5. Methodology and results
5.3. Phylogeographical analysis
Às vezes parece que temos os mesmos questionamentos simultaneamente, às vezes parece que algumas de nós vão em socorro umas das outras, numa cumplicidade tácita e invisível.
(Nota de Campo 03, de 11/08/05)
Assim como os indicadores anteriormente apresentados, a solidariedade também pertence ao campo sócio-emocional dos padrões positivos de um grupo, e é constituída por relações de ajuda e assistência recíproca (OLMSTED, 1970).
Duas professoras, Azaléa e Edelweiss, falam um pouco da sua experiência pessoal e a Bege
instiga o assunto para propor algumas reflexões acerca do processo criativo. Eu,Violeta, Hortênsia e Rosa também complementamos a sua fala visando dar uma maior clareza ao
assunto tratado.
(Nota de Campo 01, de 12/05/05)
Hortênsia e Violeta vão perguntando e intervindo de quando em quando, mas eu percebo que
as suas intervenções são feitas mais para clarear as idéias para todo o grupo acerca do que é apresentado do que para benefício delas próprias.
Vimos em Olmsted (1970) que em grupos onde se evidenciam os laços de amizade e afeto entre as pessoas é muito comum surgir o desejo de auxílio mútuo, de uma maneira informal, já que a solidariedade é, muitas vezes, um sentimento inconsciente, ou seja, uma “questão mais de sentimento que de cálculo” (p. 6).
Em determinado momento a Hortênsia oferece ajuda para a palestrante entender o assunto
discutido. Essa é bem uma característica marcante de sua personalidade, ela está sempre disposta a ajudar as colegas no que for preciso, e é sempre muito prestativa com todas. Tenho aprendido muito com ela.
(Nota de Campo 03, de 11/08/05)
A Violeta faz algumas perguntas para a Magnólia “esmiuçar” a sua explicação, de modo que
todos entendam suas colocações. Vejo que seu intuito é mais para clarear para o grupo o que está sendo dito do que para si mesma.
(Nota de Campo 10, de 03/04/06)
A Rosa tenta clarear o pensamento da Gardênia para a palestrante e, ao mesmo tempo,
clarear as respostas desta para um melhor entendimento daquela, apresentando ora alguns esclarecimentos para o grupo ora dúvidas para a professora convidada.
(Nota de Campo 11, de 15/05/06)
Observamos que em um grupo onde se destaca a solidariedade, cada pessoa mostra-se feliz por cooperar com o outro e socorrê-lo em suas necessidades, agindo de modo como se socorresse as suas próprias.
Eu acho que uma coisa que ajuda muito a gente aqui dentro desse grupo é o seguinte: todo mundo quer ajudar todo mundo. Se eu chegar pra alguém aqui e perguntar: “− Olha, eu tô com uma dificuldade, eu tô trabalhando tal coisa na escola, o quê que você acha? O quê que eu faço?” Ah, pode juntar umas duas, três pessoas aqui em volta e uma vai dando idéia... Então, ninguém esconde o leite, ninguém fica escondendo o que sabe. Então todo mundo quer ajudar, todo mundo quer dar um palpite, todo mundo quer que o outro consiga.
(Pink – Entrevista coletiva de 11/04/07)
Violeta comenta sobre um ajudar o outro: − Eu achei interessante porque a Papoula agora fica mandando e-mail, né? Dizendo: “− Socorro! Eu não dei conta disso! O quê que eu faço agora? E agora? Não, agora eu consegui fazer isso e isso, legal, né?”
E alguém diz: − E ela está lá no Sul [do país]! Violeta diz: − É!
A pesquisadora acrescenta: − E ela manda filme, manda imagem, ela manda tudo! Às vezes a gente não está nem perguntando nada e ela manda: “− Olha! Eu encontrei esse filme! Vai assistir!”.
Violeta completa: “− E encontrei esse texto!”
Segundo as pesquisas apresentadas em Olmsted (1970) a solidariedade, em alguns de seus aspectos, é uma qualidade das relações sociais com tendência a surgir espontaneamente, sem que haja necessariamente um “porquê.” ou um motivo premeditado. Ela nasce das expressões de afeto entre as pessoas, do sentimento de pertença a um mesmo grupo, do desejo de preservação e manutenção da sociedade.
Vanilla ajuda a palestrante, usando um sinônimo da palavra que ela disse, para com isso
facilitar o entendimento do que é exposto.
(Nota de Campo 03, de 11/08/05)
A coordenadora grampeia a pauta da reunião de hoje e a Vitória-Régia se oferece para
ajudá-la e agilizar essa ação.
(Nota de Campo 04, de 15/09/05)
A coordenadora ressaltou a contribuição da Papoula no meu trabalho, dando-me algumas
dicas sobre artistas e obras. A Papoula enviou para mim as imagens de determinadas obras
de um artista brasileiro.
(Nota de Campo 07, de 08/12/05)
Desse modo, com o presente estudo, percebemos que a solidariedade possibilita o estabelecimento de uma responsabilidade mútua entre os componentes de um grupo, onde cada um passa a considerar a si próprio como parte de outros, como um co-participante de um destino comum.
Uma coisa que eu sinto no grupo, e sinto mesmo, e eu acho que isso me ajuda muito, é a confiança que as pessoas têm umas nas outras. É uma relação de confiança. Não existe assim: “− Ah, eu vou ficar calada porque se eu falar a fulana vai me criticar! Você sabe que você pode se abrir, que você pode confiar que o cara, que o outro do seu lado vai te ajudar, que ele não vai te dar uma idéia que, assim, vai te deixar mal em alguma situação. Acho que é uma relação de confiança, que não tem aquela coisa de dizer: “− Ah, eu vou ficar quieto, porque isso aqui eu é que fiz e não vou passar pra ninguém!” Entendeu? As pessoas são, assim, abertas para aquele grupo, elas partilham!
(Rosa – Entrevista coletiva de 11/04/07)
A vivência da solidariedade permite a manifestação de uma outra qualidade peculiar nos grupos, que é a coesão, pois esta “supõe uma espécie de simpatia e identificação mútua cuja forma de expressão é ‘nós’” (OLMSTED, 1970, p. 7, destaques do autor). As pessoas agem para beneficiar o todo e seus objetivos convergem para esse todo, pois cada uma delas dá e recebe.
A seguir apresentaremos a coesão como mais um indicador em prol de uma melhor compreensão do sujeito de nossa pesquisa: o grupo e seus integrantes.