(1) We do not need information about the distribution of costs in an oligopoly
2.3 Political corruption
A comparação dos SNI do Japão e da URSS permitem servir de exemplo à relevância das interacções sistémicas para o desempenho da economia. No princípio, nos anos cinquenta e sessenta, o sucesso japonês era simplesmente atribuído à cópia, imitação e importação de tecnologia estrangeira e as estatísticas da chamada balança de pagamentos tecnológica eram frequentemente citadas para apoiar este ponto de vista. Elas mostravam um enorme défice nas transacções japonesas para concessão de licenças e importação e exportação de “know-how” e um correspondente excedente para os EUA. As despesas japonesas em I&D industrial como uma proporção da produção líquida industrial civil ultrapassaram as dos EUA nos anos setenta e a I&D civil total como fracção do produto nacional bruto (PNB) ultrapassava os EUA nos anos oitenta (ver quadro I.1.). O desempenho japonês pode ser explicado em termos de intensidade de I&D, especialmente porque a I&D japonesa estava altamente concentrada nas indústrias civis de crescimento rápido, como a electrónica. As estatísticas sobre patentes
mostraram que a liderança das empresas electrónicas japonesas ultrapassaram as empresas europeias e americanas destas indústrias, não só no patenteamento doméstico mas em patentes tiradas nos EUA (Patel e Pavitt, 1991a e Freeman, 1987).
Embora estas grosseiras medidas de investigação e actividade inventiva indicassem o enorme crescimento nas actividades científicas e técnicas japonesas, não explicavam como estas actividades levavam a uma maior qualidade dos novos produtos e processos (Grupp e Hofmeyer, 1986; Womack, Jones e Roos, 1990), a menores tempos de liderança (Graves, 1991; Mansfield, 1988) e a uma difusão mais rápida de tais tecnologias como a robótica (Mansfield, 1989). Além disso, o exemplo contrastante da (então) União Soviética e de outros países da Europa de Leste mostraram que simplesmente afectar muitos recursos à I&D, por si só, não garante inovações, difusões e ganhos de produtividade bem sucedidos. Era óbvio que factores qualitativos afectos aos sistemas nacionais tinham de ser levados em conta assim como os indicadores puramente quantitativos.
Algumas das principais diferenças entre os dois sistemas nacionais do Japão e a União Soviética e a sua forma de funcionamento nos anos setenta estão sintetizadas no quadro I.2.
Quadro I.2. Comparações dos sistemas nacionais de inovação: anos setenta
Japão URSS Elevado rácio DBID/PNB (2.5%)
Proporção muito baixa da I&D militar/espacial (<2% da I&D)
Rácio DBID/PNB muito elevado (4%) Proporção extremamente alta da I&D militar/espacial (>70% da I&D) Alta proporção da I&D total ao nível empresarial
e financiamento da empresa (aprox. 67%)
Baixa proporção da I&D total ao nível empresarial e financiamento da empresa (<10%)
Forte integração da I&D, produção e importação de tecnologia ao nível empresarial
Separação da I&D, produção e importação de tecnologia e fracas ligações institucionais Fortes ligações consumidor-produtor e ligações a
redes de sub contratadores
Ligações fracas ou não existentes entre marketing, produção e procura
Fortes incentivos para inovar ao nível empresarial envolvendo a gestão e força de trabalho
Alguns incentivos para inovar fizeram aumentos nos anos 60 e 70 mas compensados por outros desincentivos negativos afectando a gestão e força de trabalho
Intensa experiência de concorrência em mercados internacionais
Exposição relativamente fraca à concorrência internacional excepto na corrida ao armamento Fonte: Freeman (1995), pág. 12.
O contraste mais notável foi o grande empenhamento da I&D Soviética às aplicações militares e espaciais, com pouco retorno directo ou indirecto para a economia civil. A ânsia de acompanhar os EUA na corrida às armas super poderosas fez com que cerca de três quartos dos volumosos recursos de I&D soviéticos fossem para a investigação na defesa e do espaço. Deste montante, cerca de 3% do PNB, apenas restou 1% para a I&D civil. Este rácio I&D civil/PNB era menos de metade da maioria dos países do ocidente e muito mais pequeno que o rácio japonês (ver quadro I.1.).
Todavia, poderia ter sido muito mais produtivo se as ligações sociais, técnicas e económicas no sistema e os incentivos para um desempenho eficiente tivessem sido mais fortes. O sistema soviético cresceu numa base de separação dos institutos de investigação dentro do sistema académico (para a investigação fundamental), para cada sector da indústria (para I&D adoptada/aplicada), e para a concepção e importação de tecnologia (as organizações de planeamento) (Barker e Davies, 1965; Amann et al., 1979). As ligações entre todas estas diferentes instituições e a I&D ao nível empresarial permaneceram fracas apesar de sucessivas tentativas, nos anos sessenta e setenta, de reformar e melhorar o sistema. A I&D ao nível empresarial continuou muito fraca na indústria civil.
Vários incentivos negativos no sistema soviético retardaram a inovação ao nível empresarial (Gomulka, 1990), tal como a necessidade atingir objectivos quantitativos de produtos planeados. Assim, visto que a integração de I&D, produção e importação de tecnologia ao nível da empresa era a característica mais forte do sistema japonês (Baba, 1985; Takeuchi e Nonaka, 1986; Freeman, 1987), esta era muito fraca na União Soviética excepto na indústria da aeronáutica e outros sectores da defesa. Finalmente, as ligações entre consumidor e produtor, que eram importantes na maioria dos outros países industrializados, eram muito fracas ou quase não existentes em algumas áreas na União Soviética.
Existiam algumas características dos seus sistemas nacionais nas quais ambos os países se assemelhavam, e ambos gozaram de altas taxas de crescimento económico nos anos cinquenta e sessenta. Tinham bons sistemas de educação com uma grande proporção de jovens a participar na educação terciária e com grande ênfase na C&T. Tinham métodos de gerar objectivos e perspectivas de longo prazo para o sistema de C&T, mas no caso do Japão as visões de longo prazo eram geradas por um processo interactivo envolvendo não só o Ministry
também indústrias e universidades (Irvine e Martin, 1984). Na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) o processo era mais restrito e amplamente dominado por exigências militares e espaciais.