Apresentação:Apresentação: Apresentação:
Este projeto foi concebido no ano de 2004, para um terreno pertencente ao Condomínio do projeto anterior: o Green Village. A parcela possui 700m², formato padrão (retangular) e está situada num miolo de quadra de umas das ruas centrais do traçado urbano (Figura 101). O projeto possui 450,00 m² de área total, sendo dividida em dois pavimentos, mais um subsolo, o que resulta numa taxa de ocupação de, aproximadamente, 40% do lote.
Figura 101 - Planta de situação15 do lote no parcelamento do condomínio
A concepção da “Residência Adriana” foi tomada como contraponto à análise feita para a concepção da “Residência Larissa”. Primeiramente, porque esta residência também foi fruto de uma reforma que teve como principal exigência a mudança da estética visual da obra edificada. Depois porque este projeto apresentou duas novas características que entraram em jogo no seu processo de concepção 1) A organização espacial da casa não foi avaliada de maneira negativa, por isso, não sofreu grandes modificações e 2) O formato, localização e dimensões da parcela, ofereceram condições bem menos favoráveis que as do projeto anterior. Portanto, a intenção deste contraponto é perceber as semelhanças e diferenças existentes entre as duas situações projetuais que, em parte, se assemelham, em outra, se diferenciam.
Dois fatos necessitam ser destacados: Este foi o primeiro projeto para o qual a arquiteta concebeu a porta social com escala grandiosa e a
encomenda da “Residência Larissa” foi feita porque a cliente gostou do resultado estético alcançado após a reforma da “Residência Adriana”. Ou seja, o projeto anteriormente analisado, faz referencia a este.
Análise: Análise:Análise: Análise:
Devido às reduzidas dimensões do lote e ao extenso programa de necessidades exigido no projeto, o índice de aproveitamento do solo foi utilizado foi muito próximo ao limite permitido. Portanto, o tamanho, o formato e os limites da parcela influenciaram tanto a distribuição espacial já existente (espaço arquitetural que sofreu a reforma) quanto a atribuição das novas medidas ao espaço de concepção em questão (Figura 102).
Figura 102 - Planta baixa pavimento térreo
Diferentemente do anterior, este projeto seria implantado num local que ofereceria ao transeunte somente uma possibilidade de visibilidade externa. Melhor dizendo, todos os recursos, para a construção do novo resultado plástico, teriam que ser trabalhados na fachada frontal, ou seja, a mudança esperada teria que ser refletida, principalmente, por ela. Mudança para a qual foram utilizados os mesmos modelos simbólico-formais e dimensionais da concepção da “Residência Larissa”.
[...] ela queria morar rápido [...] achou que comprando a casa, dentro de cinco meses estaria morando lá [...] me consultou pra saber se ia dar certo porque a casa tinha uns materiais bem antiquados [...] esteticamente não
me agradava muito, além de outros problemas. [...] Resumindo, de especial, nesta casa, também foi a transformação, mais por causa dos materiais, que eu também não tive limitação pra fazer o que eu quis. A planta não era tão ruim, mas eu deixei os cômodos mais amplos, mais claros (ARAÚJO, 2007).
Com o aumento de algumas exigências programáticas, e os recuos aproximando-se dos limites permitidos, o futuro espaço arquiteturológico poderia ocasionar uma sensação claustrofóbica, ao que a arquiteta tentou solucionar com algumas medidas funcionais tais como: 1) Eliminação de determinadas paredes internas; 2) Aumento do pé-direito na área social, embora esta seja, como já foi visto, uma medida cuja pertinência é mais simbólico-dimensional (Figura 103); e 3) Abertura da casa para o exterior (na área social) através de panos de vidro e venezianas, trazendo, na medida do possível, a luz natural e a natureza (jardins criados) para bem próximo da arquitetura, desfazendo limites, ao menos visualmente, entre exterior e interior (Figura 104).
Figura 103 - Corte transversal
Figura 104 - Fachada frontal
Outra característica reforçada pelas dimensões reduzidas do lote foi a adoção mais precisa de um ponto de visibilidade “introvertido”. Tomando-se como referência o espaço de concepção contido no lote, pode-se dizer que existe um ponto de visão “extrovertido”: o mirante que oferece vistas à parte interna do condomínio, ou seja, para além e para fora da residência; e um “introvertido”: a área de lazer para onde a visão é direcionada, uma vez que, todos os cômodos da área
social e a maior parte da área intima, possuem esquadrias abertas para este espaço (Figura 102 e Figura 105).
Figura 105 - Planta baixa do pavimento superior
A forma geométrica quadrada e sua variação retangular é a base
para toda a concepção do projeto, tanto nas definições espaciais em duas dimensões quanto em três dimensões, interiores ou exteriores. A única parte do projeto em que há presença do traçado orgânico é na piscina e, para acompanhar esta curva, a arquiteta reproduziu o traçado nos espaços contíguos a ela: o terraço da área de lazer e o mirante que lhe dá vistas.
O jogo volumétrico deste projeto é citado pela arquiteta como a característica mais marcante da obra e, embora ela classifique a obra como modernista por causa do jogo geométrico entre “formas puras”, faz-se necessário destacar que a tal volumetria é, visivelmente, desligada da funcionalidade (Figura 106). A própria arquiteta revela que a concepção desta casa começou pela volumetria e estudos de fachadas. Percebe-se, então, que o discurso da planta geradora, característico dos modernistas da primeira fase, não tem relação com as atitudes tomadas neste projeto.
Figura 106 – Croqui da perspectiva (vista frontal)
Analisando-se as plantas, mais especificamente suas linhas perimétricas, percebe-se a criação de saliências e reentrâncias funcionalmente injustificadas, somente na fachada frontal (Figura 107), exatamente a que se volta para a rua, o lugar para o qual a residência tem que ser fechar (garantindo a privacidade interior) e, ao mesmo, tempo se mostrar (buscando a sedução pelo exterior).
Figura 107 - Detalhe das saliências e reentrâncias (na planta baixa do pavimento superior)
Pontuadas algumas diferenças, no decorrer desta análise, com relação a este processo de concepção e o da residência anterior, deve-se, no entanto, atentar para o fato de que existem mais semelhanças. Embora as condições sejam diferenciadas, continuam a mesma relação de dominância das
escalas simbólico-formal e dimensional, também ocorre a adoção dos mesmos modelos funcionais - de segregação espacial - e formais de composição
arquitetônica e busca por uma linguagem simbólica predeterminada que é uma mistura de modelos substratos, extraídos da vasta experiência profissional da
arquiteta e de modelos teleológicos, advindos de uma interpretação particular que a arquiteta faz de uma parte da história da arquitetura moderna.
9.3 RESIDÊNCIA ISABEL