7.1 PESTEL
7.2.1 Potensielle inntrengere
O viés percorrido ao longo deste trabalho serviu de esboço para uma tentativa de análise entre dois importantes movimentos do período antigo. O poético e o filosófico parecem se localizar em lugares distintos, mas ambos coincidem na caracterização sapiencial de seus esforços. É clara esta distinção e Platão faz questão de por ela na boca de Sócrates, mostrando que a diferença é antiga (República, 607 b). Todavia, isso não invalida a importância do poético dentro do pensamento racional empreendido por Platão.
O poético é levado a sério e encarado como uma problemática evidente ao longo de muitos diálogos. Este problema, muitas vezes aparentado sob pontos de vista distintos, pode ser resolvido a partir de uma análise do conjunto. Não que a obra de Platão possa ser encarada de forma linear, ou sob alguma ordem que exclua certo embaraço ou dúvida; ao contrário disso, ela se mostra dinâmica, viva; todavia, é possível vermos uma certa comunhão geral de pensamentos entre elas. Um desses exemplos é aquele que toca o poeta.
Por ser dinâmica, essa caracterização do pensamento pode passar despercebido. Não muito raro encontramos o mesmo ponto de vista servindo a propósitos distintos. Um exemplo disso está na própria inspiração, ou seja, naquilo que diz respeito aos aspectos que pressupõe uma certa divinação dentro da composição. Em diálogos como o Fedro, ela é exaltada, pois é a partir de tal situação que os adivinhos e poetas contribuem fortemente para a cidade. Todavia, em diálogos como o Íon, ela é mostrada como uma incapacitação do poeta e do rapsodo em serem “ἳὄὈiὅὈἳs”έΝ ἠὁΝ ἷὀὈἳὀὈὁ,Ν ἳΝ mἷὅmἳΝ caracteriza permanece, o que irá mudar deverá ser a situação em que ela é posta dentro do diálogo. Assim, enquanto por um lado ela é uma forma de limitação, pois marca uma ausência intelectiva, por outra ela é um dom, uma forma verídica de se expor uma verdade.
O foco dado aos aspectos de uma mesma caracterização deverá mudar pelo próprio dinamismo presente nas discussões, mas cada aspecto comunga entre si, pois ambos compartilham a mesma ideia, ou interpretação que o filósofo faz do seu objeto de estudo. Dessa forma, ao trazer a tradição poética à filosófica, presente a partir da análise que o próprio Platão faz, pude ver uma relação entre os diversos diálogos sobre o tema, bem como um possível esclarecimento ou uma articulação entre os aspectos mais importantes que compõe a análise do poeta.
parece-nos que o grande foco da crítica deva ser aquele que propõe uma reflexão do seu papel em um novo ambiente social, diverso daquele do qual parte Homero e Hesíodo; bem como o de pensá-la junto à esfera racional presente sobremaneira nesse quase Iluminismo grego. Tal ideia também ocorre com a noção apresentada de mímesis, em que o poeta, que não sabe muito bem discernir entre o que é e o que não é conveniente, deve se subsumir as leis do Estado, como qualquer outro membro dessa sociedade projetada racionalmente.
Não há, desse modo, nenhuma preocupação estritamente negativa, ou posicionamento que se proponha a excluir os poetas da cidade. Pensar o poético inclui pensar todos os aspectos do seu discurso, desde a sua origem até seus efeitos.
Ao longo deste trabalho tentei demonstrar que ao lado da crítica à poesia devemos colocar a tradição poética herdada, constituindo essa a base ou o tópos sobre a qual a crítica se sustenta. Desse modo, por herdeiro, quis apresentar Platão como um pensador consciente dentro da problemática que é a poesia. Assim, trazendo muitos caracteres tracidionais para a sua crítica, o filósofo pode analisá-los, tecendo comentários concernentes com o viés discursivo desejado.
Outro dado que merece atenção é o fato de Platão ter levado em consideração não apenas detalhes técnicos da poesia, como fez Aristóteles, por exemplo, mas trouxe também caracteres mistéricos, sagrados; apresentando-nos o poeta não como um ὅimplἷὅΝ“ἸἳἴὄiἵἳἶὁὄΝἶἷΝimἳgἷὀὅ”,ΝmἳὅΝἷὀvὁlὈὁΝὀὉmἳΝἷὅἸἷὄἳΝὃὉἳὅἷΝἶiviὀἳέΝϊἷὅὅἷΝmὁἶὁ,ΝἳΝ relação com o divino, a inspiação, o entusiasmo, são noções importantes dentro da crítica. Portanto, trazer a noção divinatória fora o ponto principal deste trabalho, pois é a partir de tal noção que percebemos uma relação mais forte de Platão com a tradição.
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