• No results found

Predicting hourly flows at ungauged small rural catchments using a parsimonious hydrological model

Como foi apontado no capítulo 1, o método de observação utilizado na realização deste trabalho caracteriza-se como observação participante (Denzin, 1978; André & Lüdke, 2001). Esta participação do pesquisador durante o processo de observação varia dentro de um continuum, assim como o grau de explicitação de seu papel no contexto de pesquisa e seu propósito de estudo também varia dentro desse continuum. Junker (1971) apud André & Lüdke (2001) “situa quatro pontos dentro desse continuum: 1) participante total; 2) participante como observador; 3) observador como participante; e 4) observador total.”. Para nosso estudo, optamos pelo papel de “observador como participante”, segundo o qual a identidade do pesquisador e seus propósitos de pesquisa são explicitados ao grupo participante da pesquisa desde o início da observação. Ao mesmo tempo em que ao assumir

esta postura o pesquisador pode obter acesso às mais variadas informações dos participantes da pesquisa, as informações a ele reveladas também se restringem de acordo com as vontades dos membros do grupo pesquisado – o pesquisador só recebe a informação liberada pelo controle dos membros do grupo, segundo o que eles consideram que pode ou não ser revelado pela pesquisa. (André & Lüdke, 2001).

Registramos aqui algumas poucas observações das anotações feitas em sala de aula. A razão para o número reduzido de observações registradas nessa análise é uma conseqüência direta do fato de que as anotações das observações de aula, na verdade, além de servirem para que os participantes de pesquisa se sentissem mais confortáveis com a pesquisadora, destinavam-se a registrar possíveis ações e/ou reações que refletissem efeitos obtidos através de outros instrumentos de coleta de dados. Desta forma, as análises que mais dão suporte a este trabalho encontram-se nas seções que se remetem aos diários dialogados, aos questionários e às entrevistas. A maioria das reflexões baseadas em observações de sala de aula, encontrar-se-á na seção ligada à triangulação, uma vez que os resultados obtidos através dos diferentes os instrumentos de coleta de dados serão comparados e, então, as observações de sala de aula serão utilizadas como prova ou não dos demais dados coletados.

De uma forma geral, o que foi observado em sala de aula é a freqüência com que as atividades eram dirigidas para as discussões entre os alunos. O aspecto motivador de discussão variou durante o período de aulas. Textos do livro didático, músicas e aspectos sociais e/ou culturais do Brasil e textos de diferentes fontes trazidos por P1 para a aula foram alguns dos elementos utilizados. Dentre os temas abordados em sala, citamos mercado de trabalho, conflito agrário, carnaval, terceiro setor e favela.

Durante as discussões, apenas alguns termos novos eram escritos no quadro – normalmente, quando os alunos demonstravam não compreender o que P1 dizia. Observamos, também, que, praticamente, todas as vezes em que a professora escrevia algo no quadro, havia uma tendência de quase todos os alunos tomarem notas em seus cadernos. Essa ocorrência pode ser uma conseqüência de duas necessidades: ou de maior visualização de novos termos na L-alvo, por parte dos estudantes, ou de um registro que promova estímulo tátil, a partir do momento em que os alunos representam, graficamente, os termos

apresentados. Essas atitudes refletem, de uma certa forma, as categorias sensoriais visual e tátil, respectivamente.

Outro procedimento observado foi o de explicitação das estruturas da língua, na maioria das vezes, de acordo com as necessidades que surgiam durante as discussões. Assim, foi trabalhada a diferença entre mas e mais, isso e disso, alguns casos de regência verbal e nominal, o uso de preposições e suas contrações com artigos, os adjetivos e advérbios, entre outros aspectos discutidos. Normalmente, quando esses tópicos eram escritos no quadro, os alunos tomavam notas em seus cadernos, como faziam com os novos vocábulos que surgiam nas discussões em sala de aula. No entanto, no caso dos novos vocábulos, não eram todos os alunos que tomavam notas, mas com relação aos aspectos gramaticais, todos os estudantes copiavam o que a professora escrevia no quadro. E mesmo durante suas explanações sobre as estruturas lingüísticas, alguns alunos continuavam fazendo as suas anotações. Para o trabalho com os pontos gramaticais levantados, algumas vezes a professora optou pelo uso de contos em que os alunos deveriam encontrar tais estruturas em uso, no texto.

As atividades desenvolvidas em sala de aula são outra fonte objeto de análise. Já nos referimos a alguns materiais utilizados no processo de ensino-aprendizagem de PLE no contexto de pesquisa. Faz-se necessário enfatizar que as técnicas utilizadas nesse processo foram as mais variadas. Em diferentes situações, P1 propôs que os exercícios fossem realizados com colegas de sala (duplas ou grupo de três alunos26) ou individualmente; atividades de escrita – às vezes para que os alunos criassem situações, às vezes para que eles desenvolvessem a partir de um elemento inicial, como, por exemplo, somente o início de um conto brasileiro; leituras feitas em voz alta, em uma leitura grupal, ou em silêncio, individualmente; compreensão oral, acompanhado de anotações e/ou seguida de discussão em classe sobre o assunto. A diversidade de técnicas utilizadas permite que os alunos das mais distintas modalidades cognitivas encontrem momentos que correspondam às suas preferências e estilos de aprendizagem, fortalecendo o processo de ensino-aprendizagem.

26 Devido ao reduzido número de alunos integrantes dessa turma, às vezes não era possível realizar atividades com grupos de três alunos, às vezes essa possibilidade era criada desde que a professora se inserisse em um dos grupos. Apesar de ser uma solução freqüentemente adotada por outros educadores, esta opção não é a mais

Vale observarmos, no entanto, que um aluno cuja categoria sensorial preferencial seja a cinestésica, encontraria dificuldades no contexto do estudo realizado, uma vez que não houve atividades que satisfizessem as necessidades de um estudante com esse estilo de aprendizagem majoritário.

Ressaltamos, por outro lado, que todos nós apresentamos todas as modalidades sensoriais, diferindo somente na intensidade em que elas ocorrem em cada pessoa. Isso nos leva a concluir que, no caso de um estudante cujo estilo de aprendizagem majoritário seja o cinestésico, ele não deixará de aprender caso a cultura de ensinar do professor não corresponda sua cultura de aprender. O que pode ocorrer, neste caso, é a adaptação do aluno ao estilo de ensinar do professor, a utilização de suas estratégias de aprendizagem correspondentes a outras modalidades, não tão preferenciais, mas que têm grande peso em seu processo de internalização de novo conhecimento, ou então uma batalha constante durante processo de aprendizagem, podendo levar, em última instância, ao abandono do curso.

Em seguida, analisaremos os resultados obtidos através dos demais instrumentos de coleta de dados, os quais, como já mencionado anteriormente, dão mais sustentabilidade ao estudo de caso desenvolvido.