4. MUSIKKVIDEOFORMEN
4.3.2. Populære formler
Entre as várias línguas existentes na Guiné Bissau, o português é a única com o estatuto de língua oficial, sendo o idioma de escolarização e de maior produção literária do país e das interações na administração pública.
Decerto, é nessa língua, o português, que se executa todo o processo de ensino formal de todos os níveis. Constitui uma das heranças culturais de suma importância adquirida por parte do colonizador na medida em que permite à Guiné multiplicar a sua dimensão identitária, isto é, fazendo a Guiné, neste contexto, ser múltipla porque, através da língua portuguesa, o país pertence às comunidades da lusofonia: PALOP, CPLP, etc.
Para além de ser aquele que permite à Guiné pertencer a várias identidades
sócio-políticas, na opinião de Zaida Pereira (2016, p. 5), “o português, língua oficial é
também atualmente percebido como instrumento de acesso ao poder, acesso todavia limitado a determinados grupos de influência, nomeadamente ao dos intelectuais.”
27 Entretanto, a metodologia usada para o seu ensino na Guiné-Bissau é complexa porque os professores o ensinam aos alunos como uma língua materna, facto que dificulta a possibilidade de o dominar com facilidade, e suscita nas crianças um sentimento de aversão e de menos preocupação de o dominar. Scantamburlo (2016) sublinha problemas que essa espécie de metodologia acarreta:
as crianças não crescem a aprender o português, em casa, a família não fala português e por isso não há contato com a língua. Quando os alunos chegam à escola são estimulados a partir de manuais escolares equiparados aos que circulam em Portugal para crianças que ao entrar na escola já dominam muitos vocábulos que os alunos guineenses com a mesma idade nunca ouviram na sua vida. Identifica por isso como grande erro a utilização de manuais de estudo do português como língua materna [e defende claramente] a adaptação à realidade linguística local e atual (SCANTAMBURLO, 2016, P. 9).
Atualmente, o português é uma das línguas que se expande com máxima velocidade no seio do povo guineense devido às atividades dos cooperantes portugueses aí presentes no setor do ensino com diferentes projetos, Como PASEG I, PASEG II, FEC, IC, PACL, etc. para a qualificação do ensino Guineense e difusão do português.
Valem as referências abaixo, embora se refiram ao contexto geral. Maria Helena Mira Mateus (2014, p. 36) mostrou a influência do português a nível mundial, isto é, “falado no mundo por cerca de 200 milhos de pessoas, [em que] constitui um meio facilitador de interações de caráter econômico, benéficas para os elementos das
sociedades que dominam essa língua.” E Sofia Alves (2016), em nota editorial do Boletim
Escola, Língua portuguesa da FEC, referiu essa mesma dimensão que o português ganha
a nível mundial. Pois, “tendo a LP mais de 260 milhões de falantes (como língua materna
e língua segunda). (p. 2)”.
Na Guiné-Bissau, conforme Couto (1994, p. 25)42 “a língua portuguesa é
dominada por cerca de 2% da população”.
Trata-se da língua de maior produção literária em relação ao crioulo, ou em forma híbrida, para assim expressar idiomaticamente as expressões que são próprias do povo; essas obras não são geralmente aplicadas no processo de ensino-aprendizagem.
Na opinião de Silá (2016), relativamente à questão posta pela FEC - “o que podemos
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fazer pela produção literária, por este mercado e como, enquanto comunidade escolar, podemos promover o livro e os seus escritores?”, arguiu-se o seguinte, apresentando três aspetos, de entre os quais, o segundo era pertinente para o contexto:
O segundo aspeto que considero fundamental tem a ver com a introdução do ensino da nossa literatura no nosso sistema educativo. Há jovens que completam o nível secundário sem nunca ouvirem falar de uma obra literária ou autores guineenses. Isto é um handicap sério que urge eliminar, pois como se costuma dizer “de pequenino é que se torce o pepino” (SILA, p. 7).
Houve alguns justificativos pela tutela do ensino relativamente à inserção das
obras literárias guineenses no sistema do ensino. Segundo Jorge Sanca43, entrevistado
no INDE (Dezembro, 2016),
poucos exemplares em cada publicação nas editoras nacionais que não consegue fazer cobertura às escolas existentes no país; maior parte de publicações se faz nos estrangeiros; falta de política de incentivo às publicações locais por parte do governo; condição econômica de alunos em puder adquirir um livro, etc. (in entrevista). A veracidade da não inserção de conteúdo das obras literárias no currículo oficial do ensino secundário confirmou-se pelo preenchimento de inquérito aplicado a 151
alunos, 76 alunos e 75 alunas, do 12º Ano de escolaridade do Liceu Nacional “Kwame
N´Krumah”, em Bissau, e a 331 alunos (198 alunos e 133 alunas) do 12º Ano de escolaridade do Liceu “Hoji Ya Henda”, em Bafatá. Por fim, o mesmo inquérito deveria
ser submetido aos alunos da escola de formação de professores “Tchico Té”,
departamento de licenciatura em língua portuguesa – Instituto Camões, mas não foi o
caso devido ao não funcionamento de aulas naquela instituição do ensino superior no momento da nossa presença em Bissau.
Quanto ao resultado obtido a partir do inquérito no Liceu Nacional “Kwame
N´Krumah”, 40 alunos, de ambos os géneros, correspondendo a 26%, disseram terem contato com algumas obras literárias guineenses. Entre eles, alguns afirmaram terem esses contatos por intermédio de professores que o pediam fazendo trabalho ligado a algumas obras, e outros afirmaram terem-nos a partir do seu empenho pessoal, isto é, fora do âmbito escolar. Entretanto, de entre os que se afirmaram terem lido obras literárias guineenses, 9 alunos afirmaram terem lido a obra Kikia Matcho, obra em
29 análise neste trabalho. E 111 alunos, também de ambos os géneros, correspondendo a 74%, afirmaram não entrarem em contacto com obras literárias Guineenses, nem na escola nem em casa.
De igual modo, no Liceu Regional “Hoji Ya Henda” de Bafatá, 47 alunos de ambos
os géneros, correspondendo a 14%, disseram terem contatos com algumas obras guineenses (alguns tiveram-nos pela escola, e outros fizeram-no por suas iniciativas pessoais, isto é, fora do âmbito escolar). Ainda de entre os que leram as obras, configura- se um que disse ter lido Kikia Matcho. E entre 284 alunos, 86% disseram desconhecerem o significado de obras literárias. Portanto, não leram nenhuma obra.
Para concluir a fase de inquérito relativo ao ensino das obras literárias nas escolas secundárias e superiores da Guiné-Bissau, entrámos em contacto com o professor de cultura Guineense e literatura africana do Instituto Camões, Dr. Luís
Camala44 que, em jeito de resposta à questão relativa ao assunto de enquadramento
das obras literárias no currículo do ensino superior, disse:
nós incluímos as obras literárias Guineenses no programa do ensino. Como se sabe, o departamento é específico em tratamento de questões de línguas e literaturas. Entretanto, quando se faz abordagem de literaturas africanas, entra imediatamente obras literárias Guineenses. É desta forma as obras literárias são ensinadas no centro de licenciatura – Camões e, também, pelo departamento de Bacharel (CAMALA, in entrevista, Dezembro 2016).
Refletindo sobre a abordagem acima, conclui-se que as obras literárias Guineenses praticamente não são ensinadas nas escolas secundárias, facto que as inibe quanto à sua identidade pelo que as crianças não são desenvolvidas nas paixões e aptidões para que, num futuro, possam ser escritores a partir de modelos locais. Por outro lado, esta prática faz manter sempre essas obras em nível precário destinadas a esquecimento.
44 Dr. Luís Camala, professor de Cultura Guineese e várias Cadeiras ligadas à literatura. Licenciou-se em
língua portuguesa e estudos literários pela Escola Superior “Tchico Té”- Instituto Camões, Guiné Bissau.
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IIº CAPÍTULO
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