• No results found

87 2.3.4.4 MALDI-TOF (DCTB matrix)

Chapter 3: Development of new crystalline organic porous materials

3.2 Porous organic molecular crystals

Para a captação de todos os vídeos foram utilizados celulares com sistema operacional Android, desenvolvido pelo Google. Esses dispositivos móveis mostraram-se muito eficientes para captação de vídeos no formato pretendido para a plataforma. Os celulares vêm sendo usados para vários fins (JENKINS, 2009) já produziam conteúdos como filmes amadores. Agora tem uma adaptação, para fins jornalísticos, utilizando plataformas como o Locast.

Apesar de a qualidade do vídeo ser baixa e diminuir quando enviada para o site, os vídeos ganharam espontaneidade dos entrevistados, das pessoas que passavam no local e inclusive dos produtores dos vídeos. Sem o peso do equipamento profissional, e sem a preocupação com a segurança, podendo captar os vídeos sozinhos, ou em pequenos grupos, foi possível gravar imagens até mesmo dentro de um ônibus lotado, ou durante um dia de muita chuva que congestionou a cidade, em nossas duas semanas de execução do projeto, em que foram gravados vídeos em ônibus, carros e até a pé, com auxílio apenas de guarda-chuvas para se proteger do temporal.9

A câmera na mão, entretanto, parecia inicialmente uma adversidade, mas cada um dos participantes soube utilizá-la de forma que se sentisse mais confortável. A autora optou por utilizar a câmera como personagem, para potencializar a noção de intimidade e de confiabilidade com o espectador, como se este estivesse vendo a imagem do mesmo ângulo de quem lhe comunica o que se passa no local.

A não edição, a integralidade e o imediatismo de captação dos vídeos mostraram-se parte da utilização dessa nova ferramenta que, apesar de exigir maior controle (ou desapego à perfeição) de quem faz os vídeos, mostrou um tom de informalidade e ao mesmo tempo de confiabilidade, diferente do jornalismo tradicional, porém mais próximo da web. Encontrar um formato de maior confiabilidade, principalmente na internet, é um ponto muito relevante se pensarmos que atualmente

9

Os vídeos mencionados não fazem parte do projeto “Publicidade em Porto Alegre”, analisado no presente artigo, mas fazem parte de outros projetos da autora e de outros alunos, podendo ser visualizados no site do projeto Locast.

Locast Civic Media 149

“qualquer imagem passou a ser manipulável e pode perturbar a distinção entre real e virtual” (JOLY, 1996, p. 26). Essa experimentação com uma nova forma de comunicar, através de um novo suporte, facilitou a utilização de uma linguagem que ainda está em construção e uma expressão cultural que desponta de forma intensa na internet.

Mais ainda, as novas tecnologias encorajam a capacidade de criação. [...] A internet, após a televisão e o rádio em suas épocas, relança um imaginário, uma procura de estilos e de forma que exprimem a modernidade. Essas técnicas são ao mesmo tempo veículos de outras formas de cultura e de espaços de criação da cultura contemporânea (WOLTON, 2003, p. 87).

Dominique Wolton defende ainda que “é urgente diminuir a pressão da técnica sobre a comunicação, pois o essencial desta é de outra ordem: cultural e social” (WOLTON, 2003, p. 187). A técnica, entretanto, não precisa ser abandonada, ela deve ser transformada e adaptada para esses novos meios de transmitir a comunicação, seguindo novos formatos, “mudando o tom”, como afirmou Elizabeth Duarte (2007) e envolvendo o espectador.

A inicial impossibilidade de postar os vídeos no exato momento em que foram captados, não foi um grande problema, já que o site, inicialmente, não havia sido divulgado na mídia oficial, estava sendo abastecido e aperfeiçoado. A maior dificuldade de captação de um grande número de vídeos deve-se à pouca quantidade de aparelhos celulares, obrigando aos alunos a combinar horários para revezá-los, e atrapalhando muitas vezes, um dos objetivos do Locast: relatar acontecimentos não pautados previamente. Especificamente para o projeto relatado neste artigo, também não foi um problema a inicial impossibilidade de enviar os vídeos automaticamente através da plataforma contida no celular, pois os vídeos citados podem ser vistos muito tempo após sua captação e publicação, sem perderem o sentido ou o interesse do espectador.

A plataforma, encontrada nos aparelhos móveis, é de fácil manipulação, podendo ser utilizada por qualquer cidadão com acesso a um dispositivo móvel que grave vídeos. Também a geolocalização

150 PIRES, G. T. S. • Mudando o tom

automática, realizada pelo GPS (global positioning system) contido no aparelho, é um diferencial importante entre os demais sites de carregamento de vídeo. Além disso, o Locast destaca-se por conter apenas vídeos de caráter informativo, e sobre a cidade de Porto Alegre; quem procura notícias sobre acontecimentos de sua região, curiosidades, informações turísticas, ou de lazer, não corre o risco de encontrar vídeos totalmente deslocados do assunto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A maioria dos cidadãos limita-se a ver a publicidade como peças para a televisão. Surge disso a visão de publicidade como poluição e agressão à população. Porém, ao entendermos outras faces da publicidade – como ela pode ser simples, criativa, bela –, vamos percebê- la menos nociva e a serviço do consumidor. Além de transformar a ideia do que é noticiável e dar espaço a fatos locais e peculiares, o projeto Locast, passou a promover a boa publicidade presente na cidade, para conscientizar a população de como é possível empregá-la de forma correta e prevenir a todos contra a publicidade abusiva.

O desenvolvimento do projeto Locast proporcionou mais uma iniciativa de caracterização de uma nova linguagem para o conteúdo informativo, mais próxima ao público da internet. Através disso, espera-se proporcionar mais espaço para o cidadão informar e contribuir, também, para a criação de novas técnicas e formas de cultura contemporânea.

REFERÊNCIAS

DUARTE, E. B. Telejornais: Incidências do tempo sobre o tom. In: BASTOS, E. D.; CASTRO, M. L. D. de (orgs.). Comunicação

Audiovisual: gêneros e formatos. Porto Alegre: Sulina, 2007.

GALVÃO, G. Arte em movimento. São Paulo: Centro Cultural do Banco do Brasil, 2006.

JENKINS, H. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2009.

JOLY, M. Introdução à análise da imagem. Campinas, SP: Papirus, 1996.

Locast Civic Media 151

MASCELLI, J. V. Los cinco principios básicos de la cinematografía. Barcelona: Bosch Casa Editorial, S.A., 1998.

WOLTON, D. Internet, e depois? Uma teoria crítica das novas mídias. Porto Alegre: Sulina, 2003.