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9. APPENDICES

9.4 A PPENDIX 4: N OTES FROM THE I NTERVIEW WITH P ETRA K ÖNIG

O interesse mundial pelo estudo sobre os complexos rapakivi vem sendo difundido principalmente devido a sua importância metalogenética, que envolve a presença de granitos álcalis feldspatos enriquecidos em topázio, apresentando características geoquímicas e mineralógicas dos granitos fanerozóicos estaníferos (HAAPALA e RAMO, 1997, 1999; NURMI e HAAPALA, 1986) no Brasil (BETTENCOURT et al. 1999; DALL’AGNOL et al. 2005).

Haapala e Rämö (1992), não restringem a definição de um granito rapakivi com base apenas na idade conforme vem sendo utilizado na literatura, mas classifica-os como: “Granitos

tipo-A, caracterizados pela presença em menor escala, de largos batólitos, apresentando variedades de granitos com textura rapakivi.”

Um ponto consensual entre os diversos pesquisadores envolve as características peculiares da textura rapakivi que devem seguir algumas premissas:

1. forma ovóide dos fenocristais ou megacristais de feldspato alcalino;

2. manteamento dos ovóides de feldspato alcalino por plagioclásio de composição predominantemente oligoclásio-andesina;

3. ocorrência de duas gerações de feldspato alcalino e quartzo.

Quadro 2. Principais ocorrências representantes do magmatismo rapakivi mundial e sua distribuição temporal, quadro modificado de Dall’Agnol et al. (1999c).

Localização Unidades pesquisadas Idades Referências Labrador Província

Makkovik e norte da Província Nain

Na Província Makkovik foram estudados pequenos maciços rapakivi localizados entre zonas de cisalhamento. Na parte norte da Província Nain no Labrador duas suítes constituídas por granitos rapakivi e anortositos foram datados, a Suíte Intrusiva Arnanunat e Suíte Intrusiva Nain 1.75-1.71 Ga. A suíte Arnanunat (2.1 a 2.0 Ga.). Suíte Intrusiva Nain (1.350– 1290 Ma.).

Ryan et al. (1998); Conelly e Ryan (1999); Ketchum et al. (2002).

EUA centro-sul- oeste

Suítes, complexos e os batólitos graníticos rapakivi da Província Range and Basin como: Sherman batholith no SE Wyoming; os Granitos rapakivi do sul da Newberry Montains no Colorado, Granitos da Província Grenville sul de Nevada, Suítes como o Michikamau Lake, o Mistastin e o Harp Lake. Inclusões antigas como do Complexo Anortosito Horse Creek, maciços do Wolf River em Wisconsin.

1.020 a 1.500 Ma. Howard et al. (1987), Van Schmus et al. (1998), Haapala et al. (1995, 1996), Scoates e Chamberlain (1997) Rivers e Corrigan (2000); Frost et al. (2000). Fenoscandia Suíça,

Finlândia, Rússia. Suítes graníticas rapakivi e rorchas maficas associadas (diques diabásicos, gabros e anortositos) estudadas da Suíça a Finlândia: Granito Rapakivi Ahvenisto Complexo charnoquítico no SW da Filandia, Complexos rapakivi do centro da Suíça; na Finlândia, Salmi, Suomenniemi, Obbnãs, Wiborg e as intrusões satélites, o Bodom e na Rússia os granitos da Província Nain.

1.67 – 1.47 Ga. Neymark et al. (1994) Ekllund et al. (1998) Alviola et al. (1999) Nironen et al. (2000) Anderson et al. (2002) Haapala et al. (1999) Kosunen et al. (2004) Haapala et al. (2005). Groelândia –

Região sul Granitos Rapakivi relacionados àorogenia Ketilidiana e rochas relacionadas

1.755 – 1.732 Ma. Dempster et al. (1991); Windley (1993, 1995). Austrália/Antártica Granitos Rapakivi e anortositos. 1.700 Ma. Vigneresse (2005). China Área de

Beijing - nordeste Complexo Shachang e outros complexos rapakivi Ramo et al. (1995), Yu et al. (1997).

A natureza do magmatismo alcalino a subalcalino e das suítes rapakivi bimodais é em geral, caracterizada pelos diversos estudiosos como resultante das atividades plutônicas de plumas mantélicas, condicionada pelo riftamento incipiente ou abortado e em menor extensão da quebra e abertura de oceanos, que afetaram a crosta continental nas diversas porções do mundo durante períodos distintos.

As suítes intrusivas rapakivi, exibem modo de ocorrência e associação litológicas combinadas, fato que as difere dos demais tipos de suítes graníticas. Caracterizam-se por seu caráter bimodal (félsico - máfico), com termos félsicos a intermediários (granitos, monzogranitos, tonalitos, granodioritos, sienitos, riolitos), caracterizado pela textura rapakivi, associado a termos máficos (diabásio, gabro e anortosito). A integração entre magmas félsicos e máficos tem produzido localmente em alguns complexos, membros híbridos intermediários (monzodiorito), enquanto as rochas plutônicas máficas têm sido abundantes nas porções baixas dos complexos (HAAPALA e RAMO, 1999, DALL’AGNOL et al. 1999a, 1999c).

A formação dos granitos rapakivi de idade proterozóica e sua associação com rochas anortosíticas, vem sendo amplamente consideradas como importantes marcadores ou indicadores tectono- magmático da evolução do período de construção da crosta continental (HAAPALA e RÄMÖ, 1999 e HAAPALA et al., 2005).

Na literatura clássica, Bridgwater e Windley (1973), foram os primeiros a relacionarem os granitos rapakivi com o tipo de ambiente, segundo os autores várias suítes graníticas anorogênicas estariam ligadas diretamente a um rifting abortado ou incipiente. Em seguida Loiselle e Wones, (1979), definiram os granitos rapakivi como granitos típicos de ambientes anorogênicos, caracterizados pelo baixo teor em água e pela fugacidade do oxigênio, entretanto, com a ampliação dos estudos referentes nas diversas regiões do mundo, estas rochas foram encontradas também em outros ambientes como pós-colisional e alguns apresentaram ainda evidencias de oxidação (WHALEN et al. 1987; KING et al. 1997, ANDERSON e SMITH, 1995; DALL’AGNOL et al. 1997a, 1999b).

Atualmente, o ambiente geotectônico extensional vem sendo relacionado aos vários complexos rapakivi da Finlândia devido ao reconhecimento de diversas características estruturais, temporais e texturais relacionadas ao ambiente extensional, como a idade dos rapakivi, a presença de diabásio subordinados e diques porfiríticos que cortam a crosta Paleoproterozóica (HAAPALA e RÄMÖ, 1990), as estruturas em grábens (HAAPALA e RÄMÖ, 1990), o estiramento de crosta em áreas rapakivi (LUOSTO et. al. 1990; HAAPALA e RÄMÖ, 1992) e falhamentos lístricos (KORJA e HEIKKINEN, 1995). Outros complexos rapakivi como o Shachang localizado na região de Beijing na China de idades 1.70 Ga., apresentam registros de ocorrências de estruturas em grábens e de estiramento crustal (YU et al. 1997).

O complexo granito rapakivi-anortosítico Ahvenisto intrudido nos terrenos do clássico granito rapakivi Wiborg com idades de alojamento entre 1.61 a 1.64 Ga., (WAASJOKI et al. 1991 in DALL’AGNOL et al. 1999) e distribuído na porção sudoeste da Finlândia e adjacências

na Karelia Rússia, foi pesquisado geocronologicamente por Alviola et al. (1999), que definiram idades variando entre 1.63 a 1.64 Ga.

O complexo rapakivi Salmi constituído por granitos rapakivi-anortositos e seus plútons satélites (Uljalegi no sudoeste Báltico na Fennoscandia) revelaram na pesquisa realizada por Yuri et al. (1997) com base nos dados geocronológicos obtidos pelo método U/Pb em zircões, que ocorreram seis episódios de atividades ígneas distintas na região e que o intervalo foi de 17 milhões de anos. Estes episódios de atividade magmática, ocorridas neste restrito espaço de tempo foram atribuídos pelos autores ao período em que ocorreu a extensão litosférica (concordando com a hipótese do riftiamento incipiente da crosta continental).