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A seleção de professores de ES para as entrevistas, conforme descrito, anteriormente, foi antecedida de consulta às coordenadoras do curso de Pedagogia ou ao Diretor do IES. O objetivo, dessa reunião, consistia em estabelecer alguns critérios de seleção dos sujeitos da pesquisa. Nesse sentido, a formação e a experiência em lecionar a disciplina ou em atuar no campo da EI foram elementos importantes para

definir os sujeitos. Entretanto, foi necessário considerar, também, a disponibilidade das professoras em contribuir com esta pesquisa.

Foram realizadas três entrevistas à luz do roteiro pré-estabelecido. As vozes que circularam, tanto da pesquisadora quanto das professoras de ES foram transcritas e analisadas nesta dissertação.

O número de entrevistadas foi definido pelo tempo que eu dispunha para concluir a pesquisa e não por uma estratégia metodológica, resguardados os critérios de seleção das instituições via amplitude de oferta de vagas autorizadas ao curso de Pedagogia na capital paulista.

As professoras entrevistadas definiram a data, o horário e o local para a realização das entrevistas. Em dois casos o procedimento ocorreu nas respectivas IES e em outro o local escolhido foi uma organização não governamental na qual uma das docentes atua. Vale destacar que as IES não interferiram no local de realização das entrevistas, pelo que se pôde observar.

3.1.3.1 Reflexão acerca da realização de entrevista semi-dirigida

A leitura minuciosa dos planos de ensino apresentou elementos para desencadear as entrevistas, pois representam, a priori, as propostas das disciplinas oferecidas por cada IES. Nesse sentido, os planos de ensino anteciparam informações sobre as disciplinas dos cursos de Pedagogia promovidos pelas instituições, contribuindo para a realização das entrevistas.

No primeiro ano do mestrado, participei do projeto de pesquisa ―Educação Infantil no Brasil: Avaliação Qualitativa e Quantitativa‖. Nessa pesquisa, foram realizados pré-testes de entrevistas em instituições de EI da cidade de Santo André. Como pesquisadora, uma das minhas tarefas era entrevistar a diretora, a coordenadora pedagógica e uma professora do berçário de determinado Centro de Educação Infantil. A segunda atribuição era comparecer à instituição para aplicar escalas de observação. Ao término da atividade in loco, participei de reunião na Fundação Carlos Chagas (FCC), na qual teci considerações a respeito da pesquisa e propus algumas alterações aos itens da entrevista. Esse foi o meu primeiro contato com o uso de entrevista, enquanto procedimento de pesquisa.

Apesar da importância desta experiência para a vida acadêmica da pesquisadora, foi considerado necessário prever os eixos balizadores da entrevista para evitar possíveis desvios que poderiam prejudicar o desempenho o meu desempenho

como entrevistadora e, consequentemente, do processo de pesquisa. Tal fator foi preponderante para a opção por um modelo semi-dirigido.

As indagações da entrevista semi-dirigida foram divididas em quatro blocos: a) trajetória pessoal/familiar;

b) trajetória educacional; c) trajetória profissional; d) concepções sobre bebês.

À época da realização das entrevistas havíamos optado por utilizar, apenas, as ementas e a transcrição das entrevistas como corpus da pesquisa. No entanto, consideramos, a posteriori, que esta dissertação teria maior qualidade se utilizasse o plano de ensino das disciplinas (que foi disponibilizado pelas IES), ao invés de nos limitarmos à ementa das mesmas.

Quadro 5 Tópicos para entrevista

TRAJETÓRIA PESSOAL/FAMILIAR 1 Qual o nome que você gostaria de ser chamada na entrevista? 2 Conte um pouco sobre você, idade, estado civil, filhos e onde mora.

3 Há informações que você ache necessário comentar sobre você e sua família? TRAJETÓRIA EDUCACIONAL

4 Gostaria de ouvi-la sobre seu percurso educacional desde a creche até a pós-graduação. 5 Como você avalia sua formação para a docência?

6 Qual a sua formação para a docência na EI? (Disciplinas, seminários, palestras, estágio, multimídia etc.)

7 Como você distingue a creche da pré-escola?

8 Agora gostaria de saber um pouco mais sobre sua formação específica sobre o tema da creche? TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

9 Quando e em que você começou a trabalhar até o momento atual?

Continuação Quadro 5 - Tópicos para entrevista

10 Comente sobre qual experiência foi interessante e/ou importante para você em sua trajetória. 11 Como você planeja e prepara o curso? Você mesma optou por ofertá-lo? Você se interessa por esta

disciplina? Você gosta de ministrá-la? Se fosse possível trocar que disciplina gostaria de ofertar? 12 Qual a bibliografia usada? Como você a escolhe? Ela está disponível na biblioteca da Instituição? 13 Como você avalia a biblioteca da instituição em relação à Educação Infantil?

14 Como você chegou à ementa?

15 Qual a parte da ementa que focaliza a pré-escola e a creche?

16 Se fosse possível mudar como você gostaria que fosse o curso? E quanto à ementa? E com relação ao estágio?

17 Os alunos fazem estágio em pré-escola? Em creche? Em qual disciplina? Como você percebe o interesse delas no curso? Você acha que planejam trabalhar em pré-escola? Creche? Por quê ?

18 Você está de acordo que para trabalhar em creche é necessário o curso de Pedagogia? Por quê ? 19 Você atua no sindicato, associação profissional, movimento sindical?

CONCEPÇÃO SOBRE BEBÊ

20 Gostaria que você começasse falando sobre o bebê. Como você descreveria um bebê? O que ele sente? Até que idade você acha que uma criança pode ser considerada bebê?

21 Qual a melhor maneira de se educar e cuidar o bebê?

22 Seus filhos foram à creche? Filhos de parentes, amigos empregada? O que você pensa disto? 23 Então, o que é creche para você? Como percebe a política de creche dentro da Educação Infantil? 24 Como você avalia as creches no Município de São Paulo? E no Brasil? Como você faz para se

informar? O que você sugere para melhorar? 25 Gostaria de acrescentar algo?

26 Como você avalia a entrevista? Fonte: Elaborado pela autora.

Inicialmente, me apresentei, brevemente, para as entrevistadas. A seguir procedi à leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) no qual foram apresentados os objetivos da pesquisa, a justificativa, os procedimentos, a confidencialidade/anonimato, a inexistência de riscos e de desconforto ao participante. Em todos os casos, houve concordância das entrevistadas que assinaram duas vias do TCLE, sendo uma para a entrevistada e outra para meu arquivo, me coloquei à disposição das entrevistadas para responder às indagações acerca do procedimento, caso existissem dúvidas. Dada a inexistência de indagações, foram iniciadas as entrevistas.

3.1.3.2 – Contexto de realização das entrevistas

As três entrevistadas se dispuseram a conceder as entrevistas após contato por e- mail e/ou telefone, exceto uma delas que foi contatada pessoalmente. Previamente, foram detalhados os objetivos da pesquisa e o compromisso com o anonimato dos sujeitos da pesquisa, bem como, da instituição na qual exercem a docência em ES.

Essa afirmação contribui para a fluidez do acesso ao entrevistado, da concessão e da realização da entrevista. As indagações das entrevistas foram por mim realizadas e respondidas pelas professoras de ES, nas quais ambos os atores reagiram aos tempos, aos espaços, às interações, às indagações e aos comentários que compuseram o procedimento (THOMPSON, 2009). Dessa maneira, cabe assinalar que a entrevista foi desencadeada por mim: professora de EI, ex-coordenadora pedagógica, supervisora

escolar (creches, pré-escolas e escolas de EF), indígena, com 41 anos, casada, sem filhos, moradora de São Paulo e pertencente às camadas médias da sociedade. As entrevistadas foram três professoras de ES, brancas (aos olhos desta pesquisadora), com idades entre 45 e 60 anos, duas casadas e com filhos e uma solteira, sem filhos, moradoras da cidade de São Paulo e representantes das camadas médias da sociedade.

Vale apontar que as entrevistas transcorreram de modo cordial e amistoso. Foi solicitada, a todas as entrevistadas, permissão para uso de gravador. Sendo permitido esse procedimento, pude atentar também às reações das entrevistadas.

Temendo cometer equívocos na condução da entrevista, me ative às indagações do roteiro de entrevista. O fato de as entrevistas ocorrerem no encerramento do semestre, período de avaliação, culminou com algumas alterações de horário e/ou de espaços para a realização dos procedimentos, assim como foi estabelecido pelas docentes a duração de uma hora para o procedimento.

A professora Ana foi a primeira a ser entrevistada. Ficou combinado que a entrevista dar-se-ia antes do horário regular de aulas do curso de Pedagogia, precisamente às 18 horas, e a professora informou que, naquele dia, aplicaria uma avaliação. Indagada se aquele seria de fato o melhor dia para realizar a entrevista, Ana respondeu que nessa época do ano todos os dias teriam uma grande demanda de ações e, ainda assim, essa seria a melhor data.

Ana pareceu tranquila demonstrou interesse em responder as indagações. Algumas vezes a entrevista teve que ser interrompida, seja para que a professora buscasse as provas que aplicaria no dia junto a certa turma ou para orientar outra turma quanto à data de entrega de conceitos.

Solange foi a segunda professora a conceder entrevista. Fui recebida no período da tarde na ONG em que a mesma atua como pesquisadora. O clima da entrevista foi muito agradável. A professora Solange pareceu-me estar tranquila e à vontade. Por vezes Ana recuperava alguma informação das suas reminiscências que lhe proporcionou satisfação e sorria. Nessa entrevista, também houve uma breve interrupção, por uma orientanda da pós-graduação.

A professora Lídia concluiu o quadro de professoras entrevistadas. A entrevista ocorreu no período da manhã, e na IES. O local reservado para a entrevista era silencioso e privativo. A professora Lídia foi chamada, durante a entrevista, por uma

aluna, para resolver certa contenda. Rapidamente, a questão foi encaminhada pela professora e o procedimento teve continuidade. A professora, inicialmente, assinalou que seria bem objetiva e direta. Contudo, no decorrer da entrevista, mostrou-se aberta às indagações da pesquisa. A entrevista transcorreu de modo agradável. Diversas vezes, a entrevistada fez indagações quanto à rede de ensino a qual estamos vinculadas.

A professora Lídia avaliou, positivamente, o momento vivido ao assinalar “...

enquanto eu estou falando, eu estou aqui refletindo e a gente já vai até tendo ideias como o que vai fazer com os alunos, o que falta, o que precisa melhorar, o que está bom.... foi um momento assim de reflexão intensa, fez reviver o passado e relacionar aí com o presente, e aí até planejar o futuro.”