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8 Portfolio choice with recursive utility

Durante a realização de todo o processo de investigação para chegarmos a construção dessa dissertação, muito nos preocupou a visibilidade que daríamos à contribuição dos grupos que concordaram em participar dessa pesquisa, e chegamos a “conclusão” que dar voz aos sujeitos seria o termo mais apropriado.

Neste contexto: “O processo de Conhecimento é o início de qualquer intervenção profissional que o aluno-estagiário ou o assistente social vá vir a executar. É o momento de se conhecer para propor” (TURCK, 2006, p. 11).

Considerando que são discentes estagiários de períodos de estágios distintos, mas com uma bagagem semelhante, dar voz a essas vivências é reafirmar que a proposta de formação na graduação, está centrada na participação de seus protagonistas. É reconhecer a capacidade discente de intervir no sentido de explicitar suas opiniões sobre um tema pouco discutido na sua real significância e menos ainda no quesito produção cientifica.

Durante o segundo semestre de 2008, as turmas de supervisão de estágio III e IV eram assim compostas: 27 discentes na disciplina de estágio III – destes, apenas 03 participaram da pesquisa; e 09 discentes cursando a disciplina de estágio IV, sendo que todos compareceram. Porém alguns se destacaram mais por seus posicionamentos e participação quando questionados, enquanto que outros se limitaram a ouvir.

O baixo índice de participação dos discentes resultou em uma coleta e avaliação dos dados, de forma superficial ao que apresentamos como objetivos específicos, o que de certa forma contribuiu para resultados aquém do que

118 esperávamos, demonstrando mais uma vez que a discussão que envolve o estágio supervisionado ainda não atingiu a centralidade necessária a formação do discente do curso de Serviço Social.

Propomos uma formação generalista, crítica, de um profissional capaz de intervir na realidade social e para isso, estimulamos os discentes a adotarem uma postura de questionamentos, de participação do e no seu processo formativo. Mas até que ponto oferecemos de fato, espaços para essa participação? Até que ponto esse discente é convidado a fazer parte efetivamente dessa formação? E mais, o que fazemos no sentido de dar visibilidade aos posicionamentos desse discente principalmente quando o assunto em questão é o processo de estágio?

Como dito anteriormente, a Universidade de Uberaba ainda investe de forma muito tímida nos aspectos relacionados ao estágio supervisionado. A visibilidade mencionada acima tem sido proposta pela via dos vários encontros e contatos que realizamos enquanto corpo docente, com os órgãos representativos da categoria profissional.

Inclusive, formalizamos por mais de uma vez, documentalmente, questões que acometem a realidade do estágio supervisionado em Serviço Social no Município de Uberaba. E na grande maioria, o retorno se dá de maneira muito morosa e formal, dificultando ainda mais o ingresso e permanência dos discentes nos diferentes espaços de estágio.

Temos conclamado constantemente a categoria profissional do Município, e as IES que oferecem o curso de Serviço Social, a nos mobilizarmos reivindicando maior envolvimento das entidades representativas da profissão, como forma de não prejudicarmos os discentes.

Os discentes do curso de Serviço Social da UNIUBE, por sua representante legal do Diretório Acadêmico, Tambem pela via de documental, encaminhou ao CRESS de nossa Jurisdição, solicitação de tomada de providência quanto ao descaso sentido pelos discentes por parte das instituições representativas quando o tema a ser tratado é o estágio supervisionado. Mais uma vez, o retorno se deu de forma lenta e insatisfatória.

Nestes termos a julgar pelo relato acima, compreendemos que o discente tem sim sido convidado a ser partícipe do seu processo formativo, exigindo entre outras coisas, o cumprimento de estágio de forma que se garanta sua efetividade e qualidade, previsto legalmente.

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Para Rosa Pinto (1997, p. 124):

Ensino e aprendizagem fazem parte das atribuições dos cursos no seu conjunto. A análise crítica e radical da profissão e da realidade só é possível através da articulação de conteúdos das várias disciplinas do curso. A finalidade desta articulação não deve ser informação teórica, mas também a reflexão teórico-metodológica para que o aluno, a partir de situações particulares e singulares, possa remetê-las a níveis mais amplos na análise da prática profissional, do Serviço Social e da realidade social.

A articulação necessária entre as disciplinas mencionada na citação é condição para que o discente tenha espaços de reflexão que extrapolem a falsa idéia de informação teórica para uma perspectiva ampliada de re (conhecimento) da prática profissional considerando aspectos da realidade social, que são possíveis pela via do estágio e da supervisão, enquanto parte indissociável da formação acadêmica.

Mais uma vez recorremos a Rosa Pinto (1997, p. 124) para reforçar essa discussão:

Portanto, para abandonar o atalho, o primeiro passo é repensar o estágio e a supervisão no contexto do ensino em Serviço Social, e no interior dos projetos dos cursos, não mais como apêndices, mas como elementos fundamentais ao processo de construção diária na formação profissional.

Embora enquanto discente tenhamos clareza de que esse repensar sobre o estágio supervisionado deve ser iniciado na construção e ou reformulação dos projetos pedagógicos dos cursos de Serviço Social e considerados essenciais a uma construção diária na formação profissional do assistente social, o que percebemos cotidianamente nas discussões estabelecidas com os discentes estagiários e nos retornos dos supervisores de campo, ainda é uma idéia muito reducionista do estágio em Serviço Social.

A forma de operar o Estágio e sua Supervisão muitas vezes embate com desníveis, conflitos, entraves, contradições, discrepâncias, dificuldades em relação ao planejado e à execução do projeto curricular do Curso de Serviço Social, por diversas razões. Razões e situações que corroboram para o desnivelamento entre a teoria e a prática do Serviço Social, entre o planejado e o executado, tanto na Unidade de Ensino, quanto na Unidade Campo de Estágio. (BURIOLLA, 1999, p. 163).

120 Com vistas a compreender a visão do discente estagiário durante seu processo de estágio supervisionado, que daremos visibilidade às impressões a um dos que é considerado protagonista desse processo de formação tão aclamado pela categoria profissional e pelas instituições representativas, com vistas a formar um profissional em conformidade com o perfil preconizado pelas Diretrizes Curriculares e nos projetos pedagógicos e assumido pela UNIUBE.

Utilizando da análise e da interpretação dos dados da pesquisa qualitativa, que para Gomes (2007, p. 79) “[...] seu foco é, principalmente, a exploração do conjunto de opiniões e representações sociais sobre o tema que pretende investigar”, é que serão apresentadas as falas dos grupos escolhidos para discutirem estágio no processo formativo do aluno de Serviço Social da Universidade de Uberaba.

Gomes (2007, p. 87) destaca: “Dentre os procedimentos metodológicos da análise de conteúdo utilizados a partir da perspectiva qualitativa (de forma exclusiva ou não)”, destacamos entre outros, a categorização.

Ainda segundo Gomes (2007, p. 88):

A categorização tanto pode ser realizada previamente, exigindo um conhecimento sólido por parte do pesquisador para encontrar um esquema classificatório adequado ao assunto a ser analiso, como pode surgir a partir da análise do material de pesquisa.

Neste sentido, optamos pela realização da categorização a partir do material colhido, que consideramos adequadas ao conteúdo da pesquisa, e em resposta aos objetivos traçados para a realização da pesquisa.

As categorias (ou “gavetas”) podem ser elaboradas a partir de diferentes critérios. Podemos adotar várias classificações para distribuirmos o material de pesquisa. Duas delas são as mais comuns: por segmentos de atores, de ações ou de depoimentos das ações. (GOMES, 2007, p. 100).

Um dos princípios que elegemos para essa categorização é a classificação por grupos de estágios divididos entre Supervisão de estágio III e IV, por considerarmos que os discentes estagiários estão vivenciando as mesmas experiências, cada grupo com uma percepção, mas, experenciando situações semelhantes no tocante a questão: estágio supervisionado em Serviço Social.

O percurso teórico-metodológico foi estabelecido pelo viés que envolve formação profissional e estágio supervisionado em Serviço Social, o que

121 pressupõem discutir aspectos legais acerca do estágio e em destaque nesse momento de construção dessa dissertação, a Resolução 533 – CFESS/CRESS, que se apresenta nesta pesquisa da seguinte forma:

a) Que significado ganha o estágio supervisionado dentro da proposta de formação profissional em Serviço Social?

b) Se existe uma aproximação ou uma relação entre a supervisão acadêmica e a supervisão de estágio?

c) Estágio supervisionado em Serviço Social e a Resolução 533.

A titulo de esclarecimento cabe-nos mencionar que para a realização do grupo focal, não utilizamos necessariamente um instrumento para coleta de dados. No caso da presente pesquisa, os encontros se deram a partir do seguinte questionamento: Qual o lugar do estágio supervisionado em Serviço Social no processo formativo do acadêmico. Daí abriu-se para que os estagiários discutissem aspectos que se engendram, chegando a aspectos mencionados como objetivos específicos da pesquisa.