4.3 The Northwest Atlantic Stock
6.1.4 Population assessments
Quando refletimos acerca do conceito inerente à observação, de imediato relacionamos esta competência com uma faculdade natural do ser humano, embora esta possa ser de difícil aplicação por parte do investigador. É necessário treino e disciplina para evitar dispersões no momento da observação.
De acordo com Barañano (2004), a observação baseia-se na “focalização atenta dos sentidos num objeto para dela adquirir um conhecimento claro e preciso [...] onde o facto é observado como ele é e não como o observador gostaria que ele fosse” (p. 23). Por seu turno, Máximo-Esteves (2008) esclarece que a observação “ajuda a compreender os contextos, as pessoas que nele se movimentam e as suas interacções. A observação é uma faculdade que, sendo natural, tem de ser treinada; todavia, a sua aprendizagem imbrica-se necessariamente na prática: aprende-se praticando” (p. 87).
Na presente investigação, o observador permaneceu inserido no grupo, promovendo uma observação participante (Woods, 1993) de modo a “pesquisar problemas, a procurar respostas para questões que se levantem e a ajudar na compreensão do processo pedagógico” (p. 109). Este facto possibilitou um conhecimento dos acontecimentos e factos, relacionando-os com o modo como surgiram num determinado contexto (Máximo-Esteves, 2008).
No momento em que realiza a observação, o investigador deverá ter consciência de dois aspetos fundamentais. O primeiro prende-se com a incapacidade de observar a globalidade dos acontecimentos sucedidos. Por outro lado, deverá abstrair-se de noções e conclusões pré- fundamentadas e pré-concebidas, com o intuito de se relacionar e integrar no contexto em estudo de forma adequada, sem correr o risco de alterar os comportamentos observáveis.
Deste modo, a utilização da observação participante permitiu um conhecimento mais aprofundado e enquadrado no contexto da prática pedagógica, deixando transparecer as fragilidades, necessidades, interesses e motivações dos alunos, o que, numa fase posterior, propiciou implementar estratégias baseadas nas escolhas dos alunos, contribuindo assim para o seu sucesso no processo de ensino/aprendizagem. Dando mote à conceção de Ary, Jacobs e Razavieh (1996), os autores salientam que o investigador/observador “studies a group by becoming a part of the group – observing, intervewing, and actually participating in their activities. (...) Participant observation has the advantage of allowing for a detailed and comprehensive picture” (p. 482).
Diários de Bordo
Ao longo de toda a intervenção pedagógica enquadrada no estágio, o companheiro assíduo de todos os progressos, recuos, medos, inseguranças e, claro, vitórias foi sem dúvida o diário de bordo. Foram inúmeras as interrogações e reflexões que foram amplamente relatadas neste instrumento descritivo e expositivo, pois, como refere Zabalza (1994), o diário “é o diálogo que o professor, através da leitura e da reflexão, trava consigo mesmo acerca da sua actuação nas aulas. A reflexão é, pois, uma das componentes fundamentais dos diários de professores” (p. 95).
No momento da realização dos diários de bordo (vide apêndices A e M), era impossível fugir às emoções e angústias vivenciadas na práxis. Ainda assim, este instrumento tem um caráter essencial na investigação, uma vez que acompanha o docente na sua simbiose entre a ação e a investigação. Neste sentido, Brazão (2007) evidencia que o diário deve ser aplicado como:
método de investigação, método de colecta de dados, de descrição dos processos e estratégias da própria pesquisa e análise das implicações subjectivas do pesquisador; método de formação dos docentes, análise de práticas pedagógicas de formação dos docentes, análise
de práticas pedagógicas e desenvolvimento profissional e pessoal; método de intervenção, investigação-acção (p. 292).
Desta forma, apesar do caráter pessoal patente nos diários de bordo, estes constituem um meio privilegiado para o docente analisar, refletir, desenvolver e avaliar a sua prática pedagógica, dado que refletem um percurso, um caminho (Máximo-Esteves, 2008).
Os diários de bordo foram elaborados numa perspetiva crítica/reflexiva e nestes podemos encontrar as notas de campo e outros dados que procuram revelar as vivências diárias do docente e dos seus alunos (Zabalza, 1994). O objetivo primordial é melhorar as práticas, tendo em vista a evolução dos alunos e do docente, sem nunca esquecer que o registo dos diversos momentos se traduzia também no registo de “um pedaço de vida que ali ocorre, procurando estabelecer as ligações entre os elementos que interagem nesse contexto” (Máximo-Esteves, 2008, p. 88).
Notas de Campo
Inerente à observação participante, decorreu a produção de notas de campo, que foram surgindo durante a intervenção pedagógica. De referir que as notas de campo estão inseridas nos diários de bordo, dado que, como explica Spradley (1980), este instrumento consiste em “registos detalhados, descritivos e focalizados do contexto, das pessoas (retratos), suas acções e interacções (trocas, conversas), efectuados sistematicamente, respeitando a linguagem dos participantes nesse contexto” (citado por Máximo-Esteves, 2008, p. 88).
Por outro lado, Bogdan e Biklen (1994) destacam que as notas de campo se revelam como “material reflexivo, isto é, notas interpretativas, interrogações, sentimentos, ideias, impressões que emergem no decorrer da observação ou após as suas primeiras leituras” (p. 168), uma vez que são o resultado de um momento específico ou de um acontecimento relevante que sucedeu in loco, o qual o investigador considera pertinente interpretar. Este instrumento de recolha de dados permite também ao investigador sistematizar e hierarquizar os acontecimentos de forma detalhada e descritiva com o propósito de não omitir dados nem informações pertinentes para a investigação.
Entrevistas Informais
Nas investigações de caráter qualitativo, as entrevistas são um instrumento de recolha de dados comummente utilizados pelos investigadores, pois possibilitam uma recolha de informações direta entre o indivíduo e o investigador (Sousa, 2005).
No caso da presente investigação, recorreu-se às entrevistas informais, pois, segundo Máximo-Esteves (2008), estas “aproximam-se da conversação do quotidiano, distinguindo-se desta
pela sua intencionalidade, uma vez que são usadas para obter informações que complementam os dados da observação” (p. 93). De acordo com o autor supracitado, estas entrevistas são imprescindíveis para o estudo em causa, já que possibilitam uma recolha de dados e informações junto dos alunos, docentes, auxiliares da ação educativa e familiares, informações essas que, de outra forma, dificilmente se obteriam.
As entrevistas informais que surgem nos diários de bordo serviram como complemento aos diferentes instrumentos metodológicos de recolha de dados, completando alguns dados, por vezes insuficientes. De referir que a utilização deste instrumento leva à necessidade de o investigador efetuar, à posteriori, um conjunto de triagens, de forma a aferir a fiabilidade da informação disponibilizada. Só assim o investigador poderá evitar construir suposições e ideias pré-concebidas ou ainda rotular determinada situação com base numa única informação prestada por qualquer sujeito pertencente à comunidade educativa.
Registos Fotográficos
No decurso da práxis, surgiu a necessidade de registar para a posteridade as diversas odisseias e peripécias que foram surgindo no contexto em estudo. É interessante constatar que a inevitabilidade de efetuar o registo dos diferentes momentos foi manifestada pelos alunos, que pretendiam ver o seu trabalho exposto para toda a comunidade educativa como forma de valorização e motivação. Enquanto investigador, tinha a noção que aqueles momentos se traduziam numa rica fonte de informações relacionadas com a problemática em estudo.
Bogdan e Biklen (1994) salientam que a fotografia possibilita “inventariar rapidamente os objectos da sala - os produtos artísticos das crianças, os painéis de parede, a estante dos livros, a organização da sala, o registo do que está escrito no quadro, ou ainda actividades de encenação ou dramatização” (p. 91).
O presente instrumento permitiu registar, de forma fidedigna, momentos de interação entre os alunos, expressões espontâneas, manipulações de objetos, ilustrando determinados momentos dos alunos (Máximo-Esteves, 2008) pertinentes para a investigação. O mesmo possibilitou igualmente, à posteriori, momentos de reflexão e análise, pois a fotografia representa “um meio de lembrar e estudar detalhes que poderiam ser descurados se uma imagem fotográfica [ou um vídeo] não estivesse disponível para os reflectir” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 189).