5 Juridisk handlingsrom
5.4 Praksis andre EU/EØS-stater og sokkelstater
Foi feito um levantamento histórico dos textos mais significativos e in- fluentes no meio acadêmico. Esses textos foram analisados considerando-se
34 « Belo e Majestoso » certos marcos teóricos da história da arte e da estética, tais como a discussão
acerca do historicismo e da possibilidade normativa de princípios estéticos. Foi preciso, por um lado, considerar os aspectos do poder político e do contexto histórico que enquadra esse empreendimento 16. No entanto, também era importante ultrapassar esses fatores circunstanciais e estudar o aspecto propriamente artístico, que transcende o dado material e social. Sem pretender resolver ex nihilo o velho problema da caracterização dos projetos, este estudo apoiou-se no registro histórico para estudar os valores atribuídos à fachada oriental ao longo do tempo. Tal registro histórico não se restringe às fontes bibliográficas: foi feito um trabalho de consulta aos arquivos iconográficos do próprio Louvre e do Museu Carnavalet (museu histórico da cidade de Paris); com a observação atenta tanto de desenhos e estampas originais do século XVII quanto de imagens do século XIX, foi possível avaliar criticamente as discrepâncias dos textos com respeito à obra e às percepções iconográficas da obra ao longo do tempo. Paralelamente a esse trabalho, desenvolvido, assim como parte significativa da pesquisa 16 Ver Peter Burke. Louis XIV. Les stratégies de la gloire trad. Paul Chemla. Paris: seuil, 1995.
bibliográfica, durante estadia em Paris no âmbito do Programa de Douto- rado com Estágio no Exterior (sanduíche) da CAPES, a experiência direta do autor diante da fachada oriental e a vivência do Louvre como um todo permitiram testar a coerência de diversos relatos e descrições, questionando a classificação estilística convencional.
Essa experiência direta soma-se à sistematização da bibliografia his- toriográfica, a qual foi objeto de uma classificação cronológica e crítica. No sempre crescente acervo bibliográfico concernente ao processo de projeto e construção da fachada leste do Louvre, notam-se, pontuados por quatro picos de atividade, três ciclos de interesse que se sobrepõem parcialmente: (1) De 1852 até aproximadamente 1926, grande parte dos textos analisa-
dos preocupa-se em estabelecer conceitos operativos acerca da arqui- tetura clássica francesa. Compara-se a fachada oriental com os proje- tos do Renascimento e com as soluções arquitetônicas do século XIX. (2) De 1898 até 1964, a caracterização do classicismo francês tende a
perder o seu caráter operativo para converter-se em procedimento propriamente historiográfico. Busca-se uma definição trans-histórica da cultura francesa por meio de suas manifestações arquitetônicas,
INtRoDUÇÃo 35 vistas pelo viés da Geistesgeschichte (história do espírito), ao mesmo
tempo em que se produzem estudos mais precisos sobre questões de atribuição.
(3) A partir de 1957 até os dias atuais, há uma revisão mais nitidamente documental do objeto; pesquisas arqueológicas e minuciosos levanta- mentos de arquivos estimulam estudos de reconstituição do processo de projetação da fachada oriental do Louvre.
Pontuando esses ciclos, quatro momentos se destacam como focos de intensa atividade historiográfica:
(a) Em 1852–1853, a iminência das obras de conclusão do Louvre sob Napoleão III estimula o surgimento de revisões históricas sobre o palácio.
(b) Entre 1924 e 1927, uma série de estudos sobre atribuições confirma ou contesta as atribuições tradicionais, reabrindo o debate acerca da autoria da colunata do Louvre. O historiador da arte Louis Hau- tecœur se destaca com um artigo abrindo esse período e um livro encerrando-o.
(c) Em 1964, as escavações conduzidas no fosso do Louvre, abertas por ordem do então ministro da Cultura André Malraux, provocam uma nova revisão das atribuições e datas em artigos publicados no decor- rer desse ano e do seguinte.
(d) O período que vai de 1993 a 2000 protagoniza uma revisão geral da historiografia, com três importantes livros devidos a Robert W. Ber- ger, Roberto Gargiani e Michael Petzet, retomando, reelaborando e confirmando argumentos os mais diversos sobre o conjunto da cons- trução do Louvre sob Luís XIV.
Abordagens temáticas
Enfatizam-se aqui três abordagens dos olhares históricos sobre a fa- chada oriental do Louvre. Em primeiro lugar, levanta-se a questão das atri- buições e identificações dos projetos para o frontispício do palácio, especial- mente aqueles apresentados na primavera do ano de 1667, cuja atribuição é a mais controversa e por isso tem figurado de modo preeminente em toda a bibliografia sobre o tema. A preocupação em atribuir corretamente
36 « Belo e Majestoso » a autoria da colunata do Louvre perpassa sem dúvida todo o recorte cro-
nológico adotado, mas preocupa sobremaneira a historiografia do século XX, período no qual a discussão e o juízo estéticos ficam em segundo plano. A segunda abordagem é crucial para essa questão das atribuições, o problema da caracterização formal da fachada; entende-se por aí a identifi- cação do seu caráter, daqueles elementos que a tornam representativa do seu tipo, assim como dos que permitem identificá-la como um objeto singular. Verifica-se então que as características para as quais atentam os autores dos séculos XIX e XX são quase que inteiramente diversas daquelas enfatizadas pelos contemporâneos dos projetos no século XVII assim como, paradoxal- mente, pelos críticos do século XVIII, freqüentemente citados como fontes de autoridade nos estudos mais recentes.
O discurso nacionalista, por exemplo, é predominante na crítica do século XIX e ainda influencia os autores do século XX, mas não corresponde de maneira alguma ao modo como a questão da nacionalidade é tratada nos séculos XVII e XVIII. Várias incertezas nas atribuições bem como confusões na interpretação do caráter arquitetônico do Louvre estão relacionadas a
essa clivagem de pontos de vista entre a crítica mais remota e os estudos mais atuais.
A terceira abordagem demonstra a posição axial do problema do ca- ráter: a idéia de grandeza e sua expressão arquitetônica na fachada oriental do Louvre. Noção marginalmente abordada entre os historiadores da se- gunda metade do século XX e invariavelmente exaltada de modo indefinido, evasivo até, nos períodos anteriores, a idéia de grandeza aqui considerada tem uma ligação parcial com o marketing da imagem pública constituída pelo próprio Luís XIV. A faceta arquitetônica na construção e “venda” dessa imagem, estudada por Peter Burke em sucinto mas perspicaz volume 17, é na verdade uma pequena parte da expressão da grandeur ao longo da histó- ria de leituras da fachada principal do Louvre.
Destaca-se dentro dessa abordagem o descompasso entre a concep- ção de grandeza arquitetônica apresentada nos projetos para o Louvre en- comendados a Bernini pelo rei e seu superintendente de edificações Jean- -Baptiste Colbert, entre 1664 e 1666, de um lado, e do outro aquela visão da grandeza, defasada em um século e meio, privilegiada pelos arquiteto 17 Ibid.
INtRoDUÇÃo 37 franceses, especialmente Claude Perrault, em maior sintonia com o classi-
cismo bramantesco do que com a expressão barroca do gênio italiano.