4.3 Single rate congestion control schemes
4.3.1 Pragmatic General Multicast Congestion Control
Quando se coloca a necessidade de um sistema de valores na formação jurídica, indispensáveis se tornam reflexões sobre aspectos éticos que hão de envolver a participação humana no processo educacional, não só como matéria curricular, mas sobretudo, como postura na vida dos atuais e futuros profissionais da seara jurídica.
O ensino jurídico de qualidade prepara o acadêmico para intervir na realidade em que se insere e na qual desempenhará sua profissão. Dois requisitos são indispensáveis, conforme já se anotou: formação de conhecimentos humanísticos e a formação de valores.
No I Congresso Internacional de Direito Contemporâneo, sobre Boa Governança realizado pela Faculdade de Direito Moraes Júnior-Mackenzie Rio de Janeiro, em parceria com a Universidade de Salamanca, de 14 a 16 de março de 2007, Pilar Jimenez Tello, professora da tradicional instituição espanhola, formula um axioma educacional: “Ensino Jurídico de qualidade é sistema de valores éticos”.
Diz Pilar que a formação de conhecimentos profissionalizantes não se enclausura nos conteúdos programáticos das matérias/disciplinas; requer, principalmente, reflexões críticas da responsabilidade social dos atores jurídicos, como consciência cidadã de que o profissional do Direito é agente de uma Justiça distributiva pautada nos valores eternos da ciência jurídica.
Pillar rejeita a Ética formada por valores dogmáticos, entendendo-a construída na experiência.
Nesse cenário, o espírito crítico não se enclausura na abstração das teorias filosóficas. Exige o aguçar da observação da realidade.
Segundo o pensamento de Pillar, a eticidade não se satisfaz com a postura de elencar mazelas e diagnosticar condutas reprováveis.
Ao contrário disso, a Ética, consoante Pillar, é componente curricular do ensino jurídico no desenvolvimento da competência de saber mudar e, nessas mudanças, valorizar o Bem.
Afirma Pillar:
“Não se busca cultura técnico-ética, mas homens éticos.”
Para a jurista espanhola, o homem bom preocupa-se em elaborar boas leis, executar bem as boas leis e julgar bem as boas leis. Essa construção ética não se obtém em um plano de estudo de uma disciplina curricular, mas como visão de cada uma das matérias/disciplinas, competência inerente do ensino jurídico, na
formação de hábitos éticos no cotidiano, na habilidade de perceber elementos positivos, na postura do observados crítico da realidade.
Essa descoberta da crítica positiva é o ponto de partida do expositor Manuel Balbé, docente de Salamanca.
Reconhece o jurista a existência de crise moral na contemporaneidade, mas defende a postura positiva de enxergar o Bem no mundo asfixiado por problemas éticos na busca de soluções éticas para resgatar valores morais.
Nesse mesmo sentido, o expositor Paulo Roberto de Gouvêa Medina, grande expoente brasileiro do estudo pedagógico sobre o ensino jurídico de excelência.
Ampliando as observações de Pillar e de Balbé, Medina afirma que:
“reflexão crítica não é enxergar apenas o Mal. É, fundamentalmente perceber o Bem. Mas perceber o Bem, não é ignorar o Mal. É, antes de tudo, combater o Mal com o Bem.”
Para Medina, cumpre à docência jurídica ensinar o Bem como conteúdo de conhecimento e de virtude. Repele o jurista um ensino repetitivo da legislação ética, com lastro em dogmatismo superficial. Para ele, cumpre à missão educadora a formação integral da pessoa humana, formando um ser humano ético que se imune de conhecimentos especializados para a prática profissional.
Concluindo sua exposição, reitera Medina:
“Ética não é conhecer normas éticas em si mesmas, mas é preciso existir normatização para percepção e conscientização da prática do Bem.”
Fechando o painel sobre “Aspectos éticos no desenvolvimento do Ensino Jurídico”, Francisco Otávio de Miranda Bezerra discute a necessidade de o Ensino Jurídico conscientizar-se dos papéis sociais de seus atores principais: docentes e discentes.
É preciso, diz Bezerra, que o
“docente deixe de pensar em si mesmo como aquele que dá aulas.”
Razão lhe assiste, pois a docência jurídica não se completa na tarefa de transmitir informações. Como todo docente de Ensino Superior, cumpre-lhe a preocupação com a formação integral de seus alunos, na troca de vivências e de reflexões.
Bezerra anima o docente do ensino jurídico a manejar bem a Educação do Amor, percebendo a necessidade relacional no diálogo pedagógico, exigindo-se, então, a capacitação docente para trabalhar competências e desenvolver habilidades dos discentes, com conteúdos significativos para seu exercício profissional e reflexões sobre posturas éticas em condutas reais ou simuladas de papéis dos profissionais do Direito.
Para Bezerra, o aluno do Direito deve ser aprendiz em ambiência aprendente, com visão do coletivo, olhando sempre para
o alto, para os valores eternos do Direito, não para contemplá-los; antes, para construir soluções com competência especializada e com competência ética e reconstruções criativas da aplicação do Direito.
É preciso reconhecer a Ética como condutora do ensino jurídico, na tríade de Howard Gardner: “O Verdadeiro, o Belo e o Bom: os princípios básicos para uma nova educação (1999)”, como perspectiva ordenada.
Para Gardner, a educação é vocábulo associado à instrução formal. Todavia, reconhece que o mundo contemporâneo tem recriado as instituições escolares, em especial pelos grandes avanços tecnológicos e científicos.
Consoante Gardner, a mensagem educacional transmite papéis e valores que mudam com rapidez no mundo atual, mas que se assentam em princípios éticos pautados na virtude como medida do discurso pedagógico.
Fábio Konder Comparato reflete sobre a humanidade do século XXI e a sua necessidade de construir, como valor cidadão, a consciência ética por meio de regras sociais e normas jurídicas.
“Na verdade, a função social das regras consiste em interpretar e concretizar os princípios à luz do ideário vigente, em cada época vigente, em cada época histórica, nas diferentes culturas ou civilizações.” (2006:310)
De fato, há valores como a dignidade humana e a igualdade que são mais protegidos na contemporaneidade. Todavia, a relatividade não deve restringir-lhe o alcance.
A virtude incultida como hábito, o docente jurídico como modelo para seus alunos, assim como todo profissional da Educação não são traços de arrogância da certeza infalível da prática do Bem, mas indicam a vontade dirigida por valores éticos.
Assim, ao se fixar parâmetros para construção da docência jurídica, cada matéria e cada disciplina buscam aguçar a observação das condutas reprováveis e animar o espírito do Bem para que, a despeito da fragilidade do julgamento humano, haja entre professores e alunos dos cursos de Direito, atuais e futuros profissionais das carreiras jurídicas, o firme propósito de preservar a dignidade humana e de buscar a distribuição da Justiça com bases humanistas.