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Political Background

Na análise das opiniões sobre as características que o aluno precisa desenvolver para realizar o percurso de estudo à distância percebe-se a visão rígida de comportamento, que se traduz na predominância da fala disciplina e busca de foco.

A posição que ele ocupa nessa trajetória é de estudante que precisa perseverar para concluir o curso, tendo como lugar social a distância do professor.

O discurso não especifica a prática de estudo com o caráter da educação à distância, como sugere a questão, que poderia, por exemplo, enfocar a liberdade para pesquisar dentro de um tempo programado, do despertar de curiosidades ou de interesses por conteúdos significativos à prática profissional. Mas, ao contrário disso, mostra que a auto exigência manifestada pela disciplina e a busca de foco, de conotação rígida, é a postura norteadora que organiza a realização do estudo. O sentimento de auto exigência, aponta para uma cobrança de si mesmos para serem eficazes, como representa a fala: disciplina para estudo constante. Mostra o conflito caracterizado pela produção do comportamento de controle, diferente de uma postura livre que conduz a construção de autonomia.

Faz pensar que a auto exigência está relacionada a um mecanismo de punição, diferente de uma organização pessoal integrada que promove tranquilidade e bem-estar. Cruz e Freitas (2011, p. 38) trazem o discurso relacionado à disciplina com referências ao pensamento de Foucault, como forma de expressão de uma sociedade disciplinar, punitiva, refletida na escola controladora:

(...) “análises de Foucault referentes a formação da sociedade disciplinar compreendendo o funcionamento de suas formas de vigilância e punição em nossa sociedade, sendo o foco principal, a escola e suas relações de controle e vigilância.” (cit. in Cruz e Freitas 2011, p.38)

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De acordo com o pensamento de Michel Foucault, a disciplina é compreendida como um fator imposto pela sociedade e reproduzido pela escola. Entende-se, a partir disso, que a disciplina esteja relacionada ao controle, que estimula o autocontrole do próprio indivíduo, sob a forma de um comportamento assimilado e condicionado, como estratégia apropriada para cumprir um determinado objetivo.

Não existem diferenças significativas de opiniões entre os alunos, pois as falas se dirigem ao desejo de concluir o mestrado, como a exemplo dessa colocação: Persistência, determinação, querer muito ver o sonho realizado na essência. A diferença que aparece entre as respostas não é antagônica ao sentido de expressões que se referem ao prazer de estudar, houve menções relacionadas à: organização de tempo, paciência, comprometimento e concentração, o que não caracteriza o sentimento de liberdade para produzir um estudo fluente, agradável e significativo.

Além da predominância de falas relativas à “disciplina e foco”, também levantam necessidades de se situarem por onde começar ou como realizar os estudos estando distante dos colegas e dos professores. Comentam sobre a gestão do tempo para organizar as tarefas diárias, relacionadas ao trabalho e a outras atividades domésticas, sendo obrigados a protelar os estudos em função desses afazeres.

Outro aspecto relatado é referente à falta de concretude para efetivação do estudo, ou seja, falta de constatação de fatos do cotidiano que interfiram na realização dos mesmos, sem a consciência dos motivos que os impedem de estudar, como a fala: A pessoa vai protelando os estudos e priorizando outras coisas; ainda me falta a capacidade de focar em um assunto.

Outro dado relevante é o estabelecimento de metas como estratégia de organização, inclusive em função do prazo que pode se esgotar para a defesa da dissertação. Persistência e perseverança também são mencionadas, e com menor frequência aparece a paciência e o controle da ansiedade. Apenas uma fala mencionou a autonomia, sem explicar o caráter da mesma.

Esses posicionamentos explanam os significados relacionados às posturas construídas durante a escolarização e às normatizações que a sociedade determina, como adequadas para a vida escolar do estudante. A ênfase das falas está na disciplina como valor determinante para o sucesso escolar e profissional.

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Esse significado de disciplina, no sentido de controle, imposto pela sociedade, é introjetado pelo aluno. Essa perspectiva induz a crença de que existe relação direta entre o prazer e a imposição para estudar, no entanto, percebe-se que o conflito está intimamente ligado a este princípio, que mostra a ambivalência entre o prazer e a frustração na vivência das práticas dos estudantes.

Essa questão sugere o levantamento de características necessárias para o percurso de estudo à distância, porém, o discurso fica desconectado desse significado, pois se traduz em comportamentos caracterizados pela imposição de posturas. As falas se referem ao sentido relacionado ao estudo verticalizado e controlador da pedagogia tradicional, como é também mencionada a falta da proximidade do professor e dos colegas, como fonte de estímulo para se motivar e se orientar: Disciplina e motivação, pois distante do grupo e dos professores preciso ser mais focada; Desânimo e preguiça. É possível interpretar nesta fala, que o significado do estudo à distância não tem a autonomia como fator norteador para efetiva-lo, inclusive sem recorrer à liberdade para desenvolver o estudo com tranquilidade. Costa (2012, p. 17-18) apresenta os pensamentos de Imannuel Kant relacionados à educação, quando este questiona as posições castradoras em forma de disciplina, contrárias às práticas de autonomia, que permitem o pensar com liberdade.

As etapas anteriores configuram a Análise Sociológica do Discurso a partir da postura de controle dos alunos que cobram de si uma disciplina advinda da sociedade disciplinar e punitiva, como aponta Michel Foucault, condutas refletidas e adotadas pela escola tradicional. As análises mostradas nessa etapa, baseadas nessa questão do questionário, indicam a falta que os alunos sentem do professor e dos colegas quando estão distantes deles. Essa falta da presença dos mesmos conota necessidade de segurança e proteção. A análise indica que os referenciais teórico-práticos da modalidade de estudo, na qual estão inseridos, não estimulam a criação de recursos próprios que gerem autonomia, os quais são esvaziados de estímulos para a produção de condutas a partir dos pensamentos e comportamentos livres.

Percebe-se que os alunos construíram o paradigma de estudo com base na rigidez de comportamento e de organização obsessiva, bem como de afetos inconscientes calcados na subestima, comumente visto nas escolas tradicionais que tem a disciplina, ordem e punição como condição para a aprendizagem. A liberdade de pensamento e de

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expressão, como elementos norteadores da felicidade do indivíduo não aparece, e muito menos a produção de aprendizagens relevantes para a vida pessoal e profissional.

É possível, a partir dessa análise, inferir que o estilo de aprendizagem, com base na liberdade de pensar para realizar o estudo à distância não está definido, ou se define pela imposição de um comportamento de caráter rígido. O estudante desenvolve assim a fixação em comportamentos que se revelam em disciplina.

Esse discurso está ancorado nos elementos que a sociedade determina ao indivíduo como sendo práticas obrigatórias ao cotidiano, e tendo base no compromisso com as demandas do trabalho, estes que não permitem tempo nem espaço para o estudo e o aprimoramento.