O documento das Orientações Curriculares para o Ensino Básico preconiza a articulação entre áreas disciplinares e ciclos. Com este estudo pretendeu-se conhecer articulações possíveis entre conteúdos do Estudo do Meio e as Ciências Físicas e Naturais e como podem ser efectivamente aplicadas em contexto de sala de aula. No âmbito desta problemática, foi concebido uma ambiente de aprendizagem onde integraram tarefas de investigação, desenhadas colaborativamente com os intervenientes do estudo que nos levaram às seguintes questões de investigação:
1. Quais são as perspectivas dos professores, envolvidos no estudo, sobre o ensino de movimentos e forças nos primeiros anos do ensino básico? 2. Quais são os principais problemas identificados no desenho do protótipo
do ambiente de aprendizagem?
3. Que dificuldades manifestam os professores, envolvidos no estudo, no uso do ensino por investigação?
4. Que avaliação fazem os professores, envolvidos no estudo, sobre o ambiente de aprendizagem implementado?
O estudo contou com a colaboração de 4 docentes, dois do 1º ano e dois do 2º ano do 1ºciclo, numa escola situada no meio rural. Recorreu-se à observação naturalista, nomeadamente aos registos das aulas em gravação áudio e a notas de campo do investigador, a entrevistas semi-estruturadas em grupo e individualmente. E a documentos escritos, um questionário aplicado no início da
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investigação aos intervenientes no estudo. Para o processo de análise, procedeu- se à categorização dos mesmos (Wolcott, 2001).
O presente capítulo encontra-se organizado em quatro partes. A primeira, apresentam-se as conclusões do estudo, na segunda, discutem-se os resultados, faz-se um breve alusão às implicações do estudo e por fim, faz-se uma reflexão final sobre o estudo.
CONCLUSÕES
Uma das questões deste estudo prende-se com a perspectiva dos professores, sobre o ensino de conceitos de Física nos primeiros anos do ensino básico. Através dos resultados obtidos, foi possível detectar que os professores não conhecem as Orientações Curriculares do Ensino Básico para a área de Ciências Físicas e Naturais do 1º ciclo, relativamente ao tema do ambiente de aprendizagem. O estudo das ciências faz-se sobretudo no programa do Estudo do Meio não havendo uma articulação concreta entre o Estudo do Meio e as Ciências Físicas e Naturais. De um modo geral os professores não apresentam a segurança necessária para abordar conteúdos de Física em sala de aula.
Os inquiridos tiveram formação em conteúdos relacionados com o tema Movimentos e Forças até ao 9º ano de escolaridade. Na formação inicial, apenas um professor abordou o tema do estudo aquando da sua formação superior. A maioria dos inquiridos diz necessitar saber mais sobre este tema de forma a terem maior confiança quando leccionam. Os participantes no estudo de uma forma geral têm um bom conhecimento sobre as Competências Essenciais para o Estudo do Meio, no entanto, apenas metade diz possuir conhecimento acima de razoável para as Competências Essenciais das Ciências Físicas e Naturais. Apenas um professor afirmou não fazer qualquer tipo de articulação entre as diferentes áreas do saber.
Outro aspecto relevante passa por associar as actividades experimentais a actividades lúdicas e embora no questionário os professores envolvidos tenham
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respondido que realizam actividades experimentais com os seus alunos durante o ano lectivo, aquando da realização das tarefas de investigação em sala de aula, dois deles afirmaram só as realizam no final do ano.
É ainda de salientar que a descrição de uma actividade experimental no âmbito da Física realizada com sucesso, segundo os professores envolvidos no estudo, passa por fazer demonstrações aos seus alunos, sem que isso crie situações onde os alunos possam desenvolver competências de investigação, nomeadamente recolha e tratamento de dados, discussão e apresentação de resultados.
Os professores apresentam uma perspectiva de ensino sobre este tema bastante restritiva, pois segundo os mesmos a formação sobre estes conteúdos é extremamente limitada. Consequentemente a articulação entre o Estudo do Meio e as Ciências Físicas e Naturais é, obviamente muito difícil de acontecer.
No que respeita à análise colaborativa do protótipo constatou-se o quanto os professores se agarram à apresentação tradicional dos conteúdos, nomeadamente, a necessidade que as tarefas de investigação sejam mais orientadoras e fechadas, justificam esse facto pelo número de alunos que têm em sala de aula e a dificuldade de os colocar a trabalhar em grupo. Como podemos constatar nas sugestões feitas, estas vão ao encontro do ensino tradicional que pouco promove a autonomia dos alunos e em nada promove as competências de pensamento crítico dos alunos. O uso das TIC em sala de aula continua a ser pouco utilizado, pelo menos em termos de facilitador de aprendizagens dos alunos. Os professores mostram-se muito resistentes à introdução desta ferramenta nas suas estratégias de ensino. No entanto, as opiniões sobre a adequação do protótipo aos alunos dos primeiros anos do ensino básico e à adequação das tarefas de investigação a esta faixa etária, revelaram-se uma mais-valia para o melhoramento das tarefas de investigação do ambiente de aprendizagem, como podemos verificar o produto final (Apêndice F).
Relativamente às dificuldades encontradas pelos professores durante a implementação das tarefas de investigação, os resultados mostram que as dificuldades da Carolina prendem-se sobretudo com explicar o conceito
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prematuramente, não deixando os alunos por si só ultrapassarem as suas dificuldades, actuar como fonte de informação quase exclusiva e não fazer com que os alunos compreendessem a relação das evidências com os resultados. Já a Margarida teve dificuldades em fazer questões abertas do tipo “ que evidências obtiveram na actividade experimental que vos permita compreender a necessidade de usar uma medida padrão?”. A professora Maria explicou o conceito muito cedo, não dando o tempo necessário para que os alunos chegassem sozinhos ao conceito e não permitiu que estes ultrapassassem por si só as suas dificuldades, actuou como única fonte de informação e não colocou questões abertas. Por fim, a docente Inês não fez questões abertas que permitissem ao alunos relacionarem as evidências com os resultados.
De uma forma sintética, as principais dificuldades verificadas passaram sobretudo pela capacidade de questionamento improvisado por parte do professor. A insegurança sentida pelos professores do 1º ano foi maior relativamente aos do 2º ano uma vez que os conteúdos da tarefa de investigação do 1º ano acarretavam conteúdos pouco leccionados no Estudo do Meio. Foram também detectadas dificuldades ao nível das respostas dadas pelo professor aos alunos, tendo sido dada a definição do conceito precocemente pelos intervenientes Carolina e Maria. O constante questionamento que leve os alunos a fazerem especulações, generalizações, avaliações e levantamento de hipóteses foi sem dúvida a maior dificuldade que os professores revelaram.
A última questão de estudo prendeu-se com a avaliação que os professores fizeram do ambiente de aprendizagem aplicado. Os resultados sugerem que as limitações do ambiente de aprendizagem apresentadas pelos professores passaram principalmente pela organização do trabalho em grupo, pelo tamanho das turmas impedir, segundo os intervenientes, um maior apoio por parte do professor aos grupos, por fim, no caso dos professores do 1º ano, o próprio conhecimento do professor sobre os conteúdos abordados não ser suficiente para fazer um questionamento mais aberto aos alunos. No entanto, todos os intervenientes concordaram que a implementação, em sala de aula, de tarefas de investigação que envolvam processos de exploração do mundo natural e em que
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os alunos são encorajados a serem participantes activos, é decisiva para a criação de um ambiente de aprendizagem com qualidade. Os intervenientes reconheceram que as tarefas estimulam o pensamento crítico dos alunos, o trabalho entre pares, a experimentação, e viram com bons olhos a articulação com outras áreas do saber.