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PGD for å utelukke alvorlig, arvelig sykdom

11 Andre lands rett og internasjonal regulering

12.2 PGD for å utelukke alvorlig, arvelig sykdom

Por se tratar de uma pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, que assume uma posição dialógica entre os sujeitos, seguimos uma orientação cíclica, que acontece de forma diferente do padrão linear, no qual o pesquisador já tem claro o que quer encontrar desde o início de sua pesquisa (SPRADLEY, 1980). No nosso caso, determinamos seu propósito, levantamos algumas questões e, depois, iniciamos o processo de coleta de dados da pesquisa.

A coleta de dados foi realizada por meio de gravações, em vídeo, das observações; fotos; anotações em caderno de campo e entrevistas semiestruturadas. Devido ao formato em “L” da sala que dificultava a filmagem de acontecimentos concomitantes, utilizamos, na maioria das vezes, duas filmadoras. Quase sempre uma filmadora ficava na mão da

pesquisadora e a outra, ora ficava no tripé, ora era manuseada pela assistente de pesquisa, Tatyane Almeida Andrade, nos dias em que ela pode estar presente em campo. Algumas filmagens foram feitas do lado de fora da sala e no pátio, quando as turmas eram divididas para, em vários grupos, realizarem atividades diferentes. Ao final da pesquisa, foram registradas cerca de 20 horas de filmagem. As imagens digitais estão armazenadas em DVDs para facilitar o trabalho de transcrição do material.

FIGURA 16 – atividade dentro da sala de música. FIGURA 17 – atividade rítmica no pátio.

A partir da análise das informações obtidas, problematizamos as perguntas que emergiam do campo, à medida que aprofundávamos as observações ao longo do tempo. Para Spradley (1980), numa perspectiva etnográfica, as questões propostas no início da investigação são mais gerais e para se chegar a observações focalizadas e seletivas, é preciso analisar os dados que estão sendo coletados.

Como tínhamos em mãos grande quantidade de material coletado, tornou-se necessário realizar uma seleção de eventos que tivesse como foco as atividades que favoreciam o trabalho criativo dos alunos em sala de aula. Nesse momento, percebemos que o material gravado das aulas de música do 4º ano fornecia dados que contemplavam nossos objetivos de maneira significativamente superior ao material gravado na 3º ano. Optamos, então, por direcionar o foco dessa investigação para a análise dos dados relativos somente à turma do 4º ano. Apesar de essa opção modificar a proposta inicial de nossa pesquisa, consideramos a decisão importante para o escopo do trabalho final.

Para Castanheira (2004), a redefinição do foco pode levar a uma mudança no tipo de descrição e representação dos eventos interacionais. Assim, descrições e representações macroanalíticas podem passar a microanalíticas como resultantes da necessidade de se explorar, a partir de diferentes ângulos, o processo interacional estabelecido entre os participantes. Ao fazer essa escolha, fizemos uma imersão nas interações sociais estabelecidas entre o professor de música e a turma do 4º ano.

Orientadas pela perspectiva etnográfica, realizamos mapas de eventos das aulas gravadas. “Os mapas de eventos são instrumentos utilizados com o objetivo de representar o que aconteceu na sala de aula, um ciclo de atividades, construído pelos sujeitos através de um processo dialógico e interacional” (DIAS; GOMES; GREGÓRIO, 2010). Na análise dos mapas de eventos, procuramos evidenciar os eventos e subeventos que tiveram como foco o trabalho criativo que emergiu das relações entre o professor de música e seus alunos, na sala de aula de música do 4º ano. Os mapas favoreceram a compreensão de como o professor de música e seus alunos construíam, por meio da interação na sala de aula, padrões de agir, falar, participar e, consequentemente, de ensinar e aprender, e auxiliaram a identificar como foram construídas as posições, papéis e responsabilidades atribuídas a cada membro daquele grupo pesquisado.

Os mapas de eventos dessa pesquisa foram organizados da seguinte forma:

QUADRO 3 Mapa de eventos

TEMPO PARTICIPANTES EVENTO CONTEXTUALIZAÇÃO

Na primeira coluna, marcamos o tempo de duração dos eventos. Na segunda coluna, diferenciamos as atividades que foram realizadas individualmente ou em pequenos grupos das atividades que foram partilhadas pela maioria da turma. Na terceira coluna, identificamos os eventos que resultaram em oportunidades de aprendizagem construídas pelos alunos e pelo professor. Ressaltamos que essas oportunidades nem sempre foram reconhecidas e aproveitadas por todos os alunos da mesma maneira. A quarta coluna foi utilizada para os comentários da pesquisadora relativos às ações, comportamentos não verbais e conteúdos das atividades relacionadas aos eventos e subeventos observados.

Quase todo o material gravado foi transcrito pelas assistentes de pesquisa Tatyane Almeida Andrade e Thayrine Carla Fernandes32. As transcrições foram feitas em sequências discursivas produzidas pelos participantes. Foram utilizadas as “unidades de mensagem” como forma de apresentação (GREEN; WALLAT, 1981), o que significa que foi transcrita a unidade mínima codificada no sistema de mensagens produzido pelas e nas interações sociais. A unidade de mensagem é definida em termos de sua origem, forma, propósito, nível de compreensão e por suas ligações e sua fronteira é linguisticamente marcada pelas pistas de contextualização (GUMPERZ, 2002), que podem definir uma mensagem ou um evento que se quer analisar. Os sinais utilizados nas transcrições estão representados no quadro a seguir:

QUADRO 4

Sinais utilizados nas transcrições

SINAIS OCORRÊNCIAS

/ Unidade de mensagem.

( ) Incompreensão de palavras ou segmentos.

(hipótese) Hipótese do que se ouviu.

:

Alongamento de vogal ou consoante podendo aumentar para ::: ou mais.

(...)

Indicação de que a fala foi tomada ou interrompida em determinado ponto.

Maiúsculas Entonação enfática.

(ritmo)

Um som é emitido pelo instrumento; numerações diferentes são ritmos diferentes.

... Qualquer pausa.

? Interrogação.

Fonte: CASTILHO, A.; PRETI, D. A linguagem falada culta na cidade de São Paulo. V. II – Diálogos entre dois informantes. São Paulo: T. A. QUEIROZ/EDUSP, 1986. p. 9-10.

Os alunos Rafaela e John foram considerados casos expressivos de nossa pesquisa. Segundo Mitchell (1984), um caso expressivo pode ser entendido como um

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Thayrine é bolsista de Iniciação Científica FAPEMIG, da pesquisa A psicologia histórico-cultural e a

etnografia interacional: a busca da coerência teórico-metodológica, coordenada pela professora Maria de

acontecimento descrito de forma etnográfica, capaz de fornecer elementos para a produção de inferências teóricas necessárias à construção de conhecimento sobre determinado tema.

Neste capítulo, explicitamos os pressupostos teórico-metodológicos da Etnografia Interacional e definimos os conceitos da Psicologia Histórico-Cultural utilizados nessa pesquisa – em especial, o conceito de criatividade, de Vigotski. Também contextualizamos o campo, descrevendo seu ambiente e seus participantes. No capítulo 4, focalizaremos as interações discursivas ocorridas na turma analisada, destacando as relações que possibilitaram a realização de trabalhos criativos.