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O serviço de assinaturas foi oferecido nos primeiros números e perdurou até o encerramento da revista. Além de assegurar determinado número de compradores, o serviço garantia a distribuição da edição pelo país. A concentração da leitura de revistas encontrava- se na região centro-sul do país, como frisa Sodré (1966, p.447) e possuir representantes em todas as regiões brasileiras significava uma maior penetração de mercado. Entretanto, dentre os objetivos achava-se o de expandir e aproximar o público-leitor do conhecimento científico. As vendas da revista também se davam em bancas de revistas e durante determinado período uma loja-exposição, assim chamada por Maurell Lobo, oferecia a possibilidade dos leitores conhecerem a edição, adquirirem os números atrasados, realizarem assinaturas e tomarem contato com o material de cunho científico. A dimensão da popularização científica proposta por Maurell Lobo ia muito além da publicação da revista. Uma loja-exposição localizada na entrada de um popular teatro19 no centro do Rio de Janeiro evidencia a tentativa de tornar a revista e a ciência de amplo conhecimento do público e de largo alcance. A loja-exposição também propiciava a interação entre os leitores e o corpo editorial da revista, pois estimulava a visita ao ambiente de promoção da ciência o que poderia favorecer troca de informações e experiências.

Convidamos os ilustres leitores para que visitem, no térreo do Teatro Regina, logo na entrada (Rua Alcindo Guanabara, nº 17 a 21), as nossas novas dependências, onde vamos manter exposições permanentes de coisas de ciência e arte, sobretudo documentações dos Governos e grandes organizações dos EE.UU. e Grã-Bretanha, a fim de que o grande público se convença do alto valor de CIENCIA POPULAR e se orgulhe do seu caráter genuinamente brasileiro. Aí podem ser feitas assinaturas e anúncios, e adquiridos números atrasados. (CP, n. 20, mai. 1950).

Concomitantemente à oferta de assinaturas e vendas avulsas da revista, Maurell Lobo buscava ampliar a distribuição da publicação oferecendo-a a instituições educacionais e

19 O Teatro Regina foi assim denominado entre os anos 1901 e 1952, passando então a chamar-se de Teatro

Dulcina. Localizado na Cinelândia, centro da cidade do Rio de Janeiro, é conhecido por fazer parte da história teatral carioca e por ser palco de espetáculos de grande sucesso.

órgãos governamentais que pudessem contribuir para a aquisição dos números que não foram vendidos e encadernados a fim de formar uma coleção. Por sinal, a encadernação da revista fez grande sucesso e a partir de então passaram a ser oferecidos os volumes encadernados para venda. Uma das tentativas de expansão da publicação foi a venda para o Instituto Nacional do Livro20 de vários volumes encadernados para distribuição às bibliotecas públicas. Se a iniciativa tivesse tido êxito, o acesso à revista teria sido muito maior ao que ocorreu. Segundo Maurell Lobo, só não foi possível a plena realização por falta de pagamento pelo Ministério da Educação. Sem dúvida alguma, contar com a parceria do Instituto Nacional do Livro contribuiria largamente para a disseminação de uma cultura científica na sociedade, fora o retorno financeiro implícito na ação. A revista ficaria mais conhecida e “popular” o que acarretaria o aumento das vendas. Contudo, com a devolução das coleções de Ciência

Popular pelo Instituto Nacional do Livro acarretou o acúmulo dos volumes e a decisão foi

colocá-los à venda para o público.

Tivemos a oportunidade de vender ao Instituto Nacional do Livro, para distribuição às bibliotecas públicas, várias coleções completas de CIENCIA POPULAR, a partir do nº 1. Mas acontece que até agora essa agência do Ministério da Educação não efetuou qualquer pagamento, nem há a menor probabilidade de o fazer no futuro próximo, por isso tem realizado aquisições muito além das suas verbas, embora contrariando as disposições legais em vigor. Eis por que, num gesto de muita independência e com plena confiança do valor da mercadoria fornecida, resolvemos obter a devolução de todas as coleções de CIENCIA POPULAR, o que nos foi deferido no dia 24 do mês passado. Assim estão as mesmas à disposição dos nossos amigos leitores [...] Uma vez que o número de interessados ultrapassa largamente o de coleções existentes, será dada preferência nesta ordem rigorosa: 1º) aos que desejarem coleções completas; 2º) aos assinantes pela atual tabela de preços; 3º) às bibliotecas públicas21; 4º) aos professores; 5º) aos estudantes e operários; 6º) aos leitores avulsos. [...] (CP, n. 23, ago. 1950).

De acordo com Maurell Lobo, as vendas dos volumes obedeceriam a uma ordem de preferência e que delineia, de certa maneira, o público pretendido alcançar. Em primeiro e segundo lugares, a prioridade nas vendas, visava garantir a saída das coleções aos interessados

20 O Instituto Nacional do Livro foi criado sob o ministério de Gustavo Capanema, em 1937, durante o Estado

Novo de Vargas. Tinha dentre os objetivos expandir o número de bibliotecas públicas no país.

e assinantes. Daí por diante, os pedidos seriam atendidos conforme uma hierarquia elaborada a atender determinadas categorias de leitores. Primeiramente, as bibliotecas públicas seriam atendidas, visto também que estavam entre as maiores solicitantes dos números atrasados. A utilização da revista para pesquisa e consulta colaborava para ampliar o vínculo em longo prazo com o público, o que seria facilitado com a presença das edições em bibliotecas públicas, local com acesso liberado a “todos interessados”, centralizador e depositário do conhecimento. A venda aos professores, mediadores e multiplicadores dos saberes científicos, propiciava atingir o público estudantil que por sua vez também tornar-se-iam leitores e mesmo assinantes. Quanto aos operários, Ciência Popular funcionaria como complemento do conhecimento já praticado e a oportunidade de acessar um conhecimento diferenciado provavelmente de difícil acesso, e marcaria a presença em uma camada da sociedade em expansão. Por fim, a preferência das vendas ficaria aos leitores avulsos que não se enquadrassem nas categorias sugeridas por Maurell Lobo. As prioridades sofreram algumas alterações com a inserção de cientistas e técnicos de prestígio na mesma categoria dos professores. Pelo levantamento realizado entre os leitores, percebemos um interesse significativo na publicação por parte de médicos, engenheiros e advogados.

Uma informação interessante é a compra de assinaturas da revista por parte de alguns pais para seus filhos. Leitores de números avulsos faziam questão de escrever ao diretor geral e comunicarem o interesse em adquirir números atrasados para completarem a coleção e assim encadernarem todos os fascículos. Ainda que não possuíssem a assinatura, eram leitores assíduos e indicava, acima de tudo, o interesse e a boa aceitação da publicação.

Observa-se, portanto, uma intenção de se estender a um maior número de pessoas o acesso à divulgação científica por meio da revista. O empenho em vender assinaturas aparece principalmente para a manutenção da edição. Contudo o interesse implícito em promover uma cultura científica junto a diversos setores da sociedade e manter um vínculo

mais permanente com os leitores encontrava-se coerente com as propostas apresentadas.