1. Innledning
2.4 Potensielle kilder til forurensning av drikkevann
Dentro de uma visão sistêmica, em que a crise vivenciada por um indivíduo é entendida a partir de seu contexto familiar e social, passando a ser também uma crise da família e do grupo, assinalo como importante para esta tese os enunciados sobre paradigma e crise (SCHNITMAN e FUKS, 1993) e crise e contexto (BARRETO, 2005).
Schnitman e Fuks (1993) ao referirem-se ao stress familiar entendem que no processo de crise o paradigma familiar formado por suas crenças, premissas, valores, rituais, tradições e outras práticas, encontra-se em processo de desorganização- reorganização e busca de novas posições. Apontam que são desestabilizados pontos de vista prévios, forma de construção da realidade e a cultura familiar vigente, diminuindo a congruência entre paradigma e a ação social da família. Lembram que quando paradigma e práticas sociais da família são congruentes há um sentido de identidade, pertença, previsibilidade, consenso e operação implícita; no entanto, como todo grupo social, a família não é estável e a tendência do paradigma é construir-se e reconstruir-se a partir de um processo recursivo entre práticas, realidade e identidade e de múltiplas conexões intra e intersubjetivas. Assim, a crise para os autores marca o momento de oscilação máxima de um sistema entre estabilidade e instabilidade, entre o movimento de manter as estruturas e processos constituintes da identidade e a possibilidade e riscos de mudança.
Os autores acima referenciados consideram ainda que a alteração do paradigma e do funcionamento implícito da família pode levar a diferentes resultados como: manutenção do estado oscilatório, em que novos padrões alternativos são encontrados, mas não se mantêm estáveis, prevalecendo o meio do caminho entre a desorganização e tentativa de desorganização; rigidez de funcionamento preestabelecido, com recusa de alternativas; aumento da desorganização levando à dissolução da família; respostas novas,
mas inapropriadas, como sintomas, violência; e, finalmente, surgimento de novas alternativas que se incorporam como marco de novas significações, novas práticas, aquisição de consenso e formulação de novo paradigma com novo funcionamento implícito.
Os autores (SCHNITMAN e FUKS, 1993) defendem a abordagem da conversação terapêutica, e, citando seus trabalhos anteriores, afirmam que neste meio terapêutico, problemas atuais e padrões estabelecidos devem ser considerados, assim como a emergência de novas alternativas. Para os autores, neste tipo de intervenção o processo terapêutico se move entre o problema estabelecido e dilemas evolutivos constituídos de novos riscos e possibilidades na construção de novas realidades. Afirmam ainda que a conversação terapêutica forma uma matriz onde a desorganização e o caos podem ser criativos por meio da participação ativa de terapeutas e membros da família, em um processo de co-construção, com atenção especial nos novos núcleos de novidade que vão surgindo por meio da crise.
Barreto (2005) ao referir-se à crise nos oferece uma importante síntese com alto valor pragmático com base nos aportes teóricos da teoria sistêmica e da antropologia cultural. Entende a crise como exaustão de um modelo relacional dentro de certo contexto. Considera o contexto soberano e dinâmico, decorrente de um processo histórico e responsável pela criação de modelos de interação, sejam afetivos, políticos, administrativos, econômicos, educativos ou religiosos.
Para Barreto (2005) a eclosão de uma crise resulta da prevalência de modelos antigos que não respondem mais às necessidades do contexto. Lembra que na crise estão implicados o perigo de perder a dependência, o conforto, a segurança e identidade de um lado e de outro se encontra a oportunidade de mudança. O autor alerta que a crise resolve- se pelo atrito, em que novas identidades são assumidas: a crise pressupõe caos, destruição
prévia e pode eclodir em diferentes sistemas, na pessoa, na família, no grupo social ou na comunidade, sendo o caos a matéria prima da criação. Enfatiza a crise como possibilidade de um salto qualitativo ao estimular o questionamento sobre as ações, relacionamentos, valores e crenças, ao problematizar o contexto e questionar os modelos.
Por meio da visão sistêmica o autor aponta que a crise é formada pelo contexto e afeta o contexto. Assim, a crise de alguém em surto psicótico, por exemplo, deve ser considerada como a crise daquela família e daquele contexto social. Utilizando os princípios da teoria sistêmica de causalidade circular, Barreto (2005) também argumenta que devemos evitar a relação de causa-efeito entre o fator precipitante e a crise em si, sempre considerando o modelo e o contexto onde está inserido o problema, e ilustra com um ditado popular comparando a crise ou o sintoma como um dedo apontando para uma estrela perdida no céu “quem olha só para o dedo que aponta para a estrela, jamais verá a estrela”.
Barreto (2005) continua indicando que diversos sinais são observados na crise, como incapacidade de resolução de problemas, quando situações requerem novas respostas e não há criatividade para soluções novas, quando se assume posição extremista sem negociação e caminho intermediário e quando há perda de direção ou a formação de sintomas. Utilizando a teoria sistêmica e da comunicação reafirma que o sintoma tem sentido de comunicação inconsciente codificada culturalmente para expressar um sofrimento. Ele nos fornece indicadores para a solução da crise: intensidade de reação desencadeadora; condições pessoais e do grupo, como saúde, auto-estima, flexibilidade, coesão grupal; vigor do sistema de crenças e valores; variedade de recursos sociais e culturais. Para análise da crise, o autor sugere passos, como a identificação do problema, as repercussões no indivíduo, as repercussões na sua vida, nas suas relações, as estratégias
utilizadas, a participação inconsciente e finalmente as lições que se podem tirar da situação de crise.
Ainda referindo-se a Barreto (2005),a partir do conceito de triângulo perverso de Bowen (1976), sugere que em situação de crise o terapeuta deve evitar a formação da triangulação vitimizadora – vítima, perseguidor e salvador – levando, ao contrário, a família ou o grupo a buscar soluções de acordo com suas competências. Realça também a importância da competência da comunidade na resolução de crise. Atendendo como psiquiatra uma comunidade pouco favorecida na cidade de Fortaleza, formada por imigrantes do interior do estado, com crises sucessivas de desemprego e abandono social, e conseqüentemente desenvolvendo um alto índice de sofrimento psíquico e sintomatologia psiquiátrica, cria a Terapia Comunitária na segunda metade dos anos 80, hoje bastante difundida por todo o Brasil. Nesta abordagem, as situações de crise são tratadas principalmente por meio da valorização das competências do grupo, estas desenvolvidas por meio de sua cultura com suas crenças e valores e por suas práticas e rituais. A coesão grupal é alcançada pelo sentimento de pertencimento e reconhecimento da sua identidade cultural e social, levando o grupo a questionar a introjeção da pobreza, em que a riqueza cultural passa a ser esquecida.