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Post-soviet Military Forces in the Arctic

In document Strategic interests in the Arctic (sider 92-99)

Das funções do grupo, vários aspectos são destacados, do prazer de cuidar e servir à busca por saúde nas conversas e desabafos propiciados e facilitados pelo ambiente acolhedor.

Convocamos Leonardo Boff (2005, p. 29): “Cuidado, pois, por sua própria natureza, inclui duas significações básicas, intimamente ligadas entre si. A primeira designa a atitude de desvelo, de solicitude e atenção para com o outro. A segunda nasce desta primeira: a preocupação e a inquietação pelo outro, porque nos sentimos envolvidos e afetivamente ligados ao outro”.

As entrevistadas não possuem uma definição filosófica do cuidado, porque elas o sentem e o praticam. Compartilham experiências que humanizam o grupo.

Uma coisa que queria enfatizar é que acho que nunca a gente deve deixar de fazer este tipo de trabalho, nem deixar de passar para as pessoas, porque isto é muito legal. É uma coisa de incentivo, não só pra gente que tenta buscar e aprender alguma coisa. Isso serve pra saúde, não parece, mas é pra saúde. Se a gente tá chateada, deprimida, isto deixa a gente com a ideia melhor, com a cabeça melhor, com a mente melhor. Somos muito ajudadas... Mas sabe por quê? Eu falo isso pro senhor, tem esse detalhe: tem outra pessoa lá que ela tem o problema de demência. É muito interessante, e ela tem dificuldades, ela tem mesmo, é comprovado em exames. E ela, ela chega assim, diz: “Ah, lembra aqui que eu não consigo lembrar mais”. E a gente vai lá e mostra pra ela: “Olha, não é assim, é assim, olha!” Mesmo com aquela dificuldade, certo? Não querendo dizer que todas têm aquela dificuldade, não, certo? Não, pelo contrário. Mas isso ajuda, porque amanhã ou depois você não possa ter um problema de demência como no caso disso... É ter algum problema de depressão, porque isso melhora muito, isso não deixa você se afundar em nada, você consegue, você fazendo isso, você consegue digerir as outras coisas. Você consegue resolver as outras coisas. Eu penso dessa forma. Você consegue se sair melhor em tudo que você vai fazer. Você tem aquela calma pra se fazer. Sabe, eu consigo me desligar. Por exemplo, agora, se eu chego lá em casa

83 nem consigo sentar no sofá, pegar meu tricô, ou então meu bordado e ficar quietinha no meu canto ali. Às vezes nem olho, nem ligo televisão, que eu quase não assisto, só ouço só. Estou ali bordando, até esqueço um pouco. Aí meu marido fala assim: “Você não vai dormir, não?”; “Já estou terminando”. E vou. É uma coisa assim, sabe? É bom pra mente, é bom pra alma, é bom pra tudo. É bom pra cabeça (dona Ilzabete).

Porque elas têm um horário de lazer, um horário. Porque eu vejo muitas reclamarem que o marido reclama que elas ficam à noite fazendo tricô ou crochê ou bordado ou não sei o quê. Então, elas chegam lá falando: “Hoje eu quero fazer o meu trabalho sossegada, porque esta semana meu marido encheu muito meu saco”. Porque os maridos querem que as mulheres fiquem conversando e as mulheres ficam lá no tricô. Então eu acho que isto ajuda a amenizar essa angústia que elas sentem, né? Elas nem querem falar não pro marido, mas também não quer deixar o tricô de lado. Então, essas horas que elas vão lá [no clube], elas conseguem se desabafar de um jeito ou do outro (dona Helenice).

O cuidado exige uma atitude de especial atenção e entrega. Sua própria natureza inclui muitos significados, como a solicitude e a atenção para com o outro, por nos sentirmos envolvidos e afetivamente ligados. Da filosofia compartilhamos a ideia de que o cuidado vai além de um ato singular ou uma virtude ao lado de outras. “É um modo-de-ser, isto é, a forma como a pessoa humana se estrutura e se realiza no mundo junto com os outros. Melhor ainda: é uma forma de ser-no-mundo e, a partir daí, de relacionar-se com as demais coisas” (BOFF, 2005, p. 17).

Para dona Helenice, o grupo é um importante espaço de cuidados na comunidade, que traz muitos benefícios para as participantes. Ela aponta a dona Mila como a responsável por promover as benfeitorias.

Eu acho que esse grupo foi criado para um benefício da comunidade. Que quando ele foi criado, ele foi criado no “Cedro do Líbano” e a dona Mila sempre foi uma pessoa, assim, de querer fazer alguma coisa pra alguém, né? Ela sempre teve isso em mente, né? Desde que eu conheço a dona Mila, sempre teve isso. Tanto é que nem foi ela que fundou o clube de mães, né? Mas, aí, a mulher [dona Josefa] saiu e ela ficou com o clube de mães. Então, acho que foi mais para um benefício e pra uma... como é que pode falar? Uma ... não é diversão... uma carência com as pessoas, um modo de ajudar as pessoas psicologicamente, entendeu? Que nem a dona Cida. A dona Cida sempre passou também por muitos problemas, perdeu o marido. E a dona Mila sempre foi essa pessoa positiva. Desde que eu conheço a dona Mila, é essa pessoa positiva. Ela nunca pensa negativo. Só, só pensa positivo e isso acho que vai chamando, cativando as pessoas, né? Vai cativando porque ela trata todo mundo igual, não tem diferença, ali no

84 grupo quem falar “ahhh, dona Mila gosta mais dessa do que daquela”, é mentira. Ela gosta de todo mundo, e a gente vê o carinho que ela tem pelas pessoas, entendeu? Com qualquer uma, não importa. Seja a mais antiga, a mais nova, a mais velha, não tem isso. Pra ela todo mundo é igual, e eu, isso daí, eu acho que cativa todo mundo, né? Porque, às vezes, o grupo nem vai mesmo pra trabalhar, o grupo vai mais pra conversar, pra trocar ideia, pra fazer gozação, né? E então eu acho que é mais pra isso o grupo.

In document Strategic interests in the Arctic (sider 92-99)