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3. Methodology

3.2 Potential Biases

Segundo a versão do dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa20, o vocábulo chat vem do inglês “chat” que significa “conversa informal”. Além desse valor etimológico, o dicionário confere, ainda, para essa palavra a seguinte acepção:

/tSæt/ [ing.] s.m. INTERN forma de comunicação a distância, utilizando computadores ligados à internet, na qual o que se digita no teclado de um deles aparece em tempo real no vídeo de todos os participantes do bate-papo ¤ ETIM ing. chat (1530) 'conversa informal', red. de chatter, do ing.méd. to chatteren 'falar, emitir sons semelhantes ao da fala, de modo rápido, indistinto ou pouco articulado; conversar de modo informal', de orig. expressiva imitativa

A acepção da palavra chat, ligada à Internet, procura descrever a maneira como é realizada essa forma de comunicação. Vemos que essa definição está mais ligada ao aspecto físico de como é efetuada essa comunicação, e não às características da linguagem em si. Vemos que estão ressaltados, por exemplo, os aspectos: a distância, computador conectado à internet, teclado, tempo real. Percebemos que a definição trazida pelo dicionário faz menção ao aspecto físico de como se dá a comunicação, deixando a cargo da etimologia da palavra

chat às características linguísticas da comunicação do chat.

Ao ler a bibliografia referente ao chat, e mais precisamente à definição que os autores davam a ele, nos deparamos com grande diversidade de definições. Procuramos, dessa forma, agrupá-las em três perspectivas a fim de organizá-las. É importante destacar que, na bibliografia consultada, não aparecem essas três formas subdivididas, conforme mostraremos a seguir, sendo criadas por nós neste trabalho:

a) um ambiente chat síncrono, em que estão ressaltadas características físicas relacionadas ao ambiente informático, isto é, ao meio físico da comunicação, como uso de computador conectado à internet, número de participantes, sala de bate-papo;

b) um gênero chat; c) uma conversação.

Destacamos que essas definições não são excludentes e que, do nosso ponto de vista, é necessário pensar em uma definição mais completa, que incorpore as três perspectivas mencionadas.

20

O dicionário Houaiss, López García (2005), Marcuschi (2005), Sanmartín Sáez (2007) adotam a definição de chat que destaca o meio físico de comunicação. López García

(2005, p. 98) define chat como “um tipo de comunicação interpessoal cuja principal

característica diferenciadora é que se produz de modo síncrono, isto é, os participantes da comunicação conectam-se em um mesmo momento para participar ativamente do discurso. Para o autor, diferentemente, do que ocorre em e-mail e fóruns, por exemplo, no chat, é necessário que haja a presença ativa dos usuários. Já para Sanmartín Sáez (2007), “como o

próprio nome indica, o chat (voz inglesa que significa ‘conversa’, ‘bate-papo’ ou ‘conversação’) supõe um intercâmbio comunicativo entre vários interlocutores através de Internet”.21

(p. 11) e “emprega Internet como meio para a emissão das mensagens” (...) (p.

83). Por fim, na visão de Marcuschi (2005), o chat corresponde aos “ambientes em salas de

bate-papos ente várias pessoas simultaneamente ou em ambiente reservado.” (p. 27). Ao propor breve definição de chat aberto, o autor menciona que se refere a “inúmeras pessoas

interagindo simultaneamente em relação síncrona e no mesmo ambiente” (p. 28).

A concepção de chat como gênero - a segunda perspectiva – corresponde ao olhar de Araújo (2005), Mayans (2002), Sanmartín Sáez (2007), Marcuschi (2005), Sá & Melo (2003), Crystal22 (2002).

Araújo (2005) argumenta que o chat é a transmutação do diálogo cotidiano de sua esfera de origem para a esfera eletrônica, a web. O autor observa que no chat as marcas do diálogo permanecem nele, embora pareçam “gerar uma nova formatação ao diálogo

cotidiano”, o que o levou a considerar o chat como um gênero emergente (ARAÚJO, 2005, p.

94).

Sanmartín Sáez (2007, p. 83) afirma que o chat corresponde a um novo discurso: a conversação coloquial gráfica. Para ela, trata-se de um gênero com suas regras e codificação social que remete, metaforicamente, em uma perspectiva sociolinguística, a uma espécie de

“subcomunidade de falantes”, que utiliza uma variedade linguística, compartilha algumas

normas de uso e um sentimento de pertencimento a um grupo: “internautas” ou “chateiros”.

A autora acrescenta que “também se poderia classificar o chat como uma espécie de gênero, abstração ou categorização sociocultural” (ibidem, p. 83).

21 “Como su propio nombre indica, el chat (voz inglesa que significa ‘charla’ o ‘plática’) supone un intercambio

comunicativo entre varios interlocutores a través de Internet.” (SANMARTÍN SÁEZ, 2007, p. 9).

22 A obra foi editada com o título original “Language and the Internet”, em língua inglesa, pela Cambridge

University Press em 2001. Nesta pesquisa, estamos usando a edição espanhola como “El lenguagem e Internet”,

Do ponto de vista de Marcuschi (2005) “os gêneros denominados chats são na realidade bate-papos virtuais em tempo real (on-line)” (p.28) e, para Sá & Melo (2003), o chat é um produto de uma interação e um novo gênero discursivo23. Crystal (2002, p. 153) usa o termo genérico chat para fazer referência “ao discurso eletrônico de vários participantes

de âmbito universal, seja em tempo real ou não”.

Na terceira forma de classificação, o chat é definido como uma “conversação”, “bate-papo” ou “comunicação” (SÁ & MELO, 2003; MAYANS, 200224

; SANMARTÍN SÁEZ, 2007; MARCUSCHI, 2005; YUS, 2001; RODRÍGUEZ ILLERA & ESCOFET ROIG, 2008). Para vários autores, o chat é considerado como síncrono (cf. YUS, 2001; LÓPES GARCÍA, 2005; MARCUSCHI, 2005;). No entanto, Sá & Melo (2003) entendem que a natureza do chat é “quase síncrona”, ao passo que outros autores, conforme expõe

Crystal (2002, p. 194) observam que “as conversações síncronas por computador têm uma natureza assíncrona”. A tabela a seguir mostra as posições dos autores, definindo o chat como

uma “conversação” ou “comunicação”:

23 “(...) chats, entendidos como un producto de una interacción y como un nuevo género discursivo (…) (Sá & Melo, 2003, p. 49)

24 No que diz respeito ao conteúdo do chat e ao meio _ tecnológico_, o autor “dan lugar, por medio de una fusión creativa, impredecible, a un género _ comunicacional, narrativo _ distinto”. (p. 41).

TABELA 4

Definição de chat como “conversação”

Chat definido como “conversação”

x Dicionário eletrônico Houaiss: “Forma de comunicação a distância, utilizando computadores ligados à internet, na qual o que se digita no teclado de um deles aparece em tempo real no vídeo de todos os participantes do bate-papo”;

x Mayans (2002) menciona que o chat é um “gênero comunicativo, narrativo _ distinto”. (p. 41).

x Mayans (2002) afirma que “un medio como los canales de conversación de un chat (…) (p. 40)

x Sá & Melo (2003) entendem que o chat é um produto de uma interação e um novo gênero discursivo.1 As autoras afirmam que as interações no chat podem ser designadas como conversações virtuais, quase síncronas e não presenciais;

x López García (2005) um tipo de comunicação interpessoal cuja principal característica diferenciadora é que se produz de modo síncrono;

x Marcuschi (2005) afirma que os bates-papos são “conversas multiparticipativas” (p. 43) x Sanmartín Sáez (2007, p. 83) afirma que o chat corresponde a um novo discurso: a

conversação coloquial gráfica;

x Para Yus (2001), “o chat é uma conversação oral em um suporte escrito, uma nova forma de comunicação com seus próprios códigos de funcionamento.” (p. 79); “o chat é uma nova forma de comunicação” (...). (p. 139).

x Crystal (2002) usa o termo “ciberfala” e o denomina como “uma nova espécie de comunicação.”. (p. 62) e como “uma linguagem nova/inovadora” (p. 63)

x Menning (apud SANMARTÍN SÁEZ, 2007) define o chat como “uma forma de conversar em tempo real na rede. (...) permite manter um diálogo imediato e interativo com um

grupo de pessoas distribuídas em qualquer lugar do mundo.”

x Rodríguez Illera & Escofet Roig (2008) afirma que “o chat é um tipo de conversação” (...) * Grifos nossos.

Conforme mencionamos, anteriormente, parece não haver uma rigidez que imponha a classificação dos chats em apenas uma dessas categorias, pois algumas definições compõem

conceitos “híbridos”. Assim, quando ocupa dois ou mais lugares, podemos hierarquizar os

aspectos mais salientes de cada classificação: na primeira, trata-se dos aspectos do meio físico de comunicação; na segunda, destacam-se os traços definidores do gênero chat; e, na terceira, observa-se a recorrência de definições que usam o termo “conversação” ou

“comunicação” para designar algo que é realizado essencialmente escrito. Verificamos,

ainda, que na última classificação, alguns autores (YUS, 2002; CRYSTAL, 2002; SÁ &

MELO, 2003; SANMARTÍN SÁEZ, 2007) ressaltam o aspecto de “novidade da linguagem”, da “comunicação” e do “discurso” que surge com esse gênero.

Partindo dessas três perspectivas, propomos uma definição de chat que as envolvam a fim de que haja uma complementação entre elas e não um caráter de exclusão. Dessa maneira, entendemos por chat: i) uma conversação escrita mediada por computador, que reflete as condições de produção ligadas ao tempo real ou on-line; e ii) um novo gênero

(digital), que apresenta características próprias que o singulariza e que está submetido às

condições de produção da informática e da conexão em rede, entre outros aspectos relacionados à tecnologia digital.

Para Marcuschi (2005) a interação conversacional não é caracterizada pela presença física, a qual caracteriza o tipo de conversação face a face. A produção oral não é necessária para uma interação síncrona, já que a sincronização pode acontecer por escrito e transmitida a distância. Nessa perspectiva, Marcuschi (2001) propõe que

A interação face a face não é condição necessária para que haja uma conversação, como no caso das conversações telefônicas. Mas a interação centrada (Goffman) é condição necessária, pois o simples acompanhamento lingüístico de ações físicas não caracteriza uma conversação. (...) De igual forma, a identidade temporal é necessária porque a conversação, mesmo que se dê em espaços diversos (no caso da conversação telefônica), deve ocorrer durante o mesmo tempo. (p. 15)

2.4.3 Chat Educacional: uma conversação síncrona por escrito mediada por