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Physical parameters and their effects on the CHL-a

4.1 the North zone

4.1.1 Physical parameters and their effects on the CHL-a

A inclinação generalizada para casar com um homem que possui o mesmo grau de escolaridade (capítulo 4) não significa que as circunstâncias do encontro não se diversifiquem em função da formação escolar da mulher. Com efeito, ainda que a maioria das inquiridas tenha casado com um homem com um grau de escolaridade idêntico ao seu (quadro n.º 5.6), algumas circunstâncias tendem, por razões distintas, a proporcionar mais casamentos homogâmicos. Os locais mais propícios à homogamia escolar são, sem surpresa, os estabelecimentos de ensino - quase dois terços (64,2%) das mulheres que conheceu o cônjuge na escola, no liceu ou na

faculdade casou com um homem com o mesmo grau de escolaridade - sendo também, a este respeito, de destacar as sociabilidades locais (60,2%), o parentesco e as situações em que os cônjuges se conhecem desde a infância (62,8%). Porém, deve recordar-se que, tal como verificámos no ponto anterior, os encontros proporcionados pelos estabelecimentos de ensino são tanto mais frequentes quanto mais elevada a escolaridade da mulher, estando pois certamente na origem de uniões conjugais entre mulheres e homens mais escolarizados. Já as

sociabilidades locais, o parentesco e relações de proximidade são circunstâncias do encontro

mais frequentes junto das mulheres pouco escolarizadas.

Por outro lado, as demais circunstâncias do encontro tendem a proporcionar mais casamentos heterogâmicos do que a média, mas ainda assim cada local de encontro tem efeitos específicos na escolha do cônjuge. Deste modo, os contextos de lazer (25,2%) e os locais públicos (23,0%) contribuem para as uniões em que a mulher é mais escolarizada do que o homem, ainda que não devamos esquecer que enquanto os primeiros são privilegiados pelas mulheres mais escolarizadas e com profissões qualificadas, proporcionando logicamente casamentos desiguais a favor de uma mulher com elevada escolaridade, os segundos, associados às mulheres menos escolarizadas que exercem profissões pouco qualificadas, proporcionam casamentos em que, pese embora a mulher supere o homem em títulos escolares, ambos os elementos são pouco escolarizados. Já as redes de amizades - local de encontro, de igual modo, tanto mais frequente quanto mais escolarizada a mulher (24,2%) - se destacam por propiciarem casamentos desiguais a favor do homem, ou seja, uniões em que o homem é mais escolarizado do que a mulher, apesar da tendência de ambos os cônjuges serem, nestes casais, mais escolarizados que a maioria. De resto, associados às mulheres que entram mais tarde na vida conjugal, os encontros no local de trabalho destacam-se face aos demais por resultarem menos em casamentos homogâmicos (50,7%). Os encontros no local de trabalho tendem, como vimos, a proporcionar-se quer entre as mulheres sem escolaridade, quer entre as mulheres mais escolarizadas, o que explica que as uniões em que a mulher é mais escolarizada do que o homem (27,9%), ou vice versa (24,2%), sejam um efeito próprio deste local de encontro. Porém, é sobretudo de destacar a frequência com que os encontros no local de trabalho se caracterizam pelo facto de a mulher ser mais escolarizada do que o homem: entre as mulheres que conheceram o cônjuge no local de trabalho, mais de um quarto (27,9%) casou com um homem menos escolarizado.

Quadro n.º 5.6 Homogamia escolar segundo local ou situação de encontro (percentagem em linha)

Total Local ou situação de encontro

Grau de escolaridade

idêntico

Homem é mais

escolarizado Mulher é mais escolarizada

% N

Escola, liceu ou faculdade 64,2 16,8 19,0 100,0 137

Contextos de lazer 56,3 18,5 25,2 100,0 119 Redes de amizades 53,6 24,2 22,2 100,0 248 Local de trabalho 50,7 21,4 27,9 100,0 201 Local público 56,3 20,8 23,0 100,0 183 Sociabilidades locais 60,2 18,2 21,6 100,0 510 Parentesco e relações de proximidade 62,8 17,4 19,8 100,0 172 Outra situação 52,8 26,8 20,3 100,0 123 Total 57,5 20,2 22,3 100,0 1693 x2= 17,51; DF=14; p<,001 (cc=,10)

Os locais de trabalho não estão apenas associados às mulheres que casaram mais tarde, mas igualmente àquelas que vivem, pelo menos, um segunda conjugalidade, o que não é apenas elucidativo da menor frequência com que se realizam os encontros neste local entre uma mulher e um homem com o mesmo grau de escolaridade - ao contrário do que por exemplo acontece numa escola ou numa faculdade -, mas também contribui para explicar que menos de um quarto (24,4%) dos casais que se conheceram no contexto profissional de um ou de ambos os cônjuges se caracterizem pela proximidade etária (quadro n.º 5.7). Com efeito, enquanto só

os encontros nos estabelecimentos de ensino propiciam realmente uma aproximação etária no casal - quase metade das mulheres que conheceram o seu marido na escola, no liceu ou na

faculdade (45,8%) está casada com um homem da mesma idade -, os locais de trabalho destacam-se, pelo contrário, pelos encontros em que a mulher é mais velha do que o homem (8%) e, simultaneamente, pelo encontro em que o homem é muito mais velho - dez anos ou mais - do que a mulher (9,4%).

De resto, sublinhe-se que as circunstâncias de encontro tendem, sem surpresa, a proporcionar casamentos em que o homem é mais velho do que a mulher, ainda que seja possível identificar diferenças entre os diversos locais. Assim, em quase metade dos casais que se conheceram num contexto de lazer (48,8%), local privilegiado pelas mulheres mais escolarizadas e que começam a namorar mais tarde com o seu actual marido, a diferença de idades a favor do homem não ultrapassa os cinco anos, enquanto entre os casais que se conheceram através da redes de amigos, também associados às mulheres mais escolarizadas e

que começaram a namorar mais tarde, a diferença de idades no casal acentua-se a favor do homem: não chegam a perfazer quatro em dez (39,7%) os casamentos em que a mulher é um pouco mais nova do que o homem - dois a cinco anos - sendo que em praticamente um sexto das uniões (14,8%) o homem é seis a nove anos mais velho do que a mulher.

Quadro N.º 5.7 Perfil conjugal e diferença de idades no casal segundo local ou situação de encontro

(percentagem em linha)

Primeira união conjugal

Total Local ou situação de encontro

Mulher 2 ou mais anos mais velha Cônjuge com idades iguais ou próximas Homem 2 a 5 anos mais velho Homem 6 a 9 anos mais velho Homem 10 ou mais anos mais velho No mínimo, segunda união conjugal % N Escola, liceu ou faculdade 7,0 45,8 39,4 4,2 1,4 2,1 100,0 142 Contextos de lazer 6,5 26,8 48,8 8,1 7,3 2,4 100,0 123 Redes de amizade 7,8 26,1 39,7 14,8 4,7 7,0 100,0 257 Local de trabalho 8,0 24,4 33,8 11,3 9,4 13,1 100,0 213 Local público 6,8 30,2 39,1 12,0 6,8 5,2 100,0 192 Sociabilidades locais 7,7 29,5 44,5 11,4 3,0 3,9 100,0 542 Parentesco e relações de proximidade 5,0 27,9 43,0 15,1 5,6 3,4 100,0 179 Outra situação 7,8 34,4 37,5 9,4 5,5 5,5 100,0 128 Total 7,3 29,8 41,2 11,4 5,0 5,4 100,0 1776 x2= 91,20; DF=35; p<,000 (cc=,22)

No entanto, associados às mulheres menos escolarizadas e, particularmente, às que começam a namorar mais cedo, os locais públicos e os contextos do parentesco e relações de

proximidade propiciam casamentos onde é acentuada a discrepância etária a favor do homem.

Em particular, no caso dos encontros em locais públicos, o facto de a diferença de idades se acentuar com a precocidade da mulher ao casamento (capítulo 4) permite elucidar que estes locais, onde precisamente as mulheres que começam a namorar mais cedo e prolongam menos o namoro conheceram o seu marido, se destacam por estar na origem de casamentos onde a diferença de idades a favor do homem é mais pronunciada.