5. METODE
5.3 G JENNOMFØRING AV UNDERSØKELSEN
5.3.1 Planlegging og gjennomføring av intervjuer
93
5. Considerações Finais
O Concelho da Ribeira Grande tem um grande potencial para as energias renováveis, nomeadamente a energia geotérmica com manifestações de baixa e alta entalpia directamente relacionadas com o Complexo Vulcânico do Fogo.
As zonas públicas para aproveitamento de energia geotérmica de baixa entalpia restringem-se à zona balnear da Caldeira Velha e às termas da Ribeira Grande. Em 2004 a Caldeira Velha passou a ser classificada como Monumento Natural Regional, melhorando-se então o acesso à caldeira e a área em redor, de forma a ser mais convidativa a turistas e a residentes. No entanto, tem-se vindo a verificar uma diminuição da temperatura da água na caldeira de zona balnear, fazendo com que o público procure caldeiras mais quentes e de difícil acesso.
Durante o trabalho de campo foram visitadOs, observados e avaliados os recursos anteriores que utilizavam as manifestações geotérmicas.
As termas das Caldeiras da Ribeira Grande, embora abertas ao público, não têm actualmente condições suficientes para se fazer algum tipo de tratamento terapêutico ou, simplesmente, usufruir de água quente. Considera-se que seria de grande interesse para a cidade da Ribeira Grande ampliar ou transformar as estruturas das termas já existentes no local e aproveitar melhor a zona em termos turísticos.
Por outro lado as águas de Porto Formoso, mais propriamente da Ladeira da Velha, são águas com características terapêuticas muito próprias, diferentes das existentes nas Caldeiras da Ribeira Grande, mas em adiantado estado de degradação e a merecer uma considerável intervenção. Pensa-se que seria interessante criar uma zona de lazer e desenvolver o turismo nesta área aproveitando os recursos naturais existentes
Além das manifestações referidas no Concelho da Ribeira Grande, e para estudar o potencial geotérmico de baixa entalpia desta na região realizou-se uma campanha de medição das temperaturas do solo, segundo uma malha de 200 furos e seguindo a metodologia descrita anteriormente. As temperaturas foram medidas após a abertura dos furos a seco e sistematicamente, com uma semana de intervalo, durante quatro semanas no líquido condutor presente nos furos. Desta operação, independentemente de alguns contratempos, resultaram aproximadamente 1000 registos da temperatura do solo a 0,60 m. A média das temperaturas em cada uma das 5 fases de medição no campo está demonstrada no gráfico da Figura 6.1, verificando-se um aumento pouco significativo de 0,6ºC
5. Considerações Finais
94
Figura 5.1 – Média de cada uma das fases realizadas no campo, e da média geral das quatro últimas medições da temperatura (ºC).
As temperaturas não estabilizaram como pretendido, mas também não sofreram oscilações bruscas, podendo considerar-se que o trabalho foi bem sucedido.
Quanto à variação da média da temperatura a seco e da média (a média das quatro medições), obteve-se uma diminuição de 1ºC. A primeira medição, aquando da realização do furo, a temperatura a seco, foi medida directamente no terreno, podendo ter tido alguma influência da temperatura ambiente.
As médias das temperaturas foram todas superiores a 20ºC, significando que a área em estudo tem potencial como geotermia de baixa entalpia, confirmando o objectivo inicial deste trabalho.
Ao longo do trabalho foram descritas e comparadas várias condicionantes como a temperatura ambiente, a precipitação, a litologia, as falhas e as manifestações antigas. Todas essas condicionantes têm influência no solo, embora algumas só tenham interferência até determinada profundidade.
A precipitação condicionou a temperatura do solo, uma vez que os terrenos que se encontravam húmidos e com vegetação densa e molhada, apresentavam sempre temperaturas mais baixas. 24,5 23,4 23,5 23,6 24,0 23,6 17 18 19 20 21 22 23 24 25
Temp_seco 1º Medição 2º Medição
5. Considerações Finais
95 A litologia e a temperatura do ar são duas condicionantes que dependem da profundidade a que a temperatura foi medida. Comparando a distribuição da temperatura do solo com a litologia não se obteve nenhuma correlação. Independentemente do substrato litológico variar na área em estudo, a distribuição das temperaturas do solo foi homogénea não havendo diferenciação. Acredita-se que com furos mais profundos, que atingissem as diferentes litologias, os resultados fossem diferentes devido às diferentes condutibilidades térmicas que as rochas apresentam.
Relativamente à temperatura ambiente o efeito é contrário, pois quanto mais próximo da superfície forem efectuadas as medições, maior influência esta tem na temperatura do solo. A 0.60 m de profundidade considera-se que a sua influência não é muito grande, mas não é nula.
As falhas são um forte condicionante na temperatura do solo. Os furos que se situavam próximo ou em zonas de falha, como por exemplo o furo P141, apresentaram sempre elevadas temperaturas ao longo de toda a fase de registos no campo.
À profundidade a que as temperaturas foram medidas não existe uma grande variedade de utilizações para a energia geotérmica. Para tal era necessário realizar furos mais profundos, onde seriam esperadas temperaturas mais altas.
Em relação às zonas anómalas, o pico de maior temperatura situa-se perto da central geotérmica do Pico Vermelho, com várias manifestações geotérmicas, que influenciam as temperaturas no local.
Após este trabalho experimental no campo, considerado um meio de prospecção expedito e com resultados provisórios mas indicativos, confirma-se o potencial da região da Ribeira Grande para produção de energia geotérmica de baixa entalpia. As utilizações que se propõem, a título provisório, estariam relacionadas com o aquecimento de água em piscinas, balneários municipais, aquecimento de água para utilização doméstica e industrial, aquacultura e estufas.
Em futuros trabalhos de prospecção, com furos mais profundos, seria quase garantido que se atingiriam temperaturas que reforçariam estas utilizações e, idealmente, se poderia apostar em aplicações para produção de energia eléctrica não poluentes.
Como consideração final salienta-se que estes trabalhos de investigação se revestem de grande importância, considerando-se que o uso de energia geotérmica de baixa entalpia traria um desenvolvimento sustentável, com benefícios energéticos, económicos, sociais e turísticos, para a região.
5. Considerações Finais