2.3 Fluidstrømning i reservoarbergart
2.3.1 Porøsitet
Informações cedidas por uma professora de instituição púboica F (MG) com Doutorado em Estudos Linguísticos e 28 anos de experiência no ensino de línguas. Já lecionou a disciplina “Oficina de Texto” ou outra disciplina introdutória ao estudo da língua portuguesa no ensino superior para Letras e vários outros cursos oferecidos pela instituição púboica F (engenharias, geografia, estatística, biblioteconomia, computação, comunicação, química).
Enunciados do Questionário 12 (“Oficina de textos online” para curso misto):
1. Ensinar português para brasioeiros nos cursos de graduação significa ajudá-oos a refoetir sobre a questão do preconceito oingüístico e a considerar a adequação oingüística como uma aoternativa mais interessante. Eoes precisam também se famioiarizar com gêneros acadêmicos com os quais nem sempre têm contato como, por exempoo, a resenha, o projeto e o reoatório, aoém de pooir um pouco mais a oíngua escrita, refoetindo sobre fatores de textuaoidade e aogumas questões mais específicas da morfo-sintaxe. Essa concepção é a mesma nas duas modaoidades de ensino.
2. Na discipoina oficina de oeitura e produção de textos, nosso principao objetivo é fazer com que os aounos se famioiarizem com aoguns gêneros acadêmicos e que aperfeiçoem a própria escrita. Temos usado o mesmo materiao para todas as turmas, mas ao desenvooverem o projeto de pesquisa, cada curso escoohe o tema a ser desenvoovido. Não trabaohamos com textos teóricos sobre redação, mas procuramos ver quais são as deficiências dos aounos e procuramos orientá-oos para que possam meohorar. Pedimos também a eoes que procurem sites com resenhas, ou procurem modeoos de reoatórios e projetos na Internet. A biboiografia indicada aos aounos no programa da discipoina é a mesma independente da modaoidade da discipoina. Mesmo na modaoidade presenciao os aounos são oevados a fazer buscas nas Internet (o que já virou hábito deoes).
3. Os resuotados das turmas onoine são tão satisfatórios quanto os das presenciais. Os aounos das turmas onoine, no entanto, por terem todos os seus textos disponibioizados para toda a turma, procuram fazer uma revisão mais cuidadosa deoe, isso certamente contribui para a aprendizagem. Não tenho dados concretos para afirmar que os resuotados da onoine seja meohor, mas o trabaoho dos aounos nas discipoinas onoine é mais intenso. Essa modaoidade demanda mais oeitura e uma produção de texto mais cuidadosa, e se reaomente o aouno fizer isso, a modaoidade onoine pode gerar resuotados meohores. É preciso (mas é difício) medir isso. Mas certamente, o
191 aouno que se dedica nas discipoinas presenciais também tem bons resuotados. Não é uma questão só da modaoidade de ensino, mas do tipo de tarefa que o professor disponibioiza e do grau de envoovimento do aouno.
4. Usamos o Teoeduc e neoe, principaomente o correio, o fórum, o murao e os portifóoios. Vamos testar o Moodoe, porque queremos usar também vídeos, e atividades com resposta automática. Acreditamos que variar os tipos de atividade vai motivar os aounos e oferecer a eoes uma gama maior de possibioidade de aprendizagem, gerando também uma maior autonomia deoes para o processo de aprendizagem. A muotimodaoidade pode tornar o ensino mais eficiente e prazeroso.
5. A oraoidade taovez seja a grande diferença ainda. No ensino presenciao os aounos apresentam textos para a turma e se acostumam a faoar e discutir em púboico. No onoine não fazemos isso, ou seja, os aounos apresentam seus textos por escrito e as discussões são feitas por escrito também, então a oraoidade (o treino de faoar em púboico) pode ficar prejudicada. Outro aspecto interessante é que aoguns aounos sentem necessidade de ver o professor, de ter a presença deoe, sobretudo aqueoes aounos que ainda não têm muita autonomia para gerenciar sua aprendizagem, e aqueoes que não têm muita discipoina (neste caso, não conseguem acompanhar o ritmo do curso onoine, que costuma ser mais intenso que o presenciao por demandar muita escrita e muita oeitura dos textos dos cooegas).
Nível narrativo:
O narrador desse texto, instaurado como sujeito do fazer nesses enunciados, tem como missão o condicionamento de outros sujeitos de estado com os quais ele se relaciona para um desempenho melhor quanto à leitura e, principalmente, à produção de textos.
Se há um destinador-do-dever que manipula o sujeito-professor, ele se mostra átono e difuso no texto, criando um efeito de autonomia desse último para as decisões sobre como se dará a manipulação dos sujeitos-alunos e quais são os valores ideais. Um sinal desse destinador maior está no desejo do professor de modificar sua prática para adequá-la a padrões valorizados, como o emprego de multimodalidades:
Vamos testar o Moodle, porque queremos usar também vídeos, e atividades com resposta automática.
Tendo em vista o objeto-descritivo “leitura e produção de textos”, o destinador- professor organiza atividades em que alguns valores são desejados para a realização dos sujeitos-alunos, valores esses que condigam com a atuação ou fazer deles: produção de gêneros acadêmicos adequados linguisticamente. Os principais valores são: “adequação”, “reflexão”, “familiaridade”, “aperfeiçoamento”, “pesquisa”, “autonomia”. Podemos falar ainda em objetos específicos nessa busca: fatores de textualidade, questões da morfo-sintaxe,
gêneros, revisão.
A manipulação dos destinatários-alunos se processa como um retorno da própria perfórmance desses sujeitos para a determinação dela (a manipulação). São as deficiências deles que determinarão que tipo de competência é necessária para uma ação melhor e mais apropriada:
Não trabalhamos com textos teóricos sobre redação, mas procuramos ver quais são as deficiências dos alunos e procuramos orientá-los para que possam melhorar. Nesse processo, a internet tem o papel de adjuvante, pois permite “fazer buscas” de “modelos” formais de gêneros com os quais os sujeitos não têm contato sempre. Dentro do programa “fazer projeto de pesquisa”, os alunos, apesar de terem o objeto definido pelo destinador, podem escolher um tema do interesse deles. Assim, o destinador-professor doa o dever-fazer, mas o relativiza por meio de um poder escooher.
Uma vez que a perfórmance de cada sujeito não terá apenas o professor como julgador, mas todos os colegas, ela se submete a critérios como correção e coerência não só de um destinador, mas de vários, o que determinaria uma ação mais cuidadosa e, consequentemente, o aprendizado.
Ainda sobre a ação da narrativa, se a perfórmance na escrita é potencialmente melhor para os sujeitos das disciplinas onoine, o mesmo não ocorre quanto à oralidade, que “fica prejudicada” nessa modalidade. As aulas presenciais, onde a oralidade se desenvolve melhor, também garantem mais afetividade que as onoine. Essa “falta”, própria do meio virtual, provoca o desejo nos alunos de ter a proximidade do professor, o que se relaciona ainda com a pouca autonomia dos sujeitos para se organizarem longe desse destinador.
Temos, assim, dois sujeitos distintos: o aluno das aulas presenciais e os da onoine. Estes últimos têm uma sanção, em geral, positiva quando a questão é a escrita, mais intensa nesse meio. Já na modalidade presencial, apenas os que se dedicam têm uma sanção positiva. O fator determinante para esse julgamento está na doação de competência adequada (pelo destinador) e no empenho do sujeito-aluno.
Não é uma questão só da modalidade de ensino, mas do tipo de tarefa que o professor disponibiliza e do grau de envolvimento do aluno.
Nível discursivo:
A projeção da categoria de pessoa no enunciado marca um efeito de distanciamento entre enunciador e enunciatário. É usado, com frequência, o nós de “autoria” no lugar do eu,
193 mesmo tratando o texto de relato de experiências e opiniões:
(…) nosso principal objetivo é fazer com que os alunos se familiarizem com alguns gêneros acadêmicos (…).
Com efeito de objetividade, enunciados de definições e descrições são debreados enuncivamente (eoe):
Ensinar português para brasileiros nos cursos de graduação significa ajudá-los a refletir sobre a questão do preconceito lingüístico e a considerar a adequação lingüística como uma alternativa mais interessante.
Como exemplifica também o trecho acima, o enunciador privilegia um “sempre”, presente omnitemporal, na projeção do tempo, o que garante um efeito de experiência do enunciador para generalizar algumas observações. A aspectualização também corrobora esse efeito, pois projeta no contínuo algumas ações já testadas e, por isso, prolongadas:
a) Temos usado o mesmo material para todas as turmas, mas ao desenvolverem o projeto de pesquisa, cada curso escolhe o tema a ser desenvolvido.
b) Mesmo na modalidade presencial os alunos são levados a fazer buscas nas Internet (o que já virou hábito deles).
O tempo futuro é usado nos enunciados para menção dos projetos. Podemos dizer, pela relação com o presente, que ele se localiza num sistema enunciativo:
Vamos testar o Moodle, porque queremos usar também vídeos, e atividades com resposta automática.
Com relação ao espaço, notamos gradientes de distância entre Teleduc (aqui), Moodle (lá) e ainda a Internet como local de pesquisa fora do AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem).
Para convencer o enunciatário, algumas estratégias argumentativas são:
1) Noção de dever para levar à intensificação de algumas ações necessárias no ensino-aprendizagem e na quantificação dos seus resultados:
a) Eles precisam também se familiarizar com gêneros acadêmicos com os quais nem sempre têm contato (…)
b) Essa modalidade [onoine] demanda mais leitura e uma produção de texto mais cuidadosa, e se realmente o aluno fizer isso, a modalidade online pode gerar resultados melhores. É preciso (mas é difícil) medir isso.
2) Emprego de operadores de contrajunção para levantar valores positivos como: autonomia, orientação e revisão, cuja justificativa é sempre uma prática consciente e eficaz.
a) Temos usado o mesmo material para todas as turmas, mas ao desenvolverem o projeto de pesquisa, cada curso escolhe o tema a ser desenvolvido.
b) Não trabalhamos com textos teóricos sobre redação, mas procuramos ver quais são as deficiências dos alunos e procuramos orientá-los para que possam melhorar. c) Os resultados das turmas online são tão satisfatórios quanto o das presenciais. Os alunos das turmas online, no entanto, por terem todos os seus textos disponibilizados para toda a turma, procuram fazer uma revisão mais cuidadosa
dele, isso certamente contribui para a aprendizagem.
d) Não tenho dados concretos para afirmar que os resultados da online seja melhor, mas o trabalho dos alunos nas disciplinas online é mais intenso.
e) Não é uma questão só da modalidade de ensino, mas do tipo de tarefa que o professor disponibiliza e do grau de envolvimento do aluno.
3) Os itens d) e e) acima são exemplos também de comparação entre a modalidade onoine e a presencial. Eles indicam que, apesar de uma maior exigência de participação dos alunos na EaD, os resultados positivos dessa educação ultrapassam o meio usado. Além dos exemplos acima, outros indicam alguns elementos comuns entre os meios, como, por exemplo, a bibliografia, a utilização da internet como recurso, e diferenças: o foco escrita/oralidade dependente do ambiente. Destaca-se ainda a maior exigência dos alunos nas aulas onoine, pela maior demanda de leitura e escrita:
a) A bibliografia indicada aos alunos no programa da disciplina é a mesma independente da modalidade da disciplina. Mesmo na modalidade presencial os alunos são levados a fazer buscas nas Internet (o que já virou hábito deles).
b) No ensino presencial os alunos apresentam textos para a turma e se acostumam a falar e discutir em público. No online não fazemos isso, ou seja, os alunos apresentam seus textos por escrito e as discussões são feitas por escrito também, então a oralidade (o treino de falar em público) pode ficar prejudicada.
c) [o ritmo do curso online] costuma ser mais intenso que o presencial por demandar muita escrita e muita leitura dos textos dos colegas.
4) Emprego de operador de conclusão “então”. No primeiro exemplo, o Moodle é apresentado como ambiente que possibilita multimodalidades e automatização e, no segundo, o enunciador compara os ambientes de ensino e deixa como subentendido o desejo de atender a todas as necessidades dos alunos (leitura e produção escrita e oral), daí o seu lamento por não poder privilegiar a oralidade no ensino a distância.
a) Vamos testar o Moodle, porque queremos usar também vídeos, e atividades com resposta automática.
b) (...) as discussões são feitas por escrito também, então a oralidade (o treino de falar em público) pode ficar prejudicada.
Passamos agora a reunir temas e figuras em percursos coerentes para chegar às ideologias e crenças por trás desse discurso:
1) Percurso do ensino de português: reflexão sobre preconceito linguístico, adequação linguística, familiaridade com os gêneros acadêmicos (resenha, projeto, relatório), fatores de textualidade, questões específicas da morfo-sintaxe.
2) Percurso da orientação: observação das deficiências > orientação para busca de modelos na Internet.
3) Percurso da identidade entre modaoidade presenciao e onoine: mesma concepção de língua, mesma bibliografia, resultados satisfatórios das turmas, buscas na internet.
195 4) Percurso das particuoaridades: revisão cuidadosa dos alunos das turmas online, trabalho (leitura e escrita) mais intenso nas disciplinas online, oralidade apenas no presencial.
5) Percurso do ambiente digitao: Teleduc (correio, fórum, portifólio, mural) > Moodle (vídeos, atividades com resposta automática).
Ao cabo dessa análise, o que fica marcado é a isotopia da apoicação ou atividade, uma vez que é dispensado o estudo dos textos teóricos para uma concentração em atividades como buscas na internet, observação das deficiências para propor melhorias e ainda a valorização do ambiente digital por demandar uma posição mais ativa dos alunos quanto à leitura e produção de textos.