No término desta dissertação, são revistos os objetivos.
Objetivo geral é contribuir com as estratégias enunciativas que caracterizam gêneros textuais.
Acredita-se que este objetivo, de certa forma, tenha sido atingido, pois, as histórias de suspense podem ser tratadas como um gênero textual discursivo, sendo todas elas guiadas pelo objetivo discursivo, ou seja, o ato perlocucional de atrair e manter a atenção do leitor.
As histórias de suspense podem, também, ser consideradas um gênero dis- cursivo, conforme Bazerman (2009), na medida em que apresentam uma constância em sua organização e por estar em uso constante na sociedade devido à preferên - cia dos leitores.
Essas histórias apresentam modificações no tempo e contemporaneidade, nos contos literários, foi cancelado o papel do detetive.
Objetivos específicos:
I. Analisar o texto narrativo de suspense a partir da aplicação da estratégia da modalidade para caracterização dos personagens da história;
Acredita-se que este objetivo tenha sido cumprido, pois a segmentação do texto em episódios lineares e alineares em relação à cronologia atem - poral propiciou a modalização veredictória dos personagens por:
➢ ser + parecer.
No percurso cronológico é encaixada uma alinearidade temporal modali- zada por:
➢ não ser + parecer = mentira.
No percurso narrativo implícito, ao ser explicitado pelo leitor, as modalida- des são:
➢ ser + não parecer = suspense.
II. Analisar a orientação enunciativa dada pelo escritor;
Acredita-se também que este objetivo tenha sido alcançado, pois a orien - tação enunciativa do autor é organizada por rupturas temporais e pela in- serção de informações que rompem com o cálculo de significações, já construído no contexto cognitivo do leitor.
As relevâncias, construídas por estratégias do autor, reformulam o cálculo de significações do leitor de forma a modificar nele os papéis representa - dos pelos personagens.
O foco narrativo, dado em um personagem, guia o cálculo de significa- ções do leitor e suas reformulações devido às relevâncias que o obrigam a fazer inferências ostensivas e elaborar a pergunta: POR QUÊ?
Cada episódio é construído no desenrolar da história por causa e conse- quência e a sequência entre os episódios é, também, construída com a regra da causalidade.
Assim, o episódio, que é consequência do episódio anterior, torna-se causa para o episódio posterior.
III. Examinar em que medida a narrativa do suspense é um gênero textual; A narrativa de suspense pode ser vista como um gênero textual devido às constantes estratégias aplicadas pelo autor para a construção do texto produto verbal.
Essas estratégias são em síntese:
a) estratégia de cancelamento de episódio no texto produto verbal; b) estratégia de inversão temporal de episódios, de forma a construir a
linearidade no texto produto verbal;
c) estratégia de focalização no percurso narrativo explícito;
d) estratégia de construção de um percurso narrativo implícito, que se mantém, até a revelação;
e) estratégias de encadeamento por microssequências do segundo per- curso narrativo no primeiro percurso narrativo;
f) estratégia de construção da referenciação por ruptura com a regra de causalidade;
g) estratégia de construção de relevâncias, pelo encadeamento de um episódio do segundo percurso narrativo em um episódio do primeiro percurso narrativo, de forma a causar estranhamento ao leitor, obri- gando-o a fazer uma inferência ostensiva que reformula seu cálculo de significações, alterando o seu modelo de situação para a leitura (cf. KINTSCH; VAN DIJK, 1983);
h) estratégia de manutenção e mudança de papéis representados pelos personagens da história;
i) estratégia de construção do enigma e a revelação.
Devido à preferência do leitor por histórias de suspense, estas estão em uso frequente na sociedade. Estão presentes em novelas televisivas, contos literários, romances, entre outros.
Dessa forma, o leitor sabe reconhecer que o suspense é um gênero, diferen - ciando-o dos demais gêneros. Como um gênero, segundo Bazerman (2009), não aparece do zero, ele está em constante evolução dependendo do eixo sócio-históri - co.
Verificou-se que as histórias de suspense originaram-se pelas notícias de cri- me publicadas em jornais ingleses. Tais notícias inspiraram autores a criar histórias que passaram a ser publicadas em folhetins. Enquanto no romance policial, as histó - rias são definidas pelas ações do crime e pelas ações do inquérito com a presença de um detetive. No gênero história de suspense literárias, não há a presença do de - tetive, existindo o velar do enigma e o desvelar da revelação.
Como próprio autor afirma, as histórias de crime convivem na contemporanei- dade, por exemplo, em notícias de jornais, crônicas jornalísticas, crônicas literárias, romances policiais e histórias de suspense presentes em telenovelas, contos e até mesmo, romances.
Em síntese, esta dissertação tratou as histórias de suspense pelo binômio enigma–revelação.
Faz-se necessário dar continuidade aos estudos do suspense para defini-lo como gênero de um conjunto de textos ou em um sistema de textos (cf, BAZER - MAN, 2009).
Faz-se necessário, também, examinar o suspense em interdiscursos e inter- textos de outros gêneros textuais-discursivos.
REFERÊNCIAS
ADAM, Jean-Michel. A Linguística Textual: Introdução à analise textual dos discur- sos. Trad. Brasileira com revisão técnica de Luiz Passeggi e João Gomes da Silva Neto, São Paulo: Cortês 2008.
ALCOFORADO, Doralice; ALBAN, M. R. S. Contos populares brasileiros. Recife: Massangana, 2001.
ASSIS, Machado de. (1884) A carteira. Domínio Público. Universidade da Amazô- nia. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm. do?select_action=&co_obra=16915>. Acesso em: 02/07/2011.
BAZERMAN, Charles. Gêneros textuais, tipificação e interação. 3.ed. DIONISIO, Angela Paiva; HOFFNAGEL, Judith Chambliss (Orgs.). São Paulo: Cortez, 2009. BEAUGRANDE, Robert de; DRESSLER, Wolfgang U. Introduction to textlinguisti-
cas. London: Logman, 1981.
BENJAMIN, Walter. O Narrador. São Paulo: Brasiliense, 1994.
CIULLA, A. A. Referenciação anafórica dêitica com atenção especial para os
dêiticos. 2002. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade Federal do Ce -
ará, Fortaleza.
COELHO, Teixeira. O que é indústria cultural. 16. reimpressão. São Paulo: Brasili- ense, 1996.
DUCROT, Oswald; TODOROV, Tzvetan (1972). Dicionários das Ciências da Lin-
guagem. Trad. Portuguesa de Antonio José Massano, José Afonso, Manuela Carri-
lho e Margarida Font, 3.ed. Lisboa: Don Quixote, 1976.
FOSTER, Edward M. Aspects of the novel. London: Arnold, 1937.
GREIMAS, Algirdas J. Semiótica do Discurso Científico e da modalidade. Pref. E Trad. De Cidmar Teodoro Pais. São Paulo: Difusão. Sociedade Brasileira de Profes- sores de Linguística, 1976.
GREIMAS, Algirdas J.; COURTÉS, Joseph (1979). Dicionário de Semiótica. Trad. Brasileira de Auceo Dias Lima, Diana Luz P. de Barros, Eduardo P. Cañizal, Eduar- do Lopes, Ignacio A. Da Silva, Maria José C. Sembra e Tieko Y. Miyazake. São Pau - lo: Cultrix, 1989.
GUIMARÃES ROSA, João. Tuataméia: terceiras histórias. 5.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.
HALLIDAY, M. A. K; HASAN, Ruqaiya. Cohesion in English. London: Longman, 1976.
ISENBERG, Host: Cuestiones fundamentales de tipologia textual. In BERNÁRDEZ, Enrique (Org.). Lingüística del texto. Madri: Arco/Libros, 1987.
KERBRAT-ORECCHIONI C. La enunciacion de la subjetividad en el lenguaje. 3.ed. Buenos Aires: Hachette, 1980.
KINTSCH, W.; VAN DIJK T. A. Strategies of discourse comprehension. New York: Academic Press, 1983.
KOCH, Ingedore Villaça e TRAVAGLIA, Luis Carlos. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, 1989.
KOCH, Ingedore Villaça; MORATO, Edwiges M. M.; BENTES, Anna C. (orgs). Refe-
renciação e discurso. São Paulo: Contexto, 2005.
KOCH, Ingedore Villaça. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 1989.
KOCH, Ingedore Villaça. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contex- to, 1997.
LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O foco narrativo. 2.ed. São Paulo: Ática, 1985. LIMA, Francisco Assis de Souza. Conto Popular e Comunidade Narrativa. São Paulo/Recife: Terceira Miragem/Massangana, 2005.
MARCUSCHI, Luis Antonio. Linguistica de Texto: o que é e como se faz. Série de- bates 1, Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1983.
MATOS, Gislayne Avelar. A palavra do contador de histórias. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
MESQUITA, Samira N.D. O enredo. São Paulo: Ática, 1986.
MOSCOVICI, Serge; DUVEEN, Gerard (2000). Representações sociais: investiga- ção em piscologoa social. Trad. do inglês por Pedrinho A. Guaresch. 5.ed. Pretrópo - lis, RJ: Vozes, 2007.
MOTTA, Luiz Gonzaga. A análise pragmática da narrativa jornalística. In: XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Rio de Janeiro, set 2005.
NÉLO. Maria Jose. Discurso do riso e do risível numa visão sócio-cognitiva. 2011. Tese (Doutorado em Língua Portuguesa). Orientada pela professora doutora Regina Célia Pagliuchi da Silveira. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Língua Portuguesa.
POTTIER, Bernard. Linguistica general: Teoria y descripcion. Trad. Espanhola D M.V. Catalina. Madrid: Gredos, 1977.
REIMÃO, Sandra Lúcia. O que é romance policial. São Paulo: Brasiliense, 1983. REIS, Carlos e LOPES, Ana Cristina M. Dicionário de teoria da Narrativa. São Paulo: Ática, 1988.
RODRIGUES, José Barbosa. Lendas, crenças e superstições. In: CASCUDO, Luiz da Câmara. Antologia do Folclore Brasileiro. 6.ed. São Paulo: Global, 2001. SPERBER, Dan e WILSON, Deirdre. (1986) La relevancia. Trad. Espanhola de Ele- onor Leonete. Madrid: Visor, 1994.
TELLES, Lygia Fagundes. (1975) Venha ver o pôr-do-sol. Disponível em <http://convenio.cursoanglo.com.br/Download.aspx?Tipo=Download&
Extranet=true&Arquivo=20EA5470-32E3-4CC8-9522-DDB997D4C2D0/ Venha_ver_o_por_do_sol.pdf>. Acesso em: 19/12/2011.
TODOROV, Tzvetan. (1939) As estruturas narrativas. 5.ed. Trad. Brasileira Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Perspectiva, 2008.
VAN DIJK, Teun Adrianos. Racismo y análisis critico de los medios. Barcelona: Paidós, 1997.
VIGNOLI, Maria Cristina: Um estudo textual da narrativa de suspense: contribui- ção a tipologia de texto. 1990. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa). Ori- entada pela professora Dra. Regina Célia Pagliuchi da Silveira. Pontifícia Universi- dade Católica de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Língua Portuguesa.