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Post og telekommunikasjoner Programkategori 22.10 Post og telekommunikasjoner

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Programområde 22 Post og telekommunikasjoner Programkategori 22.10 Post og telekommunikasjoner

As discussões no campo das questões étnico-raciais, no município de João Pessoa, no âmbito das políticas públicas, ganharam destaque com a criação de um grupo de trabalho no ano de 2006, formado por representantes da Secretaria de Educação do Município (SEDEC), da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDES), da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres (CPPM), e de representantes da sociedade civil organizada como o Movimento Negro, as organizações de mulheres negras, os agentes da Pastoral Negro, para discussão e elaboração de uma política que considerasse a especificidade local, na perspectiva de ampliar o que preconizava a Lei 10.639/2003.

Dentre as contribuições advindas desse grupo de trabalho, a elaboração da minuta que culminou com a resolução 002/2007 tornou-se um marco ao implementar a educação sobre as relações étnico-raciais e o ensino da temática de história e cultura afro-brasileira e africana no sistema municipal de ensino.

Em consonância ao processo de discussão dessa resolução, outras ações foram desenvolvidas pela SEDEC naquele período, tais como:

a) realização de oficinas temáticas que tinha como eixo norteador a influência e contribuições da cultura e história africana durante o II Colóquio Municipal de Educação para os professores das disciplinas História e Geografia;

b) Formação Continuada para os/as professores/as de História do Ensino Fundamental II, abordando as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana;

c) Seminários e oficinas para professores e professoras da Educação Infantil abordando temáticas com recortes de gênero e étnico-racial;

d) Mesa redonda “Educação Inclusiva: Velhos Personagens, Novos Olhares” para Especialistas (Pedagogos, Assistentes Sociais e Psicólogos) que acompanham pedagogicamente as escolas da rede municipal;

e) Formação Continuada para professores e professoras de Língua Portuguesa, Artes, Geografia e História enfocando a implantação da Lei 10.639/2003 e o currículo de cada área de conhecimento;

f) Ampliação da carga horária das disciplinas de Língua Portuguesa e História para 6 horas e 4 horas respectivamente, em virtude do que preconiza a Lei 10.639/2003;

g) Formação de Especialistas (Pedagogos, Assistentes Sociais e Psicólogos) enfocando a implantação da Lei 10.639/2003.

Nesse contexto, foi ofertado o Curso Educação-Africanidades-Brasil aos professores da rede municipal de ensino de João Pessoa, em consonância com as orientações do MEC-SECAD/UNB-CEAD. Na ocasião, foram inscritos 80 professores(as) advindos de 17(dezessete) escolas municipais17, 08 (oito) setores internos18 da SEDEC e de 01 (uma) Coordenadoria Municipal 19 que desenvolvia ações em parceria com a SEDEC.

17 EMEF Antonio dos Santos Coelho, EMEF Augusto dos Anjos, EMEF Bartolomeu de Gusmão, EMEF Damásio Barbosa da Franca, EMEF David Trindade, EMEF Dr. Severino Patrício, EMEF Durmeval Trigueiro, EMEF Fenelon Câmara, EMEF João Monteiro, EMEF João XXIII, EMEF Lions Tambau, EMEF Olívio Ribeiro Campos, EMEF Oscar de Castro, EMEF Profº Agostinho Fonseca Neto, EMEF Profº Paulo Freire, EMEF Tharsilla Barbosa da Franca, EMEF Zumbi dos Palmares.

18

Centro de Capacitação de Professores, Coordenação de Educação de Jovens e Adultos, Coordenação da 1ª a 4ª série, Coordenação da 5ª a 8ª série, Coordenação de Educação Física, Coordenação da Educação Infantil, Coordenação de Gestão Curricular e Programa Escola de Fábrica.

19

Dos 80 professores inscritos, apenas 12 concluíram o curso. Diante desse fato, poderíamos levantar algumas hipóteses a respeito dos motivos que levaram à desistência de mais de 90% dos participantes.

A falta de acesso a um computador pessoal conectado a internet, e/ou a indisponibilidade de computadores na própria escola para o acesso ao curso, e/ou a falta de familiaridade com as novas formas de conexões promovidas pelo computador e suas redes de comunicação, e/ou a resistência em lidar com a novidade virtual dos fóruns, e/ou a falta de acompanhamento mais sistemático por parte da tutoria do curso foram algumas das razões apresentadas pelos(as) professores(as).

No escopo de nossa pesquisa, não foi possível se aprofundar a respeito dessas razões, apesar de compreender a importância de problematizar sobre as suas implicações na participação (ou não) dos professores nesse novo modelo formativo bem como sobre as concepções e aplicações das tecnologias no espaço educacional a partir das últimas décadas do século XX até o momento, e sua repercussão no trabalho docente.

De acordo com as idéias de Telemberg (2004, 24), a Tecnologia Educacional como campo de estudo apresenta duas vertentes fundamentais: a postulada entre as décadas de 50 e 60 do século XX, que refere-se ao estudo dos meios como geradores de aprendizagens, e a iniciada a partir dos anos 1970, considerada como estudo do ensino como processo tecnológico. Essas duas concepções expressam as divergentes abordagens educacionais com base nas quais operam as situações de ensino e aprendizagem envolvendo as TICs.

Na primeira concepção, a preocupação maior está voltada aos meios, herança de uma abordagem tecnicista que marcou um período histórico no Brasil, cuja principal característica é a intensificação da industrialização, iniciada nos anos 30, e que nas décadas de 1950 e 1960 representa a ideologia nacional-desenvolvimentista apoiada na internacionalização da economia com vistas à aceleração do processo urbano industrial. Havia uma tendência de se reduzir a Tecnologia Educacional aos suportes materiais:

As pesquisas da época apareciam centradas nos materiais, nos aparelhos e nos meios de instrução, apontando a comparação entre os meios, a partir da elaboração de instrumentos para sua avaliação e seleção. Nesse sentido, o meio era “a variável mágica” que, aplicada a todo ensino, a todo aluno, a qualquer grau, para qualquer matéria e com qualquer objetivo, daria os resultados desejados (GÓMEZ, 1983, p. 55, apud TELEMBERG, 2004, p 25).

Na segunda concepção, há uma ampliação da utilização dos meios, agora considerados como um conjunto de procedimentos, princípios e lógicas para resolver problemas educacionais. A conotação educacional dada à tecnologia passa a se referir a “todas as ferramentas intelectuais organizadas e instrumentos à disposição de ou criadas pelos diferentes envolvidos no planejamento, na prática e avaliação de ensino” (SANCHO apud TELEMBERG, 2004, p. 25-6).

Diante dessa demarcação de concepções, duas posturas antagônicas se configuram: de um lado os otimistas e entusiasmados, do outro, os exageradamente descrentes e preconceituosos com relação ao uso das tecnologias no âmbito educacional. Optaremos por trilhar o caminho dos que acreditam que existe uma terceira alternativa, onde, apesar das crises paradigmáticas colocadas, é possível pensar a tecnologia no âmbito educacional como mais uma invenção humana e como um meio que potencializa e dinamiza a informação, a comunicação e a aprendizagem humana.

É esse caminho que pensamos trilhar ao lançar nosso olhar e a nossa escuta para os professores(as) que a despeito de reconhecimento de todas as dificuldades de permanência e conclusão de um curso dessa natureza, permaneceram até o final do processo.

O que os motivou a se inscrever no curso? O que tem a dizer sobre os conteúdos do curso? Quais as contribuições para as suas práticas e concepções pedagógicas, docentes e profissionais? Qual a relação entre o modelo de formação ofertado e a construção de novas identidades docentes? São essas questões que nos propomos a problematizar a seguir.