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Politisk representasjon

4. Førsituasjonen

5.1 Politisk representasjon

Nesta pesquisa, participaram um professor de língua inglês efetivo do quadro docente da escola e um grupo de seis alunos para compor o grupo focal. Apresento-lhes detalhadamente a seguir.

3.3.1. O professor

O professor participante, Rodrigo, tem 42 anos, nasceu em Belo Horizonte e cursou o ensino fundamental e médio em escolas estaduais, na mesma cidade onde nasceu. Ele cursou Letras na Universidade Federal de Minas Gerais, onde, anos depois, realizou um curso de

educação continuada. Rodrigo é casado e pai de família, participa de atividades relacionadas à sua igreja e preza seu tempo com sua família. Seu tempo é escasso para preparar aulas, corrigir atividades e provas, bem como participar de cursos de aperfeiçoamento ou pós- graduação, atualmente.

Rodrigo atua como professor há 17 anos e leciona na escola Dionísio há 11 anos. Ele também exerce nessa escola a função de vice-diretor no turno noturno. Segundo Rodrigo, a escolha por ser diretor se deve ao fato de sua ampla experiência como professor “exigir” dele uma contribuição para a melhoria no ambiente de trabalho e qualidade no ensino da escola. Ainda assim, o professor participante é um dos grandes entusiastas da escola ao se tratar de inovações educacionais, especialmente, o PAV.

A escolha por esse professor justifica-se por sua flexibilidade e interesse em aprimorar a qualidade de suas aulas, além de demonstrar familiaridade com alguns pressupostos teóricos do LC durante sua formação inicial e continuada. Além disso, Rodrigo já tem vasta experiência docente em turmas de aceleração cujo material e conteúdo precisam ser adaptados às realidades socioeconômicas e educacionais daqueles alunos.

É importante mencionar que o professor participante, escolhido para essa pesquisa, já atuou em turmas formadas a partir de outras políticas de aceleração de aprendizagem, como “Acertando o Passo” e “À Caminho da Cidadania” 5

. A participação de Rodrigo deu-se através da colaboração dele não apenas no sentido de permitir que suas aulas fossem observadas, mas também, aceitar conceder entrevistas gravadas e responder a questionários (acerca de sua trajetória profissional, acadêmica, sua prática docente na turma de aceleração, conhecimentos sobre LC dentre outras questões).

Além disso, o professor participante contribuiu imensamente no sentido de discutir temas, avaliar e programar em suas aulas as atividades que foram elaboradas visando à coleta de dados para esta pesquisa, baseadas em perspectivas críticas (CERVETTI; PARDALES; DAMICO, 2001) que geraram os dados analisados neste estudo. O professor participante também se dispôs a refletir e se posicionar acerca do papel das referidas atividades para o processo de ensino e aprendizagem.

5 A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEEMG) iniciou em 1998 duas políticas públicas educacionais para corrigir a distorção série-idade: o “Acertando o Passo” para as últimas séries do Ensino

3.3.3. O grupo focal

Além do professor participante, com o intuito de entender melhor a percepção e reação dos alunos da turma de aceleração diante das atividades com perspectivas críticas, optei pela escolha de um grupo focal. De acordo com Smeha (2009, p. 262),

é uma técnica de pesquisa que coleta dados por meio das interações grupais ao se discutir um tema sugerido pelo pesquisador. Pode ser caracterizado também como um recurso para compreender o processo de construção das percepções, atitudes e representações sociais de grupos humanos.

A autora ainda acrescenta que “o grupo focal é uma técnica que favorece o aprofundamento de pesquisas sobre fenômenos sociais, por meio da expressão dos próprios investigados.” (SMEHA, 2009, p. 262). Contudo, conforme Gondim (2002) e Kind (2004) nos orientam, é preciso que os pesquisadores, ao optar pelo grupo focal, tenham cuidado em escolher e descrever os procedimentos do grupo focal e seus resultados de forma crítica. Segundo Gondim (2002) é de suma relevância respeitar os limites e possibilidades dos participantes em um grupo focal. Além disso, de acordo com Gatti (2005 apud SMEHA, 2009, p.263), ao se referir aos problemas e desafios da utilização de grupo focal aponta “a preocupação com o grande volume de dados que emergem no grupo, para análise”. Em contrapartida, temos um grande ganho em termos de diálogo e reflexão “permitindo uma compreensão mais aprofundada do tema”.

Saliento que nessa pesquisa a escolha pelo grupo focal permitiu entender os sentimentos e percepções da turma diante das aulas de língua inglesa e especialmente de que forma ela consegue valorizar suas experiências e realidades enquanto aprendizes. Pensando na implementação de atividades críticas, o grupo focal, enquanto uma amostra das reações e percepções da turma, possibilitou ao pesquisador ter um vislumbre da visão dos alunos sobre as aulas de inglês na escola pública e no PAV além de entender o papel de atividades críticas na ressignificação da visão desses alunos sobre aprender inglês e sobre si mesmos enquanto cidadãos.

Com relação ao papel do pesquisador ao lidar com o grupo focal, o pesquisador atuou como um moderador do grupo, na tentativa de facilitar, mediar, perceber e refletir sobre o fluxo das opiniões e sentimentos desse grupo, permitindo que os participantes se expressassem livremente para que novos dados emergissem e pudessem guiar melhor as ações do pesquisador bem como sua posterior análise e discussão dos dados.

Nesta pesquisa optei pela formação de um grupo focal com seis participantes. Ainda que não haja consenso sobre o número ideal de participantes para a constituição de um grupo focal, Iervolino e Pelucione (2001, p. 116) nos lembram que ele pode ser “composto por 6 a 10 participantes que não são familiares uns aos outros”. Dias (2000) afirma que “o número de pessoas deve ser tal que estimule a participação e a interação de todos, de forma relativamente ordenada”. A exemplo disso, Debus (1988) indica que é ideal um número de 5 a 7 integrantes em cada grupo focal. Debus (1988) ressalta ainda que determinadas questões exigem “minigrupos” para que as questões a serem investigadas sejam abordadas com profundidade.

Iervolino e Pelucione (2001) afirmam que, para a escolha dos participantes de grupos focais, é importante considerar certas características em comum que estão associadas ao tópico que está sendo pesquisado. Desse modo, para o processo de seleção dos alunos da turma que compuseram o grupo focal, baseou-se em várias conversas com o professor participante que sugeriu alguns alunos. Contudo, de forma a permitir a participação livre dos alunos, o pesquisador conversou com os mesmos durante o seu período de observação de aulas, dando-lhes a oportunidade de se voluntariar para compor o grupo focal. Foram levados em conta os seguintes critérios (elaborados juntamente com o professor participante) para a seleção do grupo focal: assiduidade e participação nas aulas de inglês, disponibilidade para participar nas sessões interativas em horários alternativos a aula de inglês (depois do horário ou em horário vago), bem como autorização prévia dos pais desses alunos. Assim sendo, seis alunos, que atenderam aos critérios apresentados voluntariaram-se para compor o grupo focal. Os participantes do grupo focal têm em média 15 anos, moram na região onde está situada a escola e estudam na escola desde o 6ª ano. O primeiro contato com o grupo focal ocorreu nas primeiras semanas de observação e iniciou-se no mês de maio com uma conversa descontraída com os mesmos. Nesse momento, eles puderam falar um pouco sobre si, da escola, de suas primeiras impressões sobre a turma, da (não) importância da aula de inglês na sua vida pessoal, de suas trajetórias escolares, dentre outros aspectos. Eles optaram em adotar os seguintes pseudônimos: Trebor, Ágata, Lucas, Giovani, Eduardo e Lara. Os encontros com o grupo focal aconteceram em uma sala disponibilizada pela própria escola em horários em que os mesmos não tinham aulas no próprio turno em que estudavam ou em horário extraclasse previamente acordado com os mesmos e mediante autorização escrita dos responsáveis pelos mesmos. Na próxima seção, apresento uma descrição geral desses participantes.

3.3.3.1. Características gerais dos participantes do grupo focal

Verifiquei que esses alunos pertencem a famílias de baixa renda e toda sua trajetória educacional foi na escola pública, perpassada por reprovações. Os alunos veem no PAV uma saída para compensar esse problema.

Além disso, constatei que os alunos estão expostos e fazem uso constante de muitas tecnologias e diferentes tipos de texto, especialmente no celular e na internet. Eles se identificam com cantores de músicas populares, especialmente funk e programas de entretenimento na televisão. Eles têm pouco acesso a teatro, cinema e outras formas de entretenimento e lazer.

Sobre as aulas de inglês, percebi que os alunos gostam do professor embora poucos se sintam à vontade com as atividades propostas em sala e tampouco se identificam com aquelas atividades. Eles visualizam a importância da aprendizagem de inglês, sobretudo para o futuro com perspectiva meramente instrumental.

Posteriormente, na seção sobre análise e discussão sobre os dados dos alunos, descrevei os alunos, participantes do grupo focal separadamente.