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Pereira, Silva e Souza (s/d) ressaltaram que saneamento caracteriza-se como o conjunto de ações socioeconômicas que têm por finalidade alcançar salubridade ambiental, controlando os fatores físicos e químicos dos dejetos humanos que podem exercer efeitos nocivos sobre o bem-estar físico, mental e social, sendo um fator essencial para melhorias na saúde da população, alavancando a qualidade de vida das pessoas e, consequentemente, a produção e a economia de um país.

Em relação ao saneamento básico, este termo parece mais adequado para as populações dos centros urbanos, nos quais as pessoas perderam o contato com o meio natural, dessa forma, deixaram de utilizar um dos serviços fundamentais da natureza, que é a reciclagem de seus resíduos, visto que “em sistemas naturais, a matéria é constantemente reaproveitada” (SOARES, 1998, p.13). Utilizou-se durante muito tempo esse termo para referir-se às questões fundamentais da existência humana na sociedade moderna, relacionado especificamente aos sistemas de abastecimento de água, de esgotamento sanitário, de coleta de resíduos sólidos e de drenagem urbana, principalmente nas cidades, ficando as populações rurais e periurbanas, excluídas ou com eficiência reduzida desses serviços públicos. Entretanto, devido às habilidades humanas e à proximidade com o meio natural, as pessoas nessas localidades suprem-se da forma que podem desses sistemas essenciais de sobrevivência e eliminação de resíduos, geralmente, provocando a degradação do ambiente que os cercam.

Sobre saneamento básico, segundo Teixeira (2011, p.02), “este termo foi substituído pelo saneamento ambiental, que envolve o saneamento básico acrescido de questões relativas à qualidade do meio ambiente, saúde da população e poluição”, ocasionadas, principalmente, pela ausência de tratamento na disposição de efluentes domésticos e resíduos sólidos no ambiente, promovendo a contaminação dos ambientes circundantes e interferindo na saúde pública e na qualidade de vida das

pessoas. Assim, a perspectiva do saneamento ambiental está mais condizente com a realidade de grupos historicamente oprimidos, que habitam regiões rurais e periféricas de centros urbanos entre outros tantos locais abandonados pela esfera pública.

De acordo com Carr (2001), excrementos humanos e águas residuárias, geralmente, contêm altas concentrações de patógenos adsorvidos, especialmente em locais onde as doenças diarreicas e as parasitoses intestinais são particularmente prevalecentes. Uma vez que os agentes patogênicos são introduzidos no ambiente, podem permanecer por longos períodos de tempo, representando uma ameaça potencial para a saúde humana, podendo infectar as pessoas de diversas maneiras: por meio da água ou alimentos contaminados, através da pele ou do contato pessoal. Dessa forma, uma pessoa contaminada continua a excretar patógenos no ambiente circundante, criando um ciclo de contaminação, infecção e enfermidades no local (WINBLAD; SIMPSON-HERBERT, 2004). No entanto, a gestão adequada das águas residuárias e dos excrementos humanos atuam como a principal barreira para impedir a propagação de patógenos no ambiente. Deste modo, para a máxima proteção da saúde humana e ambiental, é importante tratar e conter os efluentes e os excrementos humanos tão perto da fonte quanto possível antes que sejam introduzidos no ambiente (CARR, 2001).

Esrey e Andersson (2001) informaram que os excrementos humanos são compostos basicamente de dois componentes, urina e fezes. A urina contém cerca de 80 % do nitrogênio (N) total encontrado nos dejetos humanos e cerca de dois terços do fósforo (P) e do potássio (K) excretado. A maior parte do carbono (C) excretado, até 70 %, é encontrado nas fezes. A excreção total de uma pessoa em um ano é de cerca de 4,5 kg de N, mais de meio quilo de P, e 1,2 kg de K. Se for considerado uma pequena comunidade rural com mil habitantes, a soma dos macros nutrientes NPK gerados com suas excretas em um mês, equivalem a 375 toneladas de N, cerca de 50 toneladas de P e 100 toneladas de K. Se diluídos com mais de 3000 litros de águas residuárias nesse período, pelos mil residentes, que se fossem reutilizados na agricultura local poderiam suprir uma cultura de grãos por um mês para essa mesma população (WOLGART, 1993 apud ESREY; ANDERSSON, 2001).

Winblad e colaboradores (1999) apontaram que uma pessoa gera em um ano cerca de 500 litros de urina e 50 litros de fezes, os quais são dissolvidos e dispersados no ambiente com cerca de 15.000 litros de água pura. Com a utilização da cozinha, lavandeira e higiene pessoal, geram-se de 15.000 a 30.000 litros de águas residuárias

para cada pessoa neste mesmo período. Deste modo, os autores afirmaram, que um dos principais objetivos do saneamento ecológico é captar de volta a água e os nutrientes presentes nos dejetos humanos e reciclá-los para a produção de alimentos. Para isso, o critério inicial é a separação na fonte e o fundamental do sistema de saneamento é constituir uma barreira para evitar a contaminação e disseminação de organismos patogênicos no ambiente, promovendo a destruição da maior parte ou de todos esses agentes contaminantes dos efluentes antes de sua utilização na agricultura.

Segundo Alsén e Jensen (2004), o saneamento ecológico é fundamentado na separação dos esgotos domésticos na fonte, divididos em águas cinzas (águas de pias, chuveiros, lavanderia e limpezas em geral) e águas negras (águas com fezes e urina dos banheiros), o que facilita a reciclagem dos elementos e o fornecimento de soluções mais sustentáveis para os resíduos sanitários e de águas residuárias das residências do que os sistemas convencionais. A admissão do conceito de separação na fonte, na gestão dos esgotos residenciais, permite o tratamento adequado dos diferentes tipos de esgotos domésticos, que necessitam de tratamentos diferenciados de acordo com suas características, “esta é a chave de soluções técnicas para o reuso eficiente da água, energia e nutriente” dos efluentes (GALBIATI, 2009, p.02).

Nesse sentido, de acordo com Diniz (2012), as alternativas tecnológicas da Permacultura têm muito a contribuir, pois além da simplificação e eficiência no tratamento dos efluentes domiciliares segregados, em seus princípios agregam-se os valores ambientais e humanos, dessa forma, as águas são reutilizadas, o dejetos viram adubo e os ambientes tornam-se mais belos e agradáveis com a disposição e ornamentação de plantas de alto poder de absorção de água e matéria orgânica, provendo a produção de alimentos saudáveis e nutritivos, como bananas e mamões, entre outros, para além de evitar que esses nutrientes alcancem os lençóis freáticos ou ambientes aquáticos, evitando o aumento da eutrofização.

Galbiati (2009, p.03) destacou que:

A Permacultura é um sistema de planejamento baseado em éticas e princípios que podem ser utilizados para criar e gerir sistemas humanos realmente sustentáveis. Não é uma disciplina acadêmica, porque se vale de diversas disciplinas, como arquitetura, economia, ecologia, entre outras, numa abordagem holística, integrando conhecimentos de culturas ancestrais com as conquistas da ciência moderna. É baseada no planejamento e implantação de sistemas humanos simples, integrados e sustentáveis, aliando a satisfação das necessidades humanas de habitação, alimento e energia, à recuperação do equilíbrio ambiental e da diversidade biológica.