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Population distribution and area disposition. 26

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5 DISCUSSION OF ALTERNATIVE SITES 24

6.5 Population distribution and area disposition. 26

processos de socialização na inter-relação entre dois mundos: o mundo da formação e o do trabalho ou do emprego. Dessa forma, Dubar estabelece as formas identitárias baseadas no resultado das entrevistas feitas com trabalhadores franceses e indicou que:

[...] Foi através da análise do discurso, proferido sobre situações de trabalho em entrevistas de investigação, que os sociólogos puderam identificar ´mundos vividos` que representam, simultaneamente, dispositivos de categorização (quer dizer formas de designar as realidades correntes do trabalho: os superiores, os colegas, o grupo de trabalho, a organização, os tempos...) e juízos sobre os ´modelos de getão` (formas de traduzir a ´mobilização para a empresa`, a ´polivalência `ou os ´grupos de qualidade` [...] (DUBAR, 1997, p. 47).

Dubar (1997; 1997a; 1998) não trata especificamente da questão educacional em sua teoria sobre a socialização profissional e as formas identitárias, que analisa, tendo o trabalho como foco. Cada forma identitária corresponde a um tipo de formação, com seus objetivos, metodologia e organização prática. As quatro formas identitárias estabelecidas por Dubar definem a constituição da identidade profissional nas relações de trabalho. A

seguir, será feita uma breve exposição dos modelos e tentaremos fazer uma aproximação com o contexto educacional:

as identidades fora do trabalho que emergem de relatos e do trabalho instrumental, da valorização da estabilidade questionada. A única formação que interessa é a que está diretamente ligada ao trabalho, aquela que parte dos problemas concretos e permite resolvê-los propiciando benefícios. Portanto, a formação válida e que interessa, é a que desenvolve saberes práticos, por serem úteis para o trabalho e que são adquiridos pela experiência (prioridade dada aos saberes práticos); − as identidades de categorias, subjacentes aos relatos, valorizando a

especialização, projetando-se nas filières de “profissões” julgadas desvalorizadas (bloqueadas) e marcadas por conflitos. A formação é concebida pelo profissional, como um aperfeiçoamento de sua especialidade. Os saberes técnicos são os únicos valorizados porque permitem uma progressão ao longo de uma carreira estruturada em níveis (prioridade dada aos saberes técnicos);

as identidades de rede que caracterizam relatos mistos de individualismo, antecipações de mobilidade externa (“social”) e fé nas virtudes da autonomia e do diploma. Os saberes teóricos são um elemento essencial de apresentação de si próprio e de valorização de uma identidade que não se define a partir do trabalho. A formação mais procurada é a que mais se aproxima da forma acadêmica e as formas reprodutoras da formação continuada (prioridade dada aos saberes teóricos e gerais);

as identidades de empresa (centradas na instituição), que dizem respeito aos relatos combinando mobilização e trabalho, desejos de promoção inter (“subir”) e fé na cooperação. A formação é como um conjunto de saberes práticos, teóricos e especializados. Estes são saberes organizacionais que configuram as competências em uma formação integrada que combina a contribuição de conhecimentos, o desenvolvimento de competências e o aperfeiçoamento permanente das capacidades diretamente operatórias (prioridade dada aos saberes de organização).

No primeiro modelo (identidades formadas fora do trabalho), há uma aproximação com o modelo de formação dos professores que coloca a formação como um reservatório de receitas prontas para serem adquiridas, insinuando-se de fácil aplicação, prometendo resolver as dificuldades pedagógicas na sala de aula. O segundo modelo (identidade profissional ligada ao aperfeiçoamento da especialidade), não estabelece nenhuma relação com a realidade, em especial, mas, de certa maneira, reforça o status social que a possui. No contexto escolar, a formação é tal como na passagem da sala de aula para o atelier, nem inteiramente indutiva nem dedutiva, mas, simultaneamente dedutiva/indutiva. Já o terceiro modelo (identidade de rede), busca uma especificidade, busca a formação continuada como aperfeiçoamento pessoal por meio de títulos socialmente valorizados. No contexto educacional, nesse modelo se encontram os cursos feitos depois da graduação pautados na transmissão de conhecimentos. O último modelo (identidade centrado na escola) apontado como um caminho para a superação da tradicional formação de professores longe do lugar de trabalho, no qual o princípio formador está situado na transmissão de conteúdos distantes de uma realidade e não está direcionado ao contexto escolar específico.

No entanto, não podemos esquecer que nossas identidades não são só constituídas nas relações de trabalho. Elas são, também, os resultados de nossas experiências biográficas, ou seja, nossa história de vida, nossas experiências vividas nas escolas, das relações sociais que mantemos com outras pessoas. Portanto, somos resultados de negociações quando buscamos nos diferenciar dos outros pelo que nos dizem o que somos. Da constituição identitária profissional, participam ativamente todas as nossas experiências familiares, escolares, acadêmicas. O resultado de todas essas inter-relações pessoais, sociais e de trabalho são as formas identitárias constituídas.

A cada tipo identitário corresponde um tipo de formação, com seus objetivos e métodos e nenhum deles é melhor que o outro. Cada modelo é mais ou menos adequado quando está adaptado aos objetivos da formação e às formas identitárias dos envolvidos na trama de formação, segundo cada modelo identitário.

Em Dubar (1997a, p. 51), o modelo escolar está adaptado a uma forma identitária, tal como a formação no trabalho. Para ele, a formação é essencial na construção das identidades profissionais porque facilita a incorporação de

saberes que estruturam, simultaneamente, a relação com o trabalho e a carreira profissional, dessa maneira, destaca-se a importância que a formação e suas

trajetórias diferenciadas vêm ganhando na atualidade.

Assim, é preciso identificar o tempo e espaço no qual o curso de formação está acontecendo. Dessa maneira, será possível que o professor em formação não comece o curso de graduação sem se dar conta e sem despertar seu sentimento de pertença por sua futura profissão, compreendendo, também, que o investimento na carreira é seu, do qual depende o ser profissional. O próprio professor é quem investe no que ele é, constrói a imagem que irá passar de si para o outro. Isso não envolve falsidade, mas o sentimento de ser professor, o sentido que ele atribui à profissão.

De acordo com Dubar (2000, p. 2.073), não é a escola nem a empresa (mesmo coordenadas) que produzem as competências que os indivíduos têm para asceder no mercado de trabalho, para obter um salário e para se ser reconhecido: são os próprios indivíduos... Cabe a eles adquiri-las e são eles que

sofrem se as não possuem. Nesse processo, o professor está, também,

construindo sua identidade profissional apoiado em sua atuação no curso de formação inicial, na relação com os colegas, com os professores e no Estágio Supervisionado, sendo esse o movimento de práxis de sua formação para vivenciar o ser professor (PIMENATA; LIMA, 2008).

Neste contexto plural de formação, o futuro professor é parte do processo que põe em prática o currículo, indo além do domínio de conteúdo, com suas crenças e valores, e na medida em que se envolve com o curso de formação, o professor vai percebendo como essa formação é afetada por sua identidade pessoal e social e como e por que a identidade profissional docente é atravessada, também, pelos discursos oficiais, que ditam currículos, controlam a ação docente e elaboram políticas de formação e desenvolvimento profissional.

Dubar (1997a) recorre ao conceito de habitus55, de Bourdieu, para dizer

que em cada processo de formação, de socialização, o indivíduo adquire e incorpora os princípios geradores e organizadores de suas práticas, ações, formas de ser, comportamento e representações de um determinado grupo social ou profissional. Na convivência do Eu-Outro, o indivíduo vai construindo, desconstruindo e reconstruindo sua identidade, a cada tempo e lugar, caracterizando a identidade como um processo de mudança e de alteridade. Assim, a identidade é um espaço de luta (NÓVOA, 1992), no que o indivíduo negocia seus atos de diferenciação e de pertença entre o que pensa que é aquilo que o outro diz que você é. A esta situação, Dubar chama de identidade atribuída, podendo ser aceita ou negada, compondo sua identidade refletida.

Assim, ter consciência de suas identidades e dos processos de formação é perceber-se no mundo social e profissional, mesmo que cada adjetivo novo torne a identidade mais complexa e confusa. A socialização do indivíduo sinaliza para a existência de múltiplas identidades, configuradas por múltiplos elementos determinadores, como cultura, as crenças, os valores, os sentimentos, os ambientes identitários (família, empresa, escola, trabalho), nos quais o indivíduo é desafiado a construir suas identidades que são o resultado dos encontros de nossas formas de ver, fazer, ser, sentir e estar no mundo, vivendo nosso projeto de vida, nossas trajetórias, vivendo os processos de formação de nossas identidades.

Em síntese, a partir de Dubar, assumimos que a construção das identidades profissionais é um engendrado processo de socialização contínua interagindo entre o Eu e o Outro nos ambientes de nossa circulação como a família, a escola e, sobretudo, no trabalho, em que vamos “aceitando” novas identidades a partir das relações que vamos mantendo e das escolhas que fazemos nesse lugar de trabalho. Nesses espaços, vamos negociando maneiras ____________

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Bourdieu (2003, p. 21-22), habitus é princípio gerador e unificador que retraduz as características intrínsecas e relacionais de uma posição em um estilo de vida unívoco, isto é, em um conjunto unívoco de escolhas de pessoas, de bens, de práticas. O habitus é constituído pelas disposições que orientam as práticas dos agentes e é construído durante os processos de socialização nos diferentes ambientes sociais nos quais o sujeito esteve circulando, como no espaço familiar, escolar, e profissional, etc., envolvido em relações dinâmicas e históricas entre a cultura, o pensamento e, portanto, as ações variadas e contingentes no cotidiano. Para saber mais ver: BOURDIEU, Pierre. Razões práticas: sobre a teria da ação. Campinas, SP: Papirus, 2003; MARTINS, Carlos B. A pluralidade dos mundos e das condutas sociais: a contribuição de Bourdieu para sociologia da educação. Em aberto, nº 46. Brasília: Inep, 1990.

de ser e estar na profissão. Nesta pesquisa, entendemos identidade como produto social, dinâmico, inacabado e mutável, que vai se configurando, também, como espaço de lutas e de conflitos (NÓVOA, 1992). A partir disso, podemos dizer que o curso de formação de professor traz uma identidade profissional que o aluno vai adquirindo, construindo e reconstruindo, conforme vai vivenciando o ser professor durante o processo de formação, segundo Gatti (2008), e nos lugares de trabalho, conforme Dubar (1997a).

A seguir, os dados do quadro abaixo trazem uma visualização de nosso entendimento acerca do conceito de identidade.

Quadro nº 4.1. Síntese que nos ajudam a visualizar nossas concepções de identidade que

estamos assumindo nesta pesquisa.

Identidade é um espaço de luta onde o indivíduo negocia seus atos de diferenciação e de pertença entre o que pensa que é e aquilo que o outro diz que você é (NÓVOA, 1992)

No processo de construção da identidade profissional, entram as trajetórias individuais de vida de cada um e na interação com o outro dentro de uma coletividade profissional, o indivíduo encontra as condições para construir sua identidade profissional. (DUBAR, 1997)

O termo identidade quer dizer igualdade e continuidade; está relacionado à história de vida de uma pessoa, em um dado tempo e espaço. Isso significa que a identidade é um assumir sucessivo de formas e de maneiras de ser e estar no mundo, espelhando- se em referenciais.

Cada processo de formação, de socialização, o indivíduo adquire e incorpora os princípios geradores e organizadores de suas práticas, ações, formas de ser, comportamento e representações de um determinado grupo social ou profissional; A socialização do indivíduo sinaliza para a existência de múltiplas identidades, (DUBAR, 1997a).

O indivíduo é desafiado a construir suas identidades nos ambientes por onde circula como a família, escola, na empresa, no trabalho, entre outros, (DUBAR, 1997a; 1998). A identidade é construída no decorrer da vida em um processo dinâmico e contínuo: [...] a identidade não é dada, de uma vez por todas, no ato do nascimento: constrói-se na infância e deve reconstruir-se sempre ao longo da vida. Portanto, nascer, crescer, tornar-se adulto, profissional é seguir continuamente construindo identidades. (DUBAR, 1997a, p. 13)

[...] cada indivíduo encarna as relações sociais, configurando uma identidade pessoal. Uma história de vida. Um projeto de vida. [...] No seu conjunto, as identidades constituem a sociedade, ao mesmo tempo em que são constituídas, cada uma, por ela. (CIAMPA, 1998).

O Estágio Supervisionado é espaço de construção e reflexão de identidade profissional docente para o licenciando oferecido durante o curso de formação inicial, (PIMENTA & LIMA, 2008).

O modelo escolar está adaptado a uma forma identitária, tal como a formação no trabalho. A formação é essencial na construção das identidades profissionais porque facilita a incorporação de saberes que estruturam, simultaneamente, a relação com o trabalho e a carreira profissional. (DUBAR, 1997a, p. 51),

A identidade profissional está necessariamente vinculada a um grupo, cujos membros se reconhecem na especificidade do fazer, configurando características que os ligam a uma profissão, produzindo sentimento de pertença e de atribuição.

Nessa perspectiva, propusemo-nos a analisar, nessa pesquisa, a constituição da identidade profissional do professor de Matemática vivenciada no Projeto de Licenciaturas Parceladas. Os seus estudos de Dubar sobre constituição identitária profissional derivada das relações sociais, após acordo entre a subjetividade e a objetividade de trabalho, é a opção teórica que usaremos nesse trabalho a fim de analisar os dados sobre os professores de Matemática egressos do Projeto de Licenciaturas Parceladas. As influências familiares, sociais, formação escolar, acadêmica e o ambiente de trabalho estarão fazendo parte dessa análise das configurações da identidade profissional docente.

C

apítulo

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A pesquisa e seus caminhos: sentindo os tons e construindo

a trilha

Gostaria muito de mostrar, neste discurso, que caminhos segui; e de nele representar a minha vida como num quadro, para que cada qual a possa julgar, e para que, sabedor das opiniões que sobre ele foram expendidas um novo meio de me instruir se venha juntar àqueles de que costumo servir-me.

(René Descartes – 1596-1650)

Este capítulo tem por objetivo apresentar a metodologia para este estudo. A constituição do caminho a ser trilhado foi organizada em dois momentos. O primeiro, traz a justificativa e as razões da escolha pela abordagem qualitativo- interpretativa. O segundo, descreve o percurso da investigação, compreende quatro fases: a definição do projeto de pesquisa, a coleta de dados (entrevistas, documentação e questionário), a seleção de sujeitos e os procedimentos da análise de conteúdo.

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