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Em relação aos sistemas de entretenimento a bordo podemos destacar três tipos: os sistemas de áudio, os sistemas portáteis (figura 12) e os sistemas de áudio e vídeo acoplados (figura 13).

Os sistemas de áudio possibilitam às companhias aéreas disponibilizar canais de música aos passageiros, os quais utilizam um controle instalado no apoio de braços da poltrona para escolher aquilo que desejam escutar (APEX, 2011).

Em relação aos sistemas de áudio e vídeo acoplados, existem aqueles que são coletivos (telas de vídeo instaladas abaixo dos bagageiros, overhead Bin, ao longo de toda cabine) e os sistemas individualizados (telas de vídeo individuais instaladas na região posterior do encosto das poltronas ou nos apoios de braço). Os sistemas individualizados podem se caracterizar como sistemas de áudio e vídeo sob demanda (AVOD), os quais oferecem maior controle da programação ao passageiro (LUI-KWAN, 2000).

De acordo com Lui-Kwan (2000) a estrutura de um sistema de entretenimento típico abrange equipamentos e servidores acondicionados em racks. Estes equipamentos possibilitam o controle de todo o sistema e ainda fazem a interface com todos os outros sistemas aviônicos, fornecendo as fontes de mídias de entretenimento. Além disso, os sistemas incluem os equipamentos que fazem a distribuição dos conteúdos até cada assento. Atualmente a transmissão dos conteúdos pode ser analógica ou digital, esta última, ocorre principalmente quando são implantados sistemas AVODs.

Por fim, existe ainda o equipamento instalado nas poltronas ou no bagageiro. Quando instalado na poltrona compreende uma caixa eletrônica (seat electronic boxes (SEB), em geral instalada próximo a base da poltrona), a qual finalmente fornece um processador para cada poltrona. Cada caixa armazena o processador de um grupo de duas ou três poltronas. Os processadores, basicamente, executam uma versão customizada do MS

Fonte: Aircraft Interiors, p.80. Fonte: IMS, 2011

Figura 12: Sistema de Entretenimento Portátil Figura 13: Sistema de Entretenimento AVOD

Windows. Entretanto, de acordo com os conteúdos oferecidos podem ser necessários outros sistemas de operação, principalmente quando são disponibilizados jogos. Além disso, o sistema inclui para cada poltrona um fone de ouvido; um controle, que pode funcionar para controlar a programação e jogos e, também como telefone e leitor de cartão de crédito; e uma tela de vídeo LCD (liquid crystal display), que pode ser instalado na região posterior do encosto ou no apoio de braço (LUI-KWAN, 2000).

Além dos sistemas acoplados, uma solução que vêm ganhando espaço na indústria de entretenimento são os sistemas portáteis. Essa mudança foi, em parte, conduzida pela tendência de portabilidade no mercado de tecnologias de consumo (GETHIN, 2007b).

Estes sistemas oferecem as companhias aéreas uma alternativa de custos reduzidos em instalação e adaptação à aeronave. Além disso, estes dispositivos adotam as últimas novidades em tecnologia, oferecendo conteúdos de alta qualidade, bateria de longa duração, ou ainda alimentação de potência por meio das tomadas disponibilizadas nos assentos. Os sistemas portáteis possuem baixo peso quando comparados aos sistemas tradicionais, contribuindo para a redução de peso na cabine (RASMUSSEN, 2009; GETHIN, 2007b; BOCKELMAN, 2008).

Diferentemente do que ocorre com os sistemas acoplados, na existência de uma falha que pode comprometer o serviço em toda cabine ou ao menos em parte desta e demandar certo tempo para identificação e solução do problema, nos sistemas portáteis é fácil e rápida a substituição (RASMUSSEN, 2009).

Entretanto, não apenas dispositivos de IFE portáteis, mas também equipamentos desenvolvidos para uso pessoal têm sido adotados pelas companhias aéreas, tais como tablets, equipamentos de DVD portáteis ou consoles de videogame (GETHIN, 2007b), seguindo ainda mais a tendência no mercado de eletrônicos. As figuras 14 e 15 apresentam algumas opções de dispositivos eletrônicos pessoais que são disponibilizados por algumas companhias aéreas aos passageiros enquanto um recurso de entretenimento a bordo

No que se refere aos tipos de controle adotados por estes sistemas, tanto em relação aos dispositivos acoplados quanto aos portáteis, observa-se o uso de controles do tipo

touch screen ou controles remotos tradicionais. Nestes primeiros, o passageiro faz as escolhas da

programação de entretenimento a partir de toques na tela, enquanto que nos controles tradicionais são utilizados botões para navegação no sistema. Ambos os sistemas são apresentados nas Figuras 16 e 17.

Os sistemas touch screen visam uma interação amigável com os passageiros, acompanhando a tendência nos eletrônicos de consumo. Porém, podem afetar a interação dependendo da força exigida no toque e não são tão bem vistos quando se trata de jogar por meio do sistema, apesar de existirem jogos desenvolvidos exclusivamente para sistemas com este tipo de controle. Por outro lado os controles remotos são mais tradicionais e sua utilização é mais simples, além disso, estes podem ainda funcionar como leitor de cartão de crédito e telefone.

No entanto existem ainda opções que integram a tecnologia touch screen e o controle remoto. Alguns sistemas, em geral, disponibilizados por companhias aéreas específicas e na primeira classe ou classe executiva, podem ser controlados por controles remotos com tecnologia sem fio e interface de toque em um display colorido. Estes servem não apenas para controlar o sistema de IFE, mas também para a regulação e funções de massagem da poltrona, para controle da iluminação e ainda, para enviar mensagens de texto e email, jogar através do sistema e telefonar (via satélite) (AIRCRAFT INTERIORS INTERNATIONAL, 2007, p. 18).

Fonte: Apple Inc.

Fonte: WInove Figura 14: Tablet Apple.

Dentre as principais expectativas em relação aos sistemas de entretenimento, verifica-se que a indústria está buscando melhorias em termos de redução do peso, do número de componentes e do consumo de energia dos sistemas, o que resultaria, principalmente em uma economia de espaço e combustível, fatores críticos na aviação comercial (PARK, 2009).

Nesse sentido, um importante avanço seria o uso de redes sem fios, o que traria a eliminação de uma vasta rede de cabos, bem como favoreceria o rápido fluxo de dados entre os diferentes equipamentos na cabine, incluindo os dispositivos eletrônicos dos passageiros (PARK, 2009).

Com vistas para a redução da complexidade associada aos componentes e a instalação dos sistemas de IFE e das poltronas, principalmente no que se refere à economia de peso, à otimização das condições elétricas das poltronas, à eliminação da necessidade de servidores (como as caixas colocadas embaixo dos assentos) e à simplificação da manutenção, os fornecedores de sistemas de entretenimento e poltronas estão buscando soluções mais integradas (FITZSIMONS, 2009).

Como exemplo, podem ser citadas as telas de vídeo que oferecem no menu uma opção para chamar os comissários, regular a iluminação individual, acoplar o conector de áudio ou mesmo uma conexão USB, de modo que não é necessária uma unidade de controle separada ou no apoio de braço da poltrona (FITZSIMONS, 2009).

Outros dos principais avanços buscados por meio desta integração são, por exemplo, a ampliação do espaço pessoal do passageiro por meio da redução da espessura dos encostos e eliminação das caixas de entretenimento abaixo das poltronas. As telas de entretenimento também estão se tornando mais finas, requerem menos potência e geram

Fonte: Aircraft Interiors, p. 127. Fonte: Beyond Digital Media

Figura 17: Controle remoto acloplado à poltrona Figura 16: Controle touch-screen

menos calor, facilitando o mecanismo de resfriamento. Além disso, as telas apresentam melhores ângulos de visão, o que possibilita a eliminação do mecanismo de inclinação e regulação, favorecendo a redução de peso e de custos (FITZSIMONS, 2009).

Investimentos na interface do usuário com o sistema, visando uma navegação facilitada na vasta gama de opções de entretenimento, bem como um acesso mais intuitivo e eficiente são também aspectos discutidos na indústria.

2.3.3 Preferências dos passageiros quanto às atividades de entretenimento na cabine