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Positioning of the study and joining the research discussion

3. KNOWLEDGE AND LEARNING

3.4. Positioning of the study and joining the research discussion

Setembro também foi o mês do esperado debate entre os candidatos, promovido pela Rede Globo. A jornalista Délis Ortis veio a Aracaju especialmente para ser mediadora do evento. O debate aconteceu no dia 26, com direito a torcidas e fogos de artifício na porta da TV Sergipe. No entanto, a rigidez nas regras da produção impediu o verdadeiro propósito do programa, ou seja, promover realmente o debate entre os candidatos, o que acabou frustrando as expectativas da imprensa.

A TV Sergipe organizou um debate de mais de duas horas, divididas em cinco blocos, um deles destinado a todos os candidatos, para que cada um fizesse suas considerações finais. Mesmo com regras rígidas, a mediadora teve dificuldades em manter o bom nível dos discursos.

Sobre o debate, no dia seguinte, apesar de ocupar chamada de primeira página, os jornais apenas descreveram o evento, destacando o seu resultado aquém do esperado. O nome de João Alves é destacado na manchete do Correio F de F

Sergipe, “Debate: João Alves mostra suas propostas em debate”. Já o Jornal Fda F Cidade destaca que “Regras rígidas impedem debate de idéias. Apesar do

regulamento rigoroso, candidatos ao governo expuseram parte do que pretendem fazer”. O Cinform não teceu comentários em sua edição após o debate, pois como este aconteceu na terça-feira, certamente estaria mais do que discutido pelos jornais durante a semana, o que tornaria o assunto caduco. Além de breves comentários do jornalista Jozaílto Lima, não recebeu muito destaque.

Dos jornais analisados, o CorreioF de FSergipe foi o que mais comentou o debate, nas colunas de Diógenes Brayner e Giovani Allievi. Allievi destacou que João Alves estava visivelmente “cansado”, esgotado pela campanha para justiçar seu desempenho. Já para Déda e João Fontes reservou todas as críticas, acusando os candidatos de transformarem o debate numa arena entre os dois.

O candidato João Fontes (PDT) foi apontado como o principal atacante da noite, cujo alvo foi o candidato Marcelo Déda (PT), que tentou manter a linha, respondeu quando pôde de forma irônica e provocou bastante o seu adversário. Por exemplo, o candidato do PDT culpou a omissão de Marcelo Déda na recuperação da BR-101, ao que o ex-prefeito respondeu: “Não sou presidente, sou candidato a governador”.

Adelson Alves (PSTU) foi motivo de chacota pela maioria dos jornais, pois nem a imagem de “São Jorge” que levou e colocou dramaticamente na frente de sua bancada, no início do debate, conseguiu ajudá-lo no fraco desempenho. Ele parecia muito nervoso e cometeu algumas gafes, como quando perguntou ao candidato Stoessel Nunes (PSOL/PSTU) o que ele achava da corrupção. A resposta já estava grafada na camisa do candidato, que destacava a frase: “Abaixo a corrupção”.

Já o candidato Toeta (PSOL/PSTU) recebeu alguns elogios de alguns colunistas pela coerência das perguntas dirigidas aos adversários, principalmente a João Alves. Segundo o colunista Diógenes Brayner, ele era o mais “ideologicamente coerente” dos candidatos que participaram do debate. O candidato Celestino (PCB) não participou do debate, segundo a direção da TV Sergipe, porque seu partido não possuía representatividade no Congresso Nacional.

A TV Cidade (canal fechado) também promoveu debate com os candidatos, em agosto, tendo como mediadora a jornalista Rosângela Dória, mas não foi destacado pelos jornais analisados, com exceção de duas notas anunciando o debate, uma no JornalFdaFCidade e outra no Cinform. Nenhum dos jornais comentou os resultados do debate.

Dessa maneira, percebemos que a cobertura da mídia impressa sergipana nas eleições de 2006 mostra diferenças de tratamento aos candidatos, principalmente para quem tem maior poder econômico, que houve uma amplificação de temas negativos associados ao candidato Marcelo Déda (PT) e, em contraposição, benevolência em relação aos temas que atingiam mais diretamente o candidato João Alves (PFL). Fica claro também que o Marcelo Déda não obteve apoio da mídia impressa local, mesmo tendo alguns casos excepcionais, dadas as preferências pessoais de alguns colunistas.

A alta exposição do nome do candidato pefelista, comportamento padrão dos jornais analisados, coaduna com o alto percentual de notícias positivas a seu respeito, explicitando a posição editorial desses periódicos de apoio à candidatura de João Alves. Especialmente no último mês de campanha, houve aumento do desequilíbrio na cobertura das candidaturas, o percentual de matérias negativas sobre Marcelo Déda (PT) praticamente dobrou, numa tentativa de encobrir os dados das pesquisas ou de reverter o quadro que estava se configurando para as eleições.

Os desequilíbrios identificados na cobertura das eleições de 2006 e os resultados do pleito também podem anunciar uma possível mudança no comportamento do eleitorado sergipano. Independente de existir ou não concorrência verdadeira entre os jornais locais pela atenção do leitor, é certo que a cobertura jornalística de 2006 colocou em cheque a credibilidade ou o reconhecimento de sua importância para os leitores, visto que os resultados das

eleições foram contrários ao que a maioria preconizava. Mas, em compensação, é notória sua capacidade de estabelecer a agenda pública, ou seja, de estabelecer assuntos a serem discutidos na sociedade, pois esta foi levada aos programas eleitorais, programas radiofônicos e debates televisivos.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os resultados da análise de conteúdo da cobertura dos jornais Cinform, CorreioFdeFSergipe e JornalFdaFCidade sobre as eleições de 2006, para governador do Estado de Sergipe, predominaram dois tipos de enquadramento: o episódico e o corrida de cavalos. Este último foi destacado mais pelo Cinform, divulgando os resultados das pesquisas do instituto Dataform.

O próprio Cinform, no início da cobertura, tentou um enquadramento mais temático, colocando a posição dos candidatos sobre os aspectos mais substantivos da campanha, isto é, seus programas e propostas. No entanto, à medida que a campanha vai esquentando, o Cinform assume a postura de um jornal com interesses próprios, que visa o lucro, divulgando eventos que lhe rendiam maior audiência.

Para autores como Iyengar (1991 apud PORTO, 1998) e Porto (2001, p. 29), os enquadramentos episódico e corrida de cavalos impedem que “os eleitores aprendam mais sobre as posições dos candidatos.” Isso, segundo Porto, contribui para a onda de cinismo do público em relação ao mundo da política. Afinal, conhecendo superficialmente os fatos, o senso comum acaba por prevalecer em cima de uma visão geral do assunto.

Por outro lado, isso pode contribuir para a desmistificação da ideia de uma mídia centralizadora do processo político. Pelo menos, isso não se aplica em Sergipe. A mídia impressa pode influenciar na produção da agenda pública, ou seja, contribui ao colocar temas para serem discutidos em sociedade, influenciando o debate inclusive em outros meios. Porém, afirmar que esse é fator decisivo para as escolhas do eleitor, é outra história. Afinal, se a visibilidade que a mídia sergipana deu ao candidato João Alves Filho (PFL) fosse fator determinante para uma eleição, sem dúvida, ele teria sido reeleito em 2006.

A análise do comportamento da mídia impressa sergipana no processo eleitoral de 2006 mostra também que esta tentou ignorar e até mesmo desqualificar a opinião persistente do público, confirmada nas diversas pesquisas, sobre a vitória do candidato Marcelo Déda (PT). Para isso, acionou diversos dispositivos, velhas estratégias, como a manipulação de informações de acordo com a ligação partidária

do proprietário do jornal – tentativa de desmoralizar o candidato da oposição e acusações sem ao menos checar a veracidade dos fatos. O antidedismo prevaleceu em detrimento do ato de informar com objetividade e pluralidade.

Tal fato leva a crer que a vitória de Marcelo Déda (PT) nas eleições de 2006 significou não só a ruptura da alternância do poder entre os tradicionais grupos da elite de Sergipe, como também com a tradicional forma de se fazer jornalismo no Estado. O advento da internet e a multiplicação dos meios de comunicação estão mostrando que é praticamente impossível que a mídia tradicional impressa permaneça com seus velhos truques, viciada em encobrir fatos, principalmente no período eleitoral. Já não é mais uma questão de ideologia ou de partidarismo, mas sim de sobrevivência. Os leitores estão procurando cada vez mais outras fontes de informação além do jornal impresso, e se estas não perceberem seus anseios, certamente não terão mais razão de existir.

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