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Na Tabela 37 são apresentados os resultados de correlações de Pearson e de Spearman para valores de CMC dos genitores componentes do dialelo, entre as gerações de endogamia. Em geral, as duas medidas de correlação foram concordantes, com um número muito pequeno de resultados diferentes. Ficou evidenciado que o efeito das capacidades de combinação é

complexo, podendo se alterar durante o avanço de gerações, principalmente quando for acompanhado pela prática de seleção.

Para PG (Tabela 37), a estimativa da correlação de Pearson entre gerações foi relativamente alta, oscilando de +0,72** a +0,88**da geração F2 até a geração F2:5, geração na

qual foi realizada seleção e abertura de linhagens. A partir da geração F5:6 não foram

observadas correlações significativas com a geração F2, evidenciando a dificuldade da predição

de cruzamentos superiores em gerações iniciais com a finalidade de se obter linhagens puras em gerações avançadas. No decorrer do avanço das gerações de endogamia foram realizados sucessivos ciclos de seleção entre as progênies e também dentro de progênies F2:5, que aliado a

fatores como baixa herdabilidade da PG, interações genótipos x ambientes e o próprio efeito do aumento da endogamia podem ter ocasionado a falta de correlação entre as CMC das gerações, a partir de F5:6. Do ponto de vista prático, muitas vezes há fatores limitantes em um programa

de melhoramento, os quais tornam impossível conduzir todos os cruzamentos até que se possa selecionar linhagens puras em gerações avançadas. Desta forma, mesmo para caracteres de baixa herdabilidade como a PG, a utilização de estudos de capacidade combinatória tem papel importante na orientação da escolha de genitores com maiores probabilidades de apresentar alta proporção de alelos favoráveis e que apresentem melhor complementação com outros genitores.

Apesar de não contar com dados na geração F2, observa-se na Tabela 37 que as

correlações entre as gerações foram maiores (+ 0,79** a + 0,95**) para PCS quando comparadas às de PG. O PCS é um caráter de fácil mensuração e geralmente apresenta herdabilidades moderadas a altas (Tabela 6), fato este que pode ter acarretado em estimativas significativas das correlações entre gerações.

Outro ponto em destaque nas análises de PCS é a tendência de redução nas magnitudes da correlação com o avanço das gerações. A correlação é maior entre F2:4 e F2:5 (0,93), porém

caiu gradativamente entre F2:4 e F5:6 (+0,91**) e ainda mais entre F2:4 e F5:7 (+0,79**). Apesar de

ocorrerem algumas exceções, os demais caracteres avaliados demonstraram seguir tendência semelhante, indicando que quanto maior a distância entre as gerações, menor a probabilidade de se encontrar correlações entre as CMC.

Ainda na Tabela 37, são observadas correlações positivas e relativamente altas (+0,66** a +0,96**), entre a maioria das gerações para NDM. A princípio, a alta correlação das CMC entre diferentes gerações indica ser possível iniciar a seleção de genótipos quanto ao ciclo desejado em gerações iniciais. Todavia, é recomendável esperar pelo menos até a geração F3

controlam o ciclo (genótipos recessivos como p.ex. e6e6 para ciclo tardio; BONATO; VELLO,

1999a) e os poucos genes recessivos responsáveis pelo fenótipo período juvenil longo (KIIHL;GARCIA, 1989). O aparecimento de plantas tardias em gerações mais avançadas também pode ocorrer devido à resposta correlacionada à seleção, em consequência da correlação positiva entre ciclo e PG (r = 0,58** obtida por PINHEIRO, 1998; r = 0,04ns segundo CASA-LEAL, 2015; r = 0,49** estimada neste trabalho) e da prática frequente de seleção para maior PG. Esta tendência de aparecimento de plantas mais tardias com o avanço das gerações de endogamia depende das condições ambientais (fotoperíodo principalmente), dos genes que controlam o ciclo e, também, do tipo de população em estudo. Por exemplo, na geração F2 de 45 cruzamentos entre genitores precoces (dialelo completo 10 x 10), Freire e

Vello (1989) observaram a tendência da heterose do NDM ser negativa (média = -5,1%; mínimo = - 18,7%; máximo = 3,4%), fato este que também pode favorecer o aparecimento de plantas mais tardias nas gerações mais avançadas.

O caráter NDM normalmente apresenta estimativas altas de herdabilidade (BONATO; VELLO 1999b e Tabela 06); realmente, as estimativas obtidas no presente trabalho foram

sempre superiores a 0,85**(Tabela 8, 10 e 13, Figura 4), o que reforça a hipótese de que caracteres com maiores herdabilidades possuem maior tendência de apresentar correlações significativas para as CMC entre diferentes gerações de endogamia. O mesmo ocorreu para APM e AC, que apresentaram correlações significativas das CMC entre todas as gerações estudadas, juntamente com elevados valores de herdabilidade.

Para VA, as correlações das CMC entre a maior parte das gerações foram não- significativas (Tabela 37), com exceção de três correlações significativas entre F2 e F2:5

(+0,58*), entre F2 e F5:6 (+0,59*) e entre F5:6 e F5:7 (+0,75*). Essa maior tendência de

correlações não-significativas entre gerações pode ser relacionada à complexidade do caráter VA que, apesar de apresentar herdabilidades de moderadas a altas, é resultante de uma série de outros caracteres considerados simultaneamente na avaliação por meio de notas visuais.

Ainda na Tabela 37, a correlação de Pearson das CMC entre F5:6 e F5:7 mostrou

tendência de aumento com o avanço da infestação da ferrugem, ou seja, entre as três notas de severidade de ferrugem: 0,37ns para NF1; 0,61* para NF2 e 0,80* para NF3. A mesma tendência ocorreu para a correlação de Spearman. Certamente, este fato é mais uma evidência favorável para se dar preferência para se avaliar a severidade em uma fase mais avançada da infestação de ferrugem. Além disso, conforme comentado anteriormente para APM e AC,

percebe-se haver uma tendência de caracteres com maiores herdabilidades apresentarem maiores magnitudes de correlações entre as CMC em diferentes gerações.