Sabendo-se que a precisão da base digital esta intimamente ligada a todas as etapas de conversão do produto analógico/digital, buscou-se com este trabalho testar antes a precisão do dispositivo de digitalização automática (escâner), para verificar se tais produtos atendem às especificações clinicamente exigidas.
Os aparelhos de escâneres podem ser classificados de acordo com a resolução espacial e radiométrica. A resolução espacial é medida em termos de pontos por polegadas (dpi). Segundo Graça (1990) a resolução adequada é definida em função do menor detalhe que se quer ver digitalizado. Para uma resolução de 300dpi, pode-se distinguir um traço de 0,05mm. Como a resolução de escolha para escaneamento dos modelos de estudos foi de 300
dpi, distorções de 0,05mm poderiam acontecer. Dentro dessa inevitável condição de distorção de imagem atrelada à metodologia aplicada, se somássemos o máximo de alteração dimensional que poderia ser obtida no escaneamento de um arco dentário somada à distorção contrária do arco oposto, segundo o referido artigo, totalizaria 1,2mm (0,05 para cada dente do arco superior + 0,05 para cada dente do arco inferior) de distorção possível. Somado à este valor a diferença de 0,08mm da variação da média de diferenças (-0,05 a 0,03), obteríamos o resultado de 1,28mm, o que poderia interferir muito discretamente no resultado da discrepância de Bolton (Tomassetti, 2001; Proffit, 2007). Mas pontuemos os seguintes parâmetros estatísticos estabelecidos por Bolton (1958) para validar os resultados obtidos em sua pesquisa:
•Erro padrão da média, que apontaria o grau de variação a ser esperado da média, caso o seu experimento fosse repetido em outra amostra similar.
•Desvio padrão, sendo o valor da constante que mede em termos absolutos o grau de dispersão da amostra.
•Coeficiente de variação, relacionando o desvio padrâo com a média, expressando assim o desvio padrão como um valor percentual da média. Para haver significado estatítico, este valor deve ser pequeno.
•Coeficiente de correlação, utilizado para correlacionar duas medidas da mesma amostra.
Seguindo as premissas citadas, são apresentados abaixo o quadro 2 com os resultados para a relação total obtida por Bolton, em 1958.
Quadro 2 - Resultados para a relação total obtida por Bolton, em 1958. Valores limítrofes 87,5 – 94,8
Média 91,3
Desvio Padrão 1,91
Erro padrão da média 0,26
Coeficiente de variação 2,09%
Portanto, com relação à aplicação clínica de sua análise, para a relação total, um desvio padrão de 1,91 para a média de 91,3 com erro padrão da média de 0,26 o valor de 1,28 é muito pequeno. Portanto, a distorção apresentada pelo escaneamento do template não tem importância clínica, ou seja, as distorções nas diferentes áreas do template, geradas com o uso do aparelho de escâner, em valores de décimos de milímetros, é clinicamente admissível - o que permitiu a continuidade da pesquisa.
Dentro ainda desse contexto de avaliação da medida da imagem obtida e sua comparação com o template impresso, torna-se interessante ressaltar o seguinte aspecto relacionado ao processo de escaneamento: pôde-se perceber que a distorção calculada para as distâncias nas imagens com 300dpi está dentro do limite clínico estabelecido, o que pode não acontecer com imagens de menor resolução. Isto se dá pelo fato de que a relação pixel/distância é menor na imagem com 300dpi. Por exemplo, a dimensão do pixel para 100dpi é de aproximadamente 0.025x0.025cm, ao passo que com 300dpi, a dimensão é de 0.0037x0.0037cm, o que minimiza o erro de centragem do pixel. O erro de centragem do pixel está relacionado com a dificuldade de encontrar o centro exato de um cruzamento entre linhas para se efetuar a medida de distância
(ASPRS, 1989). Como a pesquisa foi realizada utilizando uma resolução de 300dpi, resultados de distorções maiores podem ser encontrados caso sejam utilizadas resoluções menores que esta. Assim como a utilização de resoluções maiores acarretarão numa maior precisão.
O aparelho de escâner utilizado nesta pesquisa, propositalmente, possui uma velocidade mediana de escaneamento (até 30 cópias por minuto em preto; 20 cópias por minuto em cor). Muitos usuários de escâneres convencioanis optam por aparelhos com alta velocidade de digitalização automática, entretanto isto pode não ser muito vantajoso para aplicações de precisão milimétrica, pois segundo Dalmolin (1998) a alta velocidade pode provocar ruídos na imagem, diminuindo a acuracidade dos dados. Além disso, uma alta velocidade de digitalização automática necessita um sistema de iluminação com maior potência, o que pode provocar aquecimento do aparelho, influenciando as partes óptico-mecânica e eletrônica, requerendo assim mecanismos para controlar a dissipação de calor. O escâner deve apresentar uma boa estabilidade de digitalização.
Baltsavias e Patias (1990) relatam os principais problemas e erros relacionados aos escâneres convencionais de mesa como sendo: distorção devido as lentes ou outras partes ópticas, erros de subamostragem, produção de manchas, focalização, falso registro de cores, alcance dinâmico, diferentes padrões de resposta entre os sensores lineares, vibrações, desuniformidade e instabilidade na iluminação e saturação. O uso de imagens digitais têm sido apresentado como uma alternativa agradável para a geração de bases odontométricas. A precisão deste processo pôde ser constatada nos experimentos demonstrados nesse presente estudo. Cabe ressaltar que a
precisão do produto final está relacionada a capacidade do software utilizado para análise e do escâner.
O software deve ser capaz de manipular imagens em várias janelas de zoom, facilitando a tentativa de encontrar o ponto inter-pixel central da região desejada. A resolução do sistema nunca deve ser inferior a da imagem (Graça, 1990).
A resolução das imagens se reflete no tamanho dos arquivos de armazenamento (imagens com 100dpi ocupam espaço menor que imagens com 300dpi), porém podem comprometer a precisão da base odontométrica, principalmente quando os pontos de controle para o ajuste não são bem definidos, ou seja, quando não existe a calibração para aferição de medida. Recomenda-se que se utilize imagens com resolução de no mínimo 300dpi.
Em uma nova etapa seria interessante testar novos instrumentos de digitalização, variando as resoluções das imagens. Recomenda-se que em hipótese alguma, durante o processo de análise seja dispensado o processo de calibração. Na geração de bases odontométricas, os pontos ou arestas dentárias devem estar bem definidos na imagem, evitando assim um ajuste errôneo.
8.3 DISCUSSÃO SOBRE A CONCORDÂNCIA INTER-EXAMINADOR PARA