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3. Theoretical Background

5.8 Water quality parameters in the stream, Bølstadbekken

5.8.2 Total organic carbon, dissolved organic carbon and water color

O álcool tem um impacto negativo sobre a saúde pública. São grandes os prejuízos ocasionados pela ingestão de etanol, tanto como potencializador de doenças, sendo responsável por 4% da perda de vida útil das pessoas, quanto por ocasionar mortalidade, sendo fator explicativo de forma direta ou indireta de 3,2% das mortes que ocorrem no Brasil (Andrade & Oliveira, 2009).

Seu consumo moderado ou excessivo pode acarretar prejuízos em um único ou em vários usos através de intoxicação aguda (acidentes automobilísticos, envenenamentos, homicídios, suicídios e afogamentos) ou no uso à longo prazo por intoxicação crônica (provocando câncer, cirrose hepática, transtornos neuropsiquiátricos ou dependência) (Adura et al., 2008; Andrade & Oliveira, 2009; Anthony, 2009; Laranjeira & Romano, 2004). Apesar da importância dos fatores epidemiológicos e clínicos relacionados à intoxicação crônica percebida, por exemplo, na dependência alcoólica, esta dissertação foca-se na intoxicação aguda em sua forma moderada, pela menor quantidade de estudos voltados para o tema (Cunha & Novaes, 2004).

Um estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (CEBRID) indicou que 74,6% dos brasileiros já consumiram bebidas alcoólicas e que 12,3% são dependentes desta substância (Baltieri & Cortez, 2009). Outros 7,3% se envolveram em situações de risco devido ao uso do álcool. Analisados separadamente, esses valores foram sempre maiores para os homens (Adura et al., 2008). Segundo relatório de 2002

49 da Organização Mundial de Saúde, a bebida alcoólica é o principal redutor de expectativa de vida saudável dos indivíduos brasileiros (Bresighello, 2005).

Em relação ao sexo dos indivíduos, o álcool é a substância psicoativa legalizada mais usada pelas mulheres no ocidente (Tucci, 2005). No entanto, em grande parte das culturas, as mulheres geralmente bebem menos e não cometem tantos comportamentos inadequados quanto os homens (Morris & Maisto, 2004). Isso demonstra que o comportamento na embriaguez pode ser determinado também pelas expectativas sociais e não apenas pelos efeitos biológicos do álcool (Edwards et al., 2005).

Segundo Delgado, Macedo, Cordeiro e Rodrigues (2004), 60% da população do planeta faz uso de álcool de modo não prejudicial à saúde, no entanto tais pessoas podem eventualmente usar essa substância de forma danosa. Cerca de um terço da população apresenta problemas, de maior ou menor gravidade, com o uso de bebidas alcoólicas. Assim, as medidas preventivas realizadas no sentido de reduzir os problemas relacionados ao uso do álcool tem que ser dirigidas à população total de bebedores, e não apenas àqueles que bebem de maneira exagerada (Edwards et al., 2005).

Existe uma grande incidência de violações das leis de trânsito, crimes violentos e experiências sexuais precoces ou indesejadas ocasionados pelos bebedores “sociais” de uma população, mesmo que o alto consumo de bebidas alcoólicas apresente um maior risco de complicações ou problemas relacionados (Adura et al., 2008; Baltieri & Cortez, 2009; Meyer et al., 2004). Deste modo, o ato de beber moderadamente ou não, pode trazer riscos tanto para quem bebe quanto para quem se torna vítima de quem bebeu, o que suscita discussões a respeito do beber de forma segura.

Os custos sociais ligados ao uso do álcool também são preocupantes. Eles envolvem acidentes automobilísticos e de trabalho, internações hospitalares em clínicas gerais e psiquiátricas, além do fato de que o álcool pode facilitar o uso de outras

substâncias químicas (Bresighello, 2005). Além disso, o álcool tem repercussões negativas nos aspectos familiares e interpessoais (conflitos conjugais e divórcios), bem como nos aspectos financeiros e ocupacionais (perda de produtividade e ausência no trabalho) (Meloni & Larajeira, 2004).

Sendo a décima causa de todas as mortes e a nona causa de morbidade no mundo, os desastres automobilísticos tem vitimado fatalmente 1,2 milhões de pessoas anualmente, e ferido de 20 a 50 milhões. No Brasil, para cada 10 mil veículos registrados existe uma taxa de 6,3 acidentes ocorridos. Grande parte desses acidentes é causada por pessoas que fazem uso de álcool (Adura et al., 2008).

Rang, Dall, Rotter, e Moore (2004), em um estudo com motoristas urbanos, encontraram que o uso de álcool em concentrações sanguíneas de 0,05 % BAC não afetava a probabilidade do envolvimento em acidentes de trânsito. No entanto, em concentrações de 0,08 % BAC essa probabilidade aumentava aproximadamente quatro vezes, e em 0,15 % BAC aumentava 25 vezes.

Tem se atuado na prevenção de acidentes no trânsito através do estabelecimento de leis específicas que regulamentam os limites alcoólicos (diferentes nos diversos países, e até mesmo dentro de um mesmo país) na ocasião do uso de veículos automotores. Para tanto, são considerados estudos como o citado anteriormente, que controlam a concentração de álcool no sangue, além de dados epidemiológicos a respeito dos sinais de intoxicação pela ingestão de etanol. A Tabela 3, apresentada a seguir, mostra uma relação entre os limites permitidos por alguns países e os possíveis sinais observados devidos a alterações no SNC.

A ingestão de valores de etanol acima dos demonstrados na tabela anterior podem gerar desde o acelerado aumento da incoordenação motora (0,10-0,15 g/ml), até a perda de consciência (0,30 g/ml). É possível ainda que valores mais altos levem ao

51 estado de coma e à morte, devido à depressão respiratória ( 0,40 g/ml) (Figueira, 2002; Global Road Safety Partnership, 2007).

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Limites etílicos permitidos pelos países e os possíveis sinais observados devidos a alterações no SNC na intoxicação aguda

Países Alcoolemia Aproximada

(% BAC)

Sinais Observados na Intoxicação Aguda

Brasil, Bulgária, Japão, Polônia, Romênia,

Rússia.

0,00-0,02 Leve euforia e relaxamento; diminuição da timidez.

África do Sul, Alemanha, Austrália, Dinamarca, Espanha, França, Grécia, Israel,

Itália.

0,05 Sensação de bem estar e relaxamento; calor, euforia e agitação; ligeira diminuição de

memória; diminuição da precaução.

Canadá, Reino Unido, Suíça.

0,08 Diminuição do equilíbrio e aumento do tempo de reação; alterações no discurso, na visão e na

audição; sintomas ansiosos e depressivos; redução do autocontrole, da precaução, da

razão e memória. Estados Unidos 0,08-0,10

Nota. Adaptado de “Avaliação das concentrações de álcool no ar exalado: Considerações gerais”, de D. G. Carvalho & V. Levton, 2000, Revista de Psiquiatria Clínica, 27(2): 76-80, de “Etanol e bebidas alcoólicas: Pode a atividade farmacológica do álcool explicar a diversidade de efeitos nos diferentes sistemas?”, de I. Figueira, 2002, Revista da Faculdade de Medicina de

Lisboa, 7(4), 165-171 e de “Drinking and driving: An international good practice manual”, de

O acompanhamento da concentração alcoólica no sangue tem sido realizado através do uso de etilômetros, popularmente conhecidos como bafômetros, através da medida da quantidade de etanol a partir do ar expirado (Leyton, Ponce & Andreuccetti, 2009). Em estudos experimentais que focam a ingestão de álcool são usados cálculos através de fórmulas matemáticas que tentam predizer o comportamento dos diversos teores de álcool no organismo (Brick, 2006; Drummer & Odell, 2001; Yonamine, 2004).

No entanto, a mesma quantidade de álcool em uma mesma bebida, ingerida por pessoas diferentes, pode determinar valores díspares de concentração alcoólica sanguínea. Do mesmo modo, uma mesma pessoa pode apontar valores diversos para uma mesma quantidade de álcool de uma mesma bebida de acordo com seu estado psíquico, fisiológico e até mesmo pelo contexto em que se encontra.

Estas fórmulas geralmente levam em consideração fatores específicos, como sexo, peso, ou idade do sujeito, de forma individualizada. Entretanto, por causa dessas variações pessoais, não se pode assegurar a precisão completa de nenhuma delas, pois são muitos os aspectos que podem interferir no processamento orgânico do álcool (Brick, 2006; Carvalho, 2008; Drummer & Odell, 2001; Yonamine, 2004).

Assim, primando por estes aspectos, considerou-se neste trabalho o estudo de revisão de Brick (2006), no qual ele apresenta uma série de fórmulas que podem ser utilizadas para o cálculo e a interpretação de forma mais unívoca e precisa entre os pesquisadores da ingestão de etanol. Brick oferece um conjunto de fórmulas que enfocam tanto as características antropométricas gerais dos participantes tomadas em conjunto quanto o tipo e quantidade de bebida, bem como as taxas de absorção e eliminação de álcool no organismo humano.

53 O limite de alcoolemia no Brasil é regido pelo Departamento Nacional de Trânsito. A ingestão máxima de etanol permitida no Brasil tem variado ao longo dos anos (Andrade et al., 2009). Segundo o antigo Código Nacional de Trânsito, Lei nº 5.108, de 21 de setembro de 1966, o limite era 0,08 % BAC. Já com o Código de Trânsito Brasileiro de 23 de setembro de 1997, Lei nº 9.503, esse limite baixou para 0,06 (Andrade, 2008) sendo que atualmente após novas alterações realizadas, a Lei nº 11.705 de 19 de junho de 2008 modificou esse limite para 0,02 % BAC (Carvalho, 2008).

Contudo uma alcoolemia igual ou superior a 0,02 % BAC já é suficiente para prejudicar as habilidades necessárias para a condução de veículos, como a divisão da atenção, funções visuais e o acompanhamento de movimento. Acidentes fatais envolvendo motoristas com alcoolemia entre 0,02 e 0,05 % BAC ocorrem aproximadamente de 2,6 a 4,6 vezes mais do que se o condutor estivesse sóbrio (Heng, Hargarten, Layde, Craven, & Zhu, 2006).

Além disso, ainda que atualmente no Brasil este limite seja praticamente nulo, muitos outros países, como mostrado anteriormente, possuem valores máximos permitidos bastante superiores (Carvalho & Levton, 2000). E mesmo no Brasil, as pessoas ainda tem consumido bebidas alcoólicas em larga escala, moderadamente ou não, sem se importarem se estão dirigindo veículos, operando máquinas ou se comprometendo em atividades perigosas (Adura et al., 2008; Andrade & Oliveira, 2009; Leyton, Ponce, & Andreuccetti, 2009).

Deste modo, considerando-se que inclusive a ingestão de quantidades menores de etanol podem ocasionar o surgimento de reações adversas que afetam as capacidades e habilidades dos indivíduos (Adura et al., 2008; Morris & Maisto, 2004), se faz necessário uma discussão sobre esses efeitos. Neste sentido, este estudo colabora no

esclarecimento da população quanto as consequências do consumo moderado de álcool, auxiliando no processo de integração da mesma na prevenção dos prejuízos acarretados por este comportamento já estabelecido na sociedade.

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