Tendo em vista, a necessidade de abordar o conteúdo de química de forma diversificada, atrativa e estimuladora, o ensino por investigação apoiado na aprendizagem cooperativa surge como ferramenta pedagógica para auxiliar na promoção do ensino e aprendizagem de química, visto que o ensino de química deverá possibilitar uma visão mais ampla do conhecimento e melhor compreensão do mundo físico resultando na formação de indivíduos críticos e participativos. Seguindo o fio condutor aqui delineado para o ensino de Química, combinando visão sistêmica do conhecimento e formação da cidadania, os PCNEM e as DCNEM pressupõem que o currículo do ensino médio deve adotar metodologias de ensino e de avaliação de aprendizagem que estimulem a iniciativa dos estudantes. Assim, há necessidade de se reorganizar os conteúdos químicos atualmente ensinados, bem como a metodologia empregada.
Nesse sentido, foi desenvolvido o presente livreto acerca das “Atividades investigativas no contexto cooperativo na aplicação do conhecimento relativo a Eletroquímica”, uma abordagem a partir do ensino por investigação com o objetivo estimular e subsidiar professores e alunos a utilizarem as práticas investigativas de modo crítico e reflexivo como instrumento auxiliares na condução do conhecimento de química.
Assim, o livreto aqui proposto se encontra estrutura da seguinte maneira: 1 Introdução
2 o ensino de eletroquímica: teorizando a prática pedagógica 2.1 o ensino por investigação
2.2.1 Método Jigsaw
3 o ensino de eletroquímica: caminhos de uma prática pedagógica
3.1 Os conhecimentos de eletroquímica: uma abordagem contextualizada 3.1.1 A importância do uso de materiais alternativos
3.1.2 Adquirindo conhecimentos básicos relativos à eletroquímica 3.1.3 Como evitar ferrugem
6.1 Atividades investigativas no contexto colaborativo na aplicação do conhecimento relativo À eletroquímica.
O ensino com perspectiva investigativa aproxima o ensino de química do conhecimento científico possibilitando aos alunos uma visão mais científica de mundo favorecendo a formação de um cidadão crítico e participativo.
A Lei de Diretrizes e Bases Nacional da Educação1 - LDB 9.394/1996, no Artigo 43 - Inciso III, estabelece como finalidade da Educação o incentivo ao “trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive”.
Segundo o que foi estabelecido nos PCN+ (BRASIL, 2002, p.87),
[...] a Química pode ser um instrumento da formação humana que amplia os horizontes culturais e a autonomia no exercício da cidadania, se o conhecimento químico for promovido como um dos meios de interpretar o mundo e intervir na realidade, se for apresentado como ciência, com seus conceitos, métodos e linguagens próprios, e como construção histórica, relacionada ao desenvolvimento tecnológico e aos muitos aspectos da vida em sociedade.
As práticas exercidas no ensino de química se contrapõem ao que se propõem PCNEM, pois há a predominância da memorização de informações, nomes, fórmulas e conhecimentos como fragmentos desligados da realidade dos alunos. Ao contrário disso, pretende que o aluno reconheça e compreenda, de forma integrada e significativa, as transformações químicas que ocorrem nos processos naturais e tecnológicos em diferentes contextos, encontrados na atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera, e suas relações com os sistemas produtivo, industrial e agrícola.
Assim, a abordagem do conteúdo programático no ensino de química não desperta o interesse da maioria dos alunos pela disciplina, apenas contribui para que o aluno se distancie do conhecimento químico favorecendo a aversão e a desmotivação, visto que o aprendizado de química no ensino médio “[...] deve possibilitar ao aluno a compreensão tanto dos processos químicos em si quanto da construção de um conhecimento científico em estreita relação com as aplicações tecnológicas e suas implicações ambientais, sociais, políticas e econômicas”. Dessa forma, os estudantes podem “[...] julgar com fundamentos as
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A LDB reúne todos os dispositivos concernentes ao sistema educacional brasileiro, que, desde 1996, está disciplinado em todos os níveis – da creche à universidade, passando por todas as modalidades de ensino especial.
informações advindas da tradição cultural, da mídia e da própria escola e tomar decisões autonomamente, enquanto indivíduos e cidadãos” (PCNEM, 1999, p. 31).
Para isso, os professores deverão buscar metodologias e recursos didáticos que aproximem a teoria da prática com a predominância da investigação arrimada a aprendizagem cooperativa, na abordagem de situações reais presentes no cotidiano do aluno ou criadas na sala de aula por meio da experimentação e da investigação.
Ensinar com perspectivas investigativas possibilita o aluno a uma visão contextualizada do conteúdo propiciando a ampliação do conhecimento e desenvolvimento de habilidades cognitivas. Além disso, trabalhar com questões contextualizadas investigativas exigem do aluno domínio interdisciplinar necessário para compreensão holística do problema contribuindo para elaboração de resposta e formulação de novos problemas.
Aprender em cenário cooperativo com cunho investigativo induz os alunos a pensarem conjuntamente acerca do problema com intuito de buscar solução para tal, envolvendo-se em sua própria aprendizagem tornando o processo significativo. Nesse sentido, a utilização do ensino por investigação arrimado a aprendizagem cooperativa apresenta um grande potencial no ensino aprendizagem de química. Portanto, o presente trabalho propõe uma reflexão sobre o ensino de química com abordagem do conteúdo por meio das sugestões de atividades investigativas no contexto cooperativo na aplicação do conhecimento relativo à eletroquímica, objetivando maior apreensão do conhecimento vinculado a esse conteúdo.
Nesse contexto, a inserção das Práticas Investigativas enquanto componente curricular atende às especificações da legislação educacional, bem como propicia as recomendações dos PCNEM que expressam que “as competências e habilidades cognitivas e afetivas desenvolvidas no ensino de química deverão capacitar os alunos a tomarem suas próprias decisões em situações problemáticas, contribuindo assim para o desenvolvimento do educando como pessoa humana e como cidadão” (PCNEM, p.32).
Em síntese, o ensino e aprendizagem de química deverá se munir de estratégias que priorizem práticas investigativas e interativas com intuito de favorecer um contexto envolvente, atraente e motivador visão a formação de indivíduos críticos e participativos.