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As instituições são experimentadas pelos indivíduos como se possuíssem realidade própria, como se fossem exteriores a eles e existissem independente de suas ações. O mundo institucional ganha a qualidade de objetividade, uma realidade dada. Ao mesmo tempo, eleàe igeàlegiti aç o,àistoà ,à odosàpelosà uaisàpodeàse à e pli ado àeàjustifi ado;àh à necessidade de interpretar o significado em várias formas legitimadoras, que terão que ser consistentes e amplas no que se refere à ordem institucional (BERGER; LUCKMANN, 1985).

Selznick (1971) distingue organizações de instituições12; as primeiras são instrumentos técnicos, criados como meios para definir metas, as segundas são produto da

11 De acordo com Berger e Luckmann (1985), toda atividade humana está sujeita ao hábito; qualquer ação

freqüentemente repetida se torna moldada em um padrão, que em seguida pode ser reproduzido em economia de esforço. Com isso, em relação aos significados atribuídos pelo homem à sua atividade, o hábito torna desnecessário que cada situação seja sempre redefinida. Estes processos de formação de hábitos precedem a institucio alizaç o.àMasà o oà seà o igi a à asà i stituiç es?à áài stitu io alizaç oà o o eà se p eà que há uma tipificação recíproca de ações habituais por tipos de atores. Dito de maneira diferente, cada uma dessasàtipifi aç esà àu aài stituiç o à BE‘GE‘;àLUCKMáNN,à 85, p.79). Os autores enfatizam a reciprocidade das tipificações institucionais, isto é, elas são partilhadas, acessíveis a todos os membros do grupo social particular em questão, e atentam também para o caráter típico das ações e dos atores: a própria instituição tipifica os atores individuais e suas ações individuais; a instituição pressupõe que determinadas ações serão executadas por determinados atores. Outra questão importante é que as instituições implicam a historicidade. As tipificações recíprocas das ações não podem ser criadas instantaneamente, são construídas, produtos de um processo histórico. ásà tipifi aç esài stitu io aisà ai daà i pli a à o t oleà so ial.à ásà i stituiç esà peloà si plesà fato de existirem, controlam a conduta humana estabelecendo padrões previamente definidos de conduta, que a canalizam em uma direção por oposição às muitas outras di eç esà ueà se ia à teo i a e teà possí eis à (BERGER; LUCKMANN, 1985, p.80). Os autores atentam que o caráter controlador é inerente à institucionalização e independe de mecanismos de sanções especificamente estabelecidos para apoiá-la. Dessa maneira, dizer que um segmento da atividade humana foi institucionalizado é dizer que foi submetido ao controle social (BERGER; LUCKMANN, 1985).

12 I stituiç oà eà o ga izaç oà s oà tiposà pu os ,à aà aio iaà dasà e p esasà s oà istu asà o ple asà deà

interação e adaptação, se tornam receptáculo do idealismo do grupo. Para Selznick (1971) uma instituição é o produto natural das pressões e necessidades sociais, um organismo adaptável e receptivo. Desse modo:

Institucionalização é um processo. É algo que acontece a uma organização com o passar do tempo, refletindo sua história particular, o pessoal que nela trabalhou, os grupos que engloba com os diversos interesses que criaram, e a maneira como se adaptou ao seu ambiente (SELZNICK, 1971, p.14).

De acordo com Selznick (1971), o significado mais importante de institucionalizar é infundir um valor, além das exigências técnicas da tarefa. O autor explica que quando uma o ga izaç oà à i stitu io alizada à elaà te deà aà fo a à u à a te à espe ialà eà ati gi à u aà competência característica e que monitorar o processo de institucionalização é a maior responsabilidade da liderança. Assim, o autor defende a transição do gerenciamento administrativo para a liderança institucional.

Estudos institucionais enfatizam a mudança e evolução na adaptação de tipos e práticas organizacionais, padrões novos que surgem e antigos em declínio, como resultado de adaptações naturais, não planejadas, a novas situações (SELZNICK, 1971). De acordo com Oliver (1991), pesquisas sobre institucionalização nas organizações suscitaram valiosa compreensão sobre os processos que a definem nos ambientes e a influência na conformidade da organização.

Pamela S. Tolbert e Lynne G. Zucker defendem uma compreensão mais clara da institucionalização como um processo e delineiam três estágios deste no contexto organizacional, com base nas análises teóricas de Peter Berger e Thomas Luckmann e da própria Lynne G. Zucker 13: habitualização, objetificação e sedimentação.

13 As autoras ressaltam que a análise de Berger e Luckmann se concentrou nos processos de institucionalização

O primeiro estágio – a habitualização14 - acontece a partir do desenvolvimento de comportamentos padronizados para a solução de problemas e a associação de tais comportamentos a estímulos particulares. No contexto organizacional, novos arranjos estruturais são desenvolvidos em resposta a problemas específicos e políticas e procedimentos são formalizados em um conjunto de organizações com problemas semelhantes. Este estágio corresponde a pré-institucionalização. Organizações possivelmente interconectadas e que enfrentam circunstâncias similares podem adotar uma dada estrutura, sendo que a forma de implantação varia consideravelmente. Dessa maneira, isso acontece de modo independente nas várias organizações, conseqüência de compartilharem uma base comum de idéias. As estruturas adotadas nesta fase não são teorizadas formalmente e um número limitado de organizações terá conhecimento desta inovação (TOLBERT; ZUCKER, 1999).

No próximo estágio, a objetificação15,significados atribuídos à ação tornada habitual se generalizam, isto é, se tornam socialmente compartilhados. Há desenvolvimento de certo grau de consenso social entre os decisores da organização em relação ao valor da estrutura e eles passam a adotá-la com base nesse consenso. Mediante o monitoramento de outras organizações, são avaliados os riscos da adoção da nova estrutura. Pode-se dizer que estruturas que se objetificaram e foram amplamente disseminadas estão semi- institucionalizadas. Neste estágio é típico que os adotantes sejam bastante heterogêneos. O ímpeto da difusão deixa de ser simples imitação para adquirir uma base mais normativa,

autoras pretenderam oferecer uma abordagem teórica específica dos processos de institucionalização em nível interorganizacional.

14 Os tradutores observam que Tolbert e Zucker cunharam a expressão habitualization que pode ser traduzida

o oà to adasàha ituais ,àse doà ueàna versão citada eles preferiram, segundo nota, deixar na forma original do inglês, aportuguesada e grafada em itálico.

15 Outra expressão cunhada por Tolbert e Zucker, também conservada aportuguesada pelos tradutores na

refletindo a teorização implícita ou explícita das estruturas. A variação na implantação diminui à medida que a teorização se desenvolve e se explicita (TOLBERT; ZUCKER, 1999).

Dimensão Estágio Pré- Institucional Estágio Semi- Institucional Estágio de Total Institucional Processos

Características dos Adotantes Ímpeto para a Difusão

Atividade de teorização Variância na Implementação Taxa de Fracasso Estrutural

Habitualização Homogêneos Imitação Nenhuma Alta Alta Objetificação Heterogêneos Imitativo/Normativo Alta Moderada Moderada Sedimentação Heterogêneos Normativo Baixa Baixa Baixa Quadro 1. Estágios de institucionalização e dimensões comparativas

Fonte: Tolbert e Zucker (1999)

Tolbert e Zucker (1999) explicam que a institucionalização total depende do estágio de sedimentação: as ações adquirem a qualidade de exterioridade, ou seja, são transpostas para outros contextos, resultando na sobrevivência da estrutura pelas várias gerações de membros da organização. O impulso de difusão é, portanto, o normativo. As autoras colocam que, provavelmente, a total institucionalização da estrutura depende dos efeitos conjuntos de alguns fatores, tais como: relativa baixa resistência de grupos de oposição, promoção e apoio cultural continuado por grupos de defensores, correlação positiva com resultados desejados, entre outros.

De acordo com as autoras, a reversão deste processo, isto é, a desinstitucionalização, pode ser possível a partir de uma grande mudança no ambiente, como por exemplo, mudanças radicais em tecnologias. Mudanças profundas podem abrir espaço para um grupo de atores sociais cujos interesses estejam em oposição à estrutura.

Esse conjunto de processos seqüenciais – habitualização, objetificação e sedimentação – sugerem variabilidade nos níveis de institucionalização. Alguns padrões de comportamento social podem variar em relação ao grau em que estão sujeitos ao sistema

social, em termos de sua estabilidade e de seu poder de determinar comportamentos (TOLBERT; ZUCKER, 1999).