4. Teori
4.3 Positive holdninger nødvendig for å lykkes
Mesmo diante da importância e do desenvolvimento da pecuária no estado, nota-se que esta atividade foi sendo substituída pela agricultura no decorrer da década de 90, principalmente pelos cultivos de soja e algodão.
As principais culturas de Mato Grosso, atualmente, são arroz, algodão, milho e soja, que em 1980, de acordo com a Tabela 10, ocupavam 1.055.033 ha das áreas de lavoura do estado, e em 2002 passaram a ocupar 5.311.112 ha, com perspectivas de
29 atingir os 5.615.054 ha em 2003, o que significa dizer que de 88,62% em 1980, passaram a ocupar 95,24% destas áreas em 2002, com perspectivas de ocuparem 95,34% em 2003, como pode ser observado na Tabela 11. Observa-se também que a soja, isoladamente, ocupava 68,54% da área total de lavouras em 2002, com perspectivas de ocupar 71,37% em 2003. Já o arroz, tradicional lavoura do estado, encontra-se em franca redução de área pela falta de capacidade do arroz de sequeiro em competir tanto com o arroz irrigado do Rio Grande do Sul, quanto com o arroz importado.
Tabela 10. Áreas cultivadas com as principais lavouras no Mato Grosso (ha).
Ano Algodão Arroz Milho Soja Outras Total
1980 4.480 896.513 83.609 70.731 135.441 1.190.474 1985 16.945 406.589 242.913 795.438 198.751 1.660.636 1990 43.422 355.210 270.283 1.527.754 232.711 2.429.380 1995 69.390 417.074 439.390 2.322.825 180.372 3.429.051 2000 257.762 698.518 540.479 2.906.448 229.062 4.632.269 2001 412.315 450.413 536.420 3.121.353 271.692 4.792.193 2002 328.029 440.229 720.993 3.821.861 265.294 5.576.406 2003 312.498 372.856 726.287 4.203.413 274.187 5.889.241 Fonte: IBGE (2003)
Tabela 11. Participação das culturas em áreas cultivadas no Mato Grosso (%).
Ano Algodão Arroz Milho Soja Outras Total
1980 0,38 75,31 7,02 5,92 11,38 100 1985 1,02 24,48 14,63 47,90 11,97 100 1990 1,79 14,62 11,13 62,89 9,58 100 1995 2,02 12,16 12,81 67,74 5,26 100 2000 5,56 15,08 11,67 62,74 4,94 100 2001 8,60 9,40 11,19 65,13 5,67 100 2002 5,88 7,89 12,93 68,54 4,76 100 2003 5,31 6,33 12,33 71,37 4,66 100 Fonte: IBGE (2003)
Mais de 20 anos após a formação de dois estados, o Mato Grosso, que ficou com a região menos rica, apresenta crescimento expressivo. A principal força econômica
está na agricultura, cujo crescimento é demonstrado por recordes na produção de soja e de algodão. O Mato Grosso é o maior produtor nacional de soja e algodão, tendo também a maior produtividade quando comparado aos demais estados brasileiros, sendo que para ambos os produtos, a eficiência do sistema de produção faz com que os custos de frete não inviabilizem estas atividades. A Tabela 12 mostra que os volumes de produção de algodão e soja, de 1980 para 2002, passaram de 4.914 t para 1.141.179 t e de 117.143 t para 11.696.726 t, respectivamente.
Tabela 12. Produção das principais culturas no Mato Grosso (t).
Algodão Arroz Milho Soja
1980 4.914 1.175.041 142.572 117.173 1985 21.837 521.776 410.500 1.656.039 1990 57.634 420.722 618.973 3.064.715 1995 87.458 762.327 1.226.157 5.491.426 2000 1.002.837 1.851.517 1.421.613 8.774.471 2001 1.525.376 1.151.816 1.743.043 9.533.286 2002 1.141.179 1.198.558 2.314.410 11.696.726 2003 1.135.869 1.052.087 2.336.832 13.137.356 Fonte: IBGE (2003)
A Tabela 13 mostra que a produtividade média da soja passou de 1,66 t / ha em 1980 para 3,06 t / ha em 2002, com perspectivas de atingir 3,13 t / ha em 2003. Já no caso do algodão, sua produtividade média passou de 1,10 para 3,48 no mesmo período, e tem previsão de atingir 3,63 t / ha em 2003.
31 Tabela 13. Produtividade das principais culturas no Mato Grosso (t / ha).
Algodão Arroz Milho Soja
1980 1,10 1,31 1,71 1,66 1985 1,29 1,28 1,69 2,08 1990 1,33 1,18 2,29 2,01 1995 1,26 1,83 2,79 2,36 2000 3,89 2,65 2,63 3,02 2001 3,70 2,56 3,25 3,05 2002 3,48 2,72 3,21 3,06 2003 3,63 2,82 3,22 3,13 Fonte: IBGE (2003)
Conforme registrado na Tabela 14, na safra 2001/2002 a produção de soja do estado respondeu por 11,69 milhões de toneladas, com previsão de atingir 14,04 milhões de toneladas na safra de 2002/2003. Ao longo da década de 90, a participação da produção de soja do MT sobre a do Brasil passou de 18,3% para 26,8%.
Tabela 14. Evolução da produção de soja no MT e no Brasil em milhões de toneladas.
Safra MT Brasil Participação (%)
92/93 4,119 22,558 18,3 93/94 5,320 24,912 21,4 94/95 5,491 25,651 21,4 95/96 5,033 23,155 21,7 96/97 6,061 26,391 23,0 97/98 7,228 31,307 23,1 98/99 7,469 30,915 24,2 99/00 8,775 32,754 26,8 00/01 9,533 37,720 25,3 01/02 11,697 42,020 27,8 02/03 14,040 50,965 27,5 Fonte: IBGE (2003)
Além de verficar a evolução da produção e área cultivada com as grandes culturas no estado do Mato Grosso, seria também interessante comparar a participação do Mato Grosso sobre a produção nacional com a participação de outros estados na produção nacional de algumas culturas. De acordo com o Censo Agropecuário 1995/96, divulgado pelo IBGE, a produção nacional de algodão neste período foi de 814.188toneladas, a de arroz de 8.047.895 toneladas, a de milho de 25.510.505 toneladas e a de soja de 21.563.768 toneladas. A Tabela 15 mostra a participação de alguns estados na produção nacional destas culturas, conforme descrito no Censo Agropecuário 1995/1996.
Deve-se ressaltar que, de 1995/96 para 2001/02, a produção de soja no Mato Grosso cresceu em aproximadamente 113%, ou seja, mais do que dobrou, e sua participação sobre a produção nacional passou de 21,7% para 27,8%, conforme registrado anteriormente na Tabela 14.
Tabela 15. Participação dos estados na produção de algumas lavouras no Brasil (em %) em 1995/1996.
Algodão Arroz Milho Soja
Mato Grosso 5,71 7,32 4,74 21,70
Minas Gerais 5,73 2,08 12,00 4,01
São Paulo 18,54 0,72 10,70 3,94
Paraná 32,.85 1,77 25,86 28,04
Rio Grande do Sul 0,00 57,72 11,31 19,72
Mato Grosso do Sul 9,42 2,02 5,21 8,33
Goiás 17,96 2,50 11,65 9,09
Outros 9,78 25,88 18,52 5,17
Fonte: IBGE (1995/1996)
Com relação à compra dos insumos, a cotação de produtos é muito comum entre os produtores do Mato Grosso. De acordo com De Zen (2002), numa pesquisa realizada pelo CEPEA-ESALQ/USP, a grande maioria dos produtores faz a cotação e planejamento da compra de insumos, sendo esta última realizada principalmente de forma direta com o fabricante.
No que diz respeito à venda dos produtos, a estrutura comercial do estado segue algumas características típicas de cada produto. Para o caso da soja, esta tem
33 significativa dependência das grandes tradings, como Cargill, ADM e Ceval. Estas empresas recebem tal produto de duas formas distintas: a compra ou a compra antecipada, via CPR de gaveta (CPRs que não passam pelo aval do Banco do Brasil).
As relações comerciais no mercado de soja são muito pautadas pela dependência que o produtor tem em relação ao crédito de custeio. As empresas que dominam a aquisição da soja são aquelas que possuem estruturas capazes de financiar os produtores.
O acelerado crescimento da produção no Mato Grosso não permite fazer uma distinção entre a parcela que é entregue à indústria daquela que passa por intermediários. As empresas de menor porte e algumas cooperativas também perderam espaço. As estruturas foram arrendadas ou vendidas às grandes empresas. Alguns produtores de grande porte, como os casos específicos dos grupos Maggi e Sachetti, procuram alternativas à comercialização da produção.
O grupo Maggi investiu em uma rota de escoamento da produção pelos rios Madeira e Amazonas. Construiu um terminal portuário próprio, viabilizando uma nova rota de saída e permitindo a exportação direta.
O grupo Sachetti partiu para a comercialização direta dos produtos através de uma corretora própria. O grupo criou uma corretora em Cuiabá e atua na comercialização da própria produção, além da prestação de serviços a terceiros.
O desenvolvimento da agroindústria dentro do estado, além de trazer novos moradores, fez com que a economia crescesse a um ritmo superior à média do país. Entre 1990 e 1996, o PIB mato-grossense aumentou quase 4% ao ano, de acordo com estatísticas encontradas em Portal Brasil (2003), enquanto que no mesmo período o crescimento do PIB brasileiro foi de 2,8% ao ano, de acordo com estatísticas do IBGE. Um dos motivos é a política de benefícios fiscais adotada pelo governo estadual em conjunto com a Sudam. Até 2003, as empresas que pretendam instalar-se na região amazônica pagavam apenas 25% de imposto de renda. Já o estado parcela em até 30 anos o pagamento do ICMS. No setor agrícola, os produtores de algodão têm um desconto de 75% no ICMS desde 1997, o que contribui para que Mato Grosso se torne líder nacional nesse segmento onde responde por quase 41% da produção.
O município de Sorriso é o maior produtor estadual e nacional de soja, além de possuir a maior capacidade de armazenamento de grãos do estado (três milhões de toneladas), segundo a sua Secretaria Municipal de Agricultura. Seu volume de produção na safra de 2001/2002 foi de 2.077.430 toneladas, representando 2,8% da safra anual brasileira da cultura e 18% da safra do estado, com produtividade média de 3,48 t / ha. Dos 890 mil hectares de área total do município, 509 mil são postos a serviço da produção do grão, segundo a Prefeitura Municipal e o Sindicato Rural de Sorriso. De acordo com dados do IBGE, Sorriso é seguida por Campo Novo do Parecis e Sapezal, ambos em MT. Juntos, em 2001, plantaram 526.406 hectares e produziram 1.623.031 de toneladas do grão.
Por sua relevância na produção nacional e regional, o segmento da soja responde atualmente por quase metade da produção de grãos do país. Dada a sua grande importância tanto para a economia do estado do Mato Grosso quanto para a do Brasil como um todo, optou-se por enfatizar a cultura da soja, dedicando um item exclusivamente à mesma.