6.2 Microstructural assessment
6.2.2 Porosity assessment
Partindo da epistemologia qualitativa (González Rey, 2005), que ressignifica o lugar da teoria na pesquisa, viu-se a necessidade, nesta investigação, de também ressignificar os processos de análise. Não foram utilizados, portanto, procedimentos de análise padronizados ou automatizados.
Utilizou-se, enquanto principal referência e orientação analítica desta pesquisa, o que González Rey (2005) define como uma análise de conteúdo aberta, processual e construtiva, em que se entende que o “conteúdo” ultrapassa a informação evidente, não podendo ser separado dos processos construtivos do pesquisador. A análise orientou-se para a produção de indicadores sobre o material analisado, transcendendo a codificação.
Foram feitas categorizações que, fundando-se nesta perspectiva, não pretenderam reduzir o conteúdo a categorias restritivas, mas apenas orientar os processos de integração de informações e significação pela pesquisadora do material produzido. Adaptou-se de Bardin (1977) o tratamento inicial dos dados, com a identificação de temas que conduziram à formação de algumas categorias, especialmente nos registros que representavam discursos diretos dos sujeitos.
Devido à diversidade da natureza e propósitos dos registros gerados, eles foram tratados e analisados a partir de diferentes procedimentos analíticos, conforme será explicitado abaixo.
Procedimento analítico na Fase Exploratória
Tendo em vista o caráter exploratório da Fase 1 da pesquisa, o material produzido através das entrevistas, análise documental, aplicação do questionário e produção do Memorial 113, foi sendo analisado e interpretado progressiva e paralelamente, na medida em que se avançava na pesquisa durante a Fase Exploratória. Procedeu-se à escuta minuciosa de gravações de entrevistas e a leituras repetidas dos registros das psicólogas e dos documentos do CAFD. As observações e conversas informais no contexto da pesquisa, bem como as discussões com as psicólogas em torno da proposta da pesquisa-intervenção tornaram-se essenciais à significação dos dados
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O Memorial 1, embora já tivesse sido previamente analisado, de forma mais livre, na Fase 1, foi submetido ao procedimento analítico da Fase 2, junto com os demais memoriais, tendo em vista a perspectiva de continuidade entre eles.
que foram sendo construídos interativamente nesta fase da investigação. Os temas identificados foram organizados em categorias, conforme será demonstrado no capítulo seguinte.
Procedimento analítico da Fase da Pesquisa-intervenção
Os documentos gerados na Fase 2 foram submetidos a procedimentos analíticos mais sistemáticos e minuciosos. O material de análise, além de bastante extenso, era diversificado em relação ao tipo de registro (narrativas escritas das psicólogas e da pesquisadora, transcrições literais de interlocuções no grupo de formação). Foram produzidos a partir dos seguintes instrumentos: Protocolo de observação, Sessão de reflexão-sobre-a-ação, Memorial e Instrumento de avaliação da intervenção. Os procedimentos para a análise utilizados foram diferenciados, conforme explicitado a seguir.
Os 26 Protocolos de observação, nos quais a pesquisadora registrou descrições do espaço físico do encontro com as psicólogas, relatos de suas observações, suas análises e inferências sobre o observado e suas impressões e sentimentos, foram analisados tendo em vista a identificação de temas e indicadores do desenvolvimento de competências. Ainda que de uma maneira menos sistemática, a construção de indicadores acompanhou toda a pesquisa-intervenção, guiando o planejamento das ações formativas. Fundamentando-se na proposta de C. M. M. Araujo (2003), foram elaborados quadros-sínteses para apresentação de cada um dos 26 protocolos de observação, contendo informações sobre a que etapa da pesquisa-intervenção pertencia aquele encontro, o procedimento utilizado, data, local, período, participantes, além dos seguintes itens:
a) Temas: Referem-se às temáticas que surgiram na interação com as psicólogas. Alguns temas refletem diretamente a temática prévia e intencionalmente planejada para as ações previstas em cada encontro, enquanto que outros dão testemunho da imprevisibilidade e flexibilidade do processo investigativo-interventivo.
b) Indicadores do desenvolvimento de competências: Referem-se aos indícios dos processos de desenvolvimento de competências das psicólogas. Foram identificados os trechos dos protocolos que sinalizavam a mobilização, construção e/ou consolidação de recursos como conhecimentos, saberes e habilidades das psicólogas, bases para o desenvolvimento de competências para a atuação em Psicologia Escolar com foco na Orientação Profissional com grupos de adolescentes. Alguns indicadores apontaram, porém, para a necessidade de desenvolvimento de certas posturas, atitudes ou
habilidades, detectadas no decorrer da intervenção realizada. Foram apresentadas as interpretações da pesquisadora sobre o que foi observado (indicadores), seguidas dos trechos dos protocolos que geraram a criação destes indicadores.
Para análise das Sessões de reflexão-sobre-a-ação, os registros nos protocolos correspondentes foram submetidos a leituras repetidas do material, na busca da identificação dos trechos mais significativos, tendo em vista os objetivos da pesquisa. Foram feitas sínteses das transcrições, em que os trechos originais mais significativos foram mantidos e outros foram transformados em breves relatos da pesquisadora sobre as interações sociais durante a sessão. Em seguida, a narrativa da pesquisadora foi transformada em temas e em indicadores do desenvolvimento de competências das psicólogas, que precederam cada trecho original das transcrições, dando origem a quadros-síntese de cada Sessão de reflexão-sobre-a-ação. Além dos temas e indicadores, estes quadros apresentam a data e duração de cada sessão.
O material gerado pela produção de Memorial e pela utilização do Instrumento de avaliação da intervenção, que refletiam a expressão direta, escrita, do discurso das psicólogas, foi analisado a partir de orientações de Bardin (1977), com a ressalva de que não se buscou uma codificação rigorosa de temas, mas esses foram identificados tendo em vista sua relevância para a pesquisa. No primeiro momento, procedeu-se a uma pré- análise de todo o material, quando foi feita sua preparação (digitação), seguida de repetidas leituras flutuantes do mesmo. Na fase seguinte, de tratamento dos dados, foi realizada a identificação de temas. Por analogia, os temas foram se agregando em categorias, que representavam processos de significação dos dados pela pesquisadora.
Após esse tratamento e análise preliminar dos dados, foram configuradas algumas categorias analíticas que sintetizaram os resultados construídos a partir de todos os instrumentos utilizados na pesquisa-intervenção, em uma perspectiva processual, conforme ficará demonstrado no capítulo seguinte.
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO