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Essas atividades foram realizadas buscando-se desenvolver, nos alunos, competências sobre a ocorrência e importância de microrganismos nos ambientes aquáticos, principalmente de protozoários de vida livre. Durante as atividades foram utilizados vários materiais de laboratório como microscópios, lâminas, lamínulas e pissetas; materiais para elaboração de modelos didáticos (massa de modelar e palitos modeladores) e amostras de água do ambiente aquático de interesse, o Rio Pium.

Resultados e Discussão

Foram respondidos 88 questionários, abrangendo alunos do 5º, 6º, 7º e 9º anos do ensino fundamental. A idade do público participante variou entre 10 e 17 anos, sendo 49 do sexo masculino (55,68%) e 39 do feminino (44,32%). Mais da metade dos alunos (56,81%) residem em Pium e redondezas. A análise dos questionários foi realizada a partir dos eixos temáticos pré-estabelecidos.

Eixo temático 1: Conhecimentos e relações dos alunos com o rio

A primeira questão deste eixo tinha por objetivo observar o que os alunos conheciam sobre os possíveis usos da água do Rio Pium. Mais de uma alternativa poderia ser assinalada nessa questão, e as opções de resposta eram: "consumo humano", "lazer e/ou turismo", "pesca", "despejo de esgoto" e "outros". Caso marcassem a alternativa "outros", os discentes poderiam especificar outras atividades em um espaço aberto. Os participantes mostraram-se cientes da multifuncionalidade desempenhada pelo rio, sendo assinaladas diversas práticas que se mostram relativamente equalizadas na distribuição de opiniões (Figura 2). Os participantes que assinalaram a alternativa "outras" citaram a deposição de lixo às margens do rio como outra atividade muito praticada.

Figura 2. Principais usos da água do Rio Pium indicadospelos alunos.

As questões 3 e 4, respectivamente, perguntavam se os alunos tomam banho no rio e se já beberam de sua água. A grande maioria (70%) afirmou tomar banho no rio, revelando, então, uma relação bastante direta e expressiva com esse ambiente. Por outro lado, 98% deles afirmaram não beber da água do rio. Isso demonstra que apesar de perceberem que a água do rio não tem qualidade adequada para tal, os alunos a utilizam para outras finalidades, como pesca e banho. Ressalte-se, no entanto, que há sempre uma ingestão de água espontânea durante as práticas de contato primário como a balneabilidade. Além disso, o contato secundário ocorre numa situação acidental ou esporádica, onde se tem uma pequena possibilidade de ingerir água, como, por exemplo, na pesca e navegação (MEDEIROS, 2009).

A questão 5 referia-se à produção de lixo ou esgoto pelos próprios alunos, dos

quais 27% responderam que “não produziam esgoto”. 19% deles marcaram a alternativa “nunca pensei nisso” (Figura 3). Menos da metade deles tinha a consciência de que

Figura 3. Porcentagem referente á pergunta: “você acha que produz lixo ou esgoto”?

Quando questionados se contribuíam para contaminação do rio, a maioria (52%)

respondeu “não”. Em estudo desenvolvido por Medeiros (2012), houve resultado

semelhante, no qual 50,83% e 53% dos alunos afirmaram, respectivamente, produzir lixo ou esgoto e contribuir para a contaminação dos recursos hídricos da região onde habitam. Sodré-Neto e Araújo (2008), trabalhando com professores da rede pública, constataram, também, que 59,4% afirmou contribuir para a contaminação da água, demonstrando que mesmo professores têm dúvidas sobre se contribuem com a contaminação dos corpos aquáticos. Isso preocupa porque, ao não compreendermos a ação antrópica sobre os ecossistemas aquáticos de maneira consciente, tornamo-nos menos sensíveis à necessidade de sua defesa e proteção.

Eixo temático 2: Doenças de veiculação hídrica

Neste eixo foi abordada a possibilidade da ocorrência de doenças ligadas ao Rio Pium, já que é muito usado para atividades de contato primário como as práticas de balneabilidade e contato secundário, como a pesca. Na questão 7, mais da metade dos discentes, 66%, acham que podem adquirir alguma doença se tomarem banho nesse rio (Figura 4), assim como também 68% deles acreditam, como apresentado na questão 8, que podem ficar doentes se ingerirem água contaminada por lixo ou esgoto.

Figura 4. Percentual de alunos que acham que podem adquirir alguma doença se tomar banho

do rio.

Apesar de reconhecerem que a água do rio pode representar uma ameaça às condições de saúde, a falta de informação os leva a utilizar a água para banho mesmo assim. Existe, de forma geral, uma aparente ausência de debates sobre esse tema, que indica também uma falta de sensibilização e interesse pelas questões ambientais, reforçando a necessidade de maior ênfase no desenvolvimento de ações voltadas para o conhecimento dos recursos hídricos da região, no qual o espaço escolar é fundamental nesse processo.

Quanto aos tipos de doenças que podem ocorrer caso tomassem banho no rio ou ingerissem água contaminada por lixo ou esgoto, foram citados, além das doenças

propriamente ditas, sintomas como “coceira” e “tosse”, além de possíveis agentes causadores como “vírus” e “bactérias”, aspectos igualmente observados por Petrovich &

Araújo (2009) e Medeiros (2012) ao estudarem as concepções de alunos da rede pública sobre os usos e a qualidade da água na região semiárida do Rio Grande do Norte. Os sintomas são mais fáceis de serem citados, ao invés da doença, pois são manifestações físicas de alterações metabólicas e das sensações do indivíduo, fazendo com que sejam confundidos com as doenças. Dentre as doenças, foram citadas: “micose de pele”,

“barriga d’água”, “dengue”, “diarréia”, “febre amarela” e “gripe”. Identificou-se uma

confusão quanto à associação de doenças que não são transmitidas direta ou

indiretamente pela água, como a “gripe” ou “febre amarela”. A micose de pele foi a

doença mais citada (44,82%), provavelmente devido à mais clara exposição de suas manifestações físicas, características da doença.

Apesar de reconhecerem que podem adquirir alguma doença ao tomar banho no rio, apenas 13% dos alunos afirmaram já ter tido alguma doença relacionada com o consumo de água contaminada e 25% não souberam responder. Resultado similar também foi encontrado no trabalho de Petrovich e Araújo (2009). Santos et al. (2008) ressaltam que, como a maioria das doenças de veiculação hídrica é causada por microrganismos, e não sendo estes facilmente visualizados e identificados pela população, a percepção de que certas doenças possam estar associadas ao consumo de água torna-se muito prejudicada nesse aspecto.

Diante disso, é indispensável que temas relacionados às doenças de veiculação hídrica sejam melhor trabalhados nas escolas, principalmente na Região Nordeste, onde estas doenças ainda alcançam índices bastante altos quando comparada a outras regiões do Brasil (SELI & ABICALIL, 1999). Faz-se necessária uma maior ênfase no estudo dos microrganismos causadores e nas formas de contágio, remetendo-se, consequentemente, aos meios de prevenção dessas doenças.

Eixo temático 3: Concepções sobre protozoários

Este eixo teve como objetivo identificar as concepções dos alunos com relação aos protozoários de vida livre, que ainda são pouco aprofundados quanto às suas características morfológicas e ecológicas. Foram selecionadas seis questões que melhor representam as ideias principais deste eixo (Quadro 2).

Quadro 2. Principais questões referentes ao tema protozoários de vida livre.  Já ouviu falar na palavra “protozoário”?

 Saberia dizer onde vivem os protozoários?  Todos os protozoários causam doença?  Podemos ver os protozoários a olho nu?

 Acha que há protozoários na água do(s) rio(s) da sua cidade?

 Em caso de achar que existem protozoários no rio de sua cidade, isso quer dizer

que a água é de má qualidade?

Quando questionados se já ouviram a respeito da palavra “protozoário”, quase

60% responderam afirmativamente. Quanto ao habitat, 43,18% afirmou que os protozoários vivem apenas em ambientes aquáticos e 19,31% respondeu que estes organismos são encontrados tanto na água como no solo e dentro de outros animais. No mesmo contexto, foi questionado se achavam que haviam protozoários no rio, no qual

água provavelmente foi decorrente do tema principal do trabalho explicitamente relacionado ao rio. Logo, o conhecimento prévio quanto ao termo existe, mas a discussão quanto à classificação, morfologia e função desses microrganismos no ambiente aquático é deficiente. Caron (2009) enfatiza que os protozoários são negligenciados quanto às suas características mais gerais quando comparados a outros grupos microscópicos, tornando-os, dessa maneira, menos conhecidos, o que gera dificuldades em compreender vários aspectos referentes à sua ecologia, como, por exemplo, seus possíveis habitats.

Figura 5. Percentual de alunos que acha que há protozoários no rio.

A patogenicidade dos protozoários foi um ponto crucial referente às concepções dos alunos sobre esses organismos. Quando questionados se todos os protozoários causavam doenças, quase metade dos alunos responderam positivamente e somados aos

que responderam “não sei”, têm-se 86% (Figura 6) que não compreendem que os

protozoários têm importantes funções ecológicas nos diversos ecossistemas contribuindo de maneira fubdamental para o seu equilíbrio. No entanto, o número global de espécies conhecidas de protozoários capazes de causar doenças é mínimo. Essa implicação equivocada sobre os protozoários é expandida à maioria dos microrganismos, que são frequentemente conotados de forma negativa e relacionados, na esmagadora maioria das vezes, com o aparecimento de doenças (MAFRA & LIMA, 2007). Isso ocorre possivelmente devido ao enfoque dado pelos livros didáticos aos representantes patogênicos das comunidades microbiológicas em geral. Sendo também

reforçado pelos professores, que não problematizam o tema e acabam estabelecendo uma concepção empirista e incompleta a respeito dos desses organismos.

Figura 6. Respostas dos alunos à pergunta: “todos os protozoários causam doença?”

Os alunos foram solicitados a relacionar os protozoários e a qualidade de água. Destes, 25% disseram que os protozoários influenciam de maneira negativa a qualidade e outros 25% não sabem se tal relação existe (Figura 7).

Figura 7. Em caso de achar que existem protozoários no rio, isso quer dizer que a água é de má

qualidade?

Ocorre aqui uma incoerência, se compararmos esta com a questão 14, para a qual a maioria afirmou que todos os protozoários causam doença, revelando,

novamente, uma deficiência dos alunos quanto ao conhecimento dos benefícios ecológicos desempenhados por este grupo nos ambientes aquáticos.

Cerca de 60% dos alunos afirmaram que os protozoários não poderiam ser vistos a olho nu, revelando um conhecimento relativo, a respeito da dimensão microbiana desses organismos, pelos alunos. No entanto, o tópico referente ao tamanho dos protozoários é bastante tênue, pois existe, ainda, uma tendência equivocada, mesmo

entre os pesquisadores, de associar as palavras “micróbio" e "microrganismo"

exclusivamente a bactérias (CARON, 2009).

Dessa maneira, são necessárias iniciativas mais efetivas sobre o ensino dos protozoários aquáticos e que complementem ou funcionem como alternativas às práticas tradicionais de ensino, e que podem tornar-se regulares e serem desenvolvidas de variadas maneiras, como por meio de oficinas.

Os desenhos

As ilustrações dos alunos foram classificadas em quatro categorias: desenhos

ausentes ou não representativos, desenhos com erros conceituais, desenhos com representações parciais e desenhos com concepções alternativas. Os critérios de

classificação das categorias são descritas no quadro 3.

Quadro 3. Descrição das categorias dos desenhos sobre protozoários

Desenhos ausentes ou não representativos

(a)

Desenhos em branco ou com elementos não possíveis de identificação. Também estão presentes nesta categoria desenhos que não possuem relação com os protozoários ou que fogem do contexto do que se pede. Predominam elementos de paisagem (Figura 9a, b).

Desenhos com erros conceituais

(b)

Nesta categoria os alunos atribuem o conceito de protozoários a outros organismos como anelídeos e insetos (Figuras 10a, b).

Desenhos com representações parciais

(c)

Os desenhos aqui representados demonstram um entendimento parcial sobre os protozoários. Incluem desenhos com elementos estruturais dos protozoários como flagelo, cílios e pseudópodes (Figuras 11a, b, c).

Desenhos com concepções alternativas

(d)

Desenhos que assemelham à morfologia dos protozoários, mas também com estruturas inexistentes nestes organismos (olhos e boca) e/ou associados exclusivamente à poluição e doenças (Figuras 11a, b).

A maioria dos alunos (44%) fez desenhos que foram incluídos na categoria “b” (erros conceituais), os quais representaram os protozoários como insetos, minhocas e peixes. 27% apresentaram figuras confusas ou que fugiam do contexto do que era requisitado. Apenas 13% fizeram desenhos que tinham uma aproximação muito grande acerca da morfologia dos protozoários, com estruturas facilmente identificáveis como flagelos, cílios e pseudópodes, inclusive alguns apresentavam estruturas internas simples. Cerca de 16% dos alunos desenharam organismos com algumas características de protozoários, mas que possuíam semblante humano, também associando-os a agentes poluidores e causadores de doenças (Figura 8).

Figura 8. Categorias dos desenhos dos alunos.

O somatório das categorias “a”, “b” e “d” demonstra que 87% dos alunos possuem alguma restrição sobre o conhecimento dos protozoários. Medeiros (2012) também encontrou resultado semelhante, em que mais de 60% dos professores e alunos da rede pública que participaram do estudo também tiveram dificuldades em representar protozoários. Apesar das variadas vantagens na aplicação de desenhos para averiguar se existem concepções alternativas, a limitação pessoal na habilidade de desenhar de cada aluno pode influenciar bastante nos resultados, pois eles podem deixar de desenhar ou por não saberem expressar esse conhecimento ou por sentirem-se desestimulados a tentar (PROKOP & FANČOVIČOVÁ, 2006; BAHAR et al., 2008).

Figura 9. Exemplos da categoria “Desenhos ausentes ou não representativos”

Figura 10. Exemplos da categoria “Desenhos com erros conceituais”

Figura 11. Exemplos da categoria “Desenhos com representações parciais”

Figura 12. Exemplos da categoria “Desenhos com concepções alternativas”

A

B

A

A

B

A

B

C

B

Grande parte dos desenhos inseridos na categoria “b” eram minhocas (83,33%).

Os outros 16,67% desenharam organismos semelhantes a insetos, peixes e girinos. Em estudo realizado por Karadon e Sahin (2010), quando perguntado aos alunos a respeito do que entendiam sobre o conceito de microrganismos, mais da metade associou a sujeira, poluente e nocivo. Neste trabalho, os participantes também fizeram essa

associação ao desenharem “protozoários” como minhocas, por serem animais

subterrâneos e facilmente associados à sujeira, também sendo associados à doença. Ao estudarem as concepções de alunos e professores sobre insetos, Passos et al. (2011) observaram que houve o predomínio de uma visão negativa por parte dos alunos em relação aos insetos, em que a maioria os considerou prejudiciais. Ainda segundo esses autores, os insetos são frequentemente associados a sentimentos negativos e reações de nojo e/ou medo, enquanto outros geram preocupações como aqueles considerados pragas e vetores de doença.

Os desenhos da categoria “d” podem ter sido feitos usando concepções baseadas

em experiências anteriores para explicar o desconhecido, criando conceitos novos, mas imprecisos, semelhante ao trabalho de Jones e Rua (2006) sobre a concepção de alunos acerca de microrganismos. Além da subjetividade, uma das razões que os alunos apresentam concepções alternativas é exatamente por meio das concepções que os próprios professores possuem (YIP, 1998).

As informações sobre os microrganismos, neste caso, os protozoários, devem ser trabalhadas de forma mais concreta, por meio de técnicas educacionais variadas, como modelos e jogos didáticos e apresentações multimídia. É muito mais difícil, para eles, aprender sem ver, fazer e experimentar. Deve ser considerada a rica disponibilidade ambiental para o estudo de protozoários aquáticos da região, possibilitando aos professores tirar vantagem desse cenário, ao desenvolverem aulas de campo motivadoras e que os aproximem do mundo microbiológico real.

As oficinas

Após a análise dos questionários, organizaram-se oficinas com o intuito de minimizar as concepções alternativas identificadas através da divulgação de conhecimentos mais amplos sobre os protozoários e doenças de veiculação hídrica. Foram realizadas duas oficinas, uma para cada escola onde foi realizada esta pesquisa.

Na primeira escola, participaram 16 alunos, enquanto que na segunda foram 17, totalizando 33 alunos do 5ª ao 9 ª ano.

A primeira parte das oficinas consistiu numa breve apresentação sobre microscopia, suas funcionalidades, origem e evolução. Os discentes tiveram acesso a dois microscópios para que pudessem compreender na prática o funcionamento desse equipamento. Nesta ocasião, fios de cabelo dos alunos foram colocados no equipamento, para que eles tivessem uma noção real do poder de aumento das lentes. Posteriormente, amostras de água do Rio Pium (previamente coletadas e filtradas com redes de plâncton) foram observadas, possibilitando a visualização de protozoários e de microalgas.

A segunda parte foi destinada para o exercício de atividades lúdicas, consistindo na construção de modelos didáticos de massa de modelar a partir de pranchas com imagens de protozoários de vida livre presentes no Rio Pium (Anexo 2), e a aplicação de jogos didáticos referentes a doenças de veiculação hídrica. Os alunos foram divididos em grupos, e cada um deles recebeu um conjunto que continha as fotos dos protozoários, uma caixa de massa de modelar e palitos de madeira, para ajudar na confecção dos modelos. Ao final da atividade, como forma de motivação e animação, os próprios alunos elegeram os modelos (Figura 13) considerados mais fiéis aos organismos originais, levando em consideração apenas seus aspectos morfológicos.

Atividades dessa natureza são bastante importantes para o conhecimento e assimilação das formas observadas (SODRÉ-NETO & ARAÚJO, 2008). Para ALMEIDA et al. (2004) esse tipo de atividade realça o grande valor da observação através da análise e síntese de informações, promovendo uma maior organização e registro de informações.

Figura 13. Modelos de protozoários do Rio Pium elaboradas pelos alunos durante as oficinas

B

A

Em seguida, ainda com os mesmos grupos, houve a aplicação de jogos didáticos previamente elaborados e relacionados, principalmente, com doenças de veiculação hídrica. Os jogos objetivam familiarizar os participantes com as principais doenças de veiculação hídrica, estimulando-os a buscar modos de prevenir a ocorrência da doença e sensibilizar a população para seus riscos e tratamentos. Os alunos brincaram com dois

tipos de “Jogo da Memória” desenvolvidos por Silveira (2010), em que o participante

deveria identificar e conhecer os principais vetores e agentes causadores de cada doença, para, então, relacionar com as outras características das doenças. No primeiro tipo, as cartas apresentam apenas as figuras dos agentes infecciosos e transmissores de cada uma das doenças, enquanto que no segundo, as cartas apresentam apenas a forma de transmissão e o nome da doença. Vencia o jogo quem, ao final da partida, conseguia o maior número de pares de cartas das doenças. Macagnan e Nascimento (2006) destacam o exercício de atividades lúdicas dessa natureza como essenciais no processo de ensino-aprendizagem.

Como forma de consolidar os conhecimentos trabalhados durante as etapas anteriores, a última etapa da oficina consistiu na contextualização geral da importância social e econômica dos ambientes aquáticos para a região, principalmente do Rio Pium, enfatizando a necessidade de práticas produtivas tanto para conservação quanto para a divulgação das mesmas. Na ocasião, foram apresentados tanto os equipamentos quanto o processo de coleta de água para visualização dos protozoários de vida livre em microscópio, havendo também exibição de vídeos e imagens desses microrganismos, mostrando diferentes formas e comportamentos e explicando um pouco de sua ecologia naquele ambiente.

Conclusões

O conhecimento a respeito dos protozoários de vida livre ainda é muito superficial, existindo concepções alternativas diversas e conceitos equivocados nos aspectos mais simples que fazem parte do tema. Por meio dos desenhos foi possível identificar concepções que associam protozoários a outros organismos que, ainda assim, remetem a doenças, sendo que os protozoários de vida livre são numericamente superiores aos protozoários patogênicos. No entanto, não houve nenhuma ilustração que remetesse aos aspectos positivos desses microrganismos, principalmente, no ambiente aquático.

As oficinas serviram como tentativa de minimizar as deficiências e dificuldades dos alunos sobre os protozoários, além de esclarecer que são poucos os representantes desse grupo ameaçam à saúde humana, sendo eles, ao contrário, bastante importantes ecologicamente. Os resultados alcançados neste estudo sugerem a necessidade de mais trabalhos desse tipo, que intervenham por meio de oficinas com atividades práticas contextualizadas à região onde forem aplicadas, promovendo uma maior interação com os participantes, a fim de despertar um senso crítico para preservação e manejo adequado dos recursos hídricos e de um conhecimento mais profundo a cerca dos protozoários de vida livre.

Referências

ALMEIDA, L. R. F.; BICUDO, L. R.; BORGES, G. L. A. Educação ambiental em praça pública: relato de experiência em oficinas pedagógicas. Ciência e Educação, v. 10, n.1, p. 121-132, 2004.

DIKMENLI, M. & CARDAK, O. A study on misconceptions in the 9th grade high school biology textbooks. Eurasian Journal of Educational Research, v. 17, p. 130-