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5. Diskusjon

5.5 Praktiske implikasjoner

Conhecer o peso da exogamia de uma comunidade não basta para avaliar o grau de atracção que essa comunidade exercia sobre os que tinham as suas raízes no exterior. Já tínhamos, na parte deste trabalho dedicada ao estudo da Nupcialidade, analisado os nubentes quanto à sua naturalidade, independentemente de se terem fixado na paróquia ou não. Seremos agora mais restritivos, debruçando-nos apenas sobre os que, casando na Ericeira, aí permaneceram, já que são esses os que representam verdadeiras “entradas” na paróquia.

Não nos é possível saber quais as razões concretas por que aí se fixaram aqueles ou aquelas que contraíram matrimónio na paróquia – sobre essas razões poderemos

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Sobre a formação da colónia Nova Ericeira ver: de Walter F. Piazza – Santa Catarina: sua História, p. 240-243; de Henrique Boiteux – Os Municipios de Tijucas Grande e Porto Bello, p. 15-18; e também, de Arlete Assumpção Monteiro – A Ericeira Brasileira: Trajectória de uma colónia portuguesa no litoral

apenas tecer hipóteses mais ou menos fundamentadas – mas foi certamente porque encontraram oportunidade para melhorar as suas vidas que esses homens e essas mulheres (ou os seus pais) trocaram os seus locais de origem por estas novas paragens.

Analisaremos o movimento de “entrada” associado ao casamento em São Pedro da Ericeira combinando a origem geográfica dos que aí casaram com o local onde se viriam a fixar dentro da paróquia – a Vila ou a periferia rural. Pretendemos com este exercício aproximarmo-nos, embora de forma grosseira, do perfil dos que aí passaram a residir de forma permanente.

Começámos por identificar, separando os sexos, os homens e as mulheres que casaram na Ericeira e que sabemos aí terem permanecido por se lhes conhecer actos vitais posteriores – nascimento de filhos ou óbitos dos próprios ou dos cônjuges. Classificámo-los em três categorias consoante as áreas geográficas de proveniência: os que provinham de paróquias circundantes (as que se inseriam num raio de 15 quilómetros em relação à Vila), os que eram naturais de localidades do litoral e os que não pertenciam a nenhum dos grupos anteriores. Apurámos depois como se distribuíram na paróquia de adopção.

QUADRO 46

ORIGEM E DESTINO COMBINADOS

% Paróquias de origem Local de fixação Homens Mulheres Vila Perif. rural Não identific

Total Vila Perif.

rural Não identific Total Circundantes 31 13 14 58 53 9 11 73 Litoral 10 0 1 11 7 0 0 7 Outras 23 2 6 31 15 1 4 20 Total 64 15 21 100 75 10 15 100

Encontrámos 526 homens e 333 mulheres que, não sendo naturais da paróquia, aí se casaram e viveram entre 1622 e 1855, tendo protagonizado respectivamente 23% e 14% dos casamentos realizados. Verificámos ainda que esta proporção, quando apurada por décadas, só muito raramente desceu abaixo dos 20% para os homens ao longo de toda a observação, enquanto o comportamento das mulheres se mostrou bastante mais irregular, afirmando-se principalmente a partir da primeira década do século XVIII. Foi

interessante verificar que os anos em que a afluência de indivíduos dos dois sexos à Ericeira se mostrou mais intensa foram os de 1760 a 1769, representando os homens não naturais de S. Pedro 40% dos casados na paróquia nessa década e as mulheres 25%. Dos homens que se fixaram na Ericeira, mais de metade proveio das paróquias circundantes – de cariz essencialmente rural – com destaque para as paróquias vizinhas de Sto. Isidoro, de Sto. André de Mafra e de N.ª Sr.ª do Porto, donde são originários 65% dos imigrados deste grupo. Fixaram-se maioritariamente na Vila (tal como todos os outros), embora um número não desprezível tenha permanecido ligado ao campo, optando por residir nos lugares e casais da periferia. O comportamento é ainda mais marcante nas mulheres que provêm das paróquias que se inscrevem num raio de 15 quilómetros: não só representam quase três quartos das que se fixaram em S. Pedro, como 67% são naturais das mesmas três paróquias limítrofes. Interessante notar que, apesar da semelhança de comportamento encontrada nos dois sexos, são raros os casamentos entre conterrâneos, prevalecendo em ambos os casos os casamentos mistos em que um dos cônjuges é de fora e o outro natural de S. Pedro.

Se olharmos para aqueles e aquelas que, provenientes do litoral, demandaram a Ericeira, encontramos a esperada apetência pela Vila, junto ao mar. Tratar-se-á de populações marítimas, seguramente. Vêm principalmente de Peniche, da Pederneira e de Cascais. Não é de excluir a hipótese de se estar perante redes parentais, para as quais o casamento representava um meio de estreitar laços e solidariedades.

Restam os outros, que têm em comum o facto de terem – algures no tempo – encontrado em S. Pedro condições para se estabelecerem e fundarem família. Provêm dos mais diversos lugares, do norte e do sul, da Madeira e dos Açores, de Espanha e de Itália. Fixam-se maioritariamente na Vila que, em franco crescimento, deve apresentar um mercado profissional mais alargado. O que os trouxe até S. Pedro? Conjunturas diversas, sem dúvida, mas uma merece ser destacada pela sua importância – a construção do Convento de Mafra, que se iniciou em 1717 e se prolongou por várias décadas, situada a escassos dez quilómetros da Ericeira, e que movimentou dezenas de milhar de homens. Alguns destes devem ter ficado por aquelas mesmas paragens, sem vontade ou sem meios para voltarem às sua terras. Foi o caso de Dionísio Carvalho, natural de Borba e morador em Mafra, que se casou em 23-5-1731 com Catarina Lopes, natural da Ericeira, onde ficaram a viver e de quem teve dois filhos. Foi o caso de Manuel Nunes Serra, de Lisboa, também ele morador em Mafra, que casaria com Beatriz Costa, natural da Ericeira, em 9-1-1732, de quem teria sete filhos. Foi ainda o

caso de João Baptista, natural de São Sebastião de Lagos e morador em Mafra à data do casamento, que casou em 7-5-1734 com Martinha Santos, natural de Sto. Isidoro e residente na Ericeira, de quem teve um filho.

Esta aproximação à imigração deixou-nos a convicção de que a Ericeira, no período entre 1622 e 1855, exerceu uma real atracção sobre as populações do exterior, principalmente sobre a população do anel de freguesias rurais que a rodeava. Uma situação que não é de estranhar – terra de homens ligados às coisas do mar desde tempos imemoriais, o seu desenvolvimento implicava necessidades acrescidas de mão de obra não qualificada e de gente ligada aos ofícios, que se traduziam em oportunidades de trabalho para aqueles e aquelas que a demandavam. Uma suposição reforçada pelo facto de muitos dos nubentes já residirem na Ericeira havia alguns anos, o que leva a concluir que aí se teriam fixado em idade núbil e que, tendo alcançado meios materiais suficientes para constituir família, aí se casaram.