4.10 A note on standard errors
5.1.1 The political environment
A UMIC24 menciona as legislações e as estatísticas relativamente a vários eixos como: educação e formação, sociedade e cidadania, inclusão e acessibilidade, conhecimento, empresas, serviços públicos, observação e benchmarking entre outros.
24 Agência para a Sociedade do Conhecimento, IP, é o organismo público português, criada em Janeiro de 2005, sucedendo à anterior Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC). A sua missão é coordenar as políticas para a sociedade da informação e mobilizá-la através da promoção de actividades de divulgação, qualificação e investigação, promover o desenvolvimento tecnológico e a criação de
Em oito anos, o número de computadores duplicou nos agregados familiares realçando uma maior percentagem de computadores portáteis (ver figura 1 dos Anexos A). Isto pode significar que as pessoas preferem comprar portáteis pelas razões óbvias (maior mobilidade, tamanho mais compacto) mas também porque o seu custo veio diminuindo devido à rápida obsolescência dos equipamentos. Por outro lado, as pessoas aderiram aos programas de formação, de validação e certificação de competências, aos percursos de aprendizagem ao longo da vida, que permitem a compra mais facilitada e mais barata de portáteis assim como um serviço de ligação à Internet.
Poder-se-á constatar que nos agregados familiares o acesso à Internet por Banda Larga é cada vez mais usual, o que significa também que há mais oferta (ver figura 2 dos Anexos A).
Denota-se uma crescente utilização da Internet em qualquer faixa etária realçando que em 2010, atingiu mais que 80% os escalões 16-54 anos nos três níveis de escolaridade (ver figura 3 dos Anexos A). Relativamente à faixa etária 55-74 anos, são as pessoas com o ensino superior que ultrapassam os 80% seguido de perto pela mesma faixa etária com o ensino secundário. Seria interessante a distinção entre o activo e o aposentado25 para entender melhor a utilização da Internet numa geração “afastada” das novas tecnologias. Os dados da faixa etária 55-74 anos com o 3º ciclo chegam aos 10% em 2010 o que indica claramente uma parca formação nas novas tecnologias.
Os autores Maria de Lurdes Rodrigues e João Trocado da Mata (2003), após a análise do Inquérito à Utilização das TIC pela População Portuguesa (UMIC, 2002), constataram que é mais relevante o nível de instrução do que a idade perante a utilização do computador e da Internet. “Tal permite, por um lado, contrariar algumas ideias feitas sobre o efeito geracional no uso das TIC, pela demonstração que é menos uma questão de idade e mais uma questão de qualificação. Por outro lado, a elevada correlação do uso das TIC com o nível de instrução não pode deixar de merecer uma referência a segmentações sociais tradicionais que, não apenas, não são superadas com as transformações associadas à difusão das TIC, como poderão ser tendencialmente confirmadas e reproduzidas nas oportunidades eventualmente criadas pelo acesso a estes novos meios” (2003:168).
Os autores definem três tipos de utilizadores: os naturais (muito familiarizados com as novas tecnologias), os críticos (fracas condições de utilização das TIC) e os potenciais (pouca utilização, representam metade da população activa, em 2002, com o 1º e 3º ciclos de escolaridades, sendo objecto de estímulos à massificação do acesso e do uso da TIC).
Os autores concluem que “o nível de escolaridade dos indivíduos, a situação profissional e exigências ou qualificação dos postos de trabalho, o custo do equipamento e de ligação à internet constituem-se como factores sociais e económicos condicionantes das medidas de intervenção política visando a generalização e massificação do uso de tecnologias de informação e comunicação” (2003:176). O aumento da escolaridade dos portugueses é um
conhecimento por entidades do sistema científico e tecnológico e por empresas, e estimular o desenvolvimento da e-Ciência. http://www.umic.pt/
factor decisivo para uma maior competitividade no mercado de trabalho logo as iniciativas para a aquisição de um computador com ligação à Internet foram um instrumento estratégico cujos frutos se repercutiram nos anos seguintes e ainda hoje. Deste modo, os autores entendem que as questões da sociedade de informação são um problema político e sociológico. Referem um outro autor Lyon26 que se debruçou sobre a análise sociológica dos
processos de mudança relativos à sociedade de informação; “(…) identificação dos interesses envolvidos e das relações de poder no controlo do desenvolvimento tecnológico, na análise das desigualdades persistentes, bem como na identificação dos impactos negativos, designadamente, sobre o emprego e as oportunidades de participação política ou de cidadania” (2003:162).
Dados mais recentes foram extraídos do estudo sobre “A Utilização de Internet em Portugal 2010” no Quadro do “World Internet Project”27. Serão citados os mais relevantes para este
capítulo. A actividade mais realizada em Portugal é o envio e recepção de e-mails (89%), seguido por 75% nos serviços de instant messaging. As redes sociais são a terceira actividade de comunicação, usadas por 56% dos utilizadores. Em relação às pesquisas: 69% dos utilizadores procuram notícias; 40% pesquisam informação em enciclopédias online, como a Wikipedia. A procura de conteúdos humorísticos (35%), de informação sobre saúde (34%) e a leitura de blogues (33%) são actividades de cariz informativo praticadas por um terço ou mais dos internautas portugueses. Na categoria de bens e serviços, as actividades mais praticadas prendem-se mais com a procura de informação (47%) do que com a realização de transacções electrónicas; aproximadamente um quinto (21%) lê críticas de outros utilizadores. Um quinto dos internautas (20%) faz pagamento de contas online, enquanto 18% utiliza serviços de ebanking. A compra bens ou serviços restringe-se a 18% dos internautas. A partilha de conteúdos criados ou editados pelo utilizador é praticada por 36% dos internautas portugueses. Os conteúdos gerados por grande parte dos utilizadores (30%) são actualizações de status em programas de instant messaging ou em redes sociais, ou comentários em blogues ou murais de outros internautas (25%). O upload de fotografias é praticado por menos de um quarto (24%) dos utilizadores de Internet. As redes sociais são utilizadas por 56% dos internautas em Portugal, de acordo com os dados relativos a 2010. O Hi5 continua a ser a rede social mais utilizada (por 43% dos internautas). O Facebook é segunda rede mais utilizada, com 40% de internautas de Portugal inscritos no primeiro trimestre do ano. Quase metade dos utilizadores de redes sociais (45%) declarou ter mais de 100 amigos na sua rede de contactos. Nos sites de redes sociais, 78% dos utilizadores declararam ter maioritariamente pessoas de conhecimento pessoal na sua lista de amigos virtuais. Foram 22% os respondentes que declararam estar maioritariamente relacionado com pessoas que não conhece pessoalmente. Quanto aos motivos para aderir a uma rede social: a possibilidade de manter contactos à distância (88%), o sentido de proximidade e pertença: o facto de a maioria das pessoas conhecidas já estar inscrita levou 84% dos utilizadores de redes sociais a inscrever-se.
26 Lyon, David (1988b, 1992), A Sociedade da Informação, Oeiras, Celta Editora.
A possibilidade de partilha (de pensamentos, comentários, vídeos e fotos) na plataforma foi indicada por 84% dos utilizadores. O fortalecimento de laços sociais já existentes offline foi apresentado por 80% dos utilizadores como motivo para inscrição numa rede social. Logo abaixo estão os utilizadores que aderiram porque foram convidados (80%). A intenção de conhecer novas pessoas motivou 79% dos utilizadores de redes sociais a aderir a estas. Os motivos profissionais surgem no fundo da lista, enunciados por apenas 40% dos actuais utilizadores de uma das redes sociais na net.
A partir de uma reflexão sobre estes dados, poder-se-á emitir algumas conclusões. Os portugueses aderiram à utilização da Internet por razões profissionais (procurar informação, correio electrónico) mas também pessoais (instant messaging, redes sociais). Em relação à compra de bens e serviços através da Internet, ainda não há uma grande confiança. Contudo a Internet é uma grande ferramenta que revolucionou a forma de trabalhar, de comunicar, de pesquisar e de partilhar informação.