2. Teori og tidligere forskning
2.4 Tidligere forskning
2.4.3 Politisk interesse
Por volta de 1733/36, o povoado começou a se desenvolver em torno dos ranchos que serviam de pouso para os tropeiros e aventureiros que passavam pela região, que estava localizada em uma rota de ligação que levava a região centro-oeste do país. Essa rota ligava o centro mineiro às paragens sertanejas de Mato Grosso e Goiás. As excelentes condições físicas locais, ligadas ao clima favorável, solo fértil e abundância de águas, contribuíram para a propagação do povoado e a instalação de moradores. Oliveira tornou-se, então, freguesia em 1832, vila em 1839 e foi elevada à cidade em 186163.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora de Oliveira teve sua edificação erguida provavelmente entre os anos de 1754 e 1758, porém, devido ao estado de degradação da igreja, em 1780, Padre Miguel Ribeiro da Silva, buscou auxílio financeiro junto à comunidade para erguer uma nova edificação, que teve a nave concluída em 1790, no entanto não existiam as torres nem o consistório. Posteriormente, numa parede em forma de arco, que viria a ser o arco-cruzeiro, foi construída a capela-mor64, e somente em meados do século XIX, entre 1848 e 1856,
com a criação da Irmandade do Santíssimo, foram construídas as torres e o consistório, e houve a recuperação do frontispício, que estava em ruínas. No adro da igreja foi construído inicialmente um cemitério, que hoje faz parte da Praça Quinze de Novembro, e que em 1840 foi transferido para a Praça do Cruzeiro. Em 1854, esse mesmo adro foi calçado65.
Em 1880, a edificação ameaça ruir novamente, isso devido às intervenções que foram sendo realizadas ao longo dos anos e que comprometeram a estrutura da edificação. Em 1919, segundo o Processo de Tombamento foi cogitada a demolição da igreja, devido ao alto custo que haveria para recuperar a estrutura, na qual a
63 IEPHA. Processo de Tombamento Igreja Matriz Nossa Senhora de Oliveira. Pág. 25-26.
64 Não existe documentação a respeito da data de construção da capela-mor, como descrito no
Processo de Tombamento.
sérios problemas estavam ocorrendo com a parede lateral da igreja que estava fora do prumo, a torre encontrava pendida e a cumeeira estava abalada.
A igreja está implantada num dos pontos altos da cidade, em um platô, e onde antigamente era o local de passagem dos viajantes que seguiam pela rota sentido Goiás. Foi construída em alvenaria de pedras, rebocada e pintada. Sua planta em formato retangular justaposto apresenta nave ladeada por torres redondas recuadas em relação ao frontispício, capela-mor com corredores laterais, sacristia locada atrás do retábulo-mor, Capela do Santíssimo e consistório. Por uma das torres é possível acessar o coro.
A cobertura em telhas de barro tipo capa e bica é feita em duas águas na nave a na capela-mor, porém o pé-direito desta última é um pouco menor que a primeira. A cobertura das outras partes, corredores laterais, consistório e Capela do Santíssimo, apresentam coberturas independentes, em uma só água e em um nível bem mais baixo que as do corpo da igreja.
O frontispício (FIGURA 93) é enquadrado por duas pilastras robustas de cantaria. No eixo central podemos verificar a presença do óculo envidraçado e que gera a inflexão da cornija que também recebe o tratamento em cantaria. A portada locada no centro com as duas janelas ao lado configuram a disposição do triângulo invertido, amplamente utilizado nas igrejas mineiras. Aqui as vergas aparecem em arco abatido e movimentadas. As janelas possuem balcões e guarda-corpo em ferro e as vergas em cantaria estão encostadas na cornija. A portada, também com arco abatido, é emoldura em pedra e recebe ao centro a imagem de Nossa Senhora de Oliveira.
O frontão com curvas e contracurvas sinuosas e interrompidas, se eleva acima da cornija, sendo emoldurado também em cantaria. As torres inteiras redondas e recuadas aparecem soltas em relação ao corpo da igreja. Ambas as torres são marcadas por pilastras que são interrompidas pelo prolongamento da linha do frontão e da cornija. As janelas sineiras, em arco pleno, são enquadradas em pedra. As fachadas laterais (FIGURA 93) apresentam aberturas com verga em arco abatido, emolduradas em cantaria, e junto à fachada posterior existe uma edificação.
FIGURA 93 – Fachada frontal e lateral da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Oliveira/ MG
Fonte: Acervo particular de Daniella Chagas, 2014.
No interior da igreja, são encontradas duas fases distintas (FIGURA 94) que foram adotadas: a primeira para a capela-mor com o Rococó, com a pintura do forro em perspectiva ilusionista e do retábulo-mor, em cores vibrantes em vermelho, azul e dourado, além das volutas retorcidas nas bases das colunas e alguns concheados na parte central; e a segunda para a nave, que apresenta uma sobriedade, com o forro pintado em tons neutros e lustres metálicos, além disso, existem também dois altares do arco-cruzeiro que apresentam a talha com motivos do estilo Rococó, pintada em tons bege, também de uma forma bastante simplificada66.
FIGURA 94 – Capela-mor e nave da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Oliveira/ MG
Fonte: Acervo particular de Daniella Chagas, 2014.
Analisando a tipologia da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Oliveira, podemos verificar que a planimetria adotada segue a mesma linha das igrejas mineiras do século XVIII. Seu partido simplificado se desenvolve no primeiro pavimento, apresentando somente o coro no segundo pavimento. Porém essa igreja apresenta tratamento curvilíneo para as torres, que são locadas atrás do frontão, características essas que podemos encontrar também, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e na Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto.
A presença do óculo, gerando a inflexão da cornija que movimenta o frontispício e aumenta a incidência de luz na igreja, também estava sendo aplicado na segunda metade do século XVIII, na modificação das matrizes ao novo gosto da Capitania, o Rococó, juntamente com as curvas e contracurvas sinuosas que também podemos verificar no frontão da Matriz de Oliveira.
O frontispício apresenta-se, portanto, mais movimentado, tanto pelas curvas e contracurvas do frontão, quanto pela cornija, e também pelas vergas em arco abatido e pela portada adornada e emoldurada em pedra, que cria também uma sobreverga movimentada dividida em três partes.
Internamente, podemos verificar a presenta do Rococó na capela-mor, como já descrito, nos retábulos-mor e na pintura em perspectiva do forro, com a presença de cores vivas em tons de vermelho, azuis e dourados, e em dois retábulos do arco- cruzeiro em tons neutros. Porém também encontramos outra fase, mais ligada ao Neoclassicismo, na decoração da nave, onde as pinturas são em tons neutros, tanto nas paredes como no forro. A incidência de luz é direta, feita através do óculo e pelas janelas da nave e da capela-mor.