• No results found

1 Introduction

1.4 Phosphorus in fisheries and aquaculture

Perseguição, agonia, incerteza, tristeza, angústia, pavor, isolamento, humilhação, agressão, medo. A escola que habitava sorrisos de satisfação diante novas palavras aprendidas, sentenças solucionadas ou mesmo frente ao mero e tocante cheiro de um livro novo, hoje carrega consigo não mais essas simplicidades de alegria, mas o peso de frustrações e da violência que cada vez mais toma seu espaço, pisa seus sonhos e arranca-lhe a inocência.

Nesta construção, muito se falou sobre a antiguidade da existência do bullying nos ambientes escolares, porém a força e a vastidão com que ele vem tomando os espaços estudantis tem despertado atenção, preocupação e interesse em estudos cada vez mais próprios e particulares.

Dos maus tratos entre os muros da escola às exposições vexaminosas em rede mundial, a evolução perversa desta agressão vem se mostrando cada vez mais cruel e intermitente em seu sofrimento e desamparo. Com autoestima baixa, muitos dos que sofrem penosamente o mal do bullying, desconhecem suas fortalezas internas. Isolados de um convívio familiar cúmplice, espectadores de programas diários de culto a ditadura de uma beleza imposta pela força de um capital social e que realmente parece difícil ser alcançada, essas crianças e jovens que sofrem a angústia da humilhação e da exclusão, quando sem alicerce, acabam ruindo, rendendo-se ao desespero, acreditando na força dos insultos que diariamente lhes fere o corpo e a alma e acabam entregando o jogo, desistindo da luta e por vezes, saindo de cena antes que o espetáculo termine.

As inovações tecnológicas têm contribuído para que essa avalanche se propague, derrubando vítimas com embates cada vez mais ásperos. Com câmeras de celular ou máquinas de fotografia digital, agressões são apreendidas, montadas e ―jogadas‖ em rede com a velocidade da internet, atravessando fronteiras e espaços, em tempos recordes e imprevisíveis. Como uma praga viral, a cena vagueia de uma página virtual à outra, de site em site, viajando entre e-mails e compartilhamentos, até tomar vida própria, desprendida de sua postagem inicial, vagando entre bites, bytes e a diversidade eletrônica. Impossível retirar por completo o que um dia foi publicado em ambiente virtual de maneira maldosa, banal, por ausência de empatia por parte de um agressor sedento por popularidade.

Conscientizar para que essas mesmas ferramentas possam trazer benefícios à cultura social de respeito, integração e amor, é vontade de alguns que pesquisam, estudam e aplicam em um caminho certo para definição e caracterização deste mal.

Com o objetivo de investigar a percepção de estudantes do ensino médio a respeito do

bullying, utilizando vídeos como suporte para reflexão, reavaliação e elaboração, buscando

possibilidades de mediações socioculturais decorrentes desta experiência, esta pesquisa se pautou nas respostas de cento e quarenta e dois jovens que, com respostas extraídas de suas realidades socioeducacionais, expuseram uma vivência real deste tipo de violência, expressando-se em ideias e conceitos próprios de quem se percebe inserido em um ambiente frágil, porém portando expressões e conscientizações inconformistas e renovadoras.

Ao relatarem suas concepções e experiências relacionadas ao bullying, os estudantes apresentaram indefinições, como a insistência em atribuir suas ocorrências em uma pluralidade local e o costume em classificar com esta denominação, ocorrências de ataques isolados. Agressões esporádicas, pautadas por um histórico de desentendimento e com ocorrência fora do ambiente escolar, é uma violência, mas não bullying. Para se caracterizar como tal, é preciso que este ocorra em ambiente escolar, ou dele derive, e tenha frequência em suas ações, geralmente banais e sem motivação e consistência. Outro ponto comum a alguns, em maioria aos estudantes do sexo masculino, foi a conformação com ataques violentos repetidos como sendo ―zoação‖ e, por isso, pendendo pra obrigatoriedade de aceitação e espera que passe com o tempo. Dos que sentiram na pele a realidade desta prática, vieram relatos de desagrado, tristeza, incompreensão e repulsa: ―Não é legal, a gente se sente menos do que as outras pessoas. Em minha opinião o bullying gera mais bullying, pois quando

sofremos, procuramos defeitos em outras pessoas para desviar a atenção da gente.‖ (III-VIII-F15). Independente de conceituação e tipificação, o fato é que ninguém precisa e

nem merece sofrer para fazer-se fortalecido e contrariado frente agressões e maus tratos. Perceber-se como ser social inserido em um mundo, que pela lei da natureza, deveria ser igualitário em seus poderes e solidário em suas ações, é compreender e exigir que o Estado, como ordem jurídica soberana, cumpra seu dever de intervir em prol do bem comum de seu povo, entendendo por bem comum, o conjunto de todas as condições de vida social que assegurem e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana.

A grande maioria dos jovens, fazendo uso de suas expressões e da lógica sobre a temática, conseguiram definir o termo prevenção em sua essência, como sendo algo a ser evitado, como um alerta que clama por cuidado e atenção. Entender a força deste termo, é encurtar a distância entre a conscientização e o combate a violências, como as geradas pelo

bullying. Trabalhar ideias, rever crenças, valores, comportamentos, é o caminho para a

prevenção das adversidades sociais e das desigualdades humanas. Não se combate retirando conceitos na força da punição, mas sim, plantando na sutileza natural, virtuosidades que

preencherão espaços venturosos na vida de cada um. Ações de cultivo aos sentimentos altruístas devem ter presença eterna nos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas e nos exemplos familiares. Só percebendo a força prática de conceitos como respeito, tolerância, igualdade, integração, inclusão, amor, é que poderemos repudiar ações e expressões que venham de encontro ao bem comum.

Apresentando suas ações em um mundo globalizado, mais da metade dos entrevistados demonstrou familiaridade com produções audiovisuais, seja com finalidade de entretenimento e diversão ou com intenção pedagógica e avaliativa. Construir vídeos mostrou-se para eles a elaboração de um meio que expressasse suas próprias vozes, seus anseios, suas percepções de mundo, algo tão comum em suas vidas que, para muitos, indiferente à oportunidade de manifestação que estes meios proporcionam, poderia ser considerado como algo ―normal‖.

Perceber-se na construção do outro, é entender o poder do audiovisual que, em suas artes, proporciona adentrar um mundo que não é seu, viver uma história que não é sua, sentir uma dor que não lhe pertence. A opinião de muitos, após a visualização dos vídeos apresentados, foi de reflexão, de abertura de consciência, de alerta. O que no início da coleta de dados, na voz de alguns, representava uma brincadeira de criança, uma ―zoação‖ entre jovens e uma normalidade social, após visualização e discussão sobre o exibido, passou a ser visto como uma realidade clara, como se o véu da banalidade tivesse sido retirado, deixando- se desnudar a verdade de que atitudes como xingamento, exclusão, humilhação, agressão, ofensa, não eram diversão e nem podiam ser, porque enquanto muitos prazerosamente sorriam, outros sofriam. Perceber a dor de uma vítima quando inserida no contexto real da agressão, pode ser algo difícil de alcançar, mas visualizá-la do ponto de vista desse que sofre, um artefato que os vídeos proporcionam com precisão e sentimentalismo, alteram visões que, do ambiente escolar, perpassam em desejos, para o mundo social: ―podemos mudar o mundo com outros tipos de atitudes.‖ (IV-XXII-M17).

Mais do que explanar sobre o bullying, destacando suas características, sua tipificação, seus exemplos de ocorrência e superação, evidenciando projetos de sucesso e atitudes preventivas, esta pesquisa me proporcionou escutar uma parcela social que caminha lado a lado com esse tipo de agressão. As palavras dos jovens entrevistados relataram seus anseios, suas angústias e suas ideias frente a uma sociedade que costuma falar por eles sem ao menos tê-los ouvido. Percebê-los clamando por amor, por respeito, pela diversidade, é entender que não se pode perder a oportunidade de utilizar toda essa gana que brada por justiça social, deixando-a apagar e esvair-se em opressão, tirania e aceitações passivas.

Nesta pesquisa, procurei desenvolver um pouco, do muito que este assunto abrange. Com sua realização foi possível adentrar um campo que superficialmente me era familiar, e que agora, se mostrou sedutor. Este é o início de um trabalho que almejo continuar desenvolvendo, pesquisando, buscando entendimento, compartilhando, construindo e propagando, em ideias preventivas, atenuantes e esclarecedoras.

Das intenções fervilhando na cabeça dos jovens entrevistados as minhas vontades de persistência e ampliação neste campo de estudo, o caminho a ser percorrido ainda é grande, mas a concretização do primeiro passo, apresenta essa trajetória como possível, viável e necessária, afinal, a lição mais importante já me havia sido passada, lá trás, há distantes anos, na certeza de que a luta de um, poderia ser a vitória de muitos: