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Poistioning Strategy

In document Daily naturals (sider 62-73)

O assunto que trata sobre recurso financeiro é um ponto crítico na pesquisa. Todos os empresários reclamaram da falta de apoio por parte das diversas instituições tidas como parceiras. Quer sejam os bancos (públicos ou privados), quer seja o poder público (representado pela Prefeitura Municipal ou pelo Governo do Estado), quer seja o próprio Sebrae que atuava como gestor do projeto, nenhum deles atendeu às expectativas dos

empresários quando se tratou do recurso ―dinheiro‖.

Para os empresários, a alavancagem financeira era a principal contribuição que o Projeto Promos poderia ter dado ao desenvolvimento do pólo. Todos os outros problemas, na visão deles, seriam resolvidos se houvesse apoio financeiro aos empresários. De fato, quando se observa as ações do projeto desenvolvidas nesta área, percebe-se uma atuação modesta, um processo evolutivo lento, que quase nada desenvolveu no sentido de buscar e garantir estes recursos. Antes porém, para uma análise detalhada sobre esse ponto tão polêmico é preciso entender a estrutura do pólo e o histórico do comportamento dos empresários, além das questões burocráticas exigidas pelas instituições que poderiam, a princípio, disponibilizar recursos financeiros para estas empresas.

Primeiro ponto em questão, o projeto em si não dispunha de recursos financeiros para serem disponibilizados aos empresários. Não de forma direta. Os recursos financeiros destinados ao projeto seriam, e assim o foram, destinados através de ações, como pagamento de profissionais técnicos, por exemplo, capacitados e que pudessem desenvolver as ações que

haviam sido planejadas pela coordenação, a própria coordenação do projeto, o custeio de parte das ações desenvolvidas no eixo de Informação e Acesso a Mercado, como missões e eventos no país e no exterior, entre outras.

A oferta de recursos financeiros previstos no projeto para os empresários do pólo, foi praticada através da capacitação dos empresários no sentido de que estes fossem habilitados para atender às exigências das instituições detentoras de recursos financeiros e, só a partir daí, os recursos seriam disponibilizados. Neste sentido, é importante entender o lado das instituições financeiras. O principal produto ofertado por toda e qualquer instituição que atue neste segmento, é o dinheiro. Sendo assim, é óbvio que os bancos tem interesse de disponibilizar recursos para quem quer seja, pessoas físicas ou pessoas jurídicas, no entanto, através de uma relação confiável. O que nem sempre ocorria com os empresários do pólo de Patos.

O Sebrae não tinha nenhuma linha de financiamento prevista nas ações do projeto, os governos municipais e estaduais não foram envolvidos suficientemente ao ponto de destinarem algumas ações neste sentido, restavam portanto, as instituições financeiras, os bancos públicos e privados.

Analisando a situação das empresas que compunham o grupo de vanguarda, apenas uma havia conseguido empréstimo bancário em fase anterior ao projeto, o que representava um desafio para a equipe técnica. Os recursos estavam disponíveis, os bancos queriam disponibilizá-los, mas exigiam garantias, o que era perfeitamente justo. Caberia às empresas reunirem condições para que pudessem adquirir tais recursos.

Neste caso específico, onde uma das empresas havia conseguido recursos da ordem de R$100.000,00 (cem mil reais) junto aos bancos, esta mesma empresa também já havia conseguido recursos da ordem de R$50.000,00 (cinquenta mil reais) oriundos de outras fontes, especificamente, de agiotas que atuavam na sociedade local (conforme pode ser observado na pesquisa do Kehrle, 2006). Estes recursos foram destinados para capital de giro. Além desta, outras duas empresas também conseguiram empréstimos junto aos agiotas, uma delas na ordem de R$30.000,00 (trinta mil reais) e outra, o caso mais crítico, um empréstimo de R$500.000,00 (quinhentos mil reais), ambos também destinados para capital de giro destas empresas.

Ao final do projeto foram registrados alguns resultados que podem ser considerados consequências de suas ações. Uma das empresas, não aquela que havia conseguido recursos antes do projeto, conseguiu junto a um dos bancos, recursos da ordem de R$50.000,00 (cinquenta mil reais) para investimentos em capital de giro. Outra empresa conseguiu recursos

da ordem de R$15.000,00 (quinze mil reais) junto a fornecedores para investimentos na compra de máquinas e equipamentos.

Aquela empresa que havia conseguido recursos antes do início do projeto, também neste período obteve recursos oriundos de duas fontes, sendo R$100.000,00 (cem mil reais) de agiotas para capital de giro e R$1.000.000,00 (um milhão de reais) de bancos para investimentos. Segundo este empresário, estes empréstimos não foram intermediados nem são consequências de nenhuma ação relacionada ao projeto e sim, decorrentes de iniciativa própria.

O único registro que comprova um conjunto de ações desenvolvidas pelo projeto com o objetivo de disponibilizar recursos financeiros para os empresários é o caso onde, através da Associação dos Sapateiros, por intermediação da equipe técnica, o Banco do Brasil disponibilizou R$15.000,00 (quinze mil reais) para dez microempresários do setor, cabendo a cada um, o recurso de R$1.500,00 (um mil e quinhentos reais). Este recurso fora destinado para capital de giro. Dentre os dez microempresários, quatro compunham o grupo de vanguarda (grupo pesquisado).

Em período mais recente constatou-se que seis empresas haviam buscado recursos para utilização como capital de giro, duas delas somavam R$230.000,00 (duzentos e trinta mil reais) adquiridos junto a instituições bancárias e outras quatro empresas, juntas, adquiriram R$730.000,00 (setecentos e trinta mil reais) de agiotas.

Existe ainda um tipo de crédito com fornecedores locais que foi comentado por alguns empresários. Diz respeito à relação de dependência dos microempresários locais com os donos de armazéns. Estes fornecem insumos para aqueles fabricarem e acabam cobrando juros sobre o material fornecido o que consome boa parte dos lucros de quem fabrica. No grupo pesquisado havia quatro empresários nesta situação que não souberam informar os valores resultantes desta relação.

Percebe-se então a ausência de ações mais efetivas do projeto em relação ao acesso ao crédito. Não fosse a ação de intermediar junto a Associação dos Sapateiros e o Banco do Brasil um empréstimo de R$15.000,00 (quinze mil reais) para serem distribuídos entre dez microempresários, não haveria ação concreta nenhuma nesta área. Sendo assim, o projeto denota uma falha também neste campo de atuação.

In document Daily naturals (sider 62-73)