5.2 Development Process
5.2.3 Phase 3
Embora o movimento ambientalista ou ecologista tenha se estabelecido no Brasil desde a década de 1970, com práticas e discursos voltados para a conservação ambiental e atuação da população na luta por um ambiente mais justo e com maior qualidade de vida, a Educação Ambiental enquanto área de pesquisa é bastante recente se comparada a outros campos do conhecimento em Educação. Para se ter uma idéia, o reconhecimento da Educação Ambiental como grupo de trabalho (GT) dentro da ANPED – Associação Nacional de Pós-graduação em Educação, data do ano de 2003, tendo ocorrido o seu estabelecimento em tal associação após um longo processo de participação de pesquisadores e pesquisadoras da área junto a esta organização, visando a inserção da Educação Ambiental como área temática de pesquisa da Educação. 5
Neste sentido, muitos dos fundamentos da Educação Ambiental, como área do conhecimento científico, estão em processo de construção, sendo considerável o número de pesquisas realizadas neste campo, cujos pressupostos assumidos e procedimentos metodológicos e avaliativos adotados tenham sido embasados mais na intuição dos pesquisadores do que em referenciais teóricos da área de Educação. As discussões que se seguirão a respeito da escolha de teorias e métodos em estudos de Educação Ambiental, bem como a elaboração de questões de pesquisa dentro de uma intervenção educativa, constituem-se em algumas considerações possibilitadas pelas importantes trocas de conhecimentos e experiências durante minha participação (ainda que esporádica nos momentos mais “corridos” destes seis anos de pós- graduação) no GEPEA, Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Ambiental, constituído por pessoas de áreas variadas e estabelecido na Universidade Federal de São Carlos com o propósito de refletir e avançar no conhecimento da Educação Ambiental enquanto área de pesquisa.6
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Não há, na referência a esta informação, a intenção de vincular o estabelecimento da Educação Ambiental como área de pesquisa no Brasil ao seu reconhecimento como grupo de trabalho em Educação pela ANPED, mas em trazer um fato histórico para a discussão do tema apresentado no texto.
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Não quero, contudo, afirmar que as discussões que se seguirão sobre a escolha de teorias e métodos refletem, necessariamente, a opinião do GEPEA. Apenas reconheço aqui que minha elaboração pessoal sobre estas escolhas foi possibilitada pela participação em discussões realizadas pelo grupo sobre estes temas.
Há de se considerar que a coerência de qualquer pesquisa no campo da Educação está vinculada à escolha dos referenciais teóricos e metodológicos. Neste sentido, é necessário que, na etapa de planejamento da pesquisa, os conceitos e fundamentos adotados sejam explorados para que a decisão pelos procedimentos metodológicos e avaliativos seja coerente com o referencial teórico assumido, havendo, desta forma, complementaridade entre teorias e práticas e não antagonismo. Exemplificando, se o referencial teórico adotado em uma pesquisa de Educação Ambiental rompe com a visão tradicional de Educação, os procedimentos metodológicos e instrumentos escolhidos para a avaliação das práticas também devem sinalizar esta ruptura e não, ao contrário, reforçar os pressupostos de outras linhas teóricas. Neste sentido, constituem-se perguntas relevantes que podem ser feitas na etapa de planejamento de uma pesquisa em Educação Ambiental:
a) Que conceitos de Educação e de Meio Ambiente eu assumo na concepção desta pesquisa?
b) De que forma a escolha do meu tema de pesquisa revela sincronia com tais conceitos assumidos?
c) Que procedimentos metodológicos são coerentes com os conceitos de Educação e de Meio Ambiente que estou assumindo?
d) Há coerência entre as teorias e práticas propostas neste trabalho?
Estas perguntas iniciais poderiam contribuir no sentido de se evitarem equívocos como o compartilhado em uma das reuniões do GEPEA por uma das participantes do grupo num contexto de reflexões sobre referenciais teóricos e metodológicos. Tal participante expôs a sua experiência de encontrar em uma mesma página de uma dissertação na área de Educação Ambiental, uma citação de Paulo Freire e uma de Burrhus Frederic Skinner, unidas na discussão que a autora do trabalho fazia, não para um confrontamento de ideais e visões, mas embasando uma mesma pesquisa. Embora este tipo de equívoco explícito não seja tão freqüente, não são raros os trabalhos de mestrado e doutorado de Educação Ambiental que, embora sejam importantes degraus construídos para a elaboração do conhecimento na área, tendo ainda relevância ambiental, quando analisados do ponto de vista teórico-metodológico, se mostram bastante deficientes.
Este fato pode ser evidenciado quando constatamos que muitos trabalhos apresentam um histórico detalhado da Educação Ambiental, relacionando tal movimento à ruptura com modelos políticos e econômicos opressores, podendo-se embasar tais posicionamentos ideológicos no
pensamento de Paulo Freire, por exemplo, mas que em suas práticas se utilizam de procedimentos metodológicos e avaliativos que poderiam ser relacionados às teorias de condicionamento e modelagem do comportamento estabelecidos por Skinner.
Outro fato importante a ser considerado é a necessidade de se estabelecer, nos casos das intervenções educativas, quais são as questões de pesquisa que as práticas propostas procuram responder. Embora a relevância de tais práticas seja, na maioria das vezes, bastante óbvia do ponto de vista ambiental, por mais significativa que uma prática de Educação Ambiental seja para a construção de um mundo melhor, ainda assim ela não poderá ser considerada como prática de pesquisa se não forem decorrentes dela contribuições para o avanço do conhecimento da Educação Ambiental enquanto área de pesquisa.
Visando uma melhor compreensão deste trabalho, serão apresentados aqui os conceitos assumidos, assim como os procedimentos metodológicos adotados à luz das teorias.