7 ANALYSIS
7.1 PLANNING HORIZON
Na última Assembléia Mundial188 sobre o envelhecimento humano, realizada pela ONU, foram apontadas três prioridades para o Plano de Ação Internacional sobre Envelhecimento, a serem executadas pelos governos nos próximos 25 anos: a) os idosos e o processo de desenvolvimento; b) a promoção da saúde e do bem- estar para todo o ciclo de vida; e c) a criação de contextos propícios e favoráveis, que promovam políticas orientadas para a família e para a comunidade como base para um envelhecimento seguro.
Dentro desse planejamento, e considerando a elevada carga associada ao DM, a necessidade de prevenção, assistência e tratamento exige políticas adequadas. Quando bem implantadas, elas propiciam saúde para o longo da vida, gerando economias e reduzindo os níveis de incapacidade associados ao envelhecimento.188
Os sistemas de saúde predominantes no tratamento de quadros agudos falham na medida em que não conseguem acompanhar a tendência de declínio dos problemas agudos e de ascensão das condições crônicas.
O conhecimento a respeito dos determinantes de saúde e o desenvolvimento de tecnologias que auxiliam no diagnóstico e no tratamento das doenças forçam os países a aprimorar seus sistemas de saúde para melhor responder aos novos desafios impostos pela evolução da ciência.
Ao se analisar as perspectivas da prevenção do DM2, uma das principais endemias mundiais, observa-se o progresso do conhecimento científico a respeito da etiopatogenia e da história natural da doença. A velocidade desse processo deixa margem para a adaptação de nossos serviços de saúde a esse novo perfil populacional.
O DM deve ser considerado um problema de saúde pública, por sua significante co-morbidade e por sua limitação funcional, devido a suas complicações crônicas e incapacitantes, o que acaba comprometendo a realização de atividades da vida diária e a qualidade de vida individual e da sociedade. No Brasil, o DM consiste na quinta causa de internação, gerando um impacto tanto na área social como na econômica.189
Para tentar contornar essa situação, o Ministério da Saúde, em 2001, fixou diretrizes para reestruturar e ampliar a atenção básica para acompanhamento sistemático dos indivíduos identificados como portadores de agravos, bem como desenvolver ações referentes à Promoção de Saúde e à prevenção das DCNT, em especial.190
Com o objetivo principal de reduzir a morbimortalidade, o plano propõe uma parceria entre o Ministério da Saúde, as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, as Sociedades Científicas e as Associações de Portadores de HAS e DM, para apoiar e reorganizar a rede básica de saúde nacional, mediante o diagnóstico precoce; com isso, seria possível vincular os portadores a um serviço da rede básica de saúde para tratamento e acompanhamento, desenvolvendo ações articuladas de promoção, prevenção e recuperação da saúde.191
O cadastramento no programa é realizado através da captação dos portadores de HAS e DM em todas as unidades ambulatoriais do SUS. O sistema de cadastramento e acompanhamento dos portadores (Hiperdia) é uma ferramenta que gera informações para os gestores, além de permitir traçar um perfil epidemiológico dessa população e conseqüentemente o desencadeamento de estratégias de saúde pública para a melhoria da qualidade de vida e redução do custo social.192
Uma equipe de saúde tem sob sua competência uma população de aproximadamente 4.000 pessoas. Conforme a Portaria nº 493 de 13 de março de 2006193, 11% da população acima de 40 anos são diabéticos. A partir desses dados, calcula-se que aproximadamente 119 indivíduos de uma comunidade adstrita sejam portadores de DM. A proporção de utilização do serviço de saúde pela população adstrita é variável, dependendo do seu perfil socioeconômico e cultural.109
Em parceria com o IDF e a OMS, o Dia Mundial do Diabetes é apoiado por mais de 165 entidades mundiais. Em 2007, a ONU reconheceu as proporções epidêmicas da doença e aprovou a resolução 61/225, estabelecendo o dia 14 de
novembro como o Dia Mundial do Diabetes, com o objetivo de aumentar a consciência pública sobre a enfermidade.194
No Brasil, a SBD auxilia na divulgação de ações preventivas e disponibiliza essas informações. Em 02 de junho de 2008, foi criada a Portaria nº 65195, que institui o Grupo Técnico para acompanhamento da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (GT-VIGITEL). De caráter consultivo, o GT-VIGITEL tem como finalidade assessorar a Coordenação Geral de Agravos e Doenças Não-Transmissíveis do Departamento de Análise de Situação de Saúde (CGDANT/DASIS) na identificação de prioridades, na proposição de diretrizes e estratégias de atuação na área de monitoramento de fatores de risco e na proteção para doenças e agravos não-transmissíveis por inquérito telefônico.
A necessidade de concentrar a atenção na promoção de saúde e na minimização da dependência dos idosos denota um princípio de comum ação, bem como um desafio suscitado pelas necessidades sanitária, social e econômico dos idosos. A saúde dos idosos é um dos elementos essenciais do desenvolvimento do país e foi incorporada no PSF em 1996 e em 1999; no Ano Internacional do Idoso, foi colocado em operação o plano de ação integrado sobre envelhecimento e saúde.196
O número de indivíduos diabéticos aumenta devido ao crescimento e ao envelhecimento populacional, à maior urbanização, à crescente prevalência de obesidade e sedentarismo, bem como à maior sobrevida do paciente com DM.197 Quantificar a prevalência do indivíduo com DM, no presente, é de fundamental importância para permitir uma forma racional de planejamento e alocação de recursos para seu controle.
O diagnóstico de DM é fundamental para que o tratamento seja desenvolvido de forma eficaz, e sua ausência induz apenas ao controle dos sintomas, que, além de não trazer resultados a longo prazo, aumenta o risco para o doente.
A tendência da taxa de prevalência de DM na população é ascendente na maioria dos locais, e um dos principais fatores a serem considerados nesse caso é o envelhecimento progressivo da população no quadro demográfico brasileiro.
São poucos os estudos que fazem um diagnóstico de saúde do idoso. Esse tipo de estudo é fundamental para o discernimento dos desafios que emergem do processo de envelhecimento. A falta de conhecimento sobre as necessidades e
condições de saúde dessa população incorre em dificuldades administrativas de planejamento e de implementações de políticas públicas adequadas.198
Pelo fato de lidarmos com um grupo etário que vem crescendo muito, a avaliação da magnitude da atual população idosa residente em Porto Alegre fornecerá informações adequadas e auxiliará no processo de planejamento e gestão das políticas públicas municipais, visando a melhorar as condições de saúde dessa população no que diz respeito especificamente à prevenção do DM e de suas complicações.
3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo geral
Estudar a ocorrência de diabetes mellitus na população idosa de Porto Alegre e suas características demográficas e clínicas.
3.2 Objetivos específicos 3.2.1 Principais
a) Determinar a prevalência, global e específica, por faixa etária e por sexo, de diabetes mellitus na população de idosos do município de Porto Alegre. b) Descrever o tratamento utilizado pelos diabéticos idosos de Porto Alegre e comparar as alterações de saúde encontradas nos idosos com e sem diabetes.
c) Verificar se os idosos com diabetes têm qualidade de vida diferente dos idosos não-diabéticos.
d) Verificar se os idosos diabéticos apresentam dependência e motivação para o autocuidado diferentes dos idosos sem diabetes.
3.2.2 Secundários
a) Entre os idosos selecionados inicialmente para o estudo epidemiológico, de base populacional, do município de Porto Alegre, verificar se as características demográficas, socioeconômicas e de saúde foram diferentes entre os que compareceram e os que não compareceram no Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS para a coleta de dados na segunda fase do estudo.
b) Verificar se a prevalência de diabetes mellitus é influenciada por variáveis demográficas e socioeconômicas.
c) Determinar a proporção de idosos com diabetes mellitus, na cidade de Porto Alegre, que não tinham diagnóstico prévio da doença.
d) Verificar se existe associação entre o conhecimento prévio de diabetes e fatores demográficos, socioeconômicos e de saúde nos pacientes diabéticos.
e) Analisar a influência de dados demográficos e socioeconômicos na qualidade de vida, no grau de dependência e na motivação para o autocuidado dos idosos.
4 MÉTODOS 4.1 Delineamento
Estudo transversal em uma amostra de base populacional.
Este estudo faz parte do Estudo Multidimensional dos Idosos de Porto Alegre (EMIPOA), realizado pelo Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
4.2 População em estudo
A população-alvo é de idosos, com 60 anos ou mais, residentes no município de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
4.2.1 Caracterização do município de Porto Alegre
Porto Alegre é a capital do Rio Grande do Sul, estado localizado no extremo sul do país, que faz fronteira com a Argentina e o Uruguai.199 Situa-se no Paralelo 30º sul, com 30 quilômetros longitudinais e 15 quilômetros de largura no sentido leste-oeste. Limita-se ao norte com as cidades de Triunfo, Nova Santa Rita, Canoas e Cachoeirinha; ao sul, com Viamão e Lago Guaíba (Barra do Ribeiro); ao leste com Alvorada e Viamão e a oeste com o Lago Guaíba (Eldorado do Sul, Guaíba e Barra do Ribeiro).199 Atualmente, sua população total é estimada em 1.420.667 habitantes.9
Possui uma área total de 476,30 km2, sendo uma parte no continente, com 431,85 Km2, e 44,45 Km2 de ilhas. As 16 ilhas sob a jurisdição de Porto Alegre, em um total aproximado de 4.500 hectares, pertencentes ao Bairro Arquipélago, fazem parte do Parque Estadual Delta do Jacuí, formados pelos rios Jacuí, dos Sinos, Caí e Gravataí, juntamente com as demais ilhas de municípios vizinhos. A única
considerada como zona urbana de Porto Alegre é a Ilha da Pintada (426,2 hectares). As ilhas habitadas do Bairro Arquipélago são a Ilha Grande dos Marinheiros, a Casa da Pólvora, a Ilha da Pintada, a Ilha das Flores, a Ilha do Pavão e Chico Inglês.199
O clima é subtropical úmido, com as quatro estações bem-definidas. As temperaturas variam de 2ºC no inverno a 38ºC no verão.200
Porto Alegre possui mais de 25 etnias, sendo um grande contingente de imigrantes alemães, portugueses e italianos e seus descendentes. Em relação à raça, destacam-se a branca (79,8%), preta (9,9%) e parda (9,1%).201
A população de Porto Alegre, conforme o último censo de 2007, é de 1.420.667 habitantes e corresponde a 13,4% da população do Estado do Rio Grande do Sul e a 0,8% do Brasil. Porto Alegre é a 10º cidade do país em população. A expectativa de vida é de 71,4 anos15, sendo 66,2 anos para os homens e 76,2 anos para as mulheres (CENSO 2000). Seus indicadores de qualidade de vida são favoráveis nos principais índices de desenvolvimento humano: saúde, saneamento básico, educação, meio ambiente e economia. A taxa de alfabetização da população é de 96,7%.
Conforme o censo de 2000, a população residente de Porto Alegre acima de 60 anos é de 160.541 indivíduos.15 É a segunda capital na proporção de idosos (13,1%), só perdendo para o Rio de Janeiro (13,8%), sendo que o Estado do Rio Grande do Sul ocupa o primeiro lugar no Brasil (11,8%) nesse item.202 Desses, 91,2% são alfabetizados e 98,4% estão na área urbana. Os idosos responsáveis pelo domicílio são 99.654, e 27.005 residem sozinhos. A renda média do idoso é de R$ 1.500,00.
4.2.2 Procedimento amostral/recrutamento
A metodologia de amostragem foi estratificada proporcional e aleatório, por intermédio de definição de conglomerados (domicílios residenciais com idosos), contemplando as residências de cada setor censitário estipulados pelo IBGE15 para a cidade de Porto Alegre em 2000, e com estimativas de variação populacional para 2005; com isso, são atendidos os critérios de representatividade. A seleção das
residências foi feita de forma estratificada por setor censitário do município e de forma aleatória para o primeiro domicílio do setor e sistematizada para os demais.
O cálculo do tamanho amostral foi baseado em uma população estimada de 1.416.735 habitantes em 2005. Foi prevista uma amostra aproximada de 1200 idosos para uma margem de erro máxima de 1% para prevalências inferiores a 3% ou superiores a 97%, 2% para prevalências entre 3 e 15% ou entre 85 e 97% e 3% para prevalências entre 20 e 70%.
O estudo foi realizado no período de dezembro de 2005 a setembro de 2006 e abrangeu duas fases. Na primeira fase, foi realizado um inquérito domiciliar utilizando o método de amostragem descrito acima, que envolveu vários indicadores epidemiológicos relacionados a moradia, composição familiar, relações sociais, ocupação, renda, aspectos socioculturais, sexualidade, envelhecimento, saúde e atividades de vida diária. Todos os entrevistados foram convidados a participar da segunda fase do estudo, na qual foi realizada uma avaliação transdisciplinar por profissionais das faculdades de medicina, fisioterapia, farmácia, enfermagem, psicologia, educação física e nutrição. Nessa etapa, foram incluídos os idosos que aceitaram participar e compareceram para a coleta dos dados na PUCRS.
4.2.3 Critérios de seleção
4.2.3.1 Inclusão
Todos os idosos com idade igual ou superior a 60 anos, residentes no domicílio escolhido, que concordassem em participar do estudo.
4.2.3.2 Exclusão
Idosos acamados e com impossibilidade de locomoção. Déficit cognitivo ou transtornos psiquiátricos severos.