cognitivos (GÉRARD; ROEGIERS, 1998).
A Secretaria de Educação do Estado da Bahia, nas Orientações para o Plano do Livro Didático para 2008, aponta como funções do livro didático no que se refere ao aluno:
Transmissão de conhecimentos
É o mínimo que o livro pode oferecer. É importante verificar quantos e quais conteúdos são abordados e a forma como foram distribuídos e organizados, considerando o planejamento da escola
Desenvolvimento de capacidades e competências
Um bom material não pode deixar de contemplar esta função. Este quesito permite verificar se o aluno é tratado como aprendiz, como sujeito que toma parte ativa no processo de ensino/aprendizagem
Consolidação de conhecimentos práticos e teóricos adquiridos
A importância de enfatizar o caminho indutivo para possibilitar uma efetiva apropriação dos conhecimentos pelo aluno.
O lugar e a importância de atividades e exercícios de aplicação do conhecimento a novas situações são mais eficazes que as inúmeras repetições
Avaliação dos conhecimentos práticos e teóricos adquiridos
O livro didático pode contribuir tanto para a localização das eventuais dificuldades de aprendizagem, quanto para a sua superação.
Um bom livro didático inclui a avaliação e a auto- avaliação do aluno. É importante que o livro didático deixe claro os objetivos a atingir pelo aprendiz.
Referência para informações precisas e exatas
O livro didático pode e deve funcionar também como fonte para o estudo individual.
Quadro 5 - Funções do livro didático no que diz respeito ao aluno. Fonte: Governo do Estado da Bahia (2007).
As funções do manual escolar relativas ao professor, ainda de acordo com Gérard e Roegiers (1998), estão associadas essencialmente à proposta didática, constituindo um fator de desenvolvimento e inovação pedagógica. Para atingir esse objetivo, o livro didático deve orientar o docente na busca de caminhos possíveis para sua prática pedagógica, sugerindo “pistas” para a exploração de percursos de planejamento, gestão de sala de aula e ensino/avaliação inovadores. Deve também veicular informação científica indispensável ao seu trabalho, atualizada e contextualizada sobre os conteúdos disciplinares numa perspectiva
intradisciplinar e interdisciplinar. A utilização do manual escolar deve ser encarada pelo professor como auxílio ao processo de ensino, contudo não pode deixar que o livro didático tenha uma influência direta no que se ensina e como se ensina, vinculando ao livro didático a definição da proposta pedagógica, da proposta metodológica, da estratégia de ensino e da determinação dos conteúdos (GIBSON, 2002; LAJOLO, 1996).
A função docente não pode perder a sua significação determinante da dinâmica educativa, transformando-se em um simples repassador- reprodutor da mensagem veiculada no livro didático. Inconscientemente ou não, o professor não se pode esconder atrás da legitimidade e da autoridade do manual escolar, hiper-valorizando e reconhecendo a sua autoridade como instrumento essencial no processo de ensino aprendizagem (NÓVOA, 1995).
Para a Secretaria de Educação do Estado da Bahia, nas Orientações para o Plano do Livro Didático para 2008, as funções do livro didático, no que se refere ao professor, envolvem vários pormenores.
Informação científica e geral
Qualidade, correção e atualização das informações
Formação pedagógica diretamente relacionada à disciplina em questão
Ao incorporar adequadamente as transformações e conquistas nas diferentes áreas do saber, o bom livro didático contribui para a sua formação continuada.
Ajuda na gestão das aulas
O livro didático deve oferecer um roteiro ou plano detalhado para aulas, sem transformar o professor num simples monitor do livro. O livro didático que encaminha um diálogo em que o docente desempenha papel ativo e crítico é o desejável. De sua parte, o professor também deve pensar nos usos diferenciados que um livro didático pode permitir.
Ajuda na avaliação dos conhecimentos práticos e teóricos
adquiridos
Sem substituir o professor, o livro didático deve contribuir para a avaliação da aprendizagem que propõe.
Quadro 6 - Funções do Livro Didático no que diz respeito ao professor. Fonte: Governo do Estado da Bahia (2007).
O livro didático deve ser utilizado pelo professor como um elemento auxiliar para conduzir os alunos na construção do conhecimento e do
pensamento crítico. Nesse processo, de acordo com Bruillard (2005), devem estar envolvidos não só o professor, o aluno e o livro didático, mas também a instituição de ensino e o contexto sócio-cultural a que pertencem. O manual escolar funciona, pois, como um elo intermediário entre os programas, o conhecimento dos peritos, o perfil profissional, as práticas dos docentes, os alunos e também os pais. O esquema abaixo procura ajudar na compreensão do processo.
Figura 3 - O livro didático face às múltiplas influências que sofre.
Fonte: Bruillard (2005).
Não se podem esquecer, contudo, alguns condicionantes à utilização do manual escolar pelo aluno e pelo professor, impostos, entre outros, pelos órgãos definidores das políticas educacionais e pela própria sociedade. Essas entidades, entre as quais o Ministério da Educação, quando definem os referenciais legais e políticos que envolvem a regulamentação e a adoção do livro didático, podem terminar por condicionar a intervenção do professor e dos alunos no processo.
3.2.2.1.1 A evolução do livro didático
A evolução do livro didático, ao longo do tempo, ocorreu como reflexo da natureza dos conhecimentos disponíveis em cada momento, do nível de desenvolvimento em que eles se encontram e das expectativas da sociedade em relação a esses conhecimentos, considerando a formação das novas gerações, das propostas pedagógicas e dos recursos tecnológicos disponíveis para a sua produção (SAVOIRLIVRE.COM, 2006).
Esse contexto tem oportunizado as condições para uma crescente exigência da sociedade, face à escola, de uma postura ajustada às necessidades dos alunos. Isso conduziu ao abandono da visão tradicional de livro didático, destinado às massas uniformizadas, e apresentando um caráter enciclopédico, com o qual o professor trabalhava, assumindo o papel de condutor unidirecional do processo de ensino. Hoje, o livro didático procura oportunizar as condições para que o professor, assumindo um papel de parceiro, considere as necessidades específicas do aluno (SAVOIRLIVRE.COM, 2006).
Tendo esses pressupostos como suporte para o estudo, a compreensão da evolução histórica do livro didático respaldar-se-á nas idéias de Chopin (2004), Vassilakis (1997) e Archambault (2001).
Chopin (2004) afirma que, tradicionalmente, o livro didático tinha como função, quase exclusiva, a transmissão de informação, identificando- se com uma proposta enciclopédica, nele se encontrando condensados os conteúdos indispensáveis ao conhecimento das diferentes áreas. Apresentando uma proposta pedagógica diretiva, seguia o programa rigorosamente, de acordo com uma progressão rígida, estruturada em capítulos e temas. O professor transformava-se em um simples veiculador de conteúdo, com pouca liberdade para tomar decisões com autonomia. O livro didático possibilitava, desse modo, uma relativa uniformidade no trabalho, com diferentes professores e alunos (VASSILAKIS, 1997).
Hoje, no entanto, pode assumir diversos papéis, que variam em função do usuário, do contexto, da área de conhecimento para que é elaborado, do nível de ensino a que se destina, dos métodos e das formas de utilização. Abandonou o posicionamento de obra enciclopédica de referência, para se transformar numa ferramenta de apoio ao trabalho do professor. Este tem a autonomia, para selecionar o itinerário de estudo a propor aos seus alunos, de entre uma pluralidade de opções, e não mais em função de um percurso rigidamente definido e seqüencial (ARCHAMBAULT, 2001).
O manual escolar, além da linguagem escrita, procura utilizar, de modo eficiente, outras linguagens do ponto de vista da apresentação, do grafismo, da ilustração, do iconografismo e da organização interna (BERGERON, 2006).
Com a contribuição das novas tecnologias, existe a possibilidade de o livro didático encontrar formas alternativas de organizar os conhecimentos, de modo a extrapolar uma visão linear, compartimentalizada e hierárquica que dificulta a construção significativa dos novos conhecimentos, oportunizando ao aluno a possibilidade de construir múltiplos sentidos. O manual escolar tenta conviver com um universo de linguagens e meios de informação, que se vai ampliando e diversificando e em que a imagem visual se sobrepõe aos efeitos de outros tipos de mensagens, nomeadamente as do texto escrito (ARCHAMBAULT, 2001).
Com base nas pesquisas de Simone (2000), sobre o reflexo das novas tecnologias nas habilidades para o processamento da informação, temos a referência para afirmar que a evolução do livro didático, de uma estrutura linear para uma estrutura hipertextual, surgiu como reflexo da transformação de uma proposta de inteligência seqüencial, que se caracteriza pelo que a autora refere como visão alfabética, vinculada à análise e à articulação de estímulos lineares, associados ao livro e à escrita; para uma proposta de inteligência simultânea, que se caracteriza pela simultaneidade dos estímulos e da elaboração, mediados pelo ouvido e
pela visão não-alfabética, associada à leitura de imagens. O manual escolar quebrou a estrutura interna linear e mimetiza a hipermídia, possibilitando, desse modo, a oportunidade para múltiplas leituras.
Recorrendo a Lévy (1993) e às suas referências a texto e hipertexto, e não esquecendo que, de acordo com o autor, “um texto já é sempre um hipertexto” (LÉVY, 1993), poderemos referir que o livro didático procura, hoje, estabelecer uma rede de ligações não-lineares para a organização de dados, aquisição de informações e para a comunicação.
O manual escolar remete para outras leituras e fontes de informação, abandonando o aspecto de obra de referência e valorizando uma participação ativa do professor, como orientador de uma aprendizagem centrada na realidade do aluno, enquanto participante do processo de construção do seu conhecimento (MAGALHÃES, 1999; CHOPPIN, 2004).
Apresenta-se suficientemente flexível em face de um público heterogêneo, possibilitando viabilizar múltiplos percursos didáticos. Fomenta a interação, a interdisciplinaridade e a autonomia, apela à expressão de sentimentos e atitudes, visando possibilitar uma aprendizagem atrativa e motivadora (VASSILAKIS, 1997).
De acordo com Choppin (2004), o livro didático se situa, nos nossos dias, no cruzamento de três influências que marcaram a sua evolução ao longo do tempo:
- a literatura religiosa, que inspirou o manual escolar nos seus primórdios, procurando uma edificação religiosa ou moral do aluno, e adotando, freqüentemente, uma estrutura idêntica à dos catecismos;
- a literatura didática, técnica ou profissional, associada à
valorização do trabalho como virtude e à divisão do mundo numa articulação dialógica entre o bem e o mal, expressa em heróis
positivos, dedicados ao seu trabalho, com os quais os alunos se deveriam identificar, e heróis negativos, de mau caráter, preguiçosos e, por isso, condenados ao insucesso;
- a literatura de lazer, tanto a de caráter moral, quanto a de recreação, que, inicialmente, se manteve separada do universo escolar, mas cujo dinamismo e características essenciais os livros didáticos tendem, na atualidade, a incorporar.
O manual escolar, desse modo, não só atende aos objetivos expressos nos programas das áreas de conhecimento, mas contempla, também, objetivos educacionais gerais expressos, por exemplo, nos referenciais normativos que regulamentam os pressupostos da convivência democrática e cidadã. Visa, também, atender às características inerentes ao desenvolvimento, associado ao nível etário dos alunos, às suas