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A forma como a família do superdotado encara o fato de ter um filho superdotado varia muito de família para família. Isso ficou evidente na fala de gestores e professores. Não houve uma opinião única sobre o comportamento dos pais em relação à superdotação:
“é uma coisa que vai variar muito da expectativa que esses pais têm, do conhecimento, do momento de vida deles.” (...) “sempre foi tão interessante porque algumas famílias vêem isso como uma meta de vida, conseguir ter um superdotado.“ (Gerente/G2)
“A família vai ser fundamental nisso; se a família também vai levar a coisa tranqüila, o menino vai ser, mas se ela supervalorizar, der muita importância...” (Gerente/G1)
“nós tínhamos pais que ficavam felizes da vida.” (MA) (Gerente/G1)
“outros ficam com receio de que essa possibilidade possa mostrar esse menino de uma forma que eles não gostariam que ele fosse apresentado” (...) “tem pais que acham que... ‘graças a Deus meu filho foi ouvido, ele vai ter um acesso a informação.’” (Gerente/G2)
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“A gente tem famílias carentes, da periferia que ficam muitíssimo felizes em saber que seu filho vai ter essa oportunidade.” (Gerente/G1)
“as famílias que têm um nível de esclarecimento maior acham que é uma vantagem imensa porque eles ficam felizes com esse diagnóstico e apóiam efetivamente a participação desse filho no Programa.” (Gerente/G3)
Por outro lado, segundo o depoimento de professores e de gestores, alguns pais demonstram um certo temor em relação à superdotação de seus filhos, por puro desconhecimento do que seja isso. Vejamos os depoimentos apresentados por professores e gestores:
“a família se assusta quando começamos a falar a respeito da criança” (...) “vem aquele medo, por não conhecer.” (Professor SR Gama)
“por causa ainda da mistificação, do comum, do senso comum da superdotação, com medo do filho ser tratado de forma diferente, de ser reconhecido.” (Gerente/G2)
“tem gente que prefere que o filho não seja superdotado porque morre de medo de ter um filho diferente que depois não sabe o que fazer com esse filho, então, fica muito difícil.” (Diretor/G1)
Houve alguns depoimentos que evidenciaram descrença por parte da família, ao saber que o filho é superdotado. Alguns pais duvidavam do diagnóstico, levantando questionamentos e demonstrando certa perplexidade, como percebemos nas falas abaixo:
“outros falam assim.. ‘Ah professora, será que ele é mesmo? Não sei, não conheço’.” (Gerente/G2)
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“mas a gente também pode ter famílias que têm condições de manter o menino na Sala de Recursos, mas que não acredita, acha que é bobagem.” (Gerente/G1)
“outros não aceitavam porque achavam que tinha que ter um trabalho a mais, que o filho não era nada daquilo” (...) “chegando até a prejudicar o aluno porque não oferecia para o filho aquilo que eles cobravam dele.” (Gerente/G1)
Um gerente salientou que alguns pais preferiam ignorar a superdotação de seus filhos, por razões diversas, como citado na fala de um gestor:
“tem outros pais que viram as costas, ignoram ‘ não, professora, esse menino não tem nada disso não, ele só é muito esperto, muito danado’.” (Gerente/G2)
Um professor da periferia mencionou o fato de que alguns familiares dos superdotados supervalorizam a superdotação de seus filhos, como observamos em seu depoimento abaixo: “o problema maior que eu sentia em relação a família é que eles tinham uma necessidade de mostrar o seu filho” (...) “ele tem que aparecer para a família” (...) “ele tem que aparecer para entrevistas.” (Professor SR Gama)
Professores e gestores informaram que alguns pais, por desconhecimento do que venha a ser um superdotado, muitas vezes, cobram e desejam que seu filho seja um gênio, o que demonstra desconhecimento sobre as características desse aluno. Eles citam alguns exemplos: “algumas famílias levam para um lado que eu acho muito perigoso” (...) “eles querem que o menino seja um gênio, querem que tire dez em tudo.” (Professor SR P.Piloto)
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“eles achavam que era um gênio que era tudo aquilo” (...) “ele cobrava muito do filho em cima daquilo que foi diagnosticado.” (Gerente/G1)
Um gestor citou um caso em que o próprio superdotado acreditava não ser necessário mais estudar, uma vez que ele era um superdotado. Tal exemplo evidencia a existência de alguns mitos sobre a superdotação que ainda persistem como podemos perceber em seu depoimento a seguir:
“Depende (a reação da criança) Depende da faixa etária, depende da forma como a família está encarando isso, eu já tive experiência de meninos acreditarem piamente que eles são superdotados e com isso não precisar estudar.” (Gerente/G1)
Um gestor entrevistado apontou a possível vaidade dos pais em relação à superdotação de seus filhos como conseqüência da postura do próprio nível central da SEDF, responsável pelo Programa. Ele afirmou:
“Em relação aos pais, com muita vaidade e eu creio até que essa vaidade dos pais tinha a ver com a vaidade da equipe” (...) “eles achavam que seus filhos eram estrelas, brilhavam.” (Diretor/G1)
Outro aspecto importante apontado pelos gestores referia-se ao fato de que alguns pais de superdotados tentavam usar a superdotação de seus filhos para alcançar outros benefícios, de forma, muitas vezes, negativa, trazendo prejuízos a eles:
“eu me deparei com a situação de uma família em que o pai, ele utilizava dessa habilidade do filho e queria que o governo fizesse, levasse o filho dele para competições” (...) “o pai estava utilizando aquilo de uma forma negativa.” (Diretor/G2)
“para minha surpresa quase que um ano atrás, esse mesmo pai entrou com um processo que veio parar aqui no Ministério da Educação com as mesmas reivindicações.” (Diretor/G2)
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Um Diretor de Ensino Especial apontou um certo receio demonstrado pela família do superdotado; não com a questão da superdotação, mas sim com a forma de atendimento oferecido, como podemos perceber em seu depoimento:
“Para a família também era boa a notícia, mas a preocupação era assim... atendimento adequado.” (Diretor/G2)
Gestores e professores salientaram a necessidade de esclarecer, ao máximo, os pais dos superdotados, conscientizando-os a respeito do que vem a ser ter um filho superdotado e da melhor forma de lidar com ele, evitando prejuízos ao aluno e ao Programa. Eles afirmam: “ja as famílias que não têm um nível de esclarecimento, que não foram muito favorecidas ficam muito preocupadas, ficam ansiosas, perguntam se tem cura.” (Gerente/G3)
“nós temos que sentar com essa família e conscientizá-la.” (Professor SR Gama)
“a gente tem que ter todo o cuidado ao esclarecer o que vem a ser a superdotação, agora a gente nota que esses pais ficam de fato ansiosos, receosos se terão condições de atender adequadamente o filho.” (Gerente/G3)
“quando os pais são mais orientados mais informados a gente tem essa família mais próxima conseqüentemente, eles se envolvem mais e motivam mais seus filhos.” (Gerente/G1)
Nesse sentido, um gestor entrevistado do período G3 mencionou a criação de um serviço no Instituto de Psicologia da UnB, em parceria com a SEDF, para atendimento e apoio aos pais dos superdotados atendidos no Programa:
“a partir disso nós criamos um serviço na UnB, em parceria com a Secretaria, de atendimento aos pais, de esclarecimento aos pais sobre como lidar com essa questão em casa.” (Gerente/G3)
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“Na maioria das vezes eles não sabem como lidar com esse aluno superdotado e pedem para nós irmos lá na escola fazer uma itinerância e trocar informações.” (Gerente/G3)