4 The economic effect of policy uncertainty
4.2 Predictive and explanatory power
O quarto Eixo desta pesquisa, chamado de Eixo Crítico Gestão de Materiais objetiva a entrega de produtos ou serviços ao cliente no tempo certo, compreendendo atividades como relacionamento com fornecedores, administração de estoques, transportes, distribuição e armazenagem ao longo de todo o canal de distribuição.
Para os fins deste trabalho, cabe demarcar a definição do Eixo Crítico Gestão de Materiais. Neste sentido, o Eixo Crítico Gestão de Materiais fundamenta-se no controle e sincronia entre pedido, armazenagem, níveis de estocagem, movimentação e distribuição de suprimentos ao longo de toda a cadeia.
Conforme Buosi e Carpinetti (2002) o canal de distribuição é o conjunto de empresas em que ocorre a troca de produtos e serviços em um determinado macro-processo, desde a aquisição inicial de matérias-primas até a entrega ao consumidor final. Em geral, este conjunto de empresas é formado por organizações que possuem interdependência.
Devido a esta interdependência, as empresas estão adotando um relacionamento de parceria e confiança com o canal de distribuição, procurando conjuntamente solucionar problemas de qualidade do produto, custos elevados, prazos de entrega, capacidade produtiva, gargalos escondidos e desperdícios (ALVES, 1998).
Para assegurar a qualidade do fornecimento, os fornecedores podem focar esforços no contínuo aperfeiçoamento de seus produtos, processos e na eliminação de desperdícios. Os
estoques desempenham um importante papel neste quesito, pois são constituídos por todos os insumos do processo de fabricação como matéria-prima, material de embalagem, produtos em processamento e produtos acabados.
O termo estoque representa um conjunto de insumos de propriedade de uma empresa, que são consumidos pelo processo de produção de produtos para a venda futura. Sua importância é crescente e se traduz devido à variância da demanda, onde pequenas mudanças podem alterar drasticamente o desempenho, interferindo na responsividade de atendimento ou na eficiência em custos. Uma correta administração do sistema de estocagem se traduz em duas funções principais: manutenção do estoque e manuseio de estoques. A manutenção do estoque refere-se à administração do acúmulo de materiais por um determinado período de tempo e o manuseio, por sua vez, refere-se aquelas atividades de carregamento e descarregamento, movimentação e separação do pedido (BALLOU, 2001).
Manter itens em estoque tem pode trazer contribuições para o resultado da empresa significativas como, por exemplo, a responsividade de pronto atendimento e a exploração da economia de escala, mas por outro lado, pode contribuir negativamente, como por exemplo, prejudicar a eficiência em custos. Bowersox e Closs (2001), afirmam que as decisões que envolvem os estoques, geralmente, ocasionam um grande impacto na cadeia de suprimentos.
Manter quantidades de insumos em estoque inferiores a demanda do mercado, pode gerar insatisfação nos clientes, devido ao não atendimento da necessidade, perda de vendas e conseqüentemente redução na participação do mercado que atua.
Porém, quando a quantidade estocada é elevada, pode ocasionar uma perda financeira, através da obsolescência dos insumos e custos de manutenção para preservar a integridade dos materiais, desencadeando a redução de lucratividade.
Manter itens estocados demanda um custo elevado para a empresa com seguros, armazenagem, embalagens, custos com deterioração, obsolescência, danos e furtos, custos com o processo de aquisição, entre outros. Por estes elementos é que as organizações buscam garantir uma determinada disponibilidade de produto com o menor nível de estoque possível. Chopra e Meindl (2003) afirmam que o estoque é o principal fator gerador de custos em uma cadeia de suprimentos. Como estoques elevados sãogeradores de custos para as organizações, Wanke (2003), coloca alguns elementos motivadores para reduzi-los:
b) O elevado custo de oportunidade de capital;
c) O crescente foco na redução do Capital Circulante Líquido (diferença entre ativo circulante e passivo circulante), muito analisado para a valoração da empresa no mercado.
Outro elemento considerado importante para a redução de estoques é o alcance de melhores níveis de qualidade, pois altos níveis de estoques mascaram problemas como falta de informações corretas de produção, falta de informações de demanda, distorções em custos, sazonalidades de produtos, entre outros.
Uma política de gestão de estoques adequada deve administrar o difícil dilema entre minimizar custos de manutenção de estoques e satisfazer a demanda do cliente (SILVEIRA, ALVES e TORTATO, 2009).
Na cadeia de suprimentos automobilística, conforme Graziadio (2004) a montadora produz somente conforme a demanda reduzindo assim os estoques aos mínimos níveis possíveis, recebendo o insumo no ponto da linha onde será utilizado e no momento exato da utilização, conforme o sistema Just in Time1
.
Para receber o insumo no ponto da linha de produção no momento em que será utilizado, a cadeia necessita de definições relacionadas ao quesito transportes como tempos de atendimento, distribuição, equipamentos de movimentação, entre outros.
O quesito transportes é constituído pelo movimento do produto de um local até outro, partindo dos fornecedores da cadeia de suprimentos até a entrega ao cliente final. Pode ser realizado por diversos modais com rotas diferentes, cada um com características e valores particulares de desempenho (CHOPRA e MEINDL, 2003).
Sua importância se traduz devido à velocidade e agilidade na entrega, onde rotas e modais de transporte deficitários com menores custos podem comprometer a responsividade, porém, rotas e meios de transporte eficientes com maiores custos, comprometem a eficiência financeira da cadeia.
Dois atores são significativos no processo de transporte numa cadeia de suprimentos: o embarcador e o transportador. Chopra e Meindl (2003) caracterizam o embarcador como o ator que necessita que o produto seja movimentado de um local para o outro dentro da cadeia. Já o transportador é aquele ator que efetivamente faz a movimentação do produto
1 Just in Time, também conhecido como JIT, na visão de Slack, Chambers e Johnston (2002) é um sistema de produção que visa produzir bens e serviços exatamente no momento em que são necessários.
Para estes dois atores, as perspectivas de custos de transporte são diferentes. O embarcador utiliza um meio de transporte que minimize seu custo total operacional e que atenda as necessidades de prazo, qualidade e segurança. Já o transportador tenta maximizar o retorno do investimento sobre os ativos que ele disponibiliza para o transporte. Para os autores Chopra e Meindl (2003), o transportador também norteia suas decisões relacionadas ao custo, focando suas análises em alguns critérios como custo relacionado ao veículo, custo fixo da operação e custo relacionado à viagem. Para minimizar estes custos relacionados ao transporte, a proximidade geográfica entre fornecedores e clientes numa cadeia de suprimentos facilita este processo, pois torna mais efetiva a movimentação de produtos, através de entregas sincronizadas, reduzindo assim custos operacionais e tempo de atendimento.
Para armazenar estoques, a cadeia de suprimentos necessita possuir instalações físicas que comportem os materiais com segurança e agilizem sua disponibilidade no momento da sua utilização. Chopra e Meindl (2003) colocam que as instalações físicas e sua localização são importantes, pois definem o grau de flexibilidade geral da cadeia.
Outros elementos, além dos locais físicos, são importantes no processo de armazenagem. Uma administração eficiente deste processo, pode viabilizar a otimização da movimentação e da utilização do armazém, o atendimento rápido ao cliente e à linha produtiva e a redução do índice de material obsoleto, reduzindo custos, melhorando a integração do processo de armazenagem com os demais processos e melhorando o atendimento ao cliente (VERÍSSIMO e MUSETTI, 2003).
No processo de armazenagem de materiais, as formas mais utilizadas, segundo Rago (2002) apud Veríssimo e Musetti (2003), são: verticalização dos estoques, automatização na armazenagem, automação da armazenagem, gestão de armazéns e endereçamento móvel. Já as funções específicas do processo de armazenagem utilizadas são: recebimento físico e contábil, identificação e classificação e conferência (qualitativa e quantitativa), endereçamento para o estoque, estocagem, separação de pedidos, reposição de estoques, preparação de carga, expedição ou atendimento à linha de produção e registro de todas estas operações.
Portanto, o propósito da armazenagem é prover espaço, tanto físico como organizacional, para o fluxo de materiais entre as funções comerciais e operacionais e, através
da integração de suas atividades, satisfazendo com a mais alta qualidade de serviços aos clientes, e ao custo mais baixo possível (VERÍSSIMO e MUSETTI, 2003).
Esta seção buscou apresentar o quarto eixo baseado nos fatores críticos de uma cadeia de suprimentos, sugerido pela autora e intitulado de Eixo Crítico Gestão de Materiais. Em linhas gerais, pode-se apresentar a funcionalidade dos estoques, meios de transporte, distribuição e sistemas de armazenagem.
2.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE COMPETÊNCIAS, NÍVEIS DE AGREGAÇÃO DE