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Plan for virksomheten

In document Rapport og planer 2013-2014 (sider 44-64)

3. Planer for 2014

3.1. Plan for virksomheten

visadas no respectivo título e que dominam a acção têm também na etimologia de seus nomes uma essência que se concretiza nos seus caracteres e condutas.

A protagonista, predominantemente referencializada como “Menina Olímpia”, representa uma adulta que vive desfasada da realidade temporal e social circundante, sendo infantilizada e excessivamente protegida pela sua velha criada. Efectivamente, referencializada por esta última com o designador grafado em itálico, “a menina”, destaca- se, além de um gesto protector, a distanciação social que entre elas se entrosa. Na verdade, o prenome “Olímpia” — que denuncia etimologicamente954 uma origem endeusada, notável e

uma vivência copiosa (equivalente à da moradia dos deuses) — adequa-se, na Menina Olímpia, a uma origem socioeconómica abastada e a uma actualidade plena de apontamentos de fausto. Na verdade, embora pobre, manifesta uma atitude elitista e expressa-se de forma aristocrática; veste-se antiquadamente, mas de forma luxuosamente excessiva e debica pequenos aparatos gastronómicos.

“Belarmina (tal é a graça da criada de menina Olímpia)”955 representa a empregada

idosa e fiel que, de forma afectuosa e simultaneamente servil, acompanha a menina Olímpia desde pequena. O seu estatuto socioprofissional e a sua fidelidade denunciam-se mesmo nos designadores: “a sua criada”956 e “a sua criada Belarmina”957.

E, conquanto várias vezes seja desconsiderada pela sua patroa, pois que esta não lhe permite reparos que destruam “a sua felicíssima capacidade de ilusão”958, Belarmina, cujo

designador/prenome predominante deriva etimologicamente do germânico e significa ‘alma bondosa’959, perdoa-a e continua com ela. Protege-a, numa postura benévola e tolerante, das

intrigas e vitupérios dos outros, e sustenta continuamente as ilusões e vícios luxuosos da patroa:

“(…) Belarmina afastava-se um pouco da ama. Procurava as esquinas das ruas circunvizinhas, os recatos, os portais; e, afoitando-se com as sombras que vinham descendo ou as névoas que se erguiam dos lados do rio, lamuriava umas palavras tímidas, embaraçadas, estendendo a mão à caridade pública. O seu casaquito preto já verde, o seu ar humilhado e aflito, a sua visível falta de prática na mendicidade, (pois quem alguma vez diria a Belarmina que teria de descer àquilo?) não deixavam de lhe conquistar a simpatia dos transeuntes. Às vezes, aquilo rendia. Várias dessas noites, menina Olímpia e ela tinham os seus goles de vinho fino, pão e queijo, figos passados, até biscoitos doces. Tasquinhavam as duas, felizes, encolhidas no canto menos húmido do cubículo; e menina Olímpia falava, falava… Falava do passado, evocando com a sua criada coisas que nunca mais tornariam a acontecer; ou

954 “Olímpia” (fem. de Olímpio) deriva etimologicamente do adjectivo latino olympius, a, um (do

substantivo grego Ὀλυμπιάς, άδος (Cf. José Pedro Machado, Op. Cit., vol. III, p. 1091) e significa ‘Olímpico, habitante do Olimpo’ (Cf. A. Bailly, Op. Cit., p. 1371; Cf. F. Gaffiot, Op. Cit., p. 1077 e AAVV, Dicionário de Latim Português, p. 802).

955 Cf. José Régio, Op. Cit., p. 129. 956 Cf. José Régio, Ibidem.

957 Cf. José Régio, Op. Cit., pp. 131-133. 958 Cf. José Régio, Op. Cit., p. 136.

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discreteava sobre um futuro melhor, sonhando coisas que certamente não aconteceriam tão cedo.”960

No conto “Maria do Ahú”, a personagem homónima e protagonista é referencializada com o designador/anexim isolado ou acompanhado da forma de tratamento de carácter socioregional “ti”. Assim, a “Maria do Ahú”961 (ou “ti’ Maria do Ahú”962) apenas uma única vez

é atribuído o seu prenome com apelidos — “Maria Leal Pinheiro” 963 —, de modo a concretizar-

se a sua verdadeira identidade e assumindo-se, então, a hegemonia do anexim no discernimento da sua genuinidade. Com efeito, esta personagem era assim alcunhada pelo facto de, além de ter um bioco a cobrir-lhe a cabeça e a cara, manifestar atitudes de isolamento, introversão e retracção perante os outros e condutas religiosas extremistas, assemelhando-se, na sua postura, a umas figuras mitológicas designadas “Marias do Ahú”:

“As Marias do Ahú estavam representadas em painéis, nos aletares, ou faziam parte do figurado nas procissões da Semana Santa. Eram, na mitologia do povo, as bentas mulheres que, chorosas e encolhidas nos mantos, acompanharam a paixão e morte de Cristo. Talvez por isso, Maria não desgostou nada de ficar a Maria do Ahú; embora, de seu verdadeiro nome escrito na sacristia, fosse Maria Leal Pinheiro, ou Pinheira,  aqui ninguém da família sabia ao certo.”964

Curiosamente, o seu prenome é visado na forma simples — “Maria”965 — apenas duas

vezes, todavia num mesmo episódio: o do seu envolvimento amoroso com Zé do Bicho. Na verdade, esta personagem feminina já não se assemelhava tanto às beatas “Marias do Ahú” pois que representava uma jovem comum apaixonada.

Maria do Ahú, não obstante os seus traços de anormalidade, revela, assim, ser possuidora de uma feminilidade trivial que se concretiza no facto de adoptar, social, maternal, afectiva e protectoramente, Porfírio. Com efeito, este, em bebé, tinha sido abandonado à porta da protagonista, pelo que Maria do Ahú via nele, e através da religião que vivenciava exacerbadamente, uma dádiva com um propósito milagroso. Deste modo, Porfírio é referencializado na sua infância de forma vária — “o menino”966, “o

enjeitadinho”967, “o crianço”968, “o Menino Jesus”969 ou “o Menino Jesus do Porfírio”970 —,

aludindo-se não só ao carácter benévolo e meigo da mãe adoptiva, mas também à sua faceta de louca, pois que vê, numa criança frágil e abandonada, um milagre de Deus, um prodígio, uma excepcionalidade.

960 Cf. José Régio, Op. Cit., p. 149. 961 Cf. José Régio, Op. Cit., p. 203. 962 Cf. José Régio, Op. Cit., p. 222. 963 Cf. José Régio, Op. Cit., p. 205. 964 Cf. José Régio, Ibidem.

965 Cf. José Régio, Op. Cit., p. 209. 966 Cf. José Régio, Op. Cit., pp. 213-214. 967 Cf. José Régio, Ibidem.

968 Cf. José Régio, Ibidem. 969 Cf. José Régio, Ibidem.

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